quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

FASCISMO CHICLETEIRO FAZ PUBLICITÁRIO REVER COMENTÁRIO


A mediocridade gera defensores violentos e intolerantes. A mediocridade triunfante gera fanatismo, gente preocupada mais em quem fala mal do seu ídolo do que em gostar realmente dele. Vivendo sempre em mal-estar e baixa auto-estima, os fanáticos sempre procuram alguém que não gosta do seu ídolo para fazerem defesas radicais, xingando o discordante de ocasião. No Oriente Médio, isso gera até grupos terroristas, a destruir a vida de quem estiver por perto através de atentados.

Vemos que no brega-popularesco há ídolos com defensores violentos, cuja personalidade não difere muito, creio que em nada difere, dos violentos jovens do Comando de Caça aos Comunistas (do qual pertenceu Bóris Casoy). Zezé Di Camargo & Luciano, Ivete Sangalo, até mesmo os "sertanejos universitários" - ninguém pode falar mal de João Bosco & Vinícius que chegam os "filhotes do CCC" para o ataque - têm defensores fanáticos, violentos e fascistas.

Pois a axé-music, ritmo musical nascido no esquema populista de Antônio Carlos Magalhães, é um desses ritmos com defensores fascistas. A axé-music impede que outras tendências musicais tenham espaço em Salvador, a não ser se cooptadas para o esquemão axezeiro. Mas se a axé-music não permite a verdadeira diversidade cultural na capital baiana, por outro lado quer entrar em mercados hostis sem pedir licença, como Florianópolis, Porto Alegre, Niterói, ABC paulista etc. Tiveram que cancelar o Niterói Folia por conta de uma epidemia de doença.

A prova do caráter fascista da axé-music - que, através de metáforas, brinca com as catástrofes naturais ou com trocadilhos funestos ("sair do chão", por exemplo, significa morrer); ninguém pensou se no Haiti tivesse ocorrendo uma micareta durante o terremoto de ontem à tarde? - é a reação de fúria dos fãs da banda Chiclete Com Banana (grupo que surgiu como uma cópia de A Cor do Som, nunca saiu disso e ainda por cima suas músicas são quase todas auto-reverentes) diante do comentário de um famoso publicitário baiano, Nizan Guanaes.

Disse ele no Twitter o seguinte: “Salvador está out. A Bahia está in. Esta indústria do axé, personificada em Bell do Chiclete, só destrói a Bahia. Ele não é um artista. É um crooner careca. Tudo nele é mentira. Salvador está como Bell do Chiclete. Careca e fingindo que tem trança”.

Vieram as fúrias dos chicleteiros, aquelas que quem não gosta de axé-music conhecem bem. Fúrias cegas, irritadiças, de muito mau gosto, de muita infelicidade. A pressão dos defensores do Chiclete Com Banana - tão marqueteiro quanto Guanaes, diga-se de passagem - fez com que o publicitário voltasse atrás e dissesse o oposto do dito. Até foi constrangedor ver, depois destes comentários, Guanaes declarar que "adora axé-music", "Bell Marques é batalhador e vencedor", "A música do Chiclete é uma delícia" e outras bobagens.

Mas como se trata do mercado publicitário, dentro de todo um mercantilismo do lúdico, do espetáculo, da celebridade, isso faz muito sentido.

Mas que Salvador está suja, cheia de mendigos, com uma mídia mafiosa, com o monopólio da axé-music e do "Aemão de FM" que atende a interesses politiqueiros de antigos carlistas (uns hoje enrustidos) e "cartolas" baianos, com empresas de ônibus incompetentes, com a falta de diversidade até no pão que é feito nas padarias, isso é a mais triste verdade. E, no fundo, gosto muito da capital baiana que me acolheu durante 18 anos, até porque eu descrevo seus defeitos para defender melhorias na cidade.

No caso do Chicletão, é bom deixar claro que aqueles que nunca ouviram A Cor do Som nem Novos Baianos nem Alceu Valença não pode sair por aí perseguindo quem critica a banda de Bell Marques. O bom chicleteiro fica em casa ouvindo os discos do Chiclete, ou vai para a folia quando a banda está lá. Mas que Chiclete Com Banana é banda medíocre, isso é verdade.

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