domingo, 13 de dezembro de 2009

Ridículo: Agora Michael Sullivan é "gênio da MPB"!!


Fiquei indignado quando, lendo uma reportagem sobre o cantor Dudu Falcão, o compositor Michael Sullivan foi citado ao lado de nomes como Dorival Caymmi como se o cara desta foto fosse "também um gênio da Música Popular Brasileira".

A memória curta dos brasileiros, que consegue eleger um José Roberto Arruda para o governo do Distrito Federal e transforma o 171 baiano Mário Kertèsz num "gênio do radiojornalismo", também transformou Michael Sullivan num "artista sofisticado".

Coitados, nem sabem direito quem foi esse cara que fez música até para Xuxa, quando esta fazia semi-erotismo para crianças, quase no mesmo plano sensual das sessões da Maxim.

Michael Sullivan na verdade se chama Ivanilton e era do grupo de Jovem Guarda The Fevers. Que nem era, mesmo de longe, grande coisa. Compare os Fevers com Os Incríveis e Renato & Seus Blue Caps que verá que os Fevers era carne de segunda. Banda de bailinho, algo como Frankie Valli & The Four Seasons pensando serem os Beatles.

Aí Ivanilton foi participar daquela onda do brega-exportação de Morris Albert e Terry Winter, junto com Christian (depois da dupla Christian & Ralf, breganejo dos anos 80) e Mark Davis (que vem a ser o nosso conhecido Fábio Jr.).

Com o fim da aventura pseudo-gringa, Michael Sullivan, mantendo o nome artístico, viu que os músicos Lincoln Olivetti e Robson Jorge estavam pasteurizando a MPB autêntica e faturando horrores com isso. Resolveu então fazer o seguinte: tomando como modelo esta "MPB pasteurizada", Sullivan chamou o ex-músico de Lafayette e Seu Conjunto, Paulo Massadas, para juntos iniciarem a pseudo-sofisticação da música brega, chamando sobretudo um cantor que tentava o sucesso nos anos 70, José Augusto. Também cooptaram tudo quanto era cantor de MPB ou brega que fosse contratado pela RCA Victor, filial brasileira da gravadora ianque (hoje um selo da Sony Music) que teve outro ex-Fevers, Miguel Plopschi, como diretor artístico.

Aí, resultado: comandando o projeto brega com mãos de ferro, Sullivan, Massadas e Plopschi obrigaram até Gal Costa a gravar músicas bregas, uma delas em dueto com Tim Maia, "Um Dia de Domingo" (do refrão "Faz de conta que ainda é cedo..."). E fizeram a cantora Alcione e o conjunto Roupa Nova experimentar aventuras bregas que lhes deram popularidade, mas comprometeram seu prestígio antes conquistado.

Durante anos Sullivan & Massadas simbolizaram a baixaria musical brasileira, apesar de alguns críticos exagerados compararem pejorativamente as duplas musicalmente respeitáveis Evaldo Gouveia & Jair Amorim (de serestas dos anos 50) e Antônio Carlos & Jocafi (da MPB setentista) aos dois mercenários do brega, que, logo nos anos 90, fizeram escola tanto para breganejos como Daniel e Leonardo quanto para Alexandre Pires.

Hoje, as coisas se nivelam para baixo e a mídia faz uma campanha intensa para empurrar o brega-popularesco para a MPB na marra, cooptando até artistas de MPB autêntica. É o golpismo cultural fazendo força para que nosso rico patrimônio musical permaneça tão somente como peça de museu ou como música para as elites abastadas do Leblon e de Ipanema.

Daí que, com tanta nivelação por baixo, Michael Sullivan é visto como "sofisticado". Mas, se deixarmos, até o MC Créu será visto como "sofisticado". Que tristeza.

Leonardo Ivo faz uma campanha interessante


Leonardo Ivo, que se junta a eu, Marcelo Pereira, Marcelo Delfino, Bruno Melo e outros na humilde missão de despertar uma consciência crítica nas pessoas, faz o blog Fatos Gerais elançou uma campanha interessante. Favor ver a figura.

Ele quer que nós deixemos de referir o ridículo ritmo carioca, que chamávamos de "funk", com este nome, em respeito ao FUNK AUTÊNTICO de nomes como Tim Maia e James Brown. Ele propõe que chamemos o ridículo ritmo carioca da Música de Cabresto Brasileira de FAVELA BASS.

Eu já colocava o termo funk entre aspas, quando me referia ao ritmo influenciado pelo miami bass. Até para diferir do verdadeiro funk, que acrescia o termo autêntico para reforçar o sentido, já que poucos conseguem distinguir palavra com aspas com palavra sem aspas.

Vou procurar seguir a sugestão de Leonardo Ivo. Ele fez esse pedido com a mais nobre das intenções, em memória a uma facção dançante da soul music que contou com a adesão de quase todos os soulmen conhecidos (só Sam Cooke e Otis Redding não aderiram, porque morreram antes; nos 70, eles teriam mergulhado fundo no funk, o autêntico).

A princípio, porém, a atitude de Leonardo Ivo não resolverá o problema. Isso a curto prazo. A maior parte da sociedade ainda vai creditar como "funk" todas essas bobagens dançantes e de péssima qualidade artística - seja falando de "cidadania", seja de sexo ou criminalidade - que se apoia numa retórica tão engenhosa que chega a ser delirante de tão desesperada, em comparações que, indevidamente, vão do punk rock e do samba-de-roda à Semana de Arte Moderna e Revolta de Canudos.

No entanto, Leonardo Ivo lançou uma semente. A curto prazo seu esforço parece inútil e ineficaz, mas a longo prazo renderá um bom debate e um grandioso despertar de mentes.

Cabe apoiarmos a sugestão de Leonardo Ivo. O Kylocyclo então passa a chamar o "funk carioca" de FAVELA BASS.

"Estação do Funk": Segundo plano de atentado ao Gasômetro carioca


"ESTAÇÃO DO FUNK" - 41 ANOS DEPOIS DE AMEAÇA DE ATENTADO, O GASÔMETRO SE PREPARA PARA VIRAR REDUTO DE FUNQUEIROS

Estava eu no meu doce descanso a poucas horas do concurso do IPHAN, quando eu folheei inocentemente a Revista do Globo - sim, meu pai compra O Globo todo domingo - quando fui surpreendido por um texto panfletário da sra. Fernanda Abreu, que num passado recente era uma das duas gatas que cantavam na Blitz de Evandro Mesquita.

OK, Fernanda Abreu tem história, patati, patatá. Mas neste caso não vou dizer "OK, você venceu" para ela. Isso porque ela é uma das propagandistas do ritmo que é conhecido como "funk carioca". No texto, que vai naquele clichê de pregar uma linda retórica para defender um ritmo que é musicalmente ruim, independente de qualquer julgamento "moralista" ou coisa parecida. Mas, antes de continuarmos nessa crítica, vamos para os fatos.

O governo carioca está construindo a Estação do Funk, no Gasômetro, para celebrar todo o lobby político-midiático que está em torno do ritmo carioca, que se faz de "injustiçado", mas recebe tratamento vip a pão-de-ló seja por políticos fisiológicos, esquerdistas mensaleiros e pelos departamentos culturais do Partido da Imprensa Golpista (PiG). Os funqueiros aparecem até em Caras, mas ainda dizem que não tem espaço algum na mídia.

GASÔMETRO TERIA TIDO ATENTADO MAIOR QUE O WORLD TRADE CENTER

Pois o Gasômetro mais uma vez é vítima de mais um atentado. Em 1968, o capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, conhecido como Sérgio Macaco, foi orientado pela cúpula das Forças Armadas para planejar um gigantesco atentado no Viaduto do Gasômetro, além de executar um plano de sequestro de várias personalidades, incluindo Juscelino Kubitschek, Dom Hélder Câmara, João Goulart, Leonel Brizola e outros, que seriam jogados em alto mar.

O atentado seria feito com o bombardeio nas tubulações de gás na altura do Gasômetro (entre a Av. Francisco Bicalho e as avenidas Brasil e Rio de Janeiro), que causaria uma explosão de grandes proporções que iria causar milhares de mortos. Mas até as casas mais distantes poderiam ser atingidas devido à rede de gás, o que faria o atentado mais sangrento como foi o ocorrido em 11 de setembro de 2001, nos EUA, no World Trade Center de Nova Iorque e em outros dois lugares.

O atentado, os sequestros e mais uns ataques terroristas, que seriam executados, ironicamente, por um esquadrão de pára-quedistas salva-vidas, PARASAR, seriam atribuídos a grupos comunistas. Sérgio Macaco divulgou a denúncia até para o brigadeiro Eduardo Gomes (então único sobrevivente dos 18 do Forte e que havia sido candidato à Presidência da República duas vezes). A denúncia foi considerada e o plano todo foi evitado, mas Sérgio Macaco foi punido como se tivesse cometido um ato de desobediência. Foi preso e até cassado, tornando-se militar reformado por força do AI-5, e morreu em 1994. Os documentos sobre o plano foram queimados misteriosamente em 1998.

AS CRÍTICAS AO "BATIDÃO" NADA TÊM DE MORALISTAS

Fernanda Abreu chega a se autopromover às custas do compositor, humorista, radialista e jornalista Haroldo Barbosa (1915-1979), pai de Maria Carmem Barbosa, que com o compositor Janet de Almeida fez a música "Pra Que Discutir com Madame".

Diz o trecho corrompido por Fernanda, que trocou o "samba" pela palavra "funk", referindo-se ao patético ritmo carioca. Reproduzimos a letra original, em respeito aos autores:

Madame diz que a raça não melhora
Que a vida piora por causa do samba,
Madame diz o que samba tem pecado
Que o samba é coitado e devia acabar,
Madame diz que o samba tem cachaça, mistura de raça mistura de cor,
Madame diz que o samba democrata, é música barata sem nenhum valor,
Vamos acabar com o samba, madame não gosta que ninguém sambe
Vive dizendo que samba é vexame
Pra que discutir com madame.


Francamente, Fernanda Abreu, apelar para o passado para fazer propaganda do "funk" é pretensiosismo demais. Tira até o sossego dos tais "bailes funk" porque essa campanha toda de "movimento cultural" - título obtido por politicagem e não por mérito - só está causando problemas.

Seria preciso um livro para explicar, tintim por tintim, o porquê da invalidade desse ritmo carioca. Mas as acusações de que o ritmo é rejeitado por um suposto moralismo elitista, igualzinho ao que ocorreu com o samba, são completamente inverídicas, desprovidas de algum sentido lógico.

Em primeiro lugar, comparem o samba com o "funk". O samba do século XIX, por mais lascivo que seja, tinha qualidade musical, seus cantores sabiam cantar, as insinuações sexuais não estavam acima da música e havia todo um fundo social que realmente apoiava o ritmo afro-brasileiro. E o moralismo da época era tão rígido, mas tão rígido, que bastasse uma mulher mostrar os pés para ela ser considerada "depravada".

O "funk", não. Musicalmente, ele é constituído da figura de um DJ espertalhão e um bando de idiotas cantando muito mal uma paródia de cantiga-de-roda, isso quando não investem em "refrões" sem a menor imaginação, como "Créu", "Eguinha Pocotó" e, agora, o tal do "E o Pet", que no caso lembra muito aquele refrão em ritmo de forró-brega de uma campanha eleitoral de Salvador quando o cantor da campanha do prefeito João Henrique Carneiro apenas dizia "É o 15" várias vezes, e o concorrente petista fez coisa parecida com o número "13".

E o "moralismo" que os defensores do "funk" tanto acusam em nós, que rejeitamos este ritmo, é totalmente fictício. Eu quero decência, não quero rigor moral. Não sou puritano, mas certas coisas têm limites. O "funk" põe a pornografia e a debilidade mental acima da "música", por sinal ruim de doer. Além disso, é de surpreender que certos intelectuais que baixavam a lenha, há dez anos, na Dança da Boquinha da Garrafa, hoje elogiam a "coreografia" dos funqueiros. Isso é que é querer trocar o seis por meia-dúzia.

Num país que vê seus antigos "heróis" sendo derrubados um a um por seus próprios erros, sejam Heródoto Barbeiro, Jaime Lerner, José Dirceu, José Genoíno e José Serra, sejam Andreas Kisser, Marcelo Fromer, João Gordo, Tom Leão e Hermano Vianna, a crítica a Fernanda Abreu só faz somar a esta verdadeira tragicomédia dos erros, numa face do Brasil do jeitinho, do abandono de princípios em nome de vantagens fáceis, apoiados por uma mitologia antiga que não faz mais sentido real. Esse Brasil do jeitinho, do "funk" na boquinha da garrafa, do dólar na cueca, é um Brasil que sente vontade de trocar a frase "Ordem e Progresso" da bandeira pela frase "Os Fins Justificam os Meios".

Bola fora para Fernanda Abreu.

Hoje tem prova do IPHAN


Vamos todos na torcida para eu ganhar.