segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

BREGA-POPULARESCO ESTÁ DECADENTE


SÓ MUITA CAMPANHA MARQUETEIRA PARA FAZER COM QUE OS ÍDOLOS POPULARESCOS LOTEM PLATEIAS EM TODO O PAÍS, POIS ELES NÃO EXPRESSAM CRIATIVIDADE ALGUMA NAS SUAS MÚSICAS.

Breganejo, axé-music, forró-brega, sambrega, porno-pagode, "funk", brega original e o que vier de semelhante.

Tudo está decadente, e não é de hoje. Seus ídolos de sucesso, aparentemente renomados, são o símbolo da decadência. Preciso dizer os nomes? Vocês sabem.

Mas o que não se sabe é que TODOS eles estão decadentes. Da cantora de axé-music à mais famosa dupla "sertaneja". Do mais famoso DJ de "funk" ao ídolo brega dos primórdios. Todos devem indagar por que eles estão decadentes se eles lotam rodeios, micaretas, "bailes funk", programas de auditório e puxam para grandes audiências programas de rádios e TVs que os recebem.

É porque eles são tomados de muito marketing, muita campanha orquestrada pela mídia, algo que é cinicamente desmentido pelos seus defensores, sobretudo aqueles mais agressivos e reacionários.

O tempo deles já passou. Seja a onda breganeja de 1990, a onda axezeira de 1997, os modismos corsários de "funk", forró-brega, sambrega etc. Desde 2002 eles tentam "justificar" para que vieram, mas seus maiores sucessos ficaram para trás na década passada, apesar de serem relembrados à exaustão. Mas eles não emplacam um novo hit sequer e, quando muito, apenas despejam rotineiras faixas de trabalho, que só são lembradas enquanto são tocadas no rádio.

É claro que os ídolos popularescos e todos aqueles que estão em volta deles estão desesperados. Daí um Olavo Bruno ou Eugênio Raggi xingando quem falasse mal de seus ídolos, quase que como um Bóris Casoy da intelectualidade musical. Ficam em pânico, traumatizados com a campanha anti-popularesca de 1999-2002, que facilmente derrubava ídolos popularescos dos anos 90.

Mas a decadência deles não é desculpa alguma de invejosos, preconceituosos ou elitistas. Ela é uma constatação que, por incrível que pareça, é bastante séria.

INCAPACIDADE DE EMPLACAR GRANDES SUCESSOS

A maior parte do que é produzido pelos ídolos popularescos, por exemplo, não é mais do que material revisionista de suas carreiras. Discos ao vivo, muitas vezes sucessivos, com antigos sucessos. Discos de duetos, com outros artistas e repertório também revisitado. Tributos oportunistas ao cancioneiro da MPB. Covers de MPB que chegam a ocupar metade dos discos de carreira, sobretudo de duplas breganejas e grupos de sambrega.

Um dos casos mais constrangedores é da dupla paranaense Chitãozinho & Xororó, que nunca tiveram um grande sucesso de lavra própria. Seu maior sucesso é, na verdade, uma apropriação de uma esquecida música de Lamartine Babo e Ary Barroso, "No Rancho Fundo". Seu segundo sucesso é uma regravação de uma canção do brega José Augusto, "Evidências".

Discos ao vivo, coletâneas, tributos e discos de duetos os cantores e músicos autênticos fazem, mas eventualmente. Eles têm criatividade suficiente para evitar que, consecutivamente, eles se limitem a lançar num espaço de seis anos somente álbuns ao vivo, de duetos ou regravações.

Já os ídolos popularescos, numa demonstração clara que seus tempos de sucesso acabaram e ultimamente eles só "enrolam" na mídia para ver se atingem o primeiro time da MPB no mole (e, se preciso, na marra), enchem de discos ao vivo, tributos, duetos, coletâneas, ou, quando muito, músicas inéditas que, de tão fracas, se limitam a ser meras músicas de trabalho rotineiras, que somente o fanatismo classifica como "novos clássicos", coisa que nem seus fãs mais exaltados conseguem de fato concretizar.

Por isso mesmo é que a "alta reputação" desses ídolos não passa de uma ilusão. Ilusão que não pode ser desmentida por pretensos intelectuais que falam no popularesco como "verdadeira cultura do povo", numa abordagem esquizofrênica e irritadiça que, na prática, credita uma Scheila Carvalho, de classe média, como "gente da periferia" enquanto credita o sambista Cartola como um "burguês".

Os defensores do brega-popularesco podem ladrar, rosnar, grunhir, mas a realidade é que seus ídolos, embora estejam em grande cartaz na mídia, são decadentes. Não possuem força musical suficiente para mostrarem uma música de qualidade. Depois do efêmero sucesso nos anos 90, eles apenas tentam "justificar" esse sucesso, se apropriando de músicas e artistas de MPB em regravações ou duetos, ou se apoiando no marketing por vezes violento de intelectuais de segundo escalão ou de divulgadores e assessores disfarçados de internautas comuns.

Nada disso vai colocar esses ídolos no primeiro escalão da MPB. Nem com plateias lotadas. Nem com rádios e TVs no alto do Ibope. Nem com cara feia, xingações e acusações de "preconceito", "inveja" e outros desaforos contra nós. MPB é coisa séria, não é a casa da sogra.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Ouvi dizer que os Rolling Stones gravaram "Plundered My Soul" em 1972 e só agora (quase quarenta anos depois) a banda de Mick Jagger está lançando essa música.
Agora, me responda a seguinte pergunta: será que algum axezeiro, breganejo, calcinhento (desses que só fazem um imitação malfeita de baião nordestino com sanfona gaúcha), funkeiro ou sambrega vai desistir da carreira musical e mudar de profissão?