terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Morreu Lincoln Gordon, diplomata que colaborou com o Golpe de 1964


O diplomata e economista Lincoln Gordon, que foi embaixador dos EUA no Brasil entre 1961 e 1966, morreu aos 96 anos em Washington, na casa de repouso Collington, no bairro de Mitchellville, onde vivia desde 2007.

Gordon, em suas entrevistas, negou ter colaborado com o golpe militar de 1964, no Brasil, mas tudo leva a crer que ele colaborou, sim, vide a campanha intensa e desesperada de setores conservadores da sociedade em derrubar o governo de João Goulart, acusado de envolvimento com o comunismo. Falava-se até na intervenção militar dos EUA, chamada Operação Brother Sam, caso os janguistas reagissem com força ao golpe.

Aliás, nos anos 60 o movimento estudantil ironizava a atuação de Lincoln Gordon, gritando "chega de intermediários, Lincoln Gordon para presidente!", criticando os esforços dele e dos EUA pela implantação de políticas conservadoras junto aos militares brasileiros que estavam no poder.

Doutor pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e professor da Harvard, nos EUA, Gordon teve que admitir, no entanto, que articulava esforços para a Operação Brother Sam. Também atuou no projeto Aliança para o Progresso que foi lançado por John Kennedy e escreveu vários livros.

Defensores do "funk carioca" dizem que nunca praticaram jabaculê


Defensores do "funk carioca" (FAVELA BASS) juram que nunca praticaram qualquer tipo de jabaculê nos 25 anos de existência desse ritmo. Juram que nunca fizeram jabá seja com rádio, TV, com intelectuais, com celebridades nem políticos.

Mas também o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, jura de pés juntos que nunca, em nenhum momento, recebeu propina nem praticou qualquer tipo de corrupção.

Então tá.

Toma Lá, Dá Cá chega ao fim


Amanhá será exibido o último episódio do seriado Toma Lá, Dá Cá, da Rede Globo de Televisão.

Lançada diante da estranha suspensão do seriado A Diarista, em 2007, o seriado escrito por Miguel Fallabella, um dos atores do elenco, de Maria Carmen Barbosa (filha do compositor Haroldo Barbosa) e outros redatores, foi bem intencionado, mas era fraco, embora legalzinho de se ver.

As histórias não eram ruins, mas a ação era pouca, diante de tanto tempo em que os personagens perdem tempo contando causos, o que fazia o seriado ser por vezes chato, embora tenha também alguns bons momentos, como o grande Ítalo Rossi fazendo o Ladir e o falecido Miguel Magno, em seu hilário talento de interpretar papéis femininos, no papel de Drª Percy.

O seriado se destaca também por personagens que satirizam certos tipos sociais. Vemos a empregada Bozena (interpretada por Alessandra Maestrini, atriz mais bonita do que sugere a personagem), a contar histórias do povo de sua terra natal, Pato Branco, no interior paranaense. Ladir é a sátira do machista em geral, que na sua masculinidade exagerada se esquece de que pode se tornar um homossexual.

Mas há também outros personagens:

1. Copélia (vivida por Arlete Salles), satiriza a vida clubber e a libertinagem festiva dos jovens de hoje, indicando a mensagem subliminar de que essa obsessão por noitadas e pelo entretenimento vulgar e por vezes pornográfico desses jovens é uma coisa antiquada e ultrapassada, já que no seriado esse "ideal de vida" é representado por uma personagem idosa.

2. Adônis (vivido por Daniel Torres) é um adolescente altamente questionador, cético em relação ao mundo, intelectualizado e atormentado. Não fosse o estereótipo humorístico de um seriado comercial, Adônis teria sido um existencialista.

3. Isadora Dassoin (vivido pela deliciosa Fernanda Souza) é a "Solineusa" (espécie de pré-Norminha que Dira Paes fez em A Diarista) do seriado, no sentido da burrice e da personalidade vulgar. Só que Isadora, dada a falar palavras erradas ou ideias estúpidas, é também desonesta e corrupta, e frequentemente sai pelas ruas junto com Copélia.

As críticas sociais, através desses personagens, é um mérito do seriado. Toma Lá, Dá Cá tem sua razão de ser, mas o seriado termina com seu potencial criativo esgotado. Resta agora o projeto de um filme, mas certamente o seriado se encerra completando toda sua munição temática e criativa. E A Diarista promete voltar no ano que vem.

Olivia Munn também usa camisa pra dentro da calça


A atriz Olivia Munn é um dos símbolos sexuais recentes nos EUA, sendo famosa pela exibição de suas formas em biquínis. Mas ela é partidária das camisas para dentro da calça, o que deve ser assustador para as mulheres-frutas, que devem achar esse traje roupa de freira.

Num país como o Brasil, onde os homens considerados mais importantes exageram na elegância até o ponto da sisudez mais patética, e as mulheres consideradas mais desejadas (pelo povão, ao menos, e por veículos tipo portal Ego e jornal Meia Hora) evitam até a elegância mais discreta, uma musa como Olivia Munn é digna de nota.

Alexandre Pires e Péricles do Exalta NÃO representam o novo


Posso dizer com segurança que Alexandre Pires e Péricles do Exaltasamba de forma nenhuma representam o novo na música brasileira.

Eles representam apenas a vitória do marketing sobre a qualidade musical, para a alegria dos que menosprezam a estética na música brasileira, que para eles deve ser qualquer nota, desde que faça sucesso.

Alexandre Pires não é mais do que um mero discípulo do cantor brega José Augusto com trejeitos de Wando. E Péricles, sendo do Exaltasamba, também fez "pagode mauricinho", só que emulando Sullivan & Massadas, Don & Ravel e Luís Ayrão. Em outras palavras, ambos são apenas cantores de música brega, e ponto final.

As conclusões se deram através de audições involuntárias mas cautelosas, já que nas lojas de varejo ou atacado por onde eu ia, sempre tocavam esses "artistas". Portanto, nada de preconceito na minha análise.

A VERDADE SOBRE O RÊNIO CARLOS


Uma pesquisa na Internet conseguiu localizar o tal Rênio Carlos que saiu em defesa do Alexandre Pires e do Péricles do Exaltasamba. Provavelmente é um dirigente esportivo de Uberlândia, cidade de onde veio Pires.

Dá para perceber que tal defesa tem uma motivação sentimental, e não objetiva. E que apela para o mesmo clichê do "preconceito" que qualquer defensor do brega-popularesco faz e que ficou banal demais.

Além disso, ele disse que tenho medo do novo. Engano dele. Tenho pavor do ruim, isso sim.