sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

BANDA EMO LANÇA COVER DE VÍTOR & LÉO


A BANDA EMO SERTACORE, DO RIO GRANDE DO SUL, INVENTOU UMA TAL DE "HARDNEJA" PARA GRAVAR SUCESSOS BREGANEJOS.

O mundo é lindo. Filhos da geração reacionária do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) dos anos 60 não chegaram a espancar estudantes nem incendiar - não é gíria axezeira - a sede da UNE e nem destruir equipamentos da Rádio MEC do Rio de Janeiro, como faziam seus papais nos anos de chumbo. Mas o reacionarismo da patota atual é abastecido por uma trilha sonora bem golpista, a música breganeja, que há muito deturpa, usurpa e estupra os legados e referenciais da hoje agonizante música caipira de nosso país.

Pois o que os atuais militantes ou adeptos do Comando de Caça aos Conscientizados - espécie de PiG da militância juvenil atual - , que já mandaram e-mails arrogantes para nosso blog tentando defender Vítor & Léo, João Bosco & Vinícius e Zezé Di Camargo & Luciano não esperavam é que existisse um movimento emo que grava sucessos do breganejo, o tal "hardneja sertacore".

Não, não se trata do emo de batom das bandas mais recentes como Fresno e Cine, mas emo machão, com pose de malvado, entendido como aquela onda de bandas de "rardicór" dos anos 90, com senso crítico zero, dos Raimundos ao CPM 22, o pessoal que hoje tenta nos convencer que é "hardcore mesmo". Nem sonhando. Hardcore de verdade é Dead Kennedys, GBH, Exploited, Ratos do Porão, Muqueca de Rato. Não esse cruzamento de Billy Idol com "A Praça É Nossa" que muitos chamam de hardcore.

Portanto, não comemorem os punks de butique que moram nos ricos condomínios do Morumbi e Jardins (mas que na Internet juram serem pobretas da Freguesia do Ó ou do Capão Redondo) ou da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes (mas que na Internet juram serem proletas da Pavuna e do Realengo), todos com uma aparência que não difere muito de um Fiuk ao sair da cama, que o hardcore se rendeu completamente ao sertanejo.

Primeiro, porque não se trata de punk hardcore. Segundo, porque não se trata de música caipira. Trata-se da fusão de uma diluição com a de outra, misturando o proto-emo de Raimundos, CPM 22, Sex Noise e outras palhaçadas, com o breganejo que também é pura palhaçada. Mas isso não é novidade. Os horrendos Virgulóides já tentaram uma fusão do proto-emo com o sambrega. Os Mamonas Assassinas fundiram o proto-emo com toda a música brega-popularesca em voga no seu tempo.

Este grupo é o gaúcho Sertacore, que avisou que vai gravar uma música de Vítor & Léo. Tudo a ver. O próprio "sertanejo universitário" conta com a mesma arrogância dos emos. Aliás, é a própria leitura "emo" da música caipira. A atitude dos "sertanejos universitários", como todo brega "universitário", é igualzinha aos emos, que sempre foi a da "rapeize" do CCC. A música gravada pelo grupo emo é "Fada", e faz parte do primeiro LP do Sertacore, lançado pela pseudo-independente Arsenal, que aliás é um selo da multinacional Universal Music.

Para a "galera" reaça rodar sem parar no seu toca-CD.

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