quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

REFLEXÃO


Reproduzido do ANTI-FORO DE SÃO PAULO:

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.

Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.

O governo não pode dar para alguém aquilo que tira de outro alguém.

Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."


Adrian Rogers, 1931

PRIMÓRDIOS DA MÚSICA BREGA SEGUIU LÓGICA DE MINISTROS DA DITADURA


Posse do general Humberto Castello Branco, em 1964, inaugurando a ditadura militar. Roberto Campos e Otávio Bulhões foram designados para implantar uma economia neoliberal no país a ser dominado gradualmente pela música brega.

A chamada cultura brega surgiu apoiada pelo coronelismo no interior do país. As rádios ligadas a grupos latifundiários e a políticos conservadores foram as que primeiro tocaram os ídolos cafonas, que a ditadura militar ajudaria a crescer, apesar da aparente censura a alguns cantores, censura esta que nada tinha de combate à subversão.

Os primórdios da música cafona brasileira seguiram fielmente a lógica do projeto político e econômico do ministro da Fazenda, Otávio Gouveia de Bulhões, e do ministro do Planejamento, Roberto Campos, que implantaram a economia neoliberal dependente, baseada no uso de tecnologia obsoleta do Primeiro Mundo e no arrocho salarial.

A música brega surgiu seguindo, mesmo na forma mais caricata e estereotipada, os boleros e serestas já obsoletos no mainstream musical brasileiro. Isso já em 1959. Depois viriam as influências orquestrais de Mantovani e baladas italianas dos anos 50, a inspirar os cafonas na mesma época em que, por exemplo, Londres e San Francisco viveram a fase do psicodelismo.

Com o fim do movimento da Jovem Guarda - que já tinha como inspiração o piegas rock italiano, mais próximo do twist e de cantores do porte de Pat Boone e Bobby Darin - , veio uma geração de ídolos cafonas que foi fazer a mesma coisa. E até pior. Afinal, Paulo Sérgio e Odair José soam muito mais mofados que Sérgio Murilo e Demetrius, ídolos pré-Jovem Guarda cujo pioneirismo garantiu a reputação criadora deles, mesmo dentro dos padrões jovemguardistas depois vigentes.


ROBERTO CAMPOS E OTÁVIO GOUVEIA DE BULHÕES - Lógica neoliberal dos dois ministros de Castelo Branco influenciou até a "cultura" brega.

A música brega, dessa forma, traduziu com muita exatidão o projeto econômico dependente de Roberto Campos e Otávio Bulhões. Adotou de forma subordinada os clichês da cultura ianque, numa perspectiva bastante provinciana, adotando no plano cultural o desenvolvimento dependente da economia brasileira.

E, na cultura brega, o povo já estava assumindo o papel social imposto pelo poder latifundiário que apoiou a ditadura: no eterno exílio das favelas, nos prostíbulos, no alcoolismo dos bares mais vagabundos. O povo num papel subalterno, submisso, quando muito resignado com seu próprio sofrimento. A baixa qualidade artística, de cantores de voz fanha e frouxa, de sentimentalismo exageradamente ridículo, de músicas chorosas, mal tocadas e mal compostas, diz tudo.

A música brega ainda emularia a choradeira romântica de Bee Gees e Frankie Valli & Four Seasons, e traduziria em 1977-1978 a cafonice de parte da disco music de 1973-1974.

Como se vê, a música brega sempre foi retardatária. A cultura brega, dependente, depreciativa, no fundo um presente de grego das oligarquias dominantes para o povo tomar como se fosse "sua cultura", permitindo assim que o progresso brasileiro seja comprometido para garantir os privilégios das elites.

DISCO DE NATAL DE SIMONE NA PROMOÇÃO


Enquanto isso, até agora não apareceu na Internet aquele vídeoclipe de "Água na Boca" com a cantora baiana gostosa e sexy, de calça justa, top e até barriguinha sarada.

TADINHA DA NORAH JONES


Ainda sobre Fábio Jr., mais uma "pérola" envolvendo a famosa breguice do cantor.

Seu primeiro sucesso "Don't know why" foi destruído pelo cantor brega Fábio Jr., cuja versão ganhou o título careta de "Amar é perdoar".

Coitada da filha do Ravi Shankar, a cantora e pianista Norah Jones, que se esforça para fazer música de qualidade num mundo povoado de Britneys, Beyoncés e Gagas. Ainda tem que ter uma simpática canção destruída por um cantor brega no Brasil.

Cléo Pires e Fiuk dançaram ao som da música de... VINÍCIUS CANTUÁRIA!!!!


Informa o portal de celebridades Terra Diversão que os dois irmãos, a super-gracinha Cléo Pires e Fiuk, o ator e discípulo emo do Fábio Jr., pai dos dois, que ambos dançaram num evento ao som da música do cantor.

Só que "Só Você", atribuída ao Fábio Jr., na verdade é uma canção do intérprete e compositor de MPB autêntica Vinícius Cantuária, um dos injustamente classificados de "brega". Cantuária, que teve até uma música gravada por Caetano Veloso, "Lua e Estrela", hoje não tem acesso na mídia brasileira, segue carreira no exterior gravando Bossa Nova e ainda por cima tem sua música apropriada por um cantor brega que, insatisfeito, também gravou outra de Cantuária.

Ou seja, Fábio Jr. é brega, mas quem leva a fama de cafona é um esforçado e talentoso artista que não tem acesso mais na mídia brasileira, seja nas rádios, gravadoras, TV etc.

Coisas de um Brasil cafona onde políticos põem dólares na cueca e ainda fazem oração agradecendo a "mordomia" alcançada.