sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

BRASIL TEM QUE PRESTAR SOCORRO A SI PRÓPRIO


FOTO DO BAIRRO DE BARRA-FUNDA, DURANTE ALAGAMENTO (JÚLIA CHEQUER - PORTAL R7). HÁ VÁRIOS DIAS, O TEMPORAL ATINGE SÃO PAULO, CAUSANDO ALAGAMENTOS QUE COMPLICAM A VIDA DOS PAULISTANOS E DESLIZAMENTOS QUE CAUSAM TRAGÉDIAS.

É evidente que o Haiti precisa de ajuda, tamanho o sofrimento por causa do terremoto que abalou o país. Isso não se pode negar.

Mas o Brasil precisa ajudar a si mesmo, porque existem catástrofes ambientais dentro do próprio país, e as ajudas não podem priorizar um outro país. Em Angra dos Reis houve o deslizamento de terra que causou mais de 50 mortos. São Paulo vive chuvas rotineiras que matam muitas pessoas. Rio de Janeiro idem. Minas Gerais idem. Santa Catarina idem. Paraná e Rio Grande do Sul também. E no Nordeste, há a seca.

Tudo isso é consequência do desequilíbrio ambiental causada por vários maus tratos ao meio ambiente. Queimadas, poluição das fábricas e dos veículos sobre rodas, derrubadas de árvores, sobretudo para o comércio ilegal de madeira (ilegal, mas defendido por proprietários de terras poderosos em suas regiões), e o descaso de políticos e fazendeiros nordestinos com a seca, até porque garante a manutenção de seus privilégios e sua prepotência.

Aliás, a juventude "rebelde" que se destacava na mídia, nos anos 90, com tanta arrogância esnobava a mobilização ecológica, a preocupação com o meio ambiente, classificada pejorativamente como "politicamente correto", como "frescura de desocupado", que mal podia prever a morte de seus próprios amigos em deslizamentos de terras, enchentes, raios em temporais de longa data. Pior: a indiferença social ao meio ambiente teve o caro preço de dar ao país a ocorrência de terremotos, por causa de solos frágeis, e de furacões, vendavais ou ciclones, por conta do desmatamento e das queimadas que bagunçaram o equilíbrio térmico do país.

Além disso, o pessoal joga lixo no chão e o lixo acumulado se converte num entulho que entope bueiros e canais e transborda rios e córregos, alagando bairros, invadindo casas, destruindo bens das famílias, afogando entes queridos, causando mil problemas. Mas falar disso, para uns, ainda é uma tolice, porque o carinha só joga um papelzinho no lixo. Mas também joga garrafas, latas, vasilhames, panos, tampinhas etc. E tudo isso junto é um entulho perigoso. E, com milhares de pessoas jogando um pouco de lixo no chão, esse pouco de lixo vira um monte. Um entulho que se converte em catástrofe e tragédia para várias famílias.

Quanto as secas, construir cisternas poderia ser uma boa solução para o semi-árido à beira da desertificação. Técnicas eficazes não faltam para isso. Até porque, no Egito, há muitos século antes de Jesus Cristo, seus engenheiros já transformavam uma parte do deserto do Saara em terra fértil graças à utilização racional dos rios. Nada a ver com transposições, que só destroem a natureza, bagunçando o ecossistema. É a utilização racional mesmo, aproveitando os recursos da natureza dentro de sua própria estrutura, sem modificações grotescas e nocivas.

Enfim, o Brasil pede socorro. Cabe a todos ajudarmos o país.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Você já deve ter visto, no "Fantástico", uma reportagem sobre a onda de calor que fez o Brasil inteiro ferver na primeira semana de março de 2009... Esse incêndio térmico nada seria sem o assunto mais discutido dos últimos vinte anos: o aquecimento global.
Acho que deveria existir um novo "Plano Marshall" para reconstruir a cultura, a economia, a política, a sociedade e a natureza brasileiras. Agora, me responda uma coisa: se uma gigantesca tsunami engolisse todo o território brasileiro, será que vão morrer a música brega-popularesca e todos os seus ídolos multizilionários?