terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Regravar clássicos da MPB não enobrece cantores bregas


O pedantismo popularesco é um fenômeno definido quando ídolos bregas, que tenham tido cinco anos consecutivos de sucesso comercial, passam a adotar uma postura pretensamente sofisticada, geralmente devido a um aparato tecnológico, visual e mesmo publicitário mais elaborado, que dão ao luxo de gravar covers de MPB seja para tentar forjar uma associação deles aos nomes prestigiados da MPB, seja para disfarçar o péssimo repertório autoral que esses ídolos bregas fazem.

Esses ídolos, aliás, são considerados neo-bregas porque eles adotam uma postura mais verossímil e astuta. E seu com é uma fusão da MPB pasteurizada, que praticamente tirou os verdadeiros artistas brasileiros das grandes gravadoras e fez os jovens migrarem para o Rock Brasil, com a música brega original. A pasteurização da MPB se deu com Lincoln Olivetti e Robson Jorge, escravizando os artistas de MPB a baladas românticas insossas em discos de arranjos por demais pomposos. Por outro lado, a música brega, tomando a MPB pasteurizada como modelo, fez o caminho oposto, se tornando mais "luxuosa" e pretensamente sofisticada.

Desse cruzamento vieram ídolos da música brega conhecidos como neo-bregas. Era uma ponte entre os cafonas originais dos anos 60-70 e os bregas-universitários de hoje, mantendo a cafonice antiga mas antevendo a astúcia dos mais novos. Dessa leva vieram quase todos os ídolos da "música sertaneja" e do "samba romântico", ou seja, o breganejo e o sambrega respectivamente.

O pedantismo popularesco não atinge somente eles. Atinge todo ídolo brega e neo-brega que queira se passar por "culto" e "sofisticado". Até Harmonia do Samba e Frank Aguiar mergulharam no pedantismo, na falsa sabedoria musical que não passa de esperteza da grossa. Mas dois nomes do brega-popularesco se destacam nessa leva toda, até pela preocupante ascensão e pela penetração que eles chegam a ter em eventos associados à MPB autêntica.

Trata-se da dupla paranaense Chitãozinho & Xororó, pioneira na diluição brega da música caipira, e o cantor mineiro Alexandre Pires, um dos nomes do sambrega da Era Collor, quando estava à frente do Só Pra Contrariar.

Chitãozinho & Xororó surgiram quando a música caipira, nos primeiros cinco anos da ditadura militar, já na vigência do AI-5, sucumbiu ao comercialismo mais rasteiro tanto pelo cenário político dominado, no plano nacional, pelos militares, e no plano regional-rural, pelos latifundiários, quanto pela reação da música romântica contra os excessos lisérgicos da Contracultura. A dupla paranaense, claramente inspirada nos Bee Gees, ainda fazia um arremedo "correto" de música caipira, que no entanto também não deixava de ser dotada da pieguice mais chorosa, pois havia também a influência explícita de Waldick Soriano no som dos dois irmãos, representantes de um cenário político-cultural bastante conservador.

Alexandre Pires, por sua vez, era um cantor nos moldes de Wando que formava um grupo que parodiava o samba dentro daquele estilo "sambão-jóia", som lançado pelos diluidores de Jorge Ben Jor e Originais do Samba na época do AI-5 e reciclado pelo grupo Raça Negra, contemporâneo do Só Pra Contrariar e outros grupos (como Soweto, Negritude Jr., Katinguelê, Karametade e Exaltasamba). Influenciado por Wando, José Augusto, Fábio Jr. e tanto pelo sambão-jóia quanto por Sullivan & Massadas, Alexandre Pires foi um dos símbolos da breguice musical do início dos anos 90.

Mas a atitude de Chitãozinho & Xororó e Alexandre Pires de entrar na festa da MPB, tal qual o casal penetra Michaele e Tareq Salahi na festa da Casa Branca, já estava subentendida nas suas carreiras. Chitãozinho & Xororó se autopromoveram no dueto com Jair Rodrigues e se apropriaram de uma esquecida canção de Ari Barroso e Lamartine Babo, "No rancho fundo", que nada tinha de brega (como, por exemplo, a "Do You Wanna Dance" que foi sucesso na voz de Johnny Rivers nada tinha de brega).

Alexandre Pires só começou a se apropriar da MPB pouco depois do sucesso inicial de seu grupo. Se apropriaram, entre outras coisas, do repertório de Paulinho da Viola, numa versão infeliz de "Pecado Capital", que virou tema de novela. No disco de despedida de Alexandre Pires no comando do SPC, um especial acústico "chupado" literalmente do Acústico MTV, houve toda uma estrutura pedante e pomposa, em que até Caetano Veloso e Gilberto Gil foram chamados para a armadilha, enquanto Djavan tinha uma música coverizada por Alexandre Pires, que do lado brega chamou Fábio Jr. e o breganejo Leonardo, num dueto de sambrega com breganejo que só o arrogante Eugênio Raggi não consegue ver.

A Rede Globo ajudou os dois nomes bregas - a dupla paranaense de breganejo e o cantor mineiro de sambrega - na infiltração em especiais dedicados à MPB. Dessa forma, Chitãozinho & Xororó e Alexandre Pires passaram a pegar gosto na "brincadeira", e passaram a explorar um novo marketing, que desse às pessoas a falsa impressão de que eles faziam parte do "primeiro time da MPB".

Para dar um caráter de "verdade" a essa mentira, tanto a dupla quanto o cantor passaram a gravar covers de MPB enquanto também bajulavam alguns cantores mais condescendentes, como é o caso de Renato Teixeira, para Chitãozinho & Xororó, e Alcione, para Alexandre Pires. Tudo para disfarçar o péssimo repertório autoral e os vocais estridentes da dupla e do cantor.

Recentemente, Chitãozinho & Xororó fizeram uma apresentação com a orquestra do maestro João Carlos Martins. E Alexandre Pires pegou carona em eventos como o Samba Social Clube e o CD Baile do Simonal (na sua primeira autopromoção oficial às custas de Wilson Simonal). A ascensão deles é preocupante, porque o que eles gravaram de sucessos da MPB autêntica em nada enobrece eles e nada contribui para acrescentar algo à verdadeira Música Popular Brasileira.

Pelo contrário. Chitãozinho & Xororó e Alexandre Pires acabam se nivelando aos mais medíocres calouros de riélite chous musicais, que precisam de pretensão demais para disfarçar o talento de menos.

Gravar canções alheias dos mestres da MPB é fácil. É como um mau aluno que copia os livros didáticos em vez de fazer um trabalho de aula próprio. Difícil é fazer algo à altura, que pudesse acrescentar ao cancioneiro da MPB autêntica.

Por isso mesmo, não adianta disfarçar, nem fazer de conta, nem bancar o "piedoso". Chitãozinho & Xororó e Alexandre Pires, com toda a "reputação" que têm na mídia, musicalmente são RUINS PACAS.

BRAVO, ROBIN WILLIAMS!!


Em entrevista ao programa Late Show de David Letterman, um dos mais populares da TV dos EUA, o ator Robin Williams ironizou a escolha do Rio de Janeiro para as Olim Piadas de 2016.

Segundo o ator, Chicago entrou em desigualdade de condições na disputa, em relação ao Rio de Janeiro. "Chicago mandou Oprah (Winfrey, apresentadora de TV) e Michelle (Obama, primeira-dama dos Estados Unidos). O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó (drogas)", disse Williams.

Acrescentamos também à frase de Williams para que o povo carioca e, quicá, fluminense, passe a praticar, de forma olímpica, o mais novo esporte a ser inventado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, de acordo com "estudos técnicos de gente de superioridade ilibada". É o esporte de pegar o ônibus errado.

Vamos todo mundo para a Avenida Alfred Agache pegar o ônibus 474 pensando pegar o 455 (a cor será a mesma), achando que vamos para o Maracanã. Na Triagem, vai todo mundo saltando para pegar algum outro ônibus que vá para o famoso estádio, e encarar os engarrafamentos, se for em dia de semana, ou os assaltos, se for nos fins de semana e feriados. E todo mundo mantendo a esportiva, diante desse "genial" projeto de Eduardo Paes e dos tecnocratas do transporte coletivo. Com as passagens extras pagas por nosso próprio bolso. Se o Carlos Arthur Nuzman ao menos leiloasse seus paletós e sapatos de verniz para pagar nossa passagem...