terça-feira, 17 de novembro de 2009

EDUARDO PAES FARÁ "ENCAMPAÇÃO BRANCA" NOS ÔNIBUS CARIOCAS


O projeto de uniformização visual dos ônibus do Rio de Janeiro imposto pelo prefeito Eduardo Paes parece uma grande novidade, mas já vimos este filme antes.

Trata-se da volta do fantasma da encampação dos ônibus, desta vez adaptado aos princípios da livre iniciativa empresarial do neoliberalismo.




Ou seja, haverá controle das autoridades políticas nas empresas de ônibus cariocas - é possível que Eduardo Paes desminta, mas esta é a verdade - , mas com a garantia de sustento dos empresários de ônibus. Se bem que o Estado, na medida em que concede empréstimos financeiros às empresas, também se mostra detentor do poder econômico. E o empresariado, detentor também do poder político.





Em 1985 o então governador fluminense Leonel Brizola (1922-2004) encampou várias empresas de ônibus e determinou a padronização visual à imagem da empresa estatal CTC-RJ (Companhia de Transportes Coletivos do Rio de Janeiro).

As empresas deixaram de renovar suas frotas e seus carros foram sucateados. O serviço piorou, quase indo à falência. E a greve das Barcas, fazendo com que vários ônibus das empresas encampadas fossem desviados para um ramal especial Barcas X Praça XV (embrião da linha 100D, hoje bem servida pela Viação Mauá), só fez complicar ainda mais as coisas.

Em 1988, a encampação foi desfeita e a padronização visual também.

Eduardo Paes vai misturar elementos da encampação de Brizola com os clichês do transporte curitibano. Ele promete uma coisa bacana, mas NÃO devemos acreditar nele. O que ele faz é um projeto para turista ver (e, por sinal, não gostar).

A princípio, haverá a renovação constante das frotas, apenas para atender às exigências técnicas determinadas por leis (ar condicionado, acesso para deficientes etc.). Passada a festa da Copa de 2014 e das Olim Piadas de 2016, o rombo financeiro fará o serviço se estagnar, porque o preço da festa será altíssimo e o sistema de ônibus já estará em colapso, com tantos passageiros pegando os ônibus errados, até porque nem todos terão tempo para ler os panfletos informativos (gasto de dinheiro público à toa, além das tintas) e nem as autoridades vão distribuir esses panfletos a vida toda. Dessa maneira, que o passageiro se aventure para não confundir a linha 397 com a linha 398 na volta para casa. Isso se não pegar um ônibus para Santa Cruz achando que vai para o Campo Grande (longe para dedéu...).

Mais cedo ou mais tarde, implantado ou não, o projeto "curitibano" dos ônibus cariocas, ancorado na padronização visual, terá que ser desfeito. DE QUALQUER MANEIRA. O fracasso desse esquema será inevitável, vide o caso de São Paulo.

ALEXANDRE PIRES NÃO É O NOVO WILSON SIMONAL


Quando critico o cantor Alexandre Pires, não é por calúnia nem por racismo, até porque a cultura negra brasileira é uma das mais ricas do mundo.

Critico o Alexandre Pires porque a mediocridade artística dele é gritante, apesar de, nos últimos anos, ele vender a imagem de "sofisticado" e tentar se infiltrar até em eventos de MPB.

Quem acompanhou o Só Pra Contrariar, grupo que lançou o cantor, pelos idos de 1990, em plena Era Collor, esse grupo simbolizava, junto a Chitãozinho & Xororó, Kaoma, Wando, Chiclete Com Banana e outros, a baixaria reinante nas rádios apadrinhadas anos antes por José Sarney e ACM.

A breguice do Só Pra Contrariar, assim como seu antecessor de sucesso Raça Negra - que lembrava o sambão-jóia de triste lembrança nos tempos da ditadura - , era tão gritante que era risível. Risível como todos os grupos diluidores do samba brasileiro, grupos que até bajulavam o Fundo de Quintal e os Originais do Samba, da mesma forma que os posers do nível de Guns N'Roses e Mötley Crüe bajulavam o Led Zeppelin e o AC/DC, mas que, em ambos os casos, não faziam algo além de meras babas que remetiam ao lixo de Michael Sullivan & Paulo Massadas. Esses grupos pseudo-sambistas faziam a mesma coisa que o Sambabaca e o Gagoto Magoto fazem, só que sem a alegria da piada mas com o infeliz pretensiosismo de serem levados muito a sério.

Falam que Alexandre Pires fez sucesso no exterior, tem até fofoqueiro que falou que até Ian McCulloch, o cantor inglês do Echo & The Bunnymen, se rendeu a ele (os dois foram somente jogar bola juntos, por um acaso do destino, quando Ian estava no Brasil). Mas a verdade é que o cantor apenas tentou entrar no mercado estrangeiro, até sob o aval do casal Gloria Estefan (cantora) e Emilio Estefan Jr. (produtor).

Não há inveja alguma quando se diz que Alexandre Pires fracassou no exterior. Nenhuma inveja. O que esperariam dele, um cantor brega (discípulo de Evaldo Braga, Wando e Fábio Jr.), diante do competitivo mercado de cantores latinos nos EUA? Que ele dançasse feito malandro carioca e obtivesse os louros de bandeja? Não. O mercado de lá é muito competitivo, e Alexandre Pires, soando como um arremedo de Bobby Brown com Alejandro Sanz, não poderia mesmo vencer num mercado dominado pelo próprio Sanz, junto a Luís Miguel, Marc Anthony, Ricky Martin e Enriqeu Iglesias.

Ele mal consegue fazer um samba pasteurizado, pois quem conhece o trabalho solo de Pires sabe que ele não faz mais do que um charm ("funk melody" romântico) com algum pandeiro aqui e um cavaco ali. Por favor, não façam acusações de preconceito! A constatação é a mais isenta possível. Preconceituosos são aqueles que pensam que Alexandre Pires é um "gênio" porque viram ele no Domingão do Faustão.

Comparem o som de Alexandre Pires com o de outros cantores negros, estes realmente geniais, como Agostinho dos Santos e Wilson Simonal (cujo sucesso de alcance internacional rende hoje comparações hipócritas ao ex-SPC). Ou de mestres como Milton Nascimento e Djavan. Verão a diferença do nível de qualidade.

Eu mesmo pude passar perto de um som que tocou a versão de Pires para "Hunting High and Low" do A-ha. Há uma parte, depois do solo de teclado na música do grupo norueguês, que se segue com um clímax musical. Na versão de Alexandre Pires, duetando com uma cantora baiana, no equivalente a esta parte o cantor desafina num timbre tão fanho que a parceira do dueto teve que cantar em cima para disfarçar. Outro problema foi antes, no Domingão do Faustão, quando Alexandre Pires foi cantar "Adiós Muchachos" como se fosse um calouro com a boca cheia de biscoito creme-cráquer.

Infelizmente nem todo sucesso comercial é sinônimo de qualidade. Não adianta as pessoas dizerem que hoje os tempos são outros. O sucesso dos ídolos do brega-popularesco se deve a todo um esquema corrupto de mídia, que hoje muitos se recusam a enxergar mas que a História registra para contragosto dessas pessoas.

Além do mais, para que comparar Alexandre Pires ao Wilson Simonal se o verdadeiro herdeiro artístico do Simona está aí, com seus discos, seus concertos, sua música e integridade, que é o próprio filho Wilson Simoninha?

Chega de música brega, pessoal!!!!

MENSAGENS SUBLIMINARES II - SAMBREGA (Ingênuo Raggi Parte 2)


Continuando as "pérolas" apresentadas pelo pedante e reacionário Eugênio Raggi, questionando minha análise sobre o popularesco. Detalhe: para sabermos o nível de "sabedoria" em que o sr. Raggi se encontra, ele chamou o grupo ianque New Kids On The Block de "inglês".

AF: Primeiro, isso é uma visão elitista, que ganha facilmente o apoio
dos veículos da grande mídia, que é associar a idéia de "cultura
popular" ao grosseiro, ao pitoresco, ao aberrante.

EUGÊNIO RAGGI: O grosseiro (Jackson do Pandeiro em vários momentos por exemplo), o
pitoresco (Teixeirinha, Vicente Celestino, Germano Mathias, Bando da
Lua) e o aberrante (Cauby Peixoto, Carmen Miranda) já fazem parte da
nossa cultura musical há décadas. É apenas uma vertente, que deve ser
preservada. O cantor Daniel, que você citou anteriormente, nada tem de
grosseiro, pitoresco ou aberrante. É, portanto, diferente desse
exemplo. O que não quer dizer que ele faça uma música de excelente
qualidade. A grande mídia associa a cultura popular a esses elementos
(grosseiro, pitoresco, aberrante) porque isso é legítimo. Mas a
cultura popular não é só isso. A "grande mídia" também divulga
artistas completamente avessos a esses valores. Artistas que você deve
odiar também. Argumento furado. Você faz melhor que isso.

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Eu sou classe média alta e sou etnocêntrico. Não vejo diferença entre Jackson do Pandeiro e É O Tchan, Germano Mathias e Tiririca, por isso julgo a cultura popular com meus olhos burgueses. Não entendo de roça e acho Daniel bastante sofisticado. Também não entendo de Villa-Lobos, não entendo de nada, nem de "grande mídia", só de minha profissão. Mas como sou pedante, reacionário e arrogante, só escrevo para criar polêmicas e conflitos. Você faz melhor do que eu, eu é que não gosto do que você faz.

AF: A história de nossa cultura comprova, em dados concretos, que a
cultura popular nunca esteve associada ao grotesco.

EUGÊNIO RAGGI: Realmente. Carmen Miranda, Teixeirinha, Genival Lacerda, Cauby...Nada
de grotesco. Então tá....Mas é como em outras culturas do 3º mundo, em
que a "grande mídia" oprime o povo e manipula os paladares musicais.
Gente pobre culturalmente como os franceses que são manipulados pela
"mass media" que lhes impoe Christophe, os suecos com o ABBA, os
alemães com Jerry Bauen, os australianos com o Air Suply, espanhóis
com Julio Iglesias, ingleses com New Kids on The Block e italianos com
Ornella Vanoni. É isso que dá não educar o povo direito. A "mass
media" vai lá e manipula o gosto desse gado, dessa massa ignara. Pobre
povo do 3º mundo...

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Você tira do conforto do meu apartamento para falar esse negócio de grotesco. Então tá. Não entendo nada de nada, mas sou metido a entender de tudo, por isso tanto faz para mim ser grotesco ou não, não vejo diferença entre Carmen Miranda e Valesca Popozuda, Teixeirinha e MC Leozinho. E como sou muito burro acho que os New Kids On The Block vêm da Inglaterra. Isso é que dá eu querer julgar as coisas. A "mass media" vai lá e manipula o gosto desse gado, dessa massa ignara. Mas pobre de mim, um idiota metido a se achar acima do bem e do mal na cultura brasileira...

AF: O sambe de roda que os escravos faziam tinha inteligência,
espontaneidade, arte, dignidade, mesmo quando fazia brincadeiras
maliciosas. Já o "pagodão" pós-Tchan, que tenta se vincular à falsa
idéia de um "novo samba de roda", é milimetricamente calculado pelos
seus empresários.

EUGÊNIO RAGGI: É evidente que analistas de pirro feito você não levariam em conta
nenhum tipo de contexto. A liberação sexual e a mudança dos costumes
também mudam o jeito de dizer as coisas. O que você chama hoje de
"brincadeiras maliciosas" era visto como pornografia pura e mau gosto
naqueles tempos.

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): É evidente que analistas feito você não gostam de nenhum contexto oficial. Eu é que sou o "tal", porque o julgamento do presente, do passado e do futuro sou eu que faço, o passado não é como realmente foi, mas é como eu acho que foi. Se a sociedade está mais ou menos pudica, sou eu que me acho capaz de me julgar. Sou arrogante, e daí?

AF: Muito dessa música brega-popularesca que está aí, associada à
"verdadeira cultura popular" de que falam Hermano Vianna, Paulo César
Araújo, Milton Moura (UFBA), Regina Casé, Patrícia Pillar e outros
entre ingênuos ou oportunistas, na verdade pouco têm a ver com a
verdadeira cultura popular.
Sejam os bregas "de raiz" tipo Waldick Soriano e Odair José, sejam os
grotescos explícitos tipo Banda Calypso e Tati Quebra-Barraco, sejam
os pedantes pseudo-MPB e altamente canastrões tipo Chitãozinho &
Xororó, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano e Grupo Revelação,
todos eles não passam de pupilos dos executivos da grande mídia

EUGÊNIO RAGGI: Não entendi. Qual é o fenômeno de massificação que está por trás de
Odair José, do Waldick? Grandes grupos empresariais? Mega Business?
Não. Tenho certeza que você não acredita nisso. Mas, para não se
prender exclusivamente ao seu modelo de cultura preconceituoso e
excludente você insiste em eleger o capital como grande inimigo. Como
se por trás de toda breguice, toda cafonice, tudo aquilo que é
barango, brejeiro, simplório, primitivo, estivesse o "monstro mercado"
e seus tentáculos. Seu discurso é um subproduto da Guerra Fria.
Ingênuo e adolescente. Soa como uma militância forjada. Aliás, você
adota um visual à moda Luciana Genro, com madeixas desgrenhadas ou o
oleoso-pentecostal à maneira HH?

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Não entendi. Aliás não entendo de porra nenhuma. Só acredito em grandes grupos empresariais que se instalam na Av. Paulista, Jacarepaguá ou coisa parecida. Grandes grupos empresariais, em Salvador, Goiânia ou Belém? Para mim, Darly Alves é quase um líder do MST. Hildebrando Pascoal, coitaod, é um marxista. Desprezo o seu pensamento, porque vai contra meu juízo de valor. Sou etnocêntrico, e se o povo é "bundão", tem que ser mesmo, vai criticar o quê? E mais: sou direitista assumido, odeio esse seu jeito militante de questionar as coisas.