quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Chuvas em São Paulo criam problemas sócio-políticos


ENCHENTE OCORRIDA EM DEZEMBRO NO BAIRRO DO JARDIM ROMANO NA CAPITAL PAULISTA. FOTO DE NELSON ANTOINE, AGÊNCIA ESTADO.

Como disse Altamiro Borges, as fortes chuvas que, há mais de um mês, castigam a cidade de São Paulo, não são culpa exclusiva da mãe-natureza, ideia que é difundida pela mídia situacionista que apoia a "dupla sertaneja universitária" José Serra & Kassab.

Na verdade, são ações dos homens, seja do passado e do presente, que causam essa tragédia toda. Transformaram São Paulo numa grande selva de concreto, derrubando árvores cuja fotossíntese atuava em benefício ambiental à cidade. Transformaram São Paulo numa grande sauna de gás carbônico, devido aos poluentes que sufocaram a atmosfera da cidade sem que muitos percebam, apesar de não serem os poucos a serem prejudicados com isso, morrendo de câncer ou de doenças cardíacas.

Tudo isso é consequência, evidentemente, de tantos desmatamentos, de tanta poluição do ar pelas fábricas e veículos, de tanto lixo jogado no chão e nas águas, fruto do descaso, da indiferença e da ganância dos homens.

Mas, sem dúvida alguma, os "progressistas" José Serra e Gilberto Kassab, governador paulista e prefeito paulistano respectivamente, poderiam muito bem ter ajudado a resolver o problema. Só que, não ajudando, pioram totalmente a situação. A mídia que os apoia também complica a situação.

Uma reportagem do Jornal Nacional acusou o povo pobre de contribuir para as enchentes. Mas, para uma rede de televisão cujo símbolo de cidadania é o horrendo "funk carioca", é compreensível esta visão, ignorando o fato de que o povo torna-se "irresponsável" quando não se estimula a educá-lo para evitar transtornos. Botar vinhetas educativas nos comerciais da Globo, quando muitos espectadores saem da sala para fazer outras coisas, não é suficiente.

O governo de São Paulo prometeu, desde os tempos de Geraldo Alckmin, fazer obras que pudessem evitar os alagamentos que envergonham a cidade. Obras que começaram ficaram paralisadas. Ou então foram menos obras do que o prometido. Além disso, nada de reflorestar em parte a cidade, promover a inclusão imobiliária para conter o avanço das favelas - que causam destruição ambiental em muitas áreas, não por culpa do povo pobre, mas por falta de um lugar para morar - e salvar assim a área ambiental da Grande São Paulo, envolvendo não apenas a capital, mas toda a área metropolitana e, quem sabe, o restante do Estado.

Esses problemas poderão comprometer a tão sonhada candidatura de José Serra para o Planalto, ainda este ano. Certamente que não existem políticos milagreiros, e o nosso cenário político está lamentável, mas o governador paulista certamente tem sua imagem arranhada por esse temporal que castiga há mais de um mês a Grande SP.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Mas tem um problema aí: o bairrismo dos não-paulistas pode fazer com que as perdas eleitorais do sr. Serra Burns não sejam tão grandes. Em Sampa ele continuará forte de qualquer maneira. No resto do país, o Zé Povinho continuará achando que paulista tem que se ferrar mesmo, exceto seus amigos e parentes, claro. Nisso, a omissão de Serra será pouco notada. Ou nem notada será.