terça-feira, 3 de novembro de 2009

Claude Levi-Strauss morreu


Morreu no último sábado o antropólogo franco-belga Claude Levi-Strauss. Ele tinha 101 anos incompletos, já que seu centenário foi completo em dezembro do ano passado. Eu mesmo escrevi um texto no meu site Ensaios Patrimoniais.

Ele foi um dos maiores cientistas sociais do mundo, e como antropólogo ele deu valiosa contribuição não só pelo estruturalismo no mundo inteiro, como no âmbito da antropologia brasileira. Ele foi convidado em 1934 para lecionar na então recém-criada Universidade de São Paulo. Realizou pesquisas sobre tribos indígenas no Centro-Oeste e Norte do Brasil. Fez pesquisas relacionando culinária e cultura, entre tantas outras coisas.

Ele sofria do mal de Parkinson, embora nos últimos anos ele havia se esforçado para continuar lançando idéias, através de ensaios sobre literatura, cultura e memórias de sua trajetória intelectual.

Na década de 80, o professor e antropólogo José Ribamar Bessa Freire, da UERJ, então aluno de Levi-Strauss na Universidade de Sorbonne, na França, testemunhou o grande entusiasmo que professores e alunos tinham com Levi-Strauss. Foi entre 1981 e 1982. Mesmo os professores deixavam de dar aulas para assistir às palestras do antropólogo, o que nada tinha de inútil ou de desperdício, porque nada custa aprender lições de alguém mais experiente. As aulas eram tão concorridas que muita gente ficava sentada no chão, por falta de lugar.

Levi-Strauss é mais um intelectual que nos deixa, fazendo falta na humanidade. Resta, pelo menos, o seu grande legado e suas idéias, que pelo menos deixaram sementes. Esse legado certamente deveria servir de lição para certos antropólogos que, em vez de estudar objetivamente a humanidade e seus desafios na vida, preferem fazer propaganda do medonho "funk carioca" usando toda retórica barata sob o rótulo de "etnografia".

Bibliografia de Levi-Strauss publicada no Brasil:

* Tristes Trópicos (Companhia das Letras, 1996)
* As Estruturas Elementares do Parentesco (Vozes, 2003)
* Antropologia Estrutural (Vol. 1) (Cosac Naify, 2008)
* Antropologia Estrutural (Vol. 2) (Tempo Brasileiro, 1993)
* O Pensamento Selvagem (Papirus, 2005)
* Sociologia e Antropologia, de Marcel Mauss (introdução de Claude Lévi-Strauss, Cosac Naify, 2003)
* O Cru e o Cozido - Mitológicas (Cosac Naify, 2004)
* Do Mel às Cinzas - Mitológicas (Cosac Naify, 2005)
* A Origem dos Modos à Mesa - Mitológicas (Cosac Naify, 2006)
* O Homem Nu - Mitológicas (Cosac Naify, 2009)

"Funk" nas escolas: ideia servirá para "lavagem" de dinheiro


Diz o ditado popular: "Onde há fumaça, há fogo". É verdade que os "líderes de opinião" tentaram mudar o ditado para "onde há fumaça, há sempre um café quentinho e gostoso". Mas não deu certo. Nem toda fumaça indica que alguém prepara um café para beber. E o ditado ainda se apoia em outras premissas: "Quando a esmola é tanta, o santo desconfia", "Quando a animação é maior que a festa, é bom desconfiar".

Pois naquela reunião dos dirigentes e empresários funqueiros na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, meses atrás, eles estranhamente falaram demais em colocar o "funk" para ser ensinado nas escolas fluminenses. O entusiasmo deles estava além do imaginável e do compreensível. O próprio DJ Marlboro cometeu a asneira de dizer que os alunos deveriam fazer um "funk" em vez de escrever redação.

Com a euforia maior que a festa, não dá para acreditar que o horrendo ritmo popularesco vá contribuir de fato para desenvolver a cidadania nas crianças. Não adianta eliminar letras de violência e sexo para "melhorar" as coisas, assim como não adianta pôr o "funk de raiz", a pretexto de mais "decência", ou o "funk melody", a pretexto de mais "musicalidade", para endireitar as coisas. O "funk carioca" é tudo igual, seja que modalidade for, essencialmente suas quatro variantes ("funk de raiz ou protesto", "funk comercial", "funk melody" e "proibidões") não diferem muito uma da outra. Tudo é de uma ruindade musical de doer, queiram ou não queiram os etnógrafos politicamente corretos.

O que está por trás disso é que as escolas servirão de "lavagem" financeira do dinheiro sujo dos esquemas que estão por trás da indústria funqueira. Sabemos que o "funk" reproduziu o esquema mafioso do miami bass. Nem precisamos dizer quais são as forças ocultas por trás do "funk", é só ler as manchetes policiais e perguntar para qualquer delegado de polícia.

Por isso, todo o dinheiro "sujo" seria aplicado em projetos educacionais para assim desviar a atenção da polícia e do Imposto de Renda. Assim, não há como deter os empresários funqueiros, que, sabemos, cometem enriquecimento ilícito e abusivo. Em certos casos, até cobrando muito caro em certas apresentações de "funk".

Foi assim que o próprio Marlboro fez, numa apresentação na boate Love, em São Paulo, cobrando preços exorbitantes para os "bacanas". E foi dessa maneira que a axé-music construiu seu "império romano" no Brasil. Com a "vantagem" de que os funqueiros não precisam do empurrão do já falecido Antônio Carlos Magalhães. Para subir na mídia, bastam apenas os políticos "fisiológicos" para fazer o "funk" crescer na mídia.