sábado, 23 de janeiro de 2010

JB FM E MPB FM DECEPCIONAM OUVINTES CARIOCAS


Definitivamente, segmentação não é o forte dos gerentes de rádio no Brasil. Aliás, os próprios interesses financeiros das rádios sempre fizeram com que seus diretores, gerentes e proprietários fossem sempre contrários à segmentação. Mas como a publicidade abraçou a causa da segmentação de público-alvo de seus produtos, o rádio tornou-se apenas "Amigo da Onça" da segmentação, criando uma fragmentação caricata e superficial de estilos. As rádios de rock, por exemplo, na prática eram apenas rádios de pop adolescente com vitrolão roqueiro. Mas a realidade mostrou que não havia diferença fundamental entre uma Jovem Pan 2 que tocava La Bouche entre Skank e Alanis Morissette e uma 89 FM que tocava Marilyn Manson entre Skank e Alanis Morissette.

Pois o segmento adulto contemporâneo tornou-se a banda podre desse fenômeno da pseudo-segmentação. Até porque, na prática, como para a grande mídia os anos da Era Geisel (1974-1979) foram os verdadeiros Anos Dourados (democracia controlada), as rádios adultas, sob a capa, rasgada, de "sofisticadas", na verdade são uma volta às pálidas clones de antigas rádios respeitáveis como Tamoio AM (rádio carioca que chegou a ser a equivalente da Antena Um nos anos 50/60) e Plenimúsica FM (paulista). Clones que confundiam locução comportada com leitor de bula de remédio, de tão fria e insensível.

Pois o adulto contemporâneo voltou praticamente a esses tempos. Às vezes com uma locução um pouco mais informal, mas isso em nada ajuda. Virou o fenômeno que nosso amigo Marcelo Delfino, que vocês conhecem no blog Brasil Um País de Tolos, já definiu como gagá contemporâneo.

São rádios que, em nome de um repertório mais "comportado", fazem um repertório qualquer nota. A pose de "sofisticada" e o lero-lero de coordenadores e gerentes artísticos, que afirmam que seu público é exigente, que a linha de suas emissoras é requintada, que eles só tocam o que corresponder ao bom gosto cultural e outras lorotas pomposamente anunciadas.

A JB FM e, no contexto exclusivamente de música brasileira, a MPB FM, tornam-se os piores exemplos, num rádio FM decadente no Rio de Janeiro, sobretudo com o projeto populista da Aemização e das FMs all news que recentemente foram duramente abatidas pelas trapalhadas de seus profissionais, como Bóris Casoy e Lúcia Hippolito.

A JB FM sofre dos mesmos cacoetes que, em Salvador, sofre a Globo FM (franquia baiana dos herdeiros de Antônio Carlos Magalhães). Repertório qualquer nota, como se, por si só, o hit-parade norte-americano fosse sinônimo de "música de qualidade", o que na verdade não é. Para uma rádio que, nos anos 80, tocava somente música erudita, a queda livre é difícil de disfarçar, quando a rádio é capaz de tocar até Lady Gaga, um ícone do pop dançante juvenil, sob o pretexto falsíssimo de "música de qualidade". O pior é que, como toda rádio de gagá contemporâneo, a direção da emissora é totalmente indiferente a reclamações, muitas vezes vista pelos diretores de rádios assim como "coisa de pessoas que não têm o que fazer" ou então pela visão preconceituosa de que quem não gosta de ouvir "irrit-pareide" em rádios adultas é "roqueiro".

A MPB FM anunciou o novo programa, apresentado por Preta Gil que, apesar de ser filha de Gilberto Gil (que, com toda a condescendência ao brega e afins, pelo menos é um prestigiado artista de MPB, ainda que com altos e baixos), é, abertamente, defensora do mais explícito brega-popularesco, sendo inclusive amiga da funqueira Tati Quebra-Barraco e do pagodeiro baiano Márcio Victor, do Psirico.

Com o programa dela, já dá para arrancar os cabelos sobre o que poderá rolar no programa dela e, talvez, na programação da MPB FM daqui a alguns anos. Há um lobby de intelectuais, jornalistas e celebridades que quer empurrar o brega-popularesco para a MPB no mole ou na marra, de Waldick Soriano a MC Créu, de Chitãozinho & Xororó ao Grupo Molejo, de José Augusto ao É O Tchan. Se isso influir na mudança da MPB FM, esse repertório supostamente democrático transformará a rádio num mero mix entre a Beat 98 e a Nativa FM, jogando a MPB autêntica para os finais de noite e madrugada.

A MPB FM e a JB FM, valendo-se da memória curta da população, quer empurrar como "sofisticado" tudo aquilo que, há 25 anos atrás, era considerado cafona e risível. Falam em "ruptura de preconceitos", mas essa desculpa não cola jamais de tão ridícula.

O que as duas rádios, e tantas outras similares, fazem só vai desmoralizar o radialismo de qualidade, e hoje em dia a Frequência Modulada, ainda que caia na gargalhada ao passar a perna nas AMs, também está decaindo, até de forma mais dramática possível, derrubada tanto pela televisão, por um lado, quanto pela Internet, por outro.

5 comentários:

Lucas Rocha disse...

Acho que a MPB FM deveria se chamar SBT FM... Essa rádio deveria ser controlada pelo Sílvio Santos (dono do Sistema Brasileiro de Televisão, que é um canal muito brega).

Marcelo Delfino disse...

Sobre empurrarem o brega-popularesco para a MPB no peito e na marra, hoje mesmo vi um monte de CDs de pagode (do Raça Negra e de grupos mais novos) nas prateleiras de MPB da loja Saraiva Megastore do Norte Shopping. O golpe contra a MPB está em curso.

O Kylocyclo disse...

Bom, Lucas, a MPB FM é ligada ao Grupo Bandeirantes. Cuja rede de TV aberta têm um perfil intermediário entre a Globo e o SBT.

Lucas Rocha disse...

Tá bom, Alexandre... Mas eu queria que você respondesse a seguinte pergunta: se, em janeiro de 2011, um programa humorístico do Sistema Brasileiro de Televisão (SB30), apresentado pelo jovem ator teatral Tiago Abravanel (neto do Silvio Santos), der muito mais audiência que a undécima edição do "Big Brother Brasil" (isso, sete meses antes do SBT fazer trinta anos de existência), será que vai voltar aquele programa interativo dos anos 90 chamado "Você decide" (que estreou em abril de 1992, com a apresentação de um Antônio Fagundes carequinha, e ficou oito anos no ar)? Para isso, o VCD (1992-2000) deveria ter novo logotipo, nova vinheta de abertura, novo cenário e também, é claro, apresentação de Malvino Salvador.

O Kylocyclo disse...

Não acredito que o Você Decide irá voltar. É o que eu posso responder a você.