terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

OS DESCAMINHOS DE LULUZINHA


ACIMA, O DESENHO DA LULUZINHA, PELA EQUIPE DA HARVEY COMMUNICATIONS, SEM AS AVENTURAS ORIGINAIS. AO LADO, A ADAPTAÇÃO BRASILEIRA DA TURMA DA LULUZINHA PARA O PÚBLICO ADOLESCENTE

Na história das histórias em quadrinhos, um dos desenhos mais populares em todo o mundo, até hoje, é Little Lulu, que aqui no Brasil ganhou o nome de Luluzinha. Criada por Marjorie Henderson Buell (1904-1993), que adotou o nome artístico de Marge, Luluzinha é a principal personagem de A Turma da Luluzinha, uma divertida série em que um grupo de crianças, sobretudo Luluzinha e sua fiel amiga Aninha, e o gorducho Bolinha e seu grupo, composto também pelos amigos Careca, Juca e Zeca, se envolvem em uma variedade de aventuras, caraterizada por muitas encrencas e trapalhadas.

É uma série cômica, que acompanhei muito nos quadrinhos dos anos 70 e 80, décadas depois da criação de Marge (cujos desenhos ilustravam histórias escritas por John Stanley) já ter passado por vários desenhistas. E cuja essência foi inteiramente preservada na série de desenhos The Little Lulu Show, produzido nos anos 90, série que também vi e vejo sempre que possível na TV.

Mas em duas ocasiões A Turma da Luluzinha passou por descaraterização. Embora seja respeitado o crédito original de Marge e tenha alguma boa intenção na recriação do personagem em histórias de outro contexto, deixa-se de ver aqueles episódios engraçados de travessuras e deliciosas molecagens.

Uma foi entre 1943 e 1948, quando a Paramount Studios, através da Harvey Communications - produtora que fez, entre os anos 40 e 60, desenhos do Gasparzinho, Popeye, Brotoeja, Gato Félix e Recruta Zero - , realizou uma série musical aproveitando a personagem Luluzinha. Na prática, ela era a única personagem constante na série (Bolinha chegou a aparecer em um e outro episódio, mas quase que como numa ponta).

As histórias de Little Lulu pela Harvey/Paramount basicamente se caraterizavam por uma desobediência individual de Luluzinha a alguma coisa, até que, diante de algum incidente, ela sucumbe de uma forma ou de outra a um universo de sonho enquanto uma canção - bem aos moldes dos standards de Hollywood, afinal a Paramount era uma das produtoras da fase áurea do cinema estadunidense - , onde aparecem objetos animados cantando diante de uma Luluzinha às vezes perplexa, às vezes deslumbrada. Até que, terminada a canção, a menina volta à realidade.

Outra descaraterização é uma adaptação brasileira de A Turma da Luluzinha feita para o público adolescente. Feita pela Pixel Estúdios através de autorização dos editores originais que hoje detém o copyright, Luluzinha Teen e Sua Turma teve o claro objetivo de competir com a adaptação adolescente de A Turma da Mônica, chamada Turma da Mônica Jovem.

A história segue o mesmo universo curtido pelos adolescentes brasileiros, algo entre o seriado Malhação da Rede Globo e os mangás (histórias em quadrinhos japonesas). Há desde apresentações de bandas emo ou de grupos de pop dançante, até mesmo partidas de futebol e heróis e vilões típicos dos mangás.

Tanto os desenhos da Paramount quanto os quadrinhos teen da Pixel são válidos, têm o seu valor expressivo. Mas não deixam de ser, de toda forma, descaminhos da trajetória original da Turma da Luluzinha. Por isso, embora sejam bastante válidos como entretenimento, eles não substituem as histórias cômicas originais de Luluzinha, Bolinha e seus amigos.

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