domingo, 28 de fevereiro de 2010

O VÍCIO DO PAULISTOCENTRISMO


AVENIDA PAULISTA - Espécie de "Meca" do fundamentalismo midiático brasileiro, ela é erroneamente vista como se fosse a única sede do poderio da grande mídia.

Existe um terrível cacoete, um vício incômodo que domina certos analistas ou mesmo artífices da grande mídia brasileira. É limitar o poder da grande mídia às emissoras ou grupos empresariais situados em São Paulo ou, quando muito, no corredor midiático Jardim Botânico-Jacarepaguá (áreas onde ficam as instalações da TV Globo).

É um grande erro. De fato, Rio de Janeiro e São Paulo são os grandes centros brasileiros, e nesses locais a grande mídia realmente encontra suas expressões máximas.

No entanto, superestimar esse fato pode dar a erros sérios, constrangedores, que é inocentar a grande mídia regional, que não está diretamente ligada a esses centros.

Por isso, muitos analistas, blogueiros e jornalistas que atuam fora do eixo RJ-SP preferem macaquear o discurso crítico da grande mídia feito por veículos como Caros Amigos e Carta Capital, produzidos em São Paulo. Isso praticamente "queima" muitos críticos da grande mídia, impotentes de ver as armadilhas regionais existentes nas grandes mídias locais, que podem não ter a superestrutura das Organizações Globo ou do Grupo Folha, mas dentro de suas regiões exercem seu grau de prepotência, controle social e concentração de poder.

Por isso é que um blog tipo Bahia de Fato se apaga, diante de tantos outros mais ousados. A dupla Oldack Miranda e Emiliano José foi elogiar o direitista Mário Kertèsz, o astro-rei da Rádio Metrópole, de Salvador (Bahia), e se queimou. Não viu as armadilhas desse veículo da mídia golpista baiana. O paulistocentrismo também contaminou a própria Rádio Metrópole, porque é risível haver comentaristas, na rádio, falando mal da "grande mídia". Eles falam mal da "grande mídia" de São Paulo, mas a de Salvador, que é a própria Rádio Metrópole, eles não criticam.

Também o antropólogo Hermano Vianna e o professor mineiro Eugênio Raggi acreditam que grande mídia só existe no eixo RJ-SP. Coitados, não sabem como sofrem as populações das cidades do interior, que são dominadas pelo latifúndio. A mídia é uma forma de alcançar o poder pela Comunicação, e as oligarquias regionais usam a mídia para estabelecer poder. Portanto, é grande mídia, "mídia gorda" e "mídia golpista" regional, uma realidade da qual não podemos estar cegos, surdos e mudos. Mesmo nas periferias existe uma grande mídia que domina, oprime e manipula as populações. Mesmo sem ligação com políticos federais e redes nacionais.

Como também não sabem os membros das comunidades da revista Caros Amigos, Observatório da Imprensa ou mesmo contra a mídia golpista no Orkut. Se a "panelinha" de membros privilegiados (geralmente amiguinhos do responsável ou do moderador) que é capaz de criar tópicos tiver a "sensibilidade" de falar, por exemplo, sob a população que sofre a tirania coronelista no Pará ou no Acre, sorte dela, mas se a "panelinha" não quiser falar, não há outra pessoa que a faça.

Se um jornalista do interior de Goiás sofre ameaças do maior fazendeiro da região, ele não pode denunciar nessa comunidade do Orkut. Pasmem, ele tem que denunciar primeiro para a imprensa paulista para depois a "panelinha" da comunidade Caros Amigos, Observatório da Imprensa ou mesmo contra a mídia golpista no Orkut, baseada nos seus binóculos paulistas, encampar a denúncia.

Para o bem e para o mal, São Paulo tornou-se o maior centro de qualquer coisa. Para o latifúndio veicular seus valores retrógrados em território nacional, que relance-os ou requente-os em Sampa. Agora, se é para um movimento social repecutir no país, tem que passar por São Paulo. O paulistocentrismo ilude os deslumbrados, favorece os aproveitadores e se torna o único recurso dos injustiçados de fazer valer sua voz.

Dessa forma, o poderio dos grandes centros transforma o país numa grande tragicomédia de erros e restrições. Para favorecer sempre os poderosos e complicar a vida de quem sofre injustiças.

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