segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Como se faz um "líder de opinião"


Sabemos da figura do chamado "líder de opinião", que era aquele antigo jornalista ou blogueiro que prometia fazer uma devassa nos podres da mídia e do poder político e no entanto se limitou apenas a fazer o dever de casa da mídia boazinha. Eram jornalistas dissidentes da direita midiática que, no entanto, não têm força para contestar todos os mecanismos da mídia dominante. Ou então antigos jornalistas de esquerda que elogiam e apoiam políticos corruptos convertidos em radialistas. Ou então blogueiros que fingiram querer derrubar toda a corrupção política e midiática e se acomodaram logo no começo do caminho.

Eles faziam sucesso na Internet não por suas ideias, mas porque eram grifes do mercado de opinião. Tinham relações importantes, tinham um nome badalado, da noite para o dia seus blogs fajutos passavam a ter centenas de seguidores e milhares de leitores. E zilhões de mensagens concordando com o acomodado escriba.

Mas, nos últimos anos, a blogosfera ganhou uma infinidade de novas ideias, com outros jornalistas mais corajosos, blogueiros contestadores, e aquele antigo modelo de blogueiro ou jornalista que ficava no meio caminho entre a mídia gorda e a mídia de esquerda, tornou-se superado. As desilusões causadas pela mídia fofa, que chocaram os tais "líderes de opinião", que viram nessa facção "moderada" da grande mídia um modelo para o pensamento democrático oficial, os fizeram desnorteados, sem poder explicar suas posturas dúbias, contestando o poderio de uns mas exaltando o poderio de outros.

Pois até agora poucos sabem quem são esses "líderes de opinião". Não preciso dizer nomes. Mas os procedimentos são o que realmente importa. Vamos identificá-los:

1) Ideologicamente, os "líderes de opinião" tentam dar uma impressão de que são defensores do centro ou da centro-esquerda.

2) São jornalistas experientes mas que não são abertamente reacionários.

3) Se não são jornalistas, então são cidadãos comuns, de classe média, que compartilham do mesmo padrão "moderado" do pensamento jornalístico médio.

4) Seus blogs têm que contar sempre com fotos e textos com jornalistas, secretários de governo, funcionários públicos, sindicalistas.

5) Os blogs não exibem uma sequência de engravatados nos textos. Geralmente mostram fotos de políticos, servidores, sindicalistas ou jornalistas sem paletó, geralmente com camisas abotoadas, no seu serviço à paisana.

6) A linha de raciocínio normalmente faz a média entre a "mídia fofa" da Isto É ou do Grupo Bandeirantes de Comunicação e a Caros Amigos. Eventualmente faz a média do noticiário sindical, acolhendo informes mais importantes. Ah, acolher denúncias de perseguição política em cidades interioranas é boa manobra de promoção desses "líderes". E fazer a média com os sindicatos, para dar um verniz mais "esquerdista" nos blogs (embora haja sindicatos de trabalhadores que seguem orientação de direita, para não dizer os sindicatos pelegos na esquerda).

7) Como o blogueiro/jornalista "líder de opinião" tem que fazer média com tudo aquilo que é rotulado de "informação", elogia-se um antigo político corrupto, desde que este já esteja com algum ostracismo de pelo menos dois anos, que decidir se aventurar no radiojornalismo. Usa-se como desculpa coisas do tipo "ele (o radialista corrupto) dá espaço para os mais diversos tipos de visão".

8) Se a reputação começar a falhar - que é o caso dos dias atuais - só resta aos "líderes de opinião" virarem meros noticiadores de fatos políticos ou então saudosistas de personalidades antigas. Neste caso o blogueiro/jornalista "líder de opinião" tem que se consolar bancando, de vez em quando, dublês de historiadores.

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