sábado, 16 de janeiro de 2010

A incoerência de um professor golpista


Quem lê este blog sabe quem é o professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, um reacionário que se acha o juiz maior da cultura brasileira e o proprietário absoluto da verdade da cultura de nosso país.

Defensor do brega-popularesco, principalmente de nomes como Waldick Soriano, Alexandre Pires, Belo e Banda Calypso, Raggi também é conhecido por odiar a MPB autêntica produzida entre 1930 e 1968, por ele associada à ideologia nacional-populista da Era Vargas.

Tão metido a saber das coisas, Raggi me espinafrou duramente no fórum Samba & Choro, que eu, indignado, resolvi sair. O que ele desconhece é que a tão "odiável" MPB autêntica dos tempos do Estado Novo - ele odeia de Carmen Miranda a Robertinho Silva, que ele classifica de ultradireitista (!) - ganhou seu espaço nos meios de comunicação da época graças à atuação, na esfera da cultura brasileira, não somente da geração da Semana de Arte Moderna de 1922, que participou do então Ministério da Educação e Saúde de Vargas - e que o político gaúcho não pôde em todo dominar nem manipular - como também de renomados artistas que atuaram na Era de Ouro do rádio brasileiro, como Henrique Foréis Domingues, o Almirante, e o famoso Luís Gonzaga.

Mas Raggi, na sua cegueira, deve achar que Almirante e Gonzagão eram funcionários do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) ou então agentes do truculento Filinto Müller, o chefe de polícia do Estado Novo que, como senador da ARENA na ditadura militar, faleceu num acidente aéreo em 1973 no mesmo avião em que estava o cantor Agostinho dos Santos, outro expoente da fase odiada pelo professor Raggi.

A incoerência de Raggi é tal que ele tentou usar uma frase de Jorge Ben Jor - "É o povo quem comanda o show e assina a direção" - para defender os ídolos popularescos. Só que Paulo César Araújo, escritor que Eugênio Raggi se considera um mestre, acha que Jorge Ben Jor é "defensor da ditadura militar", porque compôs "País Tropical" durante os tempos do AI-5.

Pois Eugênio Arantes Raggi é seguidor de dois blogs de jornalistas que criticam o Partido da Imprensa Golpista, o de Luiz Carlos Azenha e o de Paulo Henrique Amorim. Mais uma incoerência do golpista Eugênio Raggi, mas isso deixa mais indícios de que o professor de Belo Horizonte possui algum parente trabalhando em alguma afiliada do SBT ou da Rede Record na capital mineira. Isso porque Raggi costuma inocentar a mídia das acusações de apadrinhar ídolos popularescos. Na "sabedoria" torta dele, os ídolos popularescos fazem sucesso apenas porque o ar trouxe eles para a mídia.

Eugênio Raggi, no entanto, age em completa incoerência. Ele chama o sambista Robertinho Silva de ultradireitista mas o próprio Raggi, quando compara meus questionamentos à raiva política de Luciana Genro, do PSOL, e adota no fórum Samba & Choro um discurso igualzinho ao de Diogo Mainardi na Veja, misturando pedantismo, ironias e ofensas gratuitas.

Além disso, Raggi, na medida que despeja seu rancor contra o varguismo e contra a esquerda, deixa claro que, se vivesse em março de 1964, teria defendido abertamente o Golpe de 1964, com tamanho ódio que sentiria de João Goulart.

Eugênio Raggi é um ingrato com a mídia e com os políticos que ele aparentemente fala mal. Ele deveria beijar a mão de Fernando Collor e José Sarney, e ir rezar no túmulo de Antônio Carlos Magalhães (ACM), por terem ajudado no sucesso dos "heróis" musicais do professor mineiro.

Pois, queira ou não queira o professor Raggi - que, como Paulo César Araújo, quer julgar e escrever a História do Brasil segundo sua vontade, mas a realidade demonstra que isso é impossível - , foi José Sarney e ACM que favoreceram politicamente as FMs popularescas que apoiaram diretamente o sucesso dos ídolos brega-popularescos. E foi Fernando Collor que também deu o seu apoio, assim como a Rede Globo que Raggi diz não gostar apoiou explicitamente os "heróis" do professor.

É só verificar que a Rede Globo apoiou decisivamente Alexandre Pires e Belo, assim como os ídolos breganejos. A Banda Calypso, apoiada por políticos e fazendeiros do Norte do país, também recebeu as graças da Rede Globo, ganhando até contrato da Som Livre. E Waldick Soriano - que Eugênio Raggi, na sua cegueira, parece imaginar que nunca foi divulgado por mídia alguma neste planeta e cujo sucesso deve ter surgido com o soprar do vento - ganhou um documentário de uma atriz global, Patrícia Pillar, e o filme recebeu um bom lobby da grande mídia, até nos canais pagos da Globosat, ligado às Organizações Globo.

Por enquanto, Eugênio Raggi acha que pode, ao mesmo tempo, lançar teses golpistas sobre a música brasileira autêntica enquanto protege os popularescos apadrinhados pela mídia, e brincar de "inimigo da mídia golpista". Ele pensa que, por se achar "acima do bem e do mal", tem direito a tais incoerências. Mas Raggi só dá indícios de que tem algum amigo ou parente trabalhando nas concorrentes da Rede Globo em BH e que só participa de blogs contra a mídia golpista para fazer média. Mas vai que a Rede Globo dê emprego ao protegido de Raggi e o professor muda sua postura rapidinho.

Eugênio Arantes Raggi tem que tomar cuidado com seus textos cansativos, violentos e irônicos. Porque haverá alguém que vai colocar os fragéis argumentos e a arrogância do professor mineiro em maus lençóis,

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