domingo, 28 de fevereiro de 2010

"FALHA" DE SÃO PAULO DÁ SUA VERSÃO SOBRE O QUE É BREGA



Certamente foi a partir de uma reclamação do próprio Guilherme Arantes, já que ele sente o fardo pesado de ser tratado como se fosse um artista brega. Ele veio de um cenário em que cantores de uma mesma geração biológica se dividiam, de um lado fazendo uma espécie de música brega juvenil, de outro fazendo uma MPB mais ensolarada e pop.

Esses dois grupos surgiram praticamente ao mesmo tempo, há cerca de 30 anos, e até hoje confundem muita gente, criando injustiças e equívocos. O grupo do brega juvenil safra 1977-1984 mostrava Fernando Mendes, Nahim, Dudu França, Ângelo Máximo, José Augusto, Adriana, Sílvio Brito, Markinhos Moura e, sobretudo, Fábio Jr. O grupo da MPB ensolarada, por sua vez, apresentava Marcos Sabino, Biafra, Jessé, Dalto, Luís Guedes & Thomas Roth, Zizi Possi, Lúcia Turnbull, Tunai e, sobretudo, Guilherme Arantes.

As injustiças permitiam que os ídolos do brega juvenil sejam classificados como "MPB" enquanto tratava como "bregas" os ídolos da MPB jovem. Fábio Jr. faturou horrores com essa manobra, a mesma que quase deixou Guilherme Arantes no ostracismo.

Fábio Jr. chegou, aliás, a se aproveitar até mesmo do legado de outros veteranos da MPB que lançavam discos nessa fase. Como por exemplo nas duas composições de Vinícius Cantuária (grande músico da geração batalhadora de Ritchie e Celso Fonseca), "Só Você" e "Na Canção", que chegaram a tocar no rádio nas versões do próprio autor. No entanto, Fábio Jr., oportunista, pegou carona na regravação e hoje, enquanto Vinícius Cantuária rala muito nos EUA em busca de algum reconhecimento, Fábio Jr. se apropria das duas músicas, vendo que boa parte do grande público de hoje, muito bebê para ter acompanhado as gravações de Vinícius Cantuária, não se lembra dessas gravações originais.

Pois agora a Folha de São Paulo, a rósea flor espinhenta do PiG, conhecida pelos blogueiros como Falha de São Paulo, põe lenha na fogueira desta situação. Explorando a queixa de Guilherme Arantes, a Folha veicula a ideia de que brega é aquele que escreve letras de amor nas músicas.

Para a "Falha", é como se brega não fosse ligado à qualidade musical, mas apenas a uma natureza temática. A Folha de São Paulo tenta realimentar a própria injustiça de Guilherme Arantes. Tenta reabilitá-lo, mas como preço para isso está também a reabilitação do que vier de brega-popularesco no caminho. A Folha de São Paulo já tentou reabilitar Waldick Soriano, já exaltou a axé-music e o "funk carioca" nas suas primeiras páginas, já paparicou o "sertanejo universitário" e outras farsas breganejas como nenhum outro, apesar dos "líderes de opinião" taparem os ouvidos quando se fala que o PiG apóia o brega-popularesco.

Ou seja, através da exploração da situação vivida por Guilherme Arantes, a Folha de São Paulo (que já classificou Raul Seixas de "brega", da mesma forma que Veja) irá realimentar a própria injustiça que vitimou o cantor-autor de "Amanhã", "Deixa Chover" e "Cheia de Charme". Acabará também promovendo a "reabilitação" do outro lado, tentando vender a falsa imagem de cult para artistas de acesso fácil no establishment midiático dos anos 70-80, como José Augusto e Sílvio Brito.

O VÍCIO DO PAULISTOCENTRISMO


AVENIDA PAULISTA - Espécie de "Meca" do fundamentalismo midiático brasileiro, ela é erroneamente vista como se fosse a única sede do poderio da grande mídia.

Existe um terrível cacoete, um vício incômodo que domina certos analistas ou mesmo artífices da grande mídia brasileira. É limitar o poder da grande mídia às emissoras ou grupos empresariais situados em São Paulo ou, quando muito, no corredor midiático Jardim Botânico-Jacarepaguá (áreas onde ficam as instalações da TV Globo).

É um grande erro. De fato, Rio de Janeiro e São Paulo são os grandes centros brasileiros, e nesses locais a grande mídia realmente encontra suas expressões máximas.

No entanto, superestimar esse fato pode dar a erros sérios, constrangedores, que é inocentar a grande mídia regional, que não está diretamente ligada a esses centros.

Por isso, muitos analistas, blogueiros e jornalistas que atuam fora do eixo RJ-SP preferem macaquear o discurso crítico da grande mídia feito por veículos como Caros Amigos e Carta Capital, produzidos em São Paulo. Isso praticamente "queima" muitos críticos da grande mídia, impotentes de ver as armadilhas regionais existentes nas grandes mídias locais, que podem não ter a superestrutura das Organizações Globo ou do Grupo Folha, mas dentro de suas regiões exercem seu grau de prepotência, controle social e concentração de poder.

Por isso é que um blog tipo Bahia de Fato se apaga, diante de tantos outros mais ousados. A dupla Oldack Miranda e Emiliano José foi elogiar o direitista Mário Kertèsz, o astro-rei da Rádio Metrópole, de Salvador (Bahia), e se queimou. Não viu as armadilhas desse veículo da mídia golpista baiana. O paulistocentrismo também contaminou a própria Rádio Metrópole, porque é risível haver comentaristas, na rádio, falando mal da "grande mídia". Eles falam mal da "grande mídia" de São Paulo, mas a de Salvador, que é a própria Rádio Metrópole, eles não criticam.

Também o antropólogo Hermano Vianna e o professor mineiro Eugênio Raggi acreditam que grande mídia só existe no eixo RJ-SP. Coitados, não sabem como sofrem as populações das cidades do interior, que são dominadas pelo latifúndio. A mídia é uma forma de alcançar o poder pela Comunicação, e as oligarquias regionais usam a mídia para estabelecer poder. Portanto, é grande mídia, "mídia gorda" e "mídia golpista" regional, uma realidade da qual não podemos estar cegos, surdos e mudos. Mesmo nas periferias existe uma grande mídia que domina, oprime e manipula as populações. Mesmo sem ligação com políticos federais e redes nacionais.

Como também não sabem os membros das comunidades da revista Caros Amigos, Observatório da Imprensa ou mesmo contra a mídia golpista no Orkut. Se a "panelinha" de membros privilegiados (geralmente amiguinhos do responsável ou do moderador) que é capaz de criar tópicos tiver a "sensibilidade" de falar, por exemplo, sob a população que sofre a tirania coronelista no Pará ou no Acre, sorte dela, mas se a "panelinha" não quiser falar, não há outra pessoa que a faça.

Se um jornalista do interior de Goiás sofre ameaças do maior fazendeiro da região, ele não pode denunciar nessa comunidade do Orkut. Pasmem, ele tem que denunciar primeiro para a imprensa paulista para depois a "panelinha" da comunidade Caros Amigos, Observatório da Imprensa ou mesmo contra a mídia golpista no Orkut, baseada nos seus binóculos paulistas, encampar a denúncia.

Para o bem e para o mal, São Paulo tornou-se o maior centro de qualquer coisa. Para o latifúndio veicular seus valores retrógrados em território nacional, que relance-os ou requente-os em Sampa. Agora, se é para um movimento social repecutir no país, tem que passar por São Paulo. O paulistocentrismo ilude os deslumbrados, favorece os aproveitadores e se torna o único recurso dos injustiçados de fazer valer sua voz.

Dessa forma, o poderio dos grandes centros transforma o país numa grande tragicomédia de erros e restrições. Para favorecer sempre os poderosos e complicar a vida de quem sofre injustiças.

ARTIMANHAS DA PiG DO ENTRETENIMENTO



A julgar pela notícia do portal Ego, das Organizações Globo, a ex-policial Anamara, do Big Brother Brasil, já arrumou novo emprego:

Numerologia ressalta personalidade forte da barraqueira Anamara, do BBB

Então, a moça irá ralar muito, fritando camarão e peixe e servindo cerveja, refrigerante e água de coco para a moçada da praia, certo?

MORREU JOSÉ MINDLIN



Morreu na manhã de hoje, de falência múltipla dos órgãos, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o advogado, empresário e bibliófilo José Mindlin. Ele era membro da Academia Brasileira de Letras e tinha 95 anos e, já doente, havia doado em 2009 todo o seu acervo de livros para a USP, transformando-a na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Seu acervo de livros é considerado o maior acervo particular do país.

Fica aqui nosso pesar pelo falecimento e também o nosso orgulho por ver um homem dando valor à injustiçada atividade de leitura em nosso país. Certamente José Mindlin é um guardião da cidadania e da preservação de valores culturais de nosso país. Deixou uma grande lição para o povo brasileiro.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

EGBERTO GISMONTI HOMENAGEIA GUIMARÃES ROSA EM NOVO CD



O músico Egberto Gismonti, um dos grandes nomes da MPB autêntica, que teve músicas tocadas até na fase áurea da Fluminense FM, lança novo CD, intitulado Saudações, um álbum duplo cujo um dos discos traz a suíte "Veredas Sertões - Tributo à Miscigenação".

Egberto é um dos mais complexos músicos brasileiros, e por isso ele é realmente injustiçado. Tem muitos anos de estrada, sempre à margem da grande mídia, e faz música sem qualquer interesse comercial. Por isso, ele, com segurança, pode ser considerado um verdadeiro artista, que acrescenta conhecimento e beleza artística à nossa tão empastelada cultura.

Egberto Gismonti: taí um nome que a MPB FM, se tivesse semancol, tocaria adoidado até no horário comercial.

MAIS DE 52 TONELADAS DE PEIXES MORTOS SÃO ENCONTRADAS NO RJ



Cerca de 52,1 toneladas de peixes mortos foram encontrados na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. A tragédia ambiental ocorreu num dos lugares programados para as competições das Olimpíadas de 2016.

Apesar da tragédia ter evidentes indícios de que foi causada pela poluição, houve autoridade que afirmou que a mortalidade dos peixes se deu por causa da proliferação de uma alga.

Mas para Eduardo Paes, é muito mais importante pintar os ônibus com a mesma cor, de forma que o caro cidadão que queira se dirigir à Lagoa Rodrigo de Freitas pegue a linha 438 Vila Isabel / Leblon da Transportes Vila Isabel, pensando pegar o 434 Grajaú / Leblon da Transprotes Estrela Azul e, saltando no Jardim Botânico, tenha que caminhar para a Lagoa até quando lhe falta pouco tempo para um compromisso pessoal.

No entanto, a humanidade consciente vê mais prioridade em investir R$ 80 milhões, de onde quer que venha esta quantia, em despoluir a Lagoa, como todo o meio-ambiente carioca, em vez de acusar uma inocente espécie de alga pela morte de milhares de peixes.

MORREU WALTER ALFAIATE



Morreu de efisema pulmonar, depois de tantos dias internado, o compositor Walter Alfaiate, um dos grandes nomes do samba autêntico, que, a exemplo do mestre Cartola, não usava a música como atividade profissional. Como o sobrenome artístico sugeria, ele trabalhava como alfaiate e o samba era seu hobby, como os verdadeiros artistas.

Tanto que tardiamente começou a gravar seus discos próprios, também a exemplo de Cartola. Isso significa que seu trabalho como compositor foi reconhecido através das gravações de outros intérpretes, incluindo Paulinho da Viola, um antigo pupilo dos grandes sambistas que se tornou ele mesmo um mestre. Paulinho gravou três canções de Alfaiate.

Walter Alfaiate pertencia a ala de compositores da Portela, desde os anos 80.

ARROGÂNCIA CHICLETEIRA PROCESSA PUBLICITÁRIO BAIANO



Depois que o articulista de Veja, Eurípedes Alcântara, ganhou um processo contra o jornalista Luís Nassif, sendo uma vitória do PiG contra o jornalismo verdade do articulista e blogueiro, também a divisão musical do Partido da Imprensa Golpista resolve urrar de vez.

Pois os advogados do cantor Bell Marques, o comandante-mor do Chiclete Com Banana - maior tradução do PiG através da axé-music - , decidiram processar o publicitário Nizan Guanaes, também baiano, por causa de comentários que este fez sobre o cantor.

Nizan havia dito no Twitter que Bell "não é artista, é um crooner careca", e, entre outras coisas, ele disse que a crítica não cobre os lançamentos do Chiclete Com Banana e, criticando a indigência cultural da Bahia por causa do império da axé-music, afirmou que o Estado está como Bell Marques, "careca e fingindo ter trança". O publicitário responderá por difamação, calúnia e injúria.

A banda de Bell - que chegou a ser investigado, cerca de dez anos atrás, por sonegação fiscal - é conhecida por sua arrogância que contagia os fãs, chamados de chicleteiros. As músicas são praticamente monotemáticas, fora as letras de amor banal, o que se ouve são apenas canções sobre a própria banda e o bloco carnavalesco Camaleão. O Chicletão, como é chamado o grupo pelos seus fãs, é um dos grupos mais ricos do cenário da axé-music. Musicalmente, o grupo tem qualidade inferior ao que sugere sua aparentemente grande reputação na mídia.

BIG BROTHER BRASIL TENTA FAZER FALSO ENGAJAMENTO SOCIAL



O que é o desespero de manter uma inutilidade como o Big Brother Brasil no ar. Nos últimos dias o programa tentou fazer um falso engajamento social, através dos casos da lésbica Angélica e do brutamontes Dourado. O machismo de Dourado, aparentemente, chamou a atenção até do cantor Boy George - que fez sucesso nos anos 80 com sua banda Culture Club - , que manifestou protesto contra o bofe. Talvez a produção do BBB achasse que o caso chamasse a atenção também da rainha Elizabeth e, quiçá, do Conselho de Segurança da ONU.

Embora o homossexualismo e o machismo rendam calorosos debates, não serão eles que transformarão o Big Brother Brasil num programa fundamental para a audiência brasileira. Pelo contrário, são recursos desesperados de um programa decadente, que já passou do seu auge apesar de toda a insistência da mídia gorda, querendo se manter no ar a todo custo e tentar passar alguma motivação para a opinião pública.

Não vejo o BBB, nunca vi, e o que eu sei do programa é através dos portais sobre celebridades na Internet. O caráter supérfluo do programa é uma das coisas mais estarrecedoras da televisão brasileira, e isso não é moralismo, não é paranóia, não é preconceito, nem inveja do sucesso de um programa. Isso é uma constatação objetiva.

Compare o que era a televisão brasileira de 45 anos atrás com a de hoje. Quanta diferença. Mas não dá para comparar rigorosamente, porque boa parte do acervo das emissoras de TV daquela época se perdeu, e as pessoas não estão muito dispostas a ler livros sobre história da televisão, que pelo menos fazem relatos textuais sobre o que eram tais programas, contando até mesmo alguns casos curiosos, e que por vezes há fotos relacionadas a tais programas.

Por mais ridículas que possam parecer as delirantes novelas de Glória Magadan, a novelista cubana exilada no Brasil, pelo menos tinham alguma dramaturgia e os atores eram realmente muito bons. Pelo menos havia história, havia produção, havia direção e encenação, havia profissionalismo e expressividade.

E os "riélites"? Eles não têm roteiro, mal conseguem ter uma direção - o "diretor" é apenas um vigia que dá pitacos nos "atores" quando necessário - , sua produção é tosca, e é tudo de um amadorismo doloroso, porque é amador não no melhor, mas no pior sentido da palavra.

Assim como ficamos perplexos diante do risco de termos de aguentar popularescos como Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Ivete Sangalo e outros por pelo menos 50 ou 55 anos, todos gravando os mesmos discos de covers ou DVD's revisionistas ao vivo, também ficamos estarrecidos com o risco do Big Brother Brasil se arrastar por mais e mais anos.

O programa já deu o que tinha que dizer, que era quase nada. Agora não adianta fazer falso engajamento para criar factóide. Até porque não se sabe se Angélica e Dourado são pessoas autênticas ou se eles, na verdade, estão fazendo tipo. Tudo é ficção nesse "espetáculo da realidade". Tudo é falso, chato, e extremamente descartável. Não deixará grande marca na história de nossa TV.

A PAULEIRA DA IMPRENSA GOLPISTA


VINCE NEIL, DO MÖTLEY CRÜE, E BRET MICHAELS, DO POISON: DOIS ÍCONES DO "METAL FAROFA", ESTILO LEVADO A SÉRIO DEMAIS PELOS JOVENS BRASILEIROS.

Enquanto, no Brasil, os grupos de sambrega tentam vender a imagem de "samba de verdade", substituindo a antiga coreografia de "mexer os pezinhos" com todo mundo sentado simulando uma roda de samba, os grupos de poser metal, ou "metal farofa", tentam vender a imagem de "rock'n'roll de verdade", embarcando até no revival dos anos 80 e tentando atrair a confiança de atrizes novatas. Certa vez, a darling Megan Fox apareceu vestindo camiseta do Mötley Crüe, e, recentemente, Bret Michaels, do Poison, gravou dueto com Miley Cyrus.

No Brasil, no entanto, terreno aberto e receptivo para a queda de estrelas cadentes (ou decadentes), não bastasse a vinda dos Guns N'Roses, com ex-cantor do Skid Row abrindo, e a banda de Axl Rose tão paparicada pela juventude riquinha dos Jardins (mas que jura ser juventude proleta de Diadema) ou da Barra da Tijuca (mas que jura ser juventude proleta de Belford Roxo) depois da Beyoncè Knowles e a "alta reputação" do Bon Jovi entre os roqueiros de mentirinha (que no entanto juram ser os sábios entendedores de rock autêntico), agora é o vocalista do Mötley Crüe, Vince Neil, que fará apresentações em São Paulo.

A essas alturas, a "galera" - prestem atenção às aspas, porque não uso essa gíria - deve estar extasiada com essa onda de "metal farofa" que, para quem não chegou ainda aos 35 anos de idade, tem status de "rock clássico". Existem exceções como no caso do amigo Bruno Melo, do blog Cultura Alternativa, que, mesmo muito jovem, não engole essa lorota em torno dos farofeiros do rock.

Mas, como o mundo da mídia golpista é uma beleza, vamos ver os jovens riquinhos de todo o país (mas que juram ser pobres, pobres, pobres, de marré, marré, marré) endeusando o metal farofa, com toda a arrogância a que tem direito. E o portal Ego, espécie de PiG social das Organizações Globo, deve jogar muito ex-BBB e atores globais emergentes (que, a troco de um bom papel de novela, dançam até o "créu" e o "rebolation") para ver os farofeiros no palco. Sobretudo o Chatxl Rose e seus Tapas e Beijos (Leonardo e Zezé Di Camargo n' Luciano que o digam).

Deve estar também pipocando nas rádios o dueto de Bret Michaels com a Miley. Um detalhe: enquanto Guns N'Roses e Bon Jovi são bastante populares entre a moçada ávida por roquinho-farofa (mas que jura ser roqueira de cara e coragem), Mötley Crüe e Poison ainda tentam vender a imagem de "alternativos". Dá para acreditar?

Com a palavra, o outrora prestigiado portal de rock Whiplash (não seria melhor chamá-lo de Splish Splash, com base naquela música do Bobby Darin, o "Vince Neil" da turma de 1958 coverizada por Roberto Carlos cinco anos depois?). Aliás, quanto a Bobby Darin, a geração de "roqueirinhos" bonitinhos de 1958 teve um cantor chamado Ricky Nelson, que morreu em 1985 sem poder ver seus dois filhos montarem um grupo da linha do Bon Jovi, o grupo Nelson. Família unida...

PAGODE DA IMPRENSA GOLPISTA


GRUPO REVELAÇÃO - SAMBA "CORRETO", PORÉM SEM ALMA.

Vai se apresentar num evento comemorativo na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, o grupo de sambrega Revelação, ou Grupo Revelação, como também é conhecido. O grupo tocará com Gilberto Gil, nome da MPB autêntica condescendente com os ídolos popularescos, e cuja filha Preta Gil chega a ser pior na adesão à Música de Cabresto Brasileira.

Convém lembrar que o Grupo Revelação faz um samba tecnicamente "correto", mas que, como todo grupo de sambrega que tenta fazer "samba de verdade", soa falso, forçado e sem alma. E que, como todo ídolo popularesco que se torna veterano, logo apela para covers e antigos sucessos. Na entrevista de hoje no programa RJ TV, da Rede Globo, o grupo foi logo investir em "Sina", música de Djavan, tão bajulado pelos sambregas quanto o Clube da Esquina pelos breganejos. E o sambrega é o Pagode da Imprensa Golpista, apoiado explicitamente pelos meios de comunicação mais conservadores.

Me lembro quando o site Mondo Pop espinafrou a cantora Maria Rita Mariano quando ela gravou um disco de sambas, na ocasião em que localizei o Olavo Bruno (não seria Olavo Bruto?) espinafrando este blog, da forma mais ofensiva possível. Maria Rita não é, exatamente, uma sambista, e não poderia mesmo fazer um disco de sambista, mas uma leitura pessoal dela do samba. O título Samba Meu, portanto, não soa oportunista, levando em conta este aspecto. E, do contrário que o autor da resenha e do arrogante autor das mensagens agressivas, Maria Rita fez, sim, um samba com alma, mas realmente diferente.

O que não é o caso do Grupo Revelação e do Exaltasamba que, se não me engano, devem ter o mesmo empresário. Eles investem em clichês do samba autêntico, imitando o som que eles ouviram de sucessos do Fundo de Quintal e Zeca Pagodinho, evidentemente com a orientação de algum arranjador mais experiente. Não há espontaneidade. É mais ou menos a mesma coisa que uma banda de poser metal (que, como atitude, é o "sambrega" dos EUA) tentar soar como o Led Zeppelin, por exemplo. Lá as bandas poser falam em "rock'n'roll de verdade", e aqui os sambregas levantam a bandeira do "samba de verdade".

Mas o esforço dessas bandas de sambrega soa vão. Tecnicamente, dá para enganar. Mas já se percebe que é um samba postiço, de gente que não sabe a diferença de um maxixe com o samba de gafieira. Põem flauta nas suas músicas, escrevem letras "engraçadas", como se isso fosse suficiente. Mas o resultado, embora pareça verossímil à primeira audição, numa atenção maior se torna frouxo, artificial, sem espontaneidade. Fica soando algo tendencioso, apenas para justificar a permanência de ídolos sambregas no mercado.

Esse samba "bonitinho" nada acrescenta ao samba original e nem tem a força artística dos genuínos sambistas. Compare o que Revelação, Exaltasamba ou então os momentos pedantes de outros grupos tipo Molejo e Só Pra Contrariar fazem com o que, por exemplo, os Originais do Samba e Fundo de Quintal fizeram e continuam fazendo, para ver a diferença. Os sambregas arrumadinhos apenas fazem o "dever de aula", são meros cumpridores de normas exigidas pela intelectualidade burguesa (a mesma que nos acusa de querer uma "normatização" para a música brasileira). Os sambistas de verdade, quem conhece mesmo, sabe a diferença que exercem sobre os sambregas.

Vale lembrar que não estou sendo invejoso, nem calunioso, nem desaforado e nem qualquer coisa parecida quando escrevo isso. Estou sendo objetivo, nas minhas análises. Afinal, sou jornalista e pesquisador cultural.

OS TECNOCRATAS DA OPINIÃO



Pode parecer brincadeira, mas até pouco tempo atrás a grande mídia gozava de um poder maior de influência na sociedade. Até alguns anos antes, os chamados "grandes jornalistas" eram considerados semi-deuses, verdadeiros sacerdotes da informação, dotados de preciosos segredos da humanidade, dotados da sabedoria misteriosa, e nossa missão era apenas manifestar fé e devoção a esses jornalistas, venerá-los, confiá-los e ouvi-los antes que tentemos refletir sobre o mundo a nossa volta.

Para quem tem senso crítico, como eu e vários blogueiros como Leonardo Ivo, Altamiro Borges, Bruno Melo, Marcelo Delfino e Marcelo Pereira, ou jornalistas como Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha, certamente essa ideia devota do "grande jornalista" é totalmente ridícula. Mas já vi, na Internet, muita gente acreditar na chamada "grande mídia" como se ela fosse uma "nova Igreja", e não falo aqui de religião, de seitas religiosas, mas a transformação do próprio "jornalismo" em religião, colocando a figura do jornalista num pedestal e acima, e não a serviço, da opinião pública.

A tecnocracia é a religião da tecnologia. É uma fábrica de "divindades" santificadas seja pelo diploma (quando são engenheiros, economistas, administradores), seja pelo poder em si (quando são jornalistas ou empresários de radiodifusão). Junta-se a isso a religião do jornalismo, que transforma os jornalistas em "divindades", em vez da natural condição de seres humanos com certa habilidade profissional de grande serventia para a sociedade.

Pois, na religião "jornalismo", o jornalista não é quem serve a sociedade. É a sociedade que tem que servir ao jornalista. Ouve-se comentários sobre Economia e não os entende, mas mesmo assim o comentarista é genial porque demonstra uma "sabedoria" que não se entende, porque o cidadão comum não entende Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, mas este cidadão terá que venerá-los como semi-deuses, porque os comentaristas são dotados de segredos, de mistérios da humanidade.

É o mesmo processo feito pelos sacerdotes da Idade Média, fase lamentável da história da humanidade. Os sacerdotes eram dotados de segredos, eram os detentores do saber, cabia ao povo subordinar-se a eles, venerá-los ainda que não pudesse ter a mesma compreensão de mundo, e menos ainda uma compreensão de mundo mais ampla e crítica do que eles. O intelectual italiano Umberto Eco fez um romance inteiro sobre esse tema, O Nome da Rosa.

Daí que, nos anos 90, os críticos da Comunicação falavam em Idade Mídia, num literal trocadilho com Idade Média, preocupados com essa verdadeira privatização da opinião pública que se processa hoje em dia. Quando houve, no Brasil, a chamada "invasão AM" nas FMs a partir de 1998, sobretudo com clones em FM de emissoras AM já transmitidas em dada região, junto a outras FMs com programas jornalísticos e esportivos, havia toda essa pregação da "importância do jornalismo na nossa sociedade". Não que o jornalismo deixasse de ser importante ou valioso, ele o é de fato, mas o que vemos é na verdade um bando de aproveitadores que investia, via rádio FM, na overdose de informação como forma de controle social.

Aí o que se via é apenas a troca do hit-parade pelo agenda setting, que é o hit-parade da notícia. E isso num meio, o rádio FM, onde a sobrecarga informativa se torna um tanto incômoda, porque rádio FM não é imprensa escrita. O monopólio da fala, em vez de abrir as mentes dos ouvintes, os fecha cada vez mais, e cansei de ver pessoas parecendo carneirinhos sintonizadas nas chamadas "rádios AM em FM", com seus programas de jornalismo prolongado ou jornadas esportivas (que são uma espécie de "sobremesa" do showrnalismo da grande mídia).

Prefiro ver o jornalismo como se fosse uma dieta alimentícia. A informação, no sentido restrito do produto noticioso, como comida e bebida. A gente precisa dela de forma dosada. Quando excessiva, cansa. Abomino a anorexia e a bulimia informativas. O que poucos perceberam é que tanto a ausência de noticiário nas FMs quando seu excesso alienam as pessoas, tornam-se igualmente inúteis à cidadania. Daí que as mesmas FMs que, durante a ditadura militar, sonegavam transmitir notícias, nos tempos tecnocráticos de FHC passaram a despejar noticiários e debates longos, jornadas esportivas maçantes ou irritantes, porque tanto a ausência quanto o excesso do produto "informação" têm o semelhante efeito de bitolar as mentes do povão.

O jornalista, através da grande mídia, tornou-se não só o sacerdote, mas o TECNOCRATA DA OPINIÃO. A tecnocracia dá privilégio decisório aos "competentes", possuidores de habilidades técnicas presumidas, seja pelo diploma ou pelas relações de poder. O jornalista, dentro desta ideologia, é um sujeito dotado de inteligência peculiar, mas não a utiliza para servir-se à sociedade nem ajudar a esclarecer os menos esclarecidos. Sua inteligência é usada como meio de controle social. "Tenho opinião, você só será alguém se seguir o meu pensamento", diz o jornalista manipulador, não de forma explícita, porque ele não assume que controla a sociedade, como um pai autoritário que tenta conquistar a confiança da criança assustada.

Daí o deslumbramento inicial que via na grande mídia. A CBN tirava do ar, em Curitiba, a rádio de rock Estação Primeira FM? Fora uma reclamação que li numa revista de surfe, a princípio todo mundo se deslumbrava com a CBN Curitiba. Seu âncora José Wille (espécie de Heródoto Barbeiro paranaense) tornou-se um semi-deus que chegou a controlar as mentes juvenis quando aproveitado até, pasmem, em outra rádio de rock, a 96 Rock (menos criativa que a extinta EP), num programa matinal.

Era aquela época, entre 1997 e 2004, que os "grandes jornalistas" gozavam da divindade forjada, era o quarto poder que não se assumia como tal, um quarto poder que havia conquistado o poder mas fingia que estava longe de conquistá-lo. A CBN foi vista por muitos incautos como se fosse uma "ovelha negra" das Organizações Globo, e, pasmem, houve muita gente que não imaginava que a CBN era ligada à corporação dos Marinho (antes o "doutor" Roberto, hoje seus três filhos), e tratava a emissora como se ela fosse a "salvação da lavoura".

Semelhante deslumbramento foi feito, pasmem, à Rádio Metrópole de Salvador (BA), mesmo sem a estrutura jornalística da CBN. Na verdade, a Rádio Metrópole mais parece uma CBN de porre, e seu astro-rei, o proprietário e principal apresentador Mário Kertèsz, nunca teve formação jornalística nem radialista. Mas criou uma reputação e um poder sobre os baianos que assusta, tornando-se um perigo para o exercício da cidadania, representando o poder e o controle sobre a sociedade nas mãos de um incompetente que nem jornalista e radialista é, mas quer ser o "homem do rádio e da imprensa" assim mesmo.

Controlando tudo e todos, e chegando até mesmo a controlar a esquerda baiana, que depois foi traída e jogada à sarjeta, transformando num ente acéfalo a oposição baiana ao velho coronelismo do qual Kertèsz é apenas um filhote "moderno", o mesmo coronelismo comandado durante muitos anos por Antônio Carlos Magalhães. Se antes era um perigo fazer oposição política numa Bahia controlada por ACM, devido a suas ameaças de punição e perseguição, fazer oposição política na Bahia de Kertèsz também é outro perigo, pela ameaça inicial de cooptação por parte do astro-rei da Rádio Metrópole e, depois, pela furiosa traição, onde cabe espinafrar, nos microfones da rádio, pessoas como Emiliano José e Oldack Miranda, cujo antigo deslumbramento pelo pseudo-radialista criou, para os dois, uma mancha triste em suas trajetórias, pois pagaram o preço da ingenuidade e da obsessão pela visibilidade. Emiliano e Oldack deveriam aprender com os seus colegas gaúchos, que já espinafravam a "mídia boazinha" até mesmo antes dos paulistas.

Mas a principal vedete da visão "missionária" da grande imprensa foi o Grupo Bandeirantes de Comunicação. Seu discurso tratava o produto "jornalismo" como se fosse a doutrina salvadora da humanidade. Era como se, para a cúpula jornalística do Grupo Bandeirantes - principalmente na figura do chefe Fernando Mitre - , o Brasil fizesse sua "Revolução Francesa" através do "jornalismo". Isso fez do Grupo Bandeirantes um mito que garantiu até a rede Band News FM tirar definitivamente do ar a Fluminense FM, mesmo quando esta era apenas uma rádio de pop adulto.

A superioridade mítica marcou a corporação durante anos, apesar dos surtos vejistas quando o assunto é o Movimento dos Sem-Terra, que só fizeram a Bandeirantes deixar de ser flertada pela intelectualidade de esquerda, depois do mico da Caros Amigos em publicar um anúncio da Band News FM com Bóris Casoy e tudo e um colunista espinafrar o mesmo tele-radiojornalista na mesma edição.

Foi aliás com Bóris Casoy - depois revelado como um antigo gordinho que participou dos atos do Comando de Caça aos Comunistas, até mesmo no confronto da Rua Maria Antônia, em São Paulo, em 1968 - que o Grupo Bandeirantes fez derrubar a aura do "jornalismo heróico" que nem os ataques ao MST nem a presença de José Luiz Datena puderam derrubar: os comentários grosseiros de Casoy contra os lixeiros. E mostrou o lado podre da "defesa da cidadania" do Grupo Bandeirantes: a cúpula demitiu os operadores que, acidentalmente, deixaram o microfone ligado durante a transmissão da vinheta em que vasou o comentário de Casoy.

Junto a este e outros episódios - como o comentário pândego de Lúcia Hippolito, da CBN, e a desinformação de Alexandre Garcia sobre as discussões sobre direitos humanos no Brasil - , os antigos semi-deuses da grande mídia caem do pedestal, como as estátuas apodrecidas dos antigos tiranos depois de saídos do poder. A Internet, bem ou mal, virou o reduto do senso crítico que, inicialmente, incomodou pessoas influentes - mesmo "humildes internautas" que, no fundo, são meras marionetes ou vassalos da mídia - e ainda os incomoda, e o chamado "quarto poder", que não só há muito conquistou o poder como participa, com gosto, do jantar dos poderosos - o "Fórum Democracia e Liberdade de Expressão" do Instituto Millenium não nos deixa mentir - , mostra sua podridão não muito diferente da dos demais poderes da nação.

No mundo tecnocrático, o "jornalista" é um profissional acima da opinião pública, um pseudo-combatente da cidadania, para o qual o povo tem que prestar reverência e submissão. Mas, no mundo democrático, o jornalista é apenas um profissional, dotado de habilidades próprias, mas que está a serviço de uma sociedade que, em quantidade de pessoas, é muito maior que a dos jornalistas. O jornalista é parte integrante da sociedade em que vivemos, estando dentro e em função dela, e não acima dela.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

PODER DA REDE GLOBO AGORA ENVOLVE TAMBÉM A EDUCAÇÃO



Até quando o poderio da Rede Globo de Televisão pode alcançar. A rede só não é imperialista como os EUA, mas seu imperialismo, dentro do território brasileiro, já atinge setores pouco imagináveis.

Que existe a Fundação Roberto Marinho e os programas educativos tipo Telecurso, além do canal educativo Futura, isso já sabemos. Mas ver que uma escola no Bairro Renascença, em Campinas (SP), ganhou o nome do fundador da Rede Globo, definido por um falecido documentarista como um sujeito muito além do que foi o Cidadão Kane, é realmente preocupante.

O que a Rede Globo fez durante a ditadura e o tendenciosismo que, entre outras coisas, a fez pasteurizar o modelo de televisão lançado pela assassinada TV Excelsior (do mesmo brilhante grupo empresarial da Panair) e fez empurrar o "funk carioca" para a classe média, além de sonegar a cobertura das Diretas Já, eleger o canastrão político Fernando Collor de Mello para presidente e transformar as vítimas da chacina de Eldorado dos Carajás em criminosos, é de assustar.

E ver que seu fundador, pai dos atuais administradores das Organizações Globo, agora é nome de uma escola pública, é algo que o falecido Sérgio Porto, se vivo fosse, talvez pensasse, no alto dos seus 87 anos, em incluir o episódio em algum enésimo Febeapá. Um símbolo da iniciativa privada dando seu nome para a educação pública. Merchandising da grossa, que ganhou divulgação na campanha "Amigos da Escola", da Rede Globo.

Com isso, quais são os valores sociais que serão difundidos para a criançada? Aqueles valores confusos, caóticos e até duvidosos das "novelas das oito"? E a cultura musical, qual será? Os bregas-popularescos que aparecem toda semana no Domingão do Faustão? Aliás, pelo jeito, em vez de Anísio Teixeira, Milton Santos, Darcy Ribeiro, Oscar Niemeyer e Barbosa Lima Sobrinho, antigos mestres cujas lições são sempre preciosas, a Escola Estadual "Jornalista" Roberto Marinho certamente preferirá valorizar Xuxa, Fausto Silva, DJ Marlboro, Galvão Bueno e Padre Marcelo Rossi, entre outros.

A depender da influência ideológica da Globo, a criançada, em vez de aprender valores realmente edificantes para a vida, continuará sendo movida para o consumismo, o conformismo e a alienação.

HAVERÁ PROTESTO CONTRA REUNIÃO DO INSTITUTO MILLENIUM



Altamiro Borges, do Blog do Miro, convida a quem estiver ou poder ir para a cidade de São Paulo (não é o meu caso, estou em Niterói e a grana tá curta) para participar do protesto pacífico, no próximo dia 01º, chamado “Fórum de rua pela democracia, liberdade de expressão e contra a criminalização dos movimentos sociais”.

O protesto acontecerá em frente ao Hotel Golden Tulip, na Alameda Santos, número 85, nos Jardins, área nobre da capital paulista. Neste hotel, acontecerá o “Fórum democracia e liberdade de expressão”, assim cinicamente denominado por pura arrogância dos barões da grande mídia que estão engajados no Instituto Millenium, que promove este seminário.

Certamente você NÃO PODE ir para este seminário do Instituto Millenium, apesar, ou por causa da presença de grandes astros da grande imprensa, dos donos de mídia etc. A turma das Organizações Globo, da Folha de São Paulo e do Grupo Abril estará toda lá. Consta-se que o ingresso para ver estas verdadeiras estrelas (de)cadentes do PiG não é menos do que R$ 500 (deve ter refeição para os presentes, mas nada que uma delicatessen e um restaurante de bairro não ofereçam).

Só não garantiram presença no evento do Instituto Millenium o MC Catra, por compromissos de carreira, o professor mineiro Eugênio Raggi, por pura arrogância, e o baiano Mário Kertèsz, ocupado em fazer lavagem cerebral nos soteropolitanos que aderem à sua mídia golpista pós-ACM. Mas certamente todo mundo lá no Hotel fará uma moção em solidariedade ao "injustiçado" Diogo Mainardi, processado judicialmente por difamação.

Já o fórum de rua certamente será de embrulhar o estômago do golpismo enrustido de Catra, Raggi e Kertèsz, bem acomodados no bem-bom da mídia gorda.

E o pessoal do protesto de rua está convidado a aparecer pelo menos usando "nariz" de palhaço, porque o evento terá um astral circense para lembrarmos do patético circo da grande mídia.

CENSO 2010 PODE SER FEITO PELA INTERNET



Esta é a novidade do IBGE. O recenseador fornece uma senha para um morador e ele e sua família respondem um questionário na Internet, num prazo de dez dias. Fora desse prazo, o recenseador voltará à casa para fazer a entrevista ali mesmo, ao vivo.

Será que os homens que, escondidos dos recenseadores, foram omitidos pelo Censo 2000, finalmente vão aparecer no Censo 2010? É hora de aparecer, porque a supremacia feminina na população é praticamente uma ilusão, com tantas mulheres comprometidas e uma preocupante mortalidade de mulheres jovens em todo o país, pela violência, pelas doenças, acidentes, erros médicos e outros motivos.

Isso sem falar que a maioria das mulheres está comprometida (mesmo as boazudas que ficam recusando pretendentes potencialmente contam, cada uma, com pelo menos dois pretendentes em potencial), se casando como quem bebe água. É como se surgisse homem feito capim em terra molhada.

Está muito difícil arrumar uma mulher bacana para namorar. Se as mulheres fossem mesmo maioria, não haveria essa dificuldade.

DIOGO MAINARDI É PROCESSADO POR DIFAMAÇÃO


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Olavo Bruno, Eugênio Arantes Raggi, a turma toda que defende o "sertanejo universitário", a dupla Zezé Di Camargo & Luciano e a axé-music e os barões da mídia golpista em geral, estão todos em pânico, por ver seu mestre Diogo Mainardi sendo alvo de um sério processo judicial por difamação.

PUBLICADO NO PORTAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E NO BLOG "CONVERSA AFIADA", DE PAULO HENRIQUE AMORIM.

Condenado a pagar três salários mínimos a uma entidade pública assistencial, o jornalista Diogo Mainardi luta na Justiça para não perder a primariedade penal. A punição foi imposta pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Mainardi teria difamado e injuriado, em 2006, em sua coluna da Revista Veja, o também jornalista Paulo Henrique Amorim. O colunista queria que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhecesse a prescrição da punição, mas teve o pedido negado por duas vezes, a última na semana passada.

No habeas corpus analisado pela Sexta Turma, a defesa de Mainardi invocou a chamada “tese da prescrição retroativa”. Alegou que teria transcorrido o prazo de “mais que o dobro da pena aplicada, a saber, seis meses” entre a data do recebimento da queixa (11 de dezembro de 2006) e o julgamento da apelação que o condenou (18 de agosto de 2008). A condenação do TJSP foi de três meses e 15 dias de detenção.

A Sexta Turma acompanhou por unanimidade o voto do desembargador convocado Celso Limongi. Ele esclareceu que é preciso identificar a lei aplicável ao caso, ou seja, se a prescrição deve ser calculada de acordo com as regras do Código Penal ou nos moldes da Lei de Imprensa (Lei n. 5.250/1967), norma em que se baseou a queixa apresentada contra Mainardi.

De acordo com o relator, como o TJSP condenou o jornalista baseado no Código Penal (artigos 139 e 140), a prescrição da pena imposta deve ser calculada segundo os critérios estabelecidos nessa lei. Sendo assim, só estaria prescrita a punição com o transcurso de dois anos, o que não ocorreu.

Coordenadoria de Editoria e Imprensa - STF

BANDA EMO LANÇA COVER DE VÍTOR & LÉO


A BANDA EMO SERTACORE, DO RIO GRANDE DO SUL, INVENTOU UMA TAL DE "HARDNEJA" PARA GRAVAR SUCESSOS BREGANEJOS.

O mundo é lindo. Filhos da geração reacionária do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) dos anos 60 não chegaram a espancar estudantes nem incendiar - não é gíria axezeira - a sede da UNE e nem destruir equipamentos da Rádio MEC do Rio de Janeiro, como faziam seus papais nos anos de chumbo. Mas o reacionarismo da patota atual é abastecido por uma trilha sonora bem golpista, a música breganeja, que há muito deturpa, usurpa e estupra os legados e referenciais da hoje agonizante música caipira de nosso país.

Pois o que os atuais militantes ou adeptos do Comando de Caça aos Conscientizados - espécie de PiG da militância juvenil atual - , que já mandaram e-mails arrogantes para nosso blog tentando defender Vítor & Léo, João Bosco & Vinícius e Zezé Di Camargo & Luciano não esperavam é que existisse um movimento emo que grava sucessos do breganejo, o tal "hardneja sertacore".

Não, não se trata do emo de batom das bandas mais recentes como Fresno e Cine, mas emo machão, com pose de malvado, entendido como aquela onda de bandas de "rardicór" dos anos 90, com senso crítico zero, dos Raimundos ao CPM 22, o pessoal que hoje tenta nos convencer que é "hardcore mesmo". Nem sonhando. Hardcore de verdade é Dead Kennedys, GBH, Exploited, Ratos do Porão, Muqueca de Rato. Não esse cruzamento de Billy Idol com "A Praça É Nossa" que muitos chamam de hardcore.

Portanto, não comemorem os punks de butique que moram nos ricos condomínios do Morumbi e Jardins (mas que na Internet juram serem pobretas da Freguesia do Ó ou do Capão Redondo) ou da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes (mas que na Internet juram serem proletas da Pavuna e do Realengo), todos com uma aparência que não difere muito de um Fiuk ao sair da cama, que o hardcore se rendeu completamente ao sertanejo.

Primeiro, porque não se trata de punk hardcore. Segundo, porque não se trata de música caipira. Trata-se da fusão de uma diluição com a de outra, misturando o proto-emo de Raimundos, CPM 22, Sex Noise e outras palhaçadas, com o breganejo que também é pura palhaçada. Mas isso não é novidade. Os horrendos Virgulóides já tentaram uma fusão do proto-emo com o sambrega. Os Mamonas Assassinas fundiram o proto-emo com toda a música brega-popularesca em voga no seu tempo.

Este grupo é o gaúcho Sertacore, que avisou que vai gravar uma música de Vítor & Léo. Tudo a ver. O próprio "sertanejo universitário" conta com a mesma arrogância dos emos. Aliás, é a própria leitura "emo" da música caipira. A atitude dos "sertanejos universitários", como todo brega "universitário", é igualzinha aos emos, que sempre foi a da "rapeize" do CCC. A música gravada pelo grupo emo é "Fada", e faz parte do primeiro LP do Sertacore, lançado pela pseudo-independente Arsenal, que aliás é um selo da multinacional Universal Music.

Para a "galera" reaça rodar sem parar no seu toca-CD.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

CORDEL DO FOGO ENCANTADO ENCERRA ATIVIDADES


O GRUPO PERNAMBUCANO CORDEL DO FOGO ENCANTADO COM O EX-VOCALISTA LIRINHA, TERCEIRO A PARTIR DA ESQUERDA DA FOTO.

O grupo Cordel do Fogo Encantado, do vocalista e compositor Lirinha (José Paes de Lira), marido da supergracinha Leandra Leal, anunciou o fim de suas atividades.

Apesar do clima de tristeza, o fim foi bastante amigável, encerrando uma carreira de 11 anos e três LPs.

O motivo do fim é a necessidade de Lirinha, que, além de músico, é também ator de teatro, de investir em novas experiências artísticas. Depois de Chico Science, Lirinha é um dos grandes nomes da geração recente de Recife dos últimos 25 anos.

Portanto, numa época em que os "grandes nomes de nossa música" são os popularescos que disfarçam sua impotência artística gravando DVDs de revival não-assumido, covers ou participando de discos-tributos, é de louvar a vontade e a coragem de Lirinha de renovar-se artisticamente. Fica o pesar do fim de uma banda como o Cordel, mas seu ex-vocalista continuará dando preciosas contribuições à Música Popular Brasileira autêntica.

PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS PREJUDICARÁ POPULAÇÃO POBRE


CAIO MONDEGO - O TRANSPORTE "ÁGUA COM AÇÚCAR" DE SÃO PAULO TEM SIMILAR EM TESTE EM VÁRIAS CIDADES DO PAÍS, INCLUINDO RIO DE JANEIRO.

Recentemente, esteve em teste, no Rio de Janeiro, o longo ônibus da CAIO Mondego, articulado, similar aos que rodam em São Paulo, que está em teste em várias cidades do país. Pelo seu aspecto bonito e aparentemente prático - é um ônibus longo - , ele pode ser considerado o ônibus "água com açúcar", usado para tranquilizar ou tentar tranquilizar aqueles que ficam perplexos com a expansão do tecnocrático modelo curitibano de transporte coletivo. Afinal, o transporte pode ser ruim, mas tem o lindo Mondego, por sinal há muito castigado pelas superlotações no sistema paulistano. Este truque influiu até para uma pesquisa tendenciosa envolvendo uns minguados dois mil e tantos paulistanos, publicada no portal G1.

A ameaça da padronização visual dos ônibus do município do Rio de Janeiro, medida que é o carro-chefe de um modelo "curitibano" feito para ostentação turística durante os eventos esportivos de 2014 e 2016, é pior do que se pode imaginar. E bem pior do que o que os mais pessimistas podem imaginar.

Simplesmente porque a padronização visual será NOCIVA para a população pobre do Grande Rio, sobretudo a numerosa população da Baixada Fluminense que vai muito para a Cidade Maravilhosa.

Imagine, por exemplo, na Pavuna, a Viação Pavunense, a Auto Diesel, Transportes América, Erig Transportes e a Viação Vila Real exibindo o mesmo visual. As pessoas pegando o 779 Pavuna / Madureira, da Viação Pavunense, pensando pegar a 942 Pavuna / Penha, da Erig Transportes. Ou as pessoas pegando, na Praça 15, o 474 Jacaré / Jardim de Alah da Empresa de Transportes Braso Lisboa, pensando ser o 455 Méier / Copacabana, da Viação Verdun.

O pessoal da Baixada sofrerá mais, porque ficará muito mais confuso. E não adianta o prefeito Eduardo Paes estender o bilhete único para as linhas municipais, ampliar benefícios, botar CAIO Mondego até na linha 904 Vicente de Carvalho / Praça Dois, porque os transtornos que a população sofrerá isso não irá compensar.

Não se trata apenas de dinheiro perdido, mas de tempo perdido. E pode haver passageiros indo para os bairros errados, correndo o risco de serem rendidos por traficantes, ou então pacientes que, por causa dos ônibus errados, demoram para irem ao hospital certo, e acabam morrendo antes do socorro (que já demora um bocadão).

Mas, para as autoridades, o que é o sofrimento da população diante do interesse turístico que é a prioridade delas? E o que é, para os tecnocratas do transporte coletivo, o sofrimento da população diante das certezas absolutas dos projetos tecnocráticos, baseados em operações matemáticas e guiados pela reputação artificial dos diplomas de pós-graduação? Afinal, o que é a experiência vivida nas ruas, diante da burocrática formação dos tecnocratas que se acham juízes máximos da humanidade?

Infelizmente, há pessoas dotadas dessa cegueira elitista que ainda vai lhes trazer sérios e dolorosos remorsos no futuro.

BANDA CALYPSO INICIARÁ "CARREIRA" DE DISCOS REVISIONISTAS


Iniciando o mesmo destino dos ídolos do brega-popularesco, seja na axé-music, breganejo, sambrega etc., a Banda Calypso - numeroso grupo em que apenas o casal prinicpal aparece nas fotos - passará a viver de DVD's e da eterna revisita do seu repertório. O grupo lança CD e DVD ao vivo, comemorativo dos dez anos de carreira.

O grupo, sabemos, tornou-se sucesso dentro de uma manobra que enganou muita gente direitinho, até o professor neo-golpista Eugênio Raggi. Enquanto a mídia golpista vendia o fenômeno paraense como se fosse underground, com direito a gravadora (pseudo) independente e tudo, o grupo na verdade se valeu por três estratégias:

1) O jabaculê (no sentido de propinoduto, não merchandising) nas rádios FM em geral.
2) O contrato com uma gravadora dita "independente" (mas, sem dúvida alguma, sem qualquer relação com a filosofia indie, que no Brasil tem a Baratos Afins como símbolo maior), ligada a grupos empresariais poderosos do Pará.
3) A venda de discos a preços baratinhos, para atrair a curiosidade dos leigos.

Com isso e o som calcado na música de Odair José de forma mais acelerada, somado a uma atitude pseudo-regional, o grupo tornou-se hype e ganhou o apoio imediato das Organizações Globo, eminência parda do Partido da Imprensa Golpista.

Mas, passados alguns anos, incluindo até mesmo rumores de separação do casal Joelma e Chimbinha (creio que deve ser para plantar notícia e chamar a atenção dos fãs), o grupo iniciará a mesma carreira que os popularescos veteranos, de Chitãozinho & Xororó ao Grupo Molejo, de Alexandre Pires a MC Leozinho e de Chiclete Com Banana a Latino, fazem para se manter na mídia: gravar sucessivos álbuns ao vivo, muitos covers, um monte de enrolação que não passa de revival mal-disfarçado dos tempos áureos de sucesso na mídia.

É bom lembrar que a Banda Calypso já lançou um disco de versões acústicas de seus sucessos, além de outro em dueto com os Paralamas do Sucesso (!), talvez por lobby de Hermano Vianna, que pelo jeito prefere o Chimbinha ao hermano Herbert.

A Banda Calypso, repito, já dá amostra de que, como os demais ídolos popularescos, irá disfarçar o natural desgaste artístico de sua mediocridade musical com muitos discos ao vivo, acústicos, duetos, covers, tributos e outros recursos oportunistas.

Afinal, o tempo deles já passou mas eles insistem em tapear a esterilidade musical deles. E tem gente que acha que eles representam o "novo" na nossa música. Quanto cinismo! Assim, a música brasileira será condenada à eterna enrolação dos ídolos popularescos, que ainda por cima farão rodízio entre si no Domingão do Faustão (a Banda Calypso vai aparecer no programa dia 14 próximo). E haja Caras, Quem Acontece, Multishow, Noite Preta FM tentando relançar esses mofados popularescos como sendo "sempre novidade".

Sal de frutas, por favor!!

LÉO SANTANA DIZ QUE NINGUÉM RECLAMOU DO "REBOLATION"


Sem dúvida alguma, o vocalista do horrendo grupo Parangolé nunca leu este blog.

FÃS DE WHITNEY HOUSTON REPROVAM APRESENTAÇÃO


Veja o que é a dita "boa música" que as rádios de gagá contemporâneo empurram arrogantemente para os brasileiros em geral. A "good music", "classics music" e qualquer outro rótulo-baboseira que for.

Pois a melosa cantora Whitney Houston está sendo processada pelos próprios fãs, depois que ela teve um desempenho lamentável em uma apresentação recente na Austrália. A dita "diva" parava entre uma música e outra, confundia os músicos e não demonstrava rendimento no palco.

Irritados, os fãs querem processar a produção do espetáculo, irritados com a performance da entertainer, com o fim de recuperar o dinheiro pago nos ingressos.

Arrogante, um promotor do evento esnobou os revoltados, dizendo que se eles quisessem ouvir a Whitney Houston de vinte anos atrás, que comprassem seus discos. Se bem que, cá para nós, Whitney nunca foi grande coisa, nunca saindo daquela música para embalar casais em moteis de rodovia.

PiG NA BAHIA NÃO SE RESUME À MÍDIA CARLISTA


O Partido da Imprensa Golpista, na Bahia, é algo que até agora não foi devidamente analisado pelos seus críticos. Os blogueiros baianos, sobretudo aquela geração mofada dos "líderes de opinião", sofrem de um certo paulistocentrismo e imaginam que mídia grande só existe no eixo Rio-São Paulo, ignorando que existe também poderio midiático regional. Afinal, na mídia também vale considerar as esferas federal (as grandes redes), estadual (os grupos regionais) e municipal (as sucursais ou os grupos mais regionais ainda).

Este paulistocentrismo, que é considerar que as artimanhas da grande mídia se limitam aos grandes centros (Rio, São Paulo e, quando muito, Brasília), equivale mais ou menos a dizer que a mídia imperialista só existe no Primeiro Mundo e que no Brasil só existe mídia cidadã. Grande equívoco. Felizmente, Porto Alegre é uma das poucas cidades em que o vício paulistocêntrico encontra seu inferno astral.

Quando muito, os críticos baianos da mídia golpista se limitam a considerar apenas a ação da Rede Bahia, grupo de comunicação ligado aos herdeiros do senador Antônio Carlos Magalhães e que é composto, pelo menos em Salvador, do jornal Correio (ex-Correio da Bahia), da TV Bahia (canal 11), da rádio de gagá contemporâneo Globo FM e da emissora popularesca Bahia FM. Como se só o fato do falecido senador, que havia sido também deputado federal, prefeito de Salvador e governador da Bahia, ter sido um dos maiores "coronéis" da Bahia em seu passado recente, inocentasse a mídia restante.

Não é assim. Primeiro, porque existe um jornal conservador que, no plano ideológico, equivale aos perfis da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo juntos. Trata-se do jornal A Tarde. Até fiz dois testes para trabalhar lá, mas a realidade é essa mesma, um jornal de certa forma conservador, embora bem mais discreto nas suas posturas que os jornais paulistas. É uma espécie adormecida de PiG.

Segundo, porque as "rádios AM em FM" que certos blogueiros, tão atrapalhadamente equivocados, tratavam como se fosse "mídia de esquerda", deslumbrados com o denuncismo que desmitifica antigos tótens políticos do interior da Bahia, e com a relativa receptividade a entrevistar sindicalistas e professores universitários.

E aí verdadeiros tubarões que hoje comandam a mídia golpista baiana com mais empenho do que o cansado Antônio Carlos Magalhães Jr. e seu filho "emocrata" ACM Neto, um bravateiro ainda sem o carisma do avô.

Aí não dá para entender por que os "líderes de opinião" baianos, tão posudos em se autoproclamar "a mídia de esquerda baiana", ou os "grandes críticos da mídia golpista" locais, em endeusar Marcos Medrado, Mário Kertèsz e Pedro Irujo, três chefões da mídia gordíssima locais, ou inocentar a família Rebouças (dona da franquia baiana do Grupo Bandeirantes) por qualquer atitude medio-golpista.

Primeiro, porque os três senhores que controlam as FMs mais esquizofrênicas de Salvador - porque se comportam como arremedos malucos de rádio AM, seja o dia inteiro ou em algumas horas - , a Nova Salvador FM, a Rádio Metrópole e a Itapoan FM, todos eles foram pupilos de Antônio Carlos Magalhães, e integravam com gosto a direita baiana apenas, em algumas ocasiões, rompendo com o "painho" conforme a conveniência política do momento. E, nessas ocasiões, pelo menos Kertèsz e Irujo (espanhol que mal sabe falar português direito), tentaram seduzir a esquerda baiana para seu domínio, conseguindo ludibriar alguns deslumbrados que, mais tarde, sentiram o peso da traição pelos mesmos aliciadores.

Já Marcos Medrado, espécie de "coronel" do subúrbio baiano, era um tradicional representante do antigo PDC (Partido Democrático Cristão) baiano, que, fundindo com o que restou do PDS depois de sua nata fundar o PFL (atual DEM), virou PPB (Partido Progressista Brasileiro) e depois PP (a mesma nomenclatura anterior, sem a terceira palavra), portanto um símbolo máximo da direita populista baiana.

Mas, quando o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (também filho de um ex-aliado de ACM, João Durval Carneiro), então no começo de sua primeira gestão, integrava o PDT (Partido Democrático Trabalhista, uma espécie de sarcófago político que nem lembra o partido brizolista de sua história original), um grupo de políticos do PP migrou de forma oportunista para o PP, baseado nos princípios eleitoreiros da infidelidade partidária, verdadeira fábrica de camaleões políticos no país.

Aí, ficou risível ver Marcos Medrado, então presidente do PPB, acomodado no PDT, um partido que em tese é populista, mas no plano ideológico oposto ao do "coronel" do Subúrbio Ferroviário, pelo menos com base no que foi o político Leonel Brizola (1922-2004). Consta-se que a má vontade de Marcos em ficar no PDT é evidente, já que ele ingressou no partido por pressão de outros carlistas enrustidos que estavam no PP. Seu papel político no PDT até diminuiu diante do que ele fazia no PP. Para compensar, Marcos Medrado fez o que o velhaco Mário Kertèsz havia feito antes: foi brincar de radiojornalista e se passar por locutor-entrevistador (obviamente às custas de perguntas e informes escritos por outras pessoas).

Da mesma forma que é risível ver a esquerda baiana e até mesmo dois fundadores do Jornal da Bahia endeusarem Mário Kertèsz como se ele fosse a fina flor da intelectualidade esquerdista, ignorando que foi ele o algoz maior do fim do Jornal da Bahia, como interventor nomeado por ACM. Só que João Falcão e Teixeira Gomes, fundadores do JBa, apoiarem Mário Kertèsz soa o mesmo que a novelista Glória Perez tratar o Guilherme de Pádua com carinho maternal.

Por isso depois o pessoal, desprevenido, teve que engolir Kertèsz atacando toda a esquerda, do PT ao PSTU, seja na sua tendenciosa Rádio Metrópole, seja no jornal (ex-revista) Metrópole tendenciosamente distribuído de graça para os soteropolitanos ("Quando a esmola é tanta, o santo desconfia"), sobretudo diante da sede de A Tarde, aparente concorrente do jornaleco "digrátis".

Quanto a outros exemplos, é bom lembrar que a família Rebouças, representante do Grupo Bandeirantes em Salvador, é famosa pelo apoio dado a Antônio Carlos Magalhães em muitos momentos. Há também, no PiG baiano, o populismo conservador da Tribuna da Bahia, a filial da Rede Transamérica (rede controlada por um banqueiro - nada mais PiG que isso), a breguice local da Piatã FM. Enfim, é o Partido da Imprensa Golpista de Salvador, o que mostra a prepotência arrogante da mídia baiana que certos críticos baianos da grande mídia se recusam a ver.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

FAVELA É UM MAL CONSEQUENTE DA EXCLUSÃO IMOBILIÁRIA


EXISTE FAVELA ATÉ EM CIDADES COMO NOVA FRIBURGO (RJ)

A ideologia do "funk carioca" (FAVELA BASS) transforma a favela numa arquitetura pós-moderna. Em total desrespeito ao povo pobre, o "funk", tão defendido por pretensos intelectuais no alto de seus apartamentos de luxo frente à praia, impõe determinados papéis para a juventude da periferia. Prende o povo na favela, transforma rapazes em MC's patéticos com voz de fuinhas, transforma moças ora em popozudas apalermadas, ora em mocréias revoltadas, sem oferecer outra alternativa, apesar da engenhosa retórica dizer que "isso não é verdade". Mas o povo da favela vira refém do "funk", não pode ter vida melhor, não pode superar suas desigualdades. Tem que esperar o empresário-DJ de "funk" decidir se o povo favelado terá ou não melhorias de vida.

A favela não é solução, a favela é um problema, como está escrito no blog Caos Carioca. Isso não é uma visão fascista, até porque sabemos o quanto o povo sofre por morar nessas áreas. Pelo contrário, afirmando isso, reconhecemos que há um sério problema de habitação, um sério problema de EXCLUSÃO IMOBILIÁRIA, coisa que as autoridades até agora ignoram ou pensam de forma superficial, sem ações de caráter definitivo. Existem os projetos do PAC, as UPP's, mas são medidas insuficientes.

Sou de esquerda, mas tenho que admitir o mérito do jornalista e governador da Guanabara, Carlos Lacerda, quando, por volta da primeira metade dos anos 60, transferiu moradores de favelas localizadas na altura da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Humaitá para os atuais bairros de Vila Kennedy, na região de Bangu na altura da Av. Brasil, e Cidade de Deus, na altura de Jacarepaguá. A desfavelização é uma boa medida, embora polêmica.

As favelas surgiram com a exclusão imobiliária resultante, pelo menos no Rio de Janeiro, na destruição de verdadeiros bairros para a construção da Av. Rio Branco (inaugurada em 1905 com o nome de Av. Central) e da Av. Pres. Vargas (inaugurada em 1944). Esta última teve construção mais problemática, porque uma imensa área cheia de residências, casas comerciais e até igrejas foi posta abaixo (só restou a Candelária), enquanto o povo se deslocou para outras áreas, aliás nem todos teriam sido indenizados, porque a população sem dúvida alguma era imensa, e muita gente teve que improvisar recursos financeiros e áreas para morar. Os primeiros favelados em larga escala, a ocupar morros e terrenos baldios, vieram do antigo bairro que deu lugar à Av. Pres. Vargas.

Mas a favelização que ocorre em todo lugar no Brasil se dá pela exclusão imobiliária, atingindo sobretudo os trabalhadores da construção civil. Eles constroem belos prédios, tiram do papel projetos de engenharia e arquitetura, transformam a imaginação de engenheiros e arquitetos em realidade. Só isso deveria render maior consideração aos operários da construção. Mas, infelizmente, não é assim.

As residências construídas se transformam em produtos caríssimos que o proletariado em geral não consegue comprar. Mesmo as prestações são insuficientes diante da medíocre remuneração dos trabalhadores. Praticamente expulsos dos edifícios, eles correm para morros, correm para terrenos baldios, para os cais dos rios e lagoas, para os cantos abaixo das pontes e viadutos, e improvisam residências com material ruim, pregando um monte de madeira e juntando uma família por demais numerosa para essa pequena e improvisada residência.

Quando o dinheiro permite, esses trabalhadores substituem as madeiras por tijolos. Mas tudo fica rudimentar, ainda, e os tijolos são pregados quase sempre "nus", sem pôr cimento para cobrir a casa em si, apenas para colar um tijolo no outro. Mas até para um barraco virar uma casa mais ou menos decente, é tudo questão de sorte de obter um emprego com melhor remuneração.

As favelas se tornaram um problema por serem construções irregulares. Sem percebermos, as favelas são um subproduto dos empresários da construção civil, que pelo preço exorbitante dos apartamentos e casas expulsa os trabalhadores de uma residência decente.

Isso cria sérios transtornos. A população revoltada das favelas vê alguns de seus filhos ainda mais revoltados investir na carreira criminosa. As construções irregulares se tornam perigosas para o meio-ambiente, porque destruíram muitas áreas verdes. Criam um cenário grotesco e lamentável, a ponto das favelas localizadas no Vidigal, Zona Sul carioca, serem vistas até na praia de Piratininga, em Niterói. As favelas também criam um visual incômodo em outras cidades, como pude ver na área de Pernambués e Saramandaia, em Salvador.

Não dá para bancar o pseudo-liberal e achar, com certa demagogia cínica, que as favelas são um paraíso da arquitetura pós-moderna mundial. Também não dá para bancar o fascista moralista e condenar os favelados ao suplício. É preciso pensar a desfavelização e a inclusão imobiliária com coragem e objetividade, sem emotividades baratas seja de esquerda ou de direita.

É preciso criar uma política habitacional intensa, rápida, com ações a serem tomadas de imediato, com reuniões e debates rápidos mas produtivos. Tudo para resolver rapidamente uma situação que é calamitosa, porque o povo sofre muito, até durante as chuvas, que causam enchentes ou deslizamentos de terras, ou em situações de curto-circuito (por conta de instalações de energia elétrica clandestinas), como em várias favelas de São Paulo, quando incêndios fizeram os favelados perderem até o pouco que tinham.

A inclusão imobiliária terá que ser uma ideia urgente, uma prioridade para autoridades, pesquisadores, técnicos. Seja para recuperar o meio-ambiente destruído por construções irregulares, seja para dar residência às classes populares, seja para reordenar a estrutura urbana das cidades, e outras coisas mais que o debate público, se for feito de forma efetiva e constante, irá trabalhar.

Ficar conformado com a ideia de favela trabalhada pelo "funk" só vai abrir caminho para o reacionarismo daqueles que pouco se preocupam com a moradia para o povo. Nem uma coisa nem outra são válidas.

Planalto e Supremo planejam intervenção no Distrito Federal


PAULO OCTAVIO, EX-GOVERNADOR INTERINO DO DF, NÃO CONSEGUIU HERDAR A COMPETÊNCIA, A INTEGRIDADE E O CARISMA DO AVÔ DE SUA ESPOSA

Ontem Paulo Octavio renunciou ao governo interino do Distrito Federal e se desfiliou do DEM, o estranho partido direitista chamado apenas de "Democratas" e que, na prática, é mais uma continuação moderna da trajetória da União Democrática Nacional (UDN), o temível partido composto pelos avôs da garotada do DEM. A UDN existiu nos tempos de glória de Juscelino Kubitschek como governador mineiro e presidente da República.

Mas Paulo Octavio, marido da neta de Juscelino, não herdou a competência, a integridade nem o carisma do falecido ex-presidente. Ele foi apenas um empresário entre tantos, fechado nos seus ternos ou nas suas camisas pólo, nas fotos de eventos noticiados na revista Caras. Eu, francamente, não imaginaria, no entanto, que ele se envolveria no escândalo de corrupção comandado pelo então governador José Roberto Arruda, hoje preso. Corrupção que tornou-se conhecida como o "Mensalão do DEM".

Paulo Octavio saiu do DEM expulso pela cúpula do partido, sempre a preservar sua estrutura desde que se livrou de siglas anteriores, seja UDN (que, numa suposta isonomia aos demais partidos cassados pela ditadura, se "extinguiu" pela ação do AI-2), ARENA, PDS, PFL.

E agora o Governo Federal e o Supremo Tribunal Federal pensam em intervir no Distrito Federal, conforme prevê a Constituição, em casos de improbidade administrativa. No momento, o terceiro suplente passou a assumir interinamente o governo do DF, o presidente da Câmara Distrital, Wilson Lima, do Partido da República (PR). Com Arruda preso, Octavio afastado e Leonardo Prudente, o antigo presidente da Câmara, afastado de tal função, Lima é ligado ao ex-governador Joaquim Roriz e ao próprio Arruda.

Se afastado, Wilson Lima pode ser sucedido pelo presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Níveo Gonçalves, mas ele não tem interesse em assumir o mandato. Daí a hipótese de Supremo e Governo Federal intervirem no Estado, diante dessa desordem política.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

COMO SERIA O INSTITUTO TROPICALIUM?



Como seria o Instituto Millenium se ele fosse uma entidade cultural?

Provavelmente se chamaria INSTITUTO TROPICALIUM e se tornaria o órgão máximo dos defensores da Música de Cabresto Brasileira, dentro do mesmo enfoque do acima citado "instituto".

Seria um órgão politiqueiro que se autodefine "sem vínculos político-partidários". E, assim como os órgãos golpistas falam em defesa da "democracia", o Tropicalium falaria em defesa da "cultura popular". E, assim como as apologias da direita militante do Millenium são bem conhecidas entre nós (em defesa, sobretudo, da "livre iniciativa" e da "cidadania"), as apologias dos defensores do brega-popularesco também não nos são estranhas, principalmente no que diz respeito à "popularidade natural dos grandes ídolos" através também de êxitos econômicos (o sucesso na mídia corresponde, para os ídolos popularescos, como o poderio econômico está para os grandes empresários).

Imagino que muita gente "boa" participaria ativamente do Instituto, seja na forma de colaboradores, seja na forma do conselho editorial. Imaginemos a seguinte estrutura básica: presidente, conselho editorial e colaboradores.

PRESIDENTE: PAULO CÉSAR ARAÚJO (escritor e historiador)
Vice-Presidente: HERMANO VIANNA (antropólogo).

CONSELHO EDITORIAL:
Paulo César Araújo
Hermano Vianna
Milton Moura (sociólogo - Bahia)
Roberto Albergaria (antropólogo - Bahia)
Rodrigo Faour (historiador e radialista)
Pedro Bial (jornalista e apresentador - integrante do Instituto Millenium)
Pedro Alexandre Sanches (jornalista)
Eugênio Arantes Raggi (professor - Belo Horizonte)
MC Leonardo (APAFUNK)
Fernanda Abreu (cantora)
DJ Marlboro
DJ Rômulo Costa
Fausto Silva (apresentador)
Wagner Montes (apresentador)
Patrícia Pillar (atriz)
Regina Casé (atriz)
Carlos Massa, o Ratinho (apresentador)
Bia Abramo (ex-Folha e ex-Bizz, atual Fundação Perseu Abramo)
André Forastieri (ex-Bizz, atual portal R7)
Zezé Di Camargo (cantor)
Ivete Sangalo (cantora)
Preta Gil (cantora)
Álvaro Pereira Júnior (jornalista, Folhateen e Fantástico).

Membro de honra: Marcelo Fromer (músico dos Titãs - in memoriam)

Colaboradores e Articulistas:

Paulo César Araújo
Hermano Vianna
Bell Marques
Luiz Caldas
Zezé Di Camargo
Fernanda Abreu
MC Leonardo
Rodrigo Faour
Pedro Alexandre Sanches
Marco Aurélio Canônico (Folha de São Paulo)
Ana Maria Braga
Gugu Liberato
Eugênio Arantes Raggi
DJ Marlboro
Luciano Huck
Milton Moura
Roberto Albergaria
Netinho de Paula (apresentador, ex-Negritude Júnior)
Patrícia Pillar
Álvaro Pereira Júnior
Bia Abramo
André Forastieri.

OBJETIVOS DECLARADOS (POR ELE DEFENDIDOS):

- Estabelecer uma cultura popular voltada para os princípios puramente de entretenimento, com temática despolitizada e integrada aos sistemas de comunicação internacionais e nacionais.

- Definir o mérito de um artista popular através do aspecto quantitativo de seu sucesso, como plateias lotadas e grande repercussão nos veículos da grande mídia.

- Sustentar e manter o sucesso dos ídolos envolvidos, ainda que eles se limitem a produzir apenas material que evoque antigos sucessos e covers de antigos clássicos da Música Popular Brasileira.

- Estabelecer uma aliança entre os ídolos envolvidos e todos os setores influentes da sociedade organizada, de forma a garantir a manutenção deste sucesso.

OBJETIVOS NÃO-DECLARADOS (OCULTOS POR ELES):

- Desqualificar a música brasileira, tal qual a cultura popular como um todo, subordinando-a à mediocridade artística aliada à assimilação submissa das influências da música estrangeira (dos países do G-7) que tocam nas rádios de maior audiência.

- Impedir que a antiga música popular, hoje considerada folclórica, renasça no Brasil, evitando repetir o renascimento da música regional autêntica pela ação dos Centros Populares de Cultura da UNE no período 1961-1964.

- Impedir que a música popular autêntica, com força artística maior, possa trazer conhecimentos artísticos e temáticos para o povo pobre, o que traria em risco a hegemonia das elites detentoras do poder.

- Tornar o povo submisso e resignado, através da devoção aos ídolos do brega-popularesco, de forma que haja um faz-de-conta de que a cultura popular vai bem, quando na verdade se percebe a gritante degradação cultural, sobretudo através da música.

- Afastar do apreço popular as grandes obras da literatura e artes plásticas, sem que, aparentemente, se impeça o povo de apreciá-las, mas estimulando neles o maior distanciamento emocional possível destas obras, através da compreensão superficial e acrítica.

- Domesticar as classes populares através dos meios de comunicação, de modo a dar aos pobres a falsa impressão de autosuficiência sócio-econômica e de felicidade extrema através do circo de ilusão e fantasia das emissoras de TV aberta, das rádios FM e de jornais e revistas popularescos.

- Procurar exercer o controle social da forma mais sutil, procurando desmentir seu processo quando este for denunciado. Não se deve levar a conhecimento, por exemplo, que os ídolos popularescos são apoiados por determinados veículos da grande mídia, procurando, através de falácia, convencer as pessoas de que tais ídolos fizeram sucesso sem apoio algum da mídia.

OS DESCAMINHOS DE LULUZINHA


ACIMA, O DESENHO DA LULUZINHA, PELA EQUIPE DA HARVEY COMMUNICATIONS, SEM AS AVENTURAS ORIGINAIS. AO LADO, A ADAPTAÇÃO BRASILEIRA DA TURMA DA LULUZINHA PARA O PÚBLICO ADOLESCENTE

Na história das histórias em quadrinhos, um dos desenhos mais populares em todo o mundo, até hoje, é Little Lulu, que aqui no Brasil ganhou o nome de Luluzinha. Criada por Marjorie Henderson Buell (1904-1993), que adotou o nome artístico de Marge, Luluzinha é a principal personagem de A Turma da Luluzinha, uma divertida série em que um grupo de crianças, sobretudo Luluzinha e sua fiel amiga Aninha, e o gorducho Bolinha e seu grupo, composto também pelos amigos Careca, Juca e Zeca, se envolvem em uma variedade de aventuras, caraterizada por muitas encrencas e trapalhadas.

É uma série cômica, que acompanhei muito nos quadrinhos dos anos 70 e 80, décadas depois da criação de Marge (cujos desenhos ilustravam histórias escritas por John Stanley) já ter passado por vários desenhistas. E cuja essência foi inteiramente preservada na série de desenhos The Little Lulu Show, produzido nos anos 90, série que também vi e vejo sempre que possível na TV.

Mas em duas ocasiões A Turma da Luluzinha passou por descaraterização. Embora seja respeitado o crédito original de Marge e tenha alguma boa intenção na recriação do personagem em histórias de outro contexto, deixa-se de ver aqueles episódios engraçados de travessuras e deliciosas molecagens.

Uma foi entre 1943 e 1948, quando a Paramount Studios, através da Harvey Communications - produtora que fez, entre os anos 40 e 60, desenhos do Gasparzinho, Popeye, Brotoeja, Gato Félix e Recruta Zero - , realizou uma série musical aproveitando a personagem Luluzinha. Na prática, ela era a única personagem constante na série (Bolinha chegou a aparecer em um e outro episódio, mas quase que como numa ponta).

As histórias de Little Lulu pela Harvey/Paramount basicamente se caraterizavam por uma desobediência individual de Luluzinha a alguma coisa, até que, diante de algum incidente, ela sucumbe de uma forma ou de outra a um universo de sonho enquanto uma canção - bem aos moldes dos standards de Hollywood, afinal a Paramount era uma das produtoras da fase áurea do cinema estadunidense - , onde aparecem objetos animados cantando diante de uma Luluzinha às vezes perplexa, às vezes deslumbrada. Até que, terminada a canção, a menina volta à realidade.

Outra descaraterização é uma adaptação brasileira de A Turma da Luluzinha feita para o público adolescente. Feita pela Pixel Estúdios através de autorização dos editores originais que hoje detém o copyright, Luluzinha Teen e Sua Turma teve o claro objetivo de competir com a adaptação adolescente de A Turma da Mônica, chamada Turma da Mônica Jovem.

A história segue o mesmo universo curtido pelos adolescentes brasileiros, algo entre o seriado Malhação da Rede Globo e os mangás (histórias em quadrinhos japonesas). Há desde apresentações de bandas emo ou de grupos de pop dançante, até mesmo partidas de futebol e heróis e vilões típicos dos mangás.

Tanto os desenhos da Paramount quanto os quadrinhos teen da Pixel são válidos, têm o seu valor expressivo. Mas não deixam de ser, de toda forma, descaminhos da trajetória original da Turma da Luluzinha. Por isso, embora sejam bastante válidos como entretenimento, eles não substituem as histórias cômicas originais de Luluzinha, Bolinha e seus amigos.

EX-CANTOR DO SKID ROW ABRIRÁ TURNÊ DO GUNS N'ROSES NO BRASIL


O ex-cantor do Skid Row - não aquela banda de rock clássico de Gary Moore nos anos 70, mas a banda farofa dos anos 80-90 - , Sebastian Bach - não tem parentesco com o clã do compositor erudito - , vai abrir a turnê do grupo farofeiro Guns N'Roses.

Tudo "gente importante", que serve de referencial para os "grandes guardiões da cidadania" que predominam em "comunidades importantes" no Orkut, como "EU ODEIO ACORDAR CEDO".

Para completar o "grandioso evento cultural", um dos "maiores" do planeta depois da turnê da Beyoncè e dos espetáculos brasileiros de Ivete Sangalo (Zezé di Camargo & Luciano e Alexandre Pires vêm logo depois, no ranking dos "superartistas"), só mesmo gente "fundamental" e de presença "indispensável" no nosso país, que são os ex-integrantes do Big Brother Brasil (ou será PiG Brother Brasil?). Que a turnê do Bach/Guns tenha sempre um camarote só com ex-BBBs.

Ah, não se esqueça de Kleber Bambam, o mais "importante" de todos, e a "jornalista" Priscila Pires, para ornamentar o ambiente. E, se José Roberto Arruda ganhar um habeas corpus, ele também estará dentro, como "grande estadista" que é.

PiG TENTA MUDAR O SENTIDO DE CERTAS PALAVRAS


A mídia golpista tem hábitos bizarros. Tenta transformar artificialmente nosso idioma para que nosso nível de compreensão seja neutralizado em benefício do establishment da mídia gorda, que além disso quer que suas gírias privativas sejam faladas por toda a juventude, ou que certas palavras tenham o sentido que a mídia quer.

Sabemos do tal caso da gíria "balada", que, de uma frágil gíria de boates de dance music de São Paulo, foi empurrada pela mídia para ser uma "gíria da juventude", de forma que mais pareceu a gíria do Terceiro Reich, gíria vitalícia, gíria que não queria ser gíria, porque recusava a efemeridade natural das verdadeiras gírias.

Pois não só a longevidade artificial das gírias de proveta é prática do Partido da Imprensa Golpista em seu setor de cultura e entretenimento. A traiçoeira mídia gorda também tenta manipular certas palavras para que assim sejam dissolvidos seus sentidos pejorativos ou de denúncia. Aqui está uma seleção delas, seu sentido real e o sentido trabalhado pela mídia.

MAURICINHO
SENTIDO REAL - Rapaz de boa aparência que adota um comportamento conservador, alienado e por vezes reacionário, esnobe e arrogante.
SENTIDO DO PiG - Rapaz mimado pelos pais, que tem carro do ano e aparelhos domésticos de última geração.

PATRICINHA
SENTIDO REAL - Equivalente feminino ao mauricinho.
SENTIDO DO PiG - Garota que se veste de forma espalhafatosa, geralmente acompanhada de um cachorrinho ou de uma amiga, que é viciada em fazer compras em butiques.

PUNK DE BUTIQUE
SENTIDO REAL - Caricatura comercial e estereotipada dos punks originais, sem a rebeldia natural nem o senso crítico dos punks originais.
SENTIDO DO PiG - Punk quase andrógino que adora desfiles de moda.

BARRAQUEIRO (A)
SENTIDO REAL - Trabalhador que monta barracos para vender seus produtos.
SENTIDO DO PiG - Bagunceiro.

JABACULÊ
SENTIDO REAL - Esquema de propinas que envolve profissionais ou executivos dos meios de comunicação.
SENTIDO DO PiG - Propaganda de algum produto ou empresa no qual está envolvido algum amigo. A palavra também é usada aqui como sinônimo de merchandising.

POLITICAMENTE CORRETO
SENTIDO REAL - Defesa tendenciosa de causas nobres feita por alguém para disfarçar sua alienação ou reacionarismo ou para tirar alguma vantagem pessoal.
SENTIDO DO PiG - Defesa de práticas e hábitos em benefício da preservação ecológica.

ALTERNATIVO
SENTIDO REAL - Pessoa que adota uma atitude de oposição aos valores doestablishment da cultura e do entretenimento.
SENTIDO DO PiG - Rebelde estereotipado, de trejeitos "universitários" que, visualmente, é algo entre um lenhador e um hippie, que gosta de rock pesado e vai a eventos de moda. Ou então é qualquer esquisito que adora boates e desfiles de moda.

NERD
SENTIDO REAL - Jovem de aparência esquisita que já foi humilhado por colegas na escola, é dotado de uma inteligência aguçada e peculiar, e que tem sérias dificuldades de conquistar a mulher desejada para a vida amorosa.
SENTIDO DO PiG - Jovem que sempre usa óculos, passa o tempo inteiro diante do computador, sua obsessão é por discos voadores, Matemática, Física e Química, e só gosta de poppy punk e de qualquer filme de ficção científica.

CIDADANIA
SENTIDO REAL - Profundo conhecimento dos valores sociais e morais, das leis, visão crítica dos problemas e das desigualdades, sociais, de forma a adotar uma visão de mundo consciente dos erros da humanidade e das possíveis formas de resolvê-los.
SENTIDO DO PiG - Mero cumprimento de regras básicas para a normalidade social e política de uma cidade ou região de cidades, como o voto eleitoral e evitar jogar o lixo no chão. A mídia não é tola para permitir que o "povão" tire de letra todos os artigos da Constituição ou das leis existentes em nosso país.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

RÁDIO QUEIMADO


Fica minha irrestrita solidariedade ao amigo Marcelo Delfino, que compartilha comigo a produção do blog do Preserve o Rádio AM, em artigo intitulado "Órfão do Rádio".

Infelizmente o rádio está cada vez mais entregue aos interesses empresariais. A segmentação radiofônica, um projeto futurista dos anos 80, simplesmente não existe mais. Com maior ou menor nível de estragos, a tendência atinge o mundo inteiro, e a extinção do rádio AM na Holanda e na Irlanda ocorreu por pressão de grupos empresariais poderosos desses países, além dos tecnocratas do rádio.

Entregue aos interesses financeiros, seja na veiculação do hit-parade mais rasteiro, seja na overdose de informação ou mesmo no showrnalismo esportivo, político e econômico, além de programas de besteirol ou mesmo pastiches de programas de comunicador (que deixariam o mestre Haroldo de Andrade com vergonha), ou mesmo no empastelamento da segmentação (como o radialismo rock, estuprado sem dó e a sangue frio pelas rádios 89 FM e Rádio Cidade, nos anos 90), o rádio se distancia cada vez mais do ouvinte, enquanto seus executivos tratam o público como se fosse um gado a aceitar a "ração" que lhe for dada.

Se até rádios que se comprometem a tocar a autêntica Música Popular Brasileira cada vez mais se vendem ao universo rasteiro da Música de Cabresto Brasileira que já toca em outras rádios, é sinal de que muita coisa está errada, e não adianta desmentir ou "relativizar", tal qual os "ezecutivos" do rádio, que imaginam que o errado de hoje será considerado um acerto amanhã. Sem perceber que o ouvinte da MPB FM de amanhã irá abandoná-la de vez se na programação diária ou nos "Clássicos MPB" rolar Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, É O Tchan, Calcinha Preta e Gaiola das Popozudas. Risco que, infelizmente, está próximo de acontecer, transformando oa MPB FM num requentador de sucessos da Nativa FM e da Beat 98.

Mas também não existem mais reportagens na imprensa sobre rádio, ao menos com a frequência que era antes, com "gerentes artísticos" fazendo demagogia, para promover programações duvidosas ou de certa forma restritivas (como uma FM de notícias que desaloja rádios autênticas de rock ou rádios decentes de pop adulto). O ponto positivo é que o senso crítico dos radiófilos de hoje é bem superior ao de 15, 20 anos atrás, quando havia conformismo e até deslumbramento, até mesmo com rádios pseudo-roqueiras. Antigamente, havia quem justificasse qualquer vacilo de uma rádio, hoje esse vacilo dificilmente sai sem reprovação da maioria dos radiófilos.

Infelizmente, os estúdios de rádio se tornaram verdadeiras clausuras. A ganância empresarial e a insensibilidade dos diretores e gerentes é notória. Isso, em todo o Brasil, ocorre de forma bem mais dramática que no resto do mundo, onde há mais exceções dotadas de inteligência, criatividade e respeito ao público.

No Brasil, porém, impera o interesse particular, e neste país há a grande mania dos interesses minoritários eventualmente prevalecerem sobre o interesse da maioria, os interesses particulares se julgando acima do interesse público. Foi devido a isso que tivemos uma ditadura militar que deixou o país em profunda crise de valores. E, nos meios de comunicação, isso não é diferente.

Lamentavelmente, o rádio perdeu a sintonia com o ouvinte. Que responde desligando o rádio e vivendo sua vida.