segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

NÃO SOMOS NÓS QUE QUEREMOS REGRAS PARA A MÚSICA POPULAR


Não somos nós, que, rejeitando toda a música brega-popularesca que domina o país, desejamos impor regras para a música popular a ser feita no país.

Não somos nós que queremos ditar preceitos, regulamentos, procedimentos. Mas aqueles que defendem todo esse universo brega-popularesco que faz sucesso nas rádios.

Tudo parece "natural" e "espontâneo" na música de Waldick Soriano, Odair José, Gretchen, Sullivan & Massadas, Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, É O Tchan, DJ Marlboro, Calcinha Preta, Chiclete Com Banana, Psirico, MC Créu e tantos, tantos outros. Mas todos eles seguem, na verdade, todo um padrão premeditado pela indústria cultural desde os tempos da ditadura.

São os defensores do brega-popularesco que impuseram normas para a música popular a ser feita no país. São eles que determinaram que o povo tinha que adotar um comportamento pateticamente feliz, se comportar feito idiotas que são felizes por coisa nenhuma.

São esses defensores que determinaram que o povo tinha que cantar mal e compor pior ainda para fazer uma "verdadeira canção popular". São eles que determinam a conduta frouxa dos artistas, a submissão deles para com a indústria cultural, a prática de tolices como dançarinas rebolando demais por motivo nenhum.

E nós, coitados, somos tidos como "normatistas" e "burocratas" só porque reclamamos porque as favelas aparentemente não veem surgir um novo Ataulfo Alves, um novo João do Vale, um novo Jackson do Pandeiro.

Mas os defensores do brega-popularesco, que tanto se orgulham em defender a "pureza na cultura popular", mal conseguem disfarçar seus preconceitos etnocêntricos, e eles, como um Bóris Casoy para a cultura popular, tratando as classes pobres como bobos alegres, macacos de realejo, bons selvagens, numa atitude paternalista que eles, logo eles que condenam o "paternalismo" dos outros, têm em sobra.

Quem recebe regras para fazer uma "boa música popular" é um Alexandre Pires, um Belo, que seguem direitinho os preceitos estereotipados associados a uma MPB em crise. Quem segue regras determinadas é um Calcinha Preta, é um MC Créu, ou mesmo os bregas "de raiz" da linha do Amado Batista, que acham que um ídolo popular tem que ter necessariamente voz de fuinha.

São esses ídolos que fazem uma música totalmente calculada, o problema é que o marketing de muitos anos fez as pessoas se acostumarem mal e pensarem que esses ídolos são espontaneamente populares. Não são mesmo.

2 comentários:

André Jede. disse...

O pior não é isso, o pior foi a turma querer "desviar" as nuvens do Rio de Janeiro para que a chuva não atrapalhasse o show de fogos na virada do ano... Vide a postagem "Os rostos que a Fundação Cacique Cobra Coral não vai mostrar em seu site", na página da Metsul (http://www.metsul.com/blog/) Definitivamente, este não é um país sério...

André Jede. disse...

Che!... Me desculpe! Postei um comentário no artigo errado... Na verdade, me refiro ao desastre de Angra dos Reis. Prometo que na próxima vez serei mais cuidadoso.