terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Solo fraco faz terra tremer no Nordeste


"O chão da terra tremeeeeeeeer...", canta um sucesso de axé-music, ritmo que aposta em metáforas catastróficas para mostrar sua "energia", a mesma que derrubou estruturas de palco durante um evento do gênero, em São Paulo.

Mundo lindo, o da axé-music, onde furacões e tremores de terra são sinônimo de alegria. Sinal de que o pessoal nunca se apresentou em lugares onde ocorrem terremotos e furacões. É um mundo tão lindo e tão alegre, os fãs de axé-music é que não são muito alegres, pois é só a gente dizer uma vírgula de ídolos X ou Y para a "galera axezeira" se enfurecer feito a patota irada (ao pé da letra) do CCC nos anos 60.

Pois no Nordeste ocorreu um tremor de terra de 3,8 pontos na escala Richter, cujo epicentro aconteceu nas cidades do interior potiguar, Poço Branco, Taipu e João Câmara. Mas não foi só no Rio Grande do Norte que o tremor se refletiu, pois os reflexos atingiram também áreas de Pernambuco e Paraíba.

Os técnicos não falam, mas assim como os súbitos furacões ou "inocentes" vendavais que acontecem no interior de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os tremores de terra nordestinos devem ser consequência dos estragos ambientais causados pelo homem. No interior nordestino, temos a região do semi-árido que caminha para o árido, e o risco de desertificação já foi alertado por muitos especialistas, há um bom tempo.

Pois o solo fraco faz com que ocorram rachaduras, e por isso o solo subnutrido sofre tremores. O Brasil é um país geologicamente antigo, do contrário que as regiões da América do Sul hispânica, como Argentina, Chile e Colômbia - que recentemente sofreu a erupção de um vulcão - , que são geologicamente recentes.

Por isso mesmo, só a fragilidade do solo, nas regiões de muita seca, para causar tais tremores que assustam as populações pobres, obrigando-as a fugir do sertão e ir para as cidades. Experiência aliás, que nosso presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, vivenciou muito bem.

Daí ser necessária uma política de assistência ambiental ao Nordeste, com medidas sérias, em vez do procedimento patético e ambientalmente desastroso da transposição do rio São Francisco.

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