sábado, 28 de novembro de 2009

Ministro elogia ação contra civis no caso Perus; Maluf e Tuma são acusados


Civis apoiaram e até defenderam o golpe militar antes dos próprios militares. E há gente que, pasmem, acha que Paulo Maluf (espécie de Waldick Soriano da política brasileira) é uma figura de "esquerda". Fala sério.

da Folha de S.Paulo
da Agência Folha, em Campinas

O ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) comemorou ontem a primeira ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal de São Paulo contra civis que tiveram participação em fatos da repressão na ditadura militar (1964-85).

Em ação apresentada à Justiça, o Ministério Público Federal pediu que o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), o senador Romeu Tuma (PTB-SP) e o diretor da Eletrobrás Miguel Colasuonno sejam condenados a pagar indenização e percam suas funções públicas ou aposentadorias. Eles são acusados de participar do funcionamento da estrutura que ocultou cadáveres de opositores da ditadura nos cemitérios de Perus e da Vila Formosa, em São Paulo, na década de 70.

Tuma foi responsável pelo Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) de 1967 a 1983. Ontem ele preferiu não se manifestar por não ter conhecimento dos documentos do processo. Maluf e Colasuonno foram prefeitos da capital, de 1969 a 1971 e de 1973 a 1975, respectivamente. Em nota, Maluf disse que é "uma acusação ridícula". Colasuonno informou que desconhece os fatos das acusações e, por isso, não poderia se manifestar.

Na Unicamp, Vannuchi declarou: "Eu saúdo a iniciativa porque ela reforça a consciência nacional de que o tema não está com ponto final. Lideranças civis e empresariais deram sustentação a esse regime, então não é justo que se faça um debate centralizado unicamente nas Forças Armadas".

"Quem estudar a história do regime verá que civis foram bater nas portas dos quartéis pedindo que os militares saíssem para depor João Goulart."

Segundo a denúncia, Maluf ordenou a construção do cemitério de Perus, com quadras marcadas para "terroristas". O projeto da prefeitura incluiu a construção de um crematório, ideia depois abandonada. Na gestão de Colasuonno, de acordo com documentos, o cemitério de Vila Formosa foi reurbanizado, quase impossibilitando a identificação dos locais onde estavam corpos dos militantes.

Tuma foi implicado porque, segundo os procuradores, sabia de mortes ocorridas sob a tutela de policiais do Dops, mas não as comunicou às famílias.

Outros dois nomes na ação são Fábio Pereira Bueno, diretor do Serviço Funerário Municipal entre 1970 e 1974, e o médico legista Harry Shibata, ex-chefe do necrotério do IML.

Os procuradores sugerem que as penas sejam diminuídas caso os réus contem em depoimento fatos que conhecem do período de repressão.

"É inequívoco que havia um esquema e que o cemitério de Perus era um centro de ocultação de cadáveres de militantes políticos", diz a procuradora da República Eugênia Fávero.

A Unicamp, que recebeu Vannuchi ontem, é um dos alvos da segunda ação do MPF. Nela, os procuradores pedem a responsabilização de funcionários e universidades porque houve descaso na identificação das ossadas localizadas em Perus e exumadas em 1990. As universidades implicadas são Unicamp, Universidade Federal de Minas Gerais e USP.

A Procuradoria pede, em liminar, a retomada do trabalho de identificação das ossadas. O órgão apresentou no passado ações, em andamento, que buscam responsabilizar militares por crimes da ditadura. Como se tratam de desaparecimento de pessoas, os procuradores entendem que se equivalem ao crime de sequestro -por não terem sido localizadas, esses crimes não seriam anistiáveis.

AC/DC AGITOU MULTIDÃO EM SÃO PAULO


Nem a chuva e a trovoada espantaram os fãs na espera do grupo AC/DC no Estádio do Morumbi. A apresentação do grupo, segundo informa a imprensa - claro, eu não pude ir ao show, por sérias restrições orçamentárias (ainda espero convocação da Infraero e a prova do IPHAN) - , foi impecável. Foi um verdadeiro clima de festa, desses que a axé-music não consegue ter.

Afinal, se trata de uma das mais conceituadas bandas de rock pesado, vinda da Austrália, e que conseguiu se manter firme mesmo depois do falecimento do vocalista original, Bon Scott, em 1980 (ele integrou a quina trágica do rock daquele ano, com Ian Curtis, John Bonham, Darby Crash e, sobretudo, John Lennon). O atual vocalista, Brian Johnson, tem tanto carisma quanto o anterior, e forma com o guitarrista Angus Young uma das mais populares duplas da história do rock.

O grupo mostrou para cerca de 65 mil espectadores uma grande retrospectiva de sua trajetória, incluindo músicas originalmente gravadas por Scott, mas sem menosprezar a fase atual, que teve também a recente música "Black Ice", título do recente disco de 2008 e da turnê que o grupo realiza atualmente, e da qual faz parte esta apresentação.

Quem gosta de rock pesado sabe que viu uma grande banda, discípula do Led Zeppelin, veterana em plena forma. E quem observa bem sabe que o AC/DC também tem um pouco de blues. E os ingressos até que foram baratos, R$ 5 reais até a apresentação, e R$ 10 durante a mesma.

A propósito, o que é Guns N' Roses?

Governador "democrata" do DF envolvido em corrupção


Isto não é novidade. O sr. Arruda é figurinha conhecida no histórico da corrupção nacional. Mas quiseram eleger ele governador do Distrito Federal, deu no que deu. Uma pequenina amostra da corrupção governamental:

Transcrições mostram Arruda negociando divisão de dinheiro no DF

Inquérito traz relatos de gravações feitas com escuta por ex-secretário.
'Você já pegou sua parte?', pergunta Arruda a secretário exonerado.

Fausto Carneiro e Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília

Inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) divulgado nesta sexta-feira (27) relata transcrições de gravações feitas com autorização judicial em que o ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal Durval Barbosa e o governador José Roberto Arruda (DEM) tratam da suposta divisão de dinheiro entre membros do primeiro escalão do governo. O vice-governador, Paulo Octávio, também é citado nas transcrições.

As gravações fazem parte de investigações da Polícia Federal, que realizou nesta sexta-feira (26) operação de busca e apreensão na residência oficial do governador, em gabinetes de deputados da Câmara Legislativa do DF e em empresas.

A Polícia Federal usou 150 agentes na operação. Foram apreendidos R$ 700 mil em dinheiro, além de US$ 30 mil e 5 mil euros durante as buscas realizadas em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.