sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

TOM JOBIM USOU TÊNIS NO PROGRAMA "RODA VIVA"


Atenção, empresários, executivos e profissionais liberais sisudos. Prestem atenção no que está escrito a seguir.

Numa de suas últimas grandes entrevistas, no programa Roda Viva, da TV Cultura, de dezembro de 1993, o músico Tom Jobim, um ano antes de morrer, aparecia no programa usando um par de tênis brancos. Certamente não é para algum tratamento ortopédico, apesar dele já estar no fim de sua vida, mas por amostra natural de jovialidade, até porque Tom veio de uma geração que passou o tempo todo usando os dolorosos mas então obrigatórios sapatos de verniz, cujo status de elegância vai caindo década atrás de década.

A imagem de Tom Jobim usando tênis, num programa de entrevistas dotado de uma certa formalidade, é um balde de água fria na insistência de sisudões cinquentenários de hoje de usar sapatos de verniz até em eventos mais informais. Como exemplificamos nos casos do oftalmologista Almir Ghiaroni e no empresário-publicitário e hoje apresentador Roberto Justus, que consideram Tom Jobim um mito.

Almir Ghiaroni, só para divulgar um romance seu no Programa do Jô, da Rede Globo de televisão, usava um conjunto de terno preto e os impagáveis sapatos de verniz, um traje que seria muito mais adequado para seminários internacionais sobre Oftalmologia que fossem realizados numa rede de hotéis tipo Othon. Todos sabem o quanto informal é o programa de Jô Soares, apesar da roupagem elegante influenciada pelos talk shows da TV americana. E Jô entrevista vários tipos de pessoas, até mesmo pipoqueiro que tenha alguma história interessante para dizer.

Já Roberto Justus usou seus sapatos numa atividade de sinuca. Justus até tentou usar tênis, mas somente em caminhadas na praia ou passeios turísticos, e seu guardarroupa antiquado, naqueles padrões de elegância de 1974, já influi no modo de vestir de sua jovem esposa, Ticiane Pinheiro.

Para uma geração de empresários e profissionais liberais nascidos no período 1954-1955, quando o mundo adulto que Justus e Ghiaroni ainda acreditam foi abalado pela rebelião do rock'n'roll, o mestre Tom Jobim usando um par de tênis soa como um grande puxão de orelha.

DJ MARLBORO É O TIO PATINHAS DO "FUNK"


Que o DJ Marlboro puxa sempre a brasa para sua "sardinha", isso é a mais pura verdade.

Muitos se iludem com a falsa modéstia dos sorrisos arreganhados do empresário Fernando Mattos da Mata, identidade secreta do DJ Marlboro, um dos chefões do "funk carioca". Muitos até acham que ele tem simplicidade, que é ativista social e outras falsidades.

Só que Marlboro, que é afeito a dizer muitas bobagens - virou antológica a frase demagogo-provocativa que disse que "o 'funk' é a verdadeira MPB" - e sofre de sério estrelismo, andou entusiasmado além da conta com o "funk" paulistano e agora com a nova praga funqueira, "É o Pet", tolice feita em homenagem ao craque do Flamengo, o sérvio naturalizado brasileiro Petkovic.

Marlboro, imaginando a cor do dinheiro que chegará em suas mãos, já falou que "É o Pet" é o novo "Créu", ou seja, mais uma bobagem para triturar nossos tão castigados ouvidos. Um cara que tentou recuperar o É O Tchan e até criou sua própria réplica (Marlboro e o Bonde das Gostosas), que lidera todo esse embuste que é o "funk", não merece receber o crédito de intelectuais e artistas e nem participar de eventos culturais que deveriam ser sérios. O cara é um magnata, um Tio Patinhas do "funk" (onde tiver grana, ele está dentro) e se alimentou de jabaculê nas rádios durante mais de duas décadas.

Menos, Menos, Daniela!


Ao ser entrevistada pela Folha de São Paulo sobre o novo disco Canibália, Daniela Mercury expressou pretensiosismo. Não bastasse o título fazer um trocadilho com a tese antropofágica de Oswald de Andrade e do movimento tropicalista de 1967-1968, a cantora baiana disse que quer "reiterar e ampliar o conceito de Semana de Arte Moderna".

Está certo que Daniela, perto da Mulher Gigante e Garota Gigantinha, é menos chata, mas ela também não tem todo esse cacife de falar em tais movimentos. Axé-music é comercial até a medula. Só o samba-reggae original e hoje tão esquecido (Olodum, Ylê Aiyê, Lazzo) é que é anti-comercial.

Não bastasse o próprio "funk carioca" também usar a Semana de Arte Moderna em suas comparações delirantes, tudo para vender a falsa imagem de "movimento cultural".

Daqui a pouco a Lady Gaga vai dizer que vai reiterar a Contracultura, e se deixar até a Britney Spears vai posar de riot grrrrl.

APAGÃO SOCIAL: TAXA DE LUZ REVOLTA CARIOCAS


O amigo Marcelo Delfino colocou este texto no blog Brasil Um País de Tolos, indignado com mais um dos recentes choques de desordem da Prefeitura do Rio e seus parlamentares de apoio.

Trata-se da taxa de luz que os cariocas são obrigados a pagar.

É aquela história: mais taxas, mais tributos, mais dinheiro para pagar. E será que as melhorias serão garantidas? Dificilmente. O Brasil, seja na esfera federal, estadual e municipal, já cobra uma porção de impostos, já tivemos a horrorosa CPMF, e nada é feito de concreto para superarmos dramas antigos. As enchentes nas ruas, os deslizamentos dos morros, os serviços de saúde, a segurança, a educação. Até agora, não vimos melhoras definitivas.

O que tem que haver são políticas sérias que combatam a corrupção, que limitem o enriquecimento e os luxos supérfluos das elites como um todo, que reduzam a miséria e o analfabetismo, que ensinem responsabilidade social para as pessoas - como alertar aos pais a conter o impulso violento de seus filhos já na infância - , que possa promover o equilíbrio social tão caro e tão raro em nosso país.

Mais taxas, não. Já foi provado que aumentar tributos não resolve a vida dos cidadãos. E há quem desvie o dinheiro arrecadado para as fortunas pessoais. José Roberto Arruda que o diga.