domingo, 21 de fevereiro de 2010

CONSÓRCIOS DE EMPRESAS DE ÔNIBUS SÃO OLIGARQUIAS MONTADAS PELO ESTADO


Certas coisas são estranhas. Alguns "busólogos" comemoram o estabelecimento de consórcios de empresas de ônibus para servir o transporte coletivo numa dada cidade ou região metropolitana. Falam mil argumentações tecno-moralistas, do tipo "o transporte será mais ágil e disciplinado" e até se irritam quando são contrariados.

Mas, assim como, no ditado popular, quando a esmola é demais o santo desconfia, na nossa realidade, quando a animação é maior que a festa, é porque alguém quer tirar vantagem com isso.

Observando bem, os consórcios de empresas de ônibus, elemento do padrão "curitibano" de transporte coletivo, modelo tecnocrático implantado, ainda na ditadura militar, na cidade de Curitiba (PR) por tecnocratas que certamente mamavam das benesses do acordo MEC/Usaid e hoje se escondem sob siglas partidárias esquerdistas, como o PDT, para enganar o eleitorado, enquanto dizem para seus iguais "Não, não vou para aquele seminário do Instituto Millenium. O que é que o pessoal vai falar de mim? O Bial está correndo um grande risco, o cara foi até poeta performático...".

Consórcios de empresas de ônibus são OLIGARQUIAS montadas pelo Estado, mediante interesses estratégicos relacionados a uma zona de bairros. Grupos empresariais antes autônomos são agrupados pelo poder político municipal, mediante um acordo entre cavalheiros, e aí formam-se grupos empresariais unidos não necessariamente pela associação administrativa, mas pelo poder político.

Sabemos que, no modelo "curitibano-paulistano" de transporte coletivo, o Estado detém uma empresa paraestatal que controla o sistema de ônibus, como se fosse uma antiga estatal de ônibus, mas com maior concentração de poder político. A padronização visual dos ônibus expressa esse poder, é uma propaganda deste poder.

Com isso, as diferentes empresas de ônibus numa dada cidade ou região metropolitana deixam de ter autonomia operacional, se limitando apenas a investir no aspecto financeiro e técnico das mesmas. Em São Paulo, a empresa de ônibus, de fato, é a SPTrans, que controla as linhas, repito, tal qual uma estatal do transporte coletivo, e compra os ônibus novos para a renovação das frotas, as empresas particulares é que vem com o dinheiro da compra e com o aparato técnico para fazer manutenção ou reparo dos ônibus.

As empresas de ônibus perdem a autonomia operacional nas linhas de ônibus, pois até os pedidos de renovação de frota dependem da avaliação técnica dos tecnocratas do transporte e dos técnicos da Secretaria de Transporte e da paraestatal operadora. Olha a tecnocracia aí, gente!!!!

Por outro lado, os empresários de ônibus AUMENTAM a pressão política na administração municipal. O que significa que, nesse "maravilhoso" modelo "curitibano-paulistano" de transporte coletivo, os empresários de ônibus podem até manobrar para eleger os candidatos de seu interesse.

Além disso, podem haver até medidas antipopulares que podem prevalecer por conta dos interesses dos empresários de ônibus e dos tecnocratas do transporte coletivo. Como, por exemplo, demolir prédios históricos de grande valor histórico-cultural para a construção de vias exclusivas para ônibus, ou na destruição de praças públicas e áreas de lazer para o mesmo fim.

Mas como o beneficiado disso tudo é um ente fictício, criado pela imaginação tecnocrática, chamado "cidadão", tudo fica "lindo" e "perfeito" no discurso e nas exposições retóricas dos técnicos e dos seus adeptos, até mesmo em fóruns da Internet, que não raro geram verdadeiras batalhas argumentativas.

Mas, na prática, porém, as imperfeições aparecem. E já dá para perceber como os empresários de ônibus de Curitiba se preocupam tanto em censurar a imprensa local para esconder os graves defeitos que o sistema apresenta nos últimos anos.

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