terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

GRANDIOSIDADE DE ÍDOLOS BREGA-POPULARESCOS É FICTÍCIA


CHITÃOZINHO & XORORÓ - Falsa grandiosidade da dupla de música brega a fez apresentar até com orquestra em evento filantrópico.

A grandiloquência dos chamados medalhões do brega-popularesco, alimentada pelo constante e incessante esquema de marketing da grande mídia, dá a esses ídolos uma falsa reputação de "nobres", uma imagem falsamente grandiosa deles. Para complicar, o êxodo dos artistas da MPB autêntica faz com que os medalhões do brega-popularesco, inseridos num contexto de pedantismo que os fez gravar até em tributos a antigos mestres da MPB, se tornem a falsa MPB promovida pela indústria fonográfica. Se não tem Milton Nascimento, os "ezecutivos" das gravadoras vão com Alexandre Pires.

Pois esses ídolos, falsamente grandiosos, falsamente respeitáveis, além de serem verdadeiras nulidades artísticas, disfarçando o péssimo repertório autoral com covers e duetos relacionados à MPB autêntica (uma cover do Clube da Esquina ou da Bossa Nova aqui, um dueto com Alcione ou Renato Teixeira ali), estão bem abaixo da imagem que representam através das lentes da mídia.

A grandiosidade deles é fictícia. Eles não têm uma música marcante, quando muito apenas um grande sucesso feito às custas de muito jabaculê, e uma porção de músicas de trabalho esquecíveis que só servem para realimentar aquele primeiro e único hit. Fora todo recurso que esses ídolos, cantores ou grupos de axé-music, duplas breganejas, cantores ou grupos de sambrega e outros, fazem para manter a alta popularidade num mercado jabazeiro que nem todos enxergam existir.

Por isso é que aqui insistimos neste questionamento. Ídolos de massa, aqueles "grandes nomes da música" que hoje aparecem na TV e nas rádios, não conseguem emplacar uma música nova de sucesso, e por isso fazem tudo: apresentações em cruzeiros marítimos, gravações de covers de MPB, participações em tributos musicais diversos, reportagens em Caras, aparições constantes e em rodízio no Domingão do Faustão, duetos com quem quer que seja, factóides como falsas crises conjugais ou coisa parecida.

Mas não adianta disfarçar. A mediocridade musical deles é gritante. Eles são ricos o bastante para se manterem em alta na mídia. E tem apoio de muita gente rica, de latifundiários e donos de supermercado até executivos de redes de rádio FM e televisão. À menor ameaça de ostracismo, eles lançam uma nota paga do tipo "banda de axé-music arrasta multidões em Santa Emengarda do Passa Dentro", "dupla sertaneja comove multidões no interior de Goiás". Como um jogador que lança uma carta estratégica num jogo de baralhos.

Só que a posteridade não reserva lugar para eles. E também não será possível que eles fiquem 55 anos tentando provar para a gente que "são bons". Até porque eles já provaram que são ruins. Mesmo abraçando fãs, estendendo as mãos para a plateia, deixando o público cantar junto etc. O que vale é a arte, é a qualidade artística, e, se ela é ruim e nula, não adianta vir etnólogo, professor mineiro, divulgador de breganejo disfarçado de internauta comum ou historiador de brega falar em "preconceito", "inveja", "moralismo estético" contra nós.

O que vale é a análise objetiva que nós, que lidamos com informação, fazemos. Se a música deixa de falar por si mesma e, de tão medíocre, se submete ao marketing para sobreviver, ela perece facilmente. Pode durar anos enquanto o marketing consegue enganar, mas com o tempo isso cansa. E aí a grandiosidade fictícia dos ídolos popularescos não vai conseguir enganar, porque eles nada fizeram de relevante, tudo aquilo que eles fazem para manter o sucesso se perderá na mesmice e na inconsistência de seus trabalhos.

5 comentários:

Lucas Rocha disse...

Depois da apresentação da dupla Chitãozinho & Xororó com o maestro João Carlos Martins (será que, nos anos 70, JCM aparecia no programa dominical "Concertos Para a Juventude", que passava às dez horas da manhã, depois do "Globo Rural" e do "Som Brasil"?) e da participação de Alexandre Pires num tributo caça-níqueis a Wilson Simonal, será que a Mulher Melancia vai ensinar a lendária Twiggy (aquela modelo dos anos 60 famosa pela magreza) a "segurar o créu"?

O Kylocyclo disse...

Não, mas deve haver fotógrafo metido que deve vestir a Mulher Melancia feito a Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, para tentar convencer os trouxas de que a mulher-fruta é "grande coisa". A melançuda já posou em fotos imitando Marilyn Monroe (coitada da atriz!).

Lucas Rocha disse...

Mas eu queria que você respondesse aquela pergunta que escrevi entre parênteses sobre o maestro que se apresentou com a dupla Chitãozinho & Xororó... Será que você já viu esse músico (chamado João Carlos Martins) no programa "Concertos Para a Juventude" (que passava na TV Globo domingo de manhã, às dez horas, depois do "Som Brasil")?

O Kylocyclo disse...

Olha, Lucas, normalmente a televisão ficava desligada de manhã no domingo. Geralmente minha família saía de casa.

Lucas Rocha disse...

Voltando ao assunto, recentemente a Mulher Melancia fez um ensaio fotográfico posando de "roqueira". Será que alguma ex-participante do "Big Brother Brasil" deveria se vestir de "gondoleira"?