quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS PREJUDICARÁ POPULAÇÃO POBRE


CAIO MONDEGO - O TRANSPORTE "ÁGUA COM AÇÚCAR" DE SÃO PAULO TEM SIMILAR EM TESTE EM VÁRIAS CIDADES DO PAÍS, INCLUINDO RIO DE JANEIRO.

Recentemente, esteve em teste, no Rio de Janeiro, o longo ônibus da CAIO Mondego, articulado, similar aos que rodam em São Paulo, que está em teste em várias cidades do país. Pelo seu aspecto bonito e aparentemente prático - é um ônibus longo - , ele pode ser considerado o ônibus "água com açúcar", usado para tranquilizar ou tentar tranquilizar aqueles que ficam perplexos com a expansão do tecnocrático modelo curitibano de transporte coletivo. Afinal, o transporte pode ser ruim, mas tem o lindo Mondego, por sinal há muito castigado pelas superlotações no sistema paulistano. Este truque influiu até para uma pesquisa tendenciosa envolvendo uns minguados dois mil e tantos paulistanos, publicada no portal G1.

A ameaça da padronização visual dos ônibus do município do Rio de Janeiro, medida que é o carro-chefe de um modelo "curitibano" feito para ostentação turística durante os eventos esportivos de 2014 e 2016, é pior do que se pode imaginar. E bem pior do que o que os mais pessimistas podem imaginar.

Simplesmente porque a padronização visual será NOCIVA para a população pobre do Grande Rio, sobretudo a numerosa população da Baixada Fluminense que vai muito para a Cidade Maravilhosa.

Imagine, por exemplo, na Pavuna, a Viação Pavunense, a Auto Diesel, Transportes América, Erig Transportes e a Viação Vila Real exibindo o mesmo visual. As pessoas pegando o 779 Pavuna / Madureira, da Viação Pavunense, pensando pegar a 942 Pavuna / Penha, da Erig Transportes. Ou as pessoas pegando, na Praça 15, o 474 Jacaré / Jardim de Alah da Empresa de Transportes Braso Lisboa, pensando ser o 455 Méier / Copacabana, da Viação Verdun.

O pessoal da Baixada sofrerá mais, porque ficará muito mais confuso. E não adianta o prefeito Eduardo Paes estender o bilhete único para as linhas municipais, ampliar benefícios, botar CAIO Mondego até na linha 904 Vicente de Carvalho / Praça Dois, porque os transtornos que a população sofrerá isso não irá compensar.

Não se trata apenas de dinheiro perdido, mas de tempo perdido. E pode haver passageiros indo para os bairros errados, correndo o risco de serem rendidos por traficantes, ou então pacientes que, por causa dos ônibus errados, demoram para irem ao hospital certo, e acabam morrendo antes do socorro (que já demora um bocadão).

Mas, para as autoridades, o que é o sofrimento da população diante do interesse turístico que é a prioridade delas? E o que é, para os tecnocratas do transporte coletivo, o sofrimento da população diante das certezas absolutas dos projetos tecnocráticos, baseados em operações matemáticas e guiados pela reputação artificial dos diplomas de pós-graduação? Afinal, o que é a experiência vivida nas ruas, diante da burocrática formação dos tecnocratas que se acham juízes máximos da humanidade?

Infelizmente, há pessoas dotadas dessa cegueira elitista que ainda vai lhes trazer sérios e dolorosos remorsos no futuro.

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