quinta-feira, 22 de outubro de 2009

KING CRIMSON HOMENAGEOU MOVIMENTO BEAT


A banda King Crimson lançou uma trilogia de álbuns com a superformação que a consagrou nos anos 80.

Sabemos que o King Crimson era um grupo de rock progressivo liderado pelo guitarrista Robert Fripp, e que lançou seu primeiro álbum em 1969, In The Court Of Crimson King. Noutra oportunidade falarei mais dessa banda.

Pois entre 1981 e 1984 o grupo tinha uma outra formação que, apesar da liderança de Fripp, desenvolveu um verdadeiro espírito de banda. Claro, eram três outros músicos juntos a ele. Adrian Belew, guitarrista e vocalista, era músico de David Bowie na fase "alemã" do cantor inglês. Tony Levin foi baixista da banda de Peter Gabriel e considerado um dos melhores músicos deste instrumento. Bill Bruford foi o super baterista do Yes.

Sem demorar muito neste tópico, a trilogia (padronizada com capas com uma cor e textos em outra) se chamava Three of a Perfect Pair e teve três álbuns: Discipline (1981), Beat (1982) e Three of a Perfect Pair (1984). Todos grandes álbuns.

Beat
homenageou o movimento beat. Todas as faixas são alusões a referências deste movimento. Algumas referências de algumas faixas do disco:

"Neal and Jack and me" se refere a uma relação de amizade e talvez um caso de amor homossexual entre Jack Kerouac e Neal Cassady, outro expoente beat.

"Heartbeat" é o nome do livro que a esposa de Neal, Carolyn Cassady, escreveu sobre sua vida entre os beatniks.

"Sartori in Tangier" é relacionada ao livro de Kerouac, Sartori in Paris, e a cidade de Tangier, em Marrocos, onde vários escritores beat chegaram a ter residências.

"Neurotica" é o nome de uma revista do movimento beat.

"The Howler" é alusão ao poema de outro escritor beat, Allen Ginsberg, chamado "Howl", bastante lido pelos militantes da Contracultura dos anos 60.

Para os brasileiros que ouvem rádio, uma informação:

Um trecho instrumental de "Neurotica" serviu de fundo musical para o programa Patrulha da Cidade, da antiga Super Rádio Tupi (hoje Infra Rádio Tupi).

JACK KEROUAC


Outro nome cujo falecimento foi lembrado ontem foi o do escritor norte-americano Jack Kerouac. São 40 anos de sua morte, ocorrida aos 47 anos. Kerouac foi o principal escritor da geração beat e sua vida e suas obras - que em si já tinham um sabor autobiográfico, com personagens de seu círculo social camuflados em pseudônimos - influenciaram todo o estado de espírito juvenil dos anos 50 e 60, embora essa mentalidade libertária, na verdade, Kerouac pegou da vida movimentada dos jovens de 1947-1949.

On The Road, seu maior livro, e que durante décadas se reduziu a uma versão "família" lançada em 1957 nos EUA, é um típico relato dessa experiência, desse estado de espírito. Recentemente foi lançada a versão manuscrita, a que Kerouac finalizou em 1949 e que a quase todas as editoras rejeitaram. Foi aliás a editora que topou publicar o livro que cortou as partes "escandalosas" e "picantes" da obra original. Mesmo assim, deu para assimilar o libertário estado de espírito beatnik de Jack Kerouac, afinal não dava para descaraterizar a obra, porque o público sairia estranhando e o livro seria um grande fracasso e uma fraude mais escandalosa que as partes cortadas do livro.

Apesar do sucesso do livro, Kerouac continuava amargurado. De personalidade difícil, ele não gostava das pressões sobre sua obra, que o sucesso de On The Road causava. Ele lançou vários outros livros, que não tiveram o mesmo sucesso do famoso livro.

A editora gaúcha L&PM é responsável pela publicação da obra de Kerouac no Brasil.

TUDO POR DINHEIRO


Se é para arrecadar dinheiro para projetos sociais, tudo bem, deixa-se passar. Mas não deve se levar a sério, culturalmente falando, o espetáculo do maestro João Carlos Martins com a dupla breganeja Chitãozinho & Xororó. A dupla paranaense, antes um risível expoente da música brega, agora um suposto grande nome da música caipira, quer passar a falsa imagem de "sofisticada" num universo dominado por Van Damme & Stallone, quer dizer, Bruno & Marrone.

Por isso mesmo o evento só servirá para o marketing pessoal da dupla breganeja, assim como o dueto de Zezé Di Camargo & Luciano com o Chico Buarque não teve serventia alguma para o lado do cantor carioca e seus fãs.

João Carlos Martins não manchará seu nome com esse evento, mas ele será apenas uma casualidade diante de tantas apresentações deste prestigiado maestro da música erudita brasileira.

FRANÇOIS TRUFFAUT


Ontem foi a lembrança dos 25 anos de falecimento do diretor, roteirista, produtor e ator francês François Truffaut, um dos fundadores do movimento novelle vague, famoso por vários filmes. Já vi dois deles, Jules e Jim, A Noite Americana e A Mulher do Lado.

Como ator, atuou em alguns desses filmes - em A Noite Americana, ele fez o papel de um cineasta - e atuou até em filme comercial, como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg.

PAUL ANKA E OS BREGAS BRASILEIROS


Paul Anka (E), cantor de pop romântico do final dos anos 50 que voltou à cena com uma parceria não-creditada com Michael Jackson, e Benito di Paula, um de seus similares no Brasil.

Quando se critica o brega-popularesco, algumas pessoas, temerosas, passam a defender parte dos artistas bregas mais antigos, como se eles não estivessem ligados ao universo musical criticado.

São geralmente nomes ligados ao "brega de raiz", uns até com músicas gravadas por medalhões de MPB, que aos poucos tentam se infiltrar nos redutos reservados à MPB autêntica. É aquele papo que esteve muito em moda nos anos 90: "não é aquela maravilha, mas é melhor do que nada".

Benito di Paula, Odair José, Moacir Franco, Luís Ayrão, Wando e até Michael Sullivan & Paulo Massadas são alguns desses nomes. E tem também o Amado Batista, que agora trabalha a falsa imagem de "discriminado", como se nunca tivesse feito sucesso algum na vida.

Só que esses cantores equivalem, na música brasileira, àqueles cantores melosos que vieram na cola de Elvis Presley: Pat Boone, Ricky Nelson, Bobby Darin, Neil Sedaka, Paul Anka e, anos mais tarde, Johnny Rivers. Todos fazendo uma pasteurização do rock de Elvis bem ao estilo comercial-romântico.

O que faz confundir muita gente é que os citados cantores brasileiros, na verdade, correspondem ao que se tornaram Paul Anka e Neil Sedaka, que mudaram de rumo, passada a onda dos imitadores de Elvis, seja com o surgimento de cantores galãs que faziam rock de verdade (Del Shannon, Dion Di Mucci, Bobby Vee e Ronnie James Dio - sim, ele mesmo, que depois foi fazer rock pesado), seja com as bandas de guitar instrumental (Ventures, Surfaris, Dick Dale & The Del Tones), seja com a "invasão britânica" puxada pelos Beatles.

Dessa forma, Paul Anka e Neil Sedaka se tornaram compositores pop, fazendo canções românticas que se tornaram sucesso. Viraram artesões do hit parade. Uma música de Paul Anka, 'My Way", versão de uma música francesa, foi gravada por Frank Sinatra já não mais no auge da carreira deste, em 1969. Neil Sedaka teve canções gravadas pelos Carpenters. No fundo esses compositores passaram a competir com os verdadeiros artistas da composição, como Burt Bacharach e Carole King.

Pois foi justamente nessa época, quando o pop comportadinho voltou às paradas diante da crise mundial da Contracultura, em 1968, que os cantores bregas "sofisticados" entraram em ascensão. Hoje eles trabalham a imagem de "injustiçados", mas eles se acomodaram muito bem no establishment musical na época mais dura da ditadura militar. E não vale Paulo César Araújo dizer que isso foi por antídoto, afinal o sucesso desses cantores se dá não como reação do povo à ditadura, mas como forma de controle social das rádios que apoiaram o regime militar e que fizeram propagar, com gosto, os primeiros sucessos do que a partir de 1972 se conheceria como música brega.

Esses cantores apenas cumprem as regras de composição musical, criando melodias fáceis, letras de amor convencionais, para garantir grande sucesso entre o público. Por boa fé, artistas de MPB ou mesmo ex-integrantes da Jovem Guarda também gravaram esses compositores, o que fez muita gente acreditar, diante da avalanche de Créu, Tchan etc, que Benito di Paula, por exemplo, era "genial". Mas o que ele fazia na verdade era imitar o som do Wilson Simonal mas dentro de uma perspectiva brega da linha de Odair José.

O maior perigo que hoje vivemos, com a "reabilitação" dos primeiros ídolos bregas, é o que vai acontecer daqui a alguns anos, quando a terceira geração da música brega (Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Belo, Zezé Di Camargo & Luciano, Daniel, Leonardo) gozar dessa mesma "reabilitação". Aí vai ser desesperador.

A MPB autêntica já perde muitos espaços, seja na mídia, seja no mercado, seja nos espaços culturais. Quando muito, só entra como figurante ou coadjuvante de terceiro grau. Até os medalhões da MPB autêntica já não têm novos hits, e isso não é por falta de produção musical (Milton Nascimento e Djavan continuam fazendo e lançando novas músicas), mas porque a mídia gorda já começa a dar ordem de despejo a eles.

Agora, a MPB autêntica sofre a pior das ameaças: a de perder os poucos espaços que ainda têm, que começam a ser invadidos pelos ídolos mais antigos do brega-popularesco.