quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

FESTIVAL DE VERÃO É MAIS DO MESMO


O GRUPO DE PORNO-PAGODE PARANGOLÉ, DE SALVADOR, BAHIA. O ESTILO NÃO TEM UM NOME DE PROJEÇÃO NACIONAL HÁ DEZ ANOS.

Quer ir para o Festival de Verão de Salvador? Então vá apenas para a Arena Maurício de Nassau (apesar do nome aludir a uma faculdade privada, é o nome de um antigo conquistador holandês que comandou terras brasileiras). É o único lugar com atrações mais palatáveis.

De resto, o Festival de Verão é quase todo uma bosta. Pouca coisa se salva. E não é o Chicletão, não, filhotes do CCC. De longe, o Chiclete Com Banana é uma espécie de PiG da música baiana. E fala só do próprio umbigo: "Quero Chiclete, Chiclete", "Quando entra o Chiclete", "Chi-cle-teee, Oba! Oba". Um saco!

Mas também tem as sensações do porno-pagode, Psirico e Parangolé. O Parangolé lançou uma "nova dança" chamada de rebolation ou rebolejo (para quem se enrolar no inglês), que na prática é o mesmo rebolado grotesco que se vê desde quando o Harmonia do Samba ainda não havia aderido ao sambrega da linha Só Pra Contrariar.

O porno-pagode, sabemos, desde o Harmonia do Samba não consegue ter um nome de projeção nacional há dez anos. Provavelmente, é devido a um acordo mercadológico com o "funk carioca", que na busca de expansão nacional, adota uma retórica "socializante" para perpetuar-se na mídia. Como têm o mesmo apelo grotesco-calipígio, o "funk" e o porno-pagode, juntos, renderiam inevitáveis comparações que comprometeriam o sucesso de cada estilo.

Bom, para os interessados, é bom também se servir de remédio anti-vômito, porque a chamada "Arena Universitária" é quase toda de bandas de forró-brega, ou forró-calcinha. Os Aviões do Forró, terceiro medalhão do gênero, depois da Calcinha Preta e Banda Calypso, está no palco principal. Os grupos Saia Rodada, Magníficos (ex-Magnificoss - ?!). Limão Com Mel e Cavaleiros do Forró estão lá. Agora tudo virou "universitário". Que o digam os hoje titios da geração de Bóris Casoy, que em 1968 eram universitários e atuavam no Comando de Caça aos Comunistas.

O evento não justifica o amargo preço de R$ 66, com meia R$ 33 (mas nem todo mundo é estudante, viu?). O Camarote Baladas (sim, se refere àquela horrorosa gíria que é sinônimo de "agito" na imaginação dos clubbers e das editorias culturais do PiG) custa R$ 92 reais (deve ser para pagar o royalty pelo uso da gíria "balada", de propriedade de Luciano Huck, Tutinha e alguns DJs brasileiros), e o camarote Vip Pepsi é mais caro, R$ 170. É para ver os famosos de pertinho, ao lado.

Já fui para o Festival de Verão em 2002. Foi até legal, ver bandas australianas como Spy Vs Spy e Gangajang, os Paralamas do Sucesso e O Rappa. Mas no fundo o festival não passa de uma arena para o império da axé-music que usa o evento como aquecimento para o Carnaval.

E ultimamente o evento anda muito, muito decadente, porque em outros tempos havia mais atrações boas no palco principal.

Nenhum comentário: