terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Defensores do brega-popularesco são elitistas


Por que será que o livro Eu Não Sou Cachorro, Não de PC Araújo virou "unanimidade" e hoje não vemos Odair José sequer entre as atrações do Festival de Verão de Salvador?

Como vemos, isso se deve a um elitismo daqueles que defendem o brega-popularesco. É a síndrome do "remédio amargo", que todos recomendam para os outros, mas não têm a menor coragem deles mesmos encararem.

Ouvindo o comentário de Bóris Casoy sobre os lixeiros, é necessário indagar o que os tão "admiráveis intelectuais" dizem de suas empregadas domésticas, e se toda essa retórica em defesa de ídolos cafonas (Waldick Soriano, Odair José) ou neo-cafonas (Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano) não seria uma forma de desviar a atenção das empregadas à discografia de MPB autêntica de seus patrões.

Sim, porque deve haver um constrangimento dessa classe média "tão consciente"quando vê suas empregadas vendo, curiosas, os discos de Tom Jobim, Sílvia Telles, do Clube da Esquina, dos Mutantes, de Antônio Adolfo.

Por isso mesmo toda essa defesa desesperada do brega-popularesco não passa de uma conjunção de interesses escusos. Seja de uma classe média com medo de ver as classes pobres terem o mesmo gosto musical da MPB autêntica que aquela tem, seja dos empresários envolvidos com os ídolos popularescos que não querem perder dinheiro. Neste segundo caso, não é difícil ver que o foco do jabaculê brega-popularesco há muito se alterou, migrando das FMs para a intelectualidade. Pagar um cientista social para dizer que o "funk carioca" (FAVELA BASS) é "movimento cultural", criando toda uma mitologia delirante em torno de um ritmo chinfrim, é mais fácil que tirar doce de criança.

Por isso mesmo, não somos nós os elitistas. São essas pessoas, aparentemente desejosas que Alexandre Pires, É O Tchan, Calcinha Preta, Zezé Di Camargo & Luciano, Waldick Soriano e similares sejam "reconhecidos como MPB", que são as verdadeiras elitistas. É o medo que essas pessoas têm de que os valores sólidos da cultura popular autêntica ou mesmo da música brasileira sofisticada dos anos 50 e 60 seja apreciada pelo grande público.

É o medo da empregada doméstica daquele "simpático" etnólogo levar para si todos aqueles discos de Tom Jobim, Sílvia Telles, Antônio Adolfo, Mutantes etc que ela viu com curiosidade.

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