sábado, 24 de outubro de 2009

Empregadas domésticas já curtiram som de qualidade


O sambista Jorge Veiga, sucesso no começo da década de 1960.

É um grande erro, favorecido pelo establishment midiático da ditadura militar, associar as empregadas domésticas a um gosto musical cafona. Foi algo determinado por emissoras de rádio e televisão tidos como "populares" e que apoiaram, com gosto, o regime dos generais, apesar da música brega ser oficiosamente creditada como "subversiva" devido ao sucesso das teses conspiratórias de Paulo César Araújo, um bravateiro que já tem reservado seu lugar no esquecimento literário da posteridade.

Pois o que as empregadas domésticas escutavam, entre 1958 e 1964, eram sambas autênticos, baiões, quando muito sambas canções e serestas que hoje são tido como "bregas" mas na verdade são tendências respeitáveis (bregas são os primeiros ídolos cafonas que faziam caricatura de serestas).

Indo para os idos de 1960, veremos que o que as domésticas do eixo Rio-São Paulo, por exemplo, ouviam, era o samba autêntico, de nomes como Roberto Silva e Jorge Veiga, que fez muito sucesso na época, além de veteranos como Ataulfo Alves e Pixinguinha. É desse ano o lançamento do primeiro LP de Elza Soares, que foi doméstica, babá e lavadeira e logo nos primeiros discos mostrava ter muita informação musical.

A fama de que empregada doméstica só consome música cafona se deu, portanto, a partir de 1968, quando rádios e TVs que respaldaram a ditadura militar divulgavam os ídolos cafonas, alguns retardatários da Jovem Guarda (ou seja, faziam JG depois que este movimento havia acabado).

Antes que alguém dê razão às persuasões de PC Araújo, é melhor essa pessoa pesquisar melhor a realidade das emissoras de rádio e TV durante a ditadura militar. Certamente, suas pesquisas irão confirmar a tese de que as rádios que tocavam música brega foram as que mais apoiaram não somente a ditadura militar como a estrutura coronelista e urbano-entreguista de nosso país. Os então futuros mecenas da música brega estavam alegres vendo as passeatas Deus e Liberdade pedindo a instauração da ditadura militar. São os mesmos que depois passaram a apoiar Sarney, Collor, FHC e o esquema fisiológico do governo Lula.

ANTIGUIDADES NOS ANOS 80 - AGENTE 86


Na televisão brasileira dos anos 80, um seriado foi transmitido e cujo nome certamente confundiu muitos garotões de hoje, que atribuíram a produção à referida década.

Pois Agente 86 não era uma série dos anos 80, mas dos anos 60, mais precisamente entre 1965 e 1970. É uma paródia dos filmes de espionagem, cujo personagem principal se chamava Maxwell Smart (vivido por Dom Adams, falecido em 2005). Por isso o título original do filme alude a este agente e faz um trocadilho com a frase "Get Smart" ("Fique esperto"). Smart se comunicava com o chefe da agência C.O.N.T.R.O.L.E. através de um sapato-fone. Ele tinha ainda uma namorada, depois esposa, chamada Agente 99 (vivida por Barbara Feldon, ex-modelo). A agência C.O.N.T.R.O.L.E. era comandada pelo "Chefe" (vivido por Edward Platt, falecido em 1974), cuja missão era combater as atividades da K.A.O.S., uma organização criminosa. O seriado teve como um de seus criadores o comediante Mel Brooks.

A série fez muito sucesso na TV americana da época, mas com o tempo a série se desgastou. No entanto, suas reprises se tornaram bastante cultuadas. Eu assisti a esta série pela primeira vez na infância, lá pelos idos de 1974 e 1975. Portanto, antes dos anos 80.

ALGO FOI PRODUZIDO NOS ANOS 80? - Sim. Um filme de 1980, intitulado The Nude Bomb, e um telefilme de 1989 foram produzidos. Uma nova fase da série, com Don Adams e Barbara Feldon mais o comediante e ex-apresentador da MTV, Andy Dick, tentou ser produzida em 1995, tendo poucos episódios, que chegaram a ser exibidos na TV brasileira. Em 2007, dois anos após o falecimento de Don Adams, foi feita um longa baseado na série, com Steve Carell (do seriado The Office) como Smart e Anne Hathaway como 99, além de Alan Arkin (que participou do filme O que é Isso, Companheiro? como o embaixador sequestrado Charles Elbrick) como o "Chefe".

ASSIM ESTÁ BOM


Wagner Pontes, o atual marido de Patrícia França, aqui está bem mais descansado e alegre. Felizmente largou aquela cara de sentinela aflito, e está usando tênis.

Ele não está casado com qualquer mulher. Está casado com uma das mais belas atrizes do país. O que não combina com o comportamento sisudo de antes. Privilégio é responsabilidade.