quarta-feira, 21 de outubro de 2009

TROQUE O "SERTANEJO" PELO CLUBE DA ESQUINA - II


Continuando nossa série para aconselhar os interessados em boa poesia e boa música para deixar de procurar agulha no palheiro - ou seja, procurar boa música no "sertanejo" - , vamos dar sequência a nossa série de valorização do Clube da Esquina, o famoso movimento mineiro da MPB autêntica.

Pois o Clube da Esquina oferece TODOS os elementos melodiosos e poéticos, com todo o lirismo possível, que o público médio acredita existir na dita "música sertaneja" e, na verdade, não existe. Além disso, como é que cantores, duplas e grupos que deturpam a música caipira e apoiam rodeios vão falar de natureza com a mesma sinceridade dos mineiros? Não há como.

Gravar covers de Clube da Esquina também não enobrece em coisa alguma os breganejos, que aqui se comportam como meros aluninhos que, quando vão fazer trabalho de História, copidescam os livros dos mestres para disfarçar sua mediocridade evidente.

Pois no Clube da Esquina é que existe música de verdade. E o exemplo agora é menos acessível na mídia, o instrumentista e eventual cantor/letrista Toninho Horta. Mesmo sem a penetração de mídia de Milton Nascimento, Flávio Venturini e Beto Guedes, Toninho Horta tem o mesmo prestígio deles, já que todo mundo do clube mineiro é talentoso.

Aqui mostramos Toninho Horta numa música ao vivo, "Beijo Partido", gravada por Milton Nascimento e também por Nana Caymmi, no link do You Tube. Segue, antes, a letra da referida canção.

BEIJO PARTIDO
(Toninho Horta)

Sabe, eu não faço fé nessa minha loucura
E digo eu não gosto de quem me arruína em pedaços
E Deus é quem sabe de ti
E eu não mereço um beijo partido
Hoje não passa de um dia perdido no tempo
E fico longe de tudo o que sei
Não se fala mais nisso
Eu sei, eu serei pra você o que não me importa saber
Hoje não passo de um vaso quebrado no peito
E grito olha o beijo partido
Onde estará a rainha
Que a lucidez escondeu, escondeu ...


Pela semiologia, "funk carioca" seria uma aberração


Em Comunicação, existe uma disciplina chamada Semiologia, que no âmbito da linguagem é conhecida como Semiótica. Nela, há uma relação entre signo e objeto, intermediada pelo interpretante. Numa outra abordagem desse processo, o objeto é considerado significante e seu sentido seria o significado.

O "funk carioca", se associarmos todo o discurso de defesa do ritmo ao que ele é na realidade, através dos CDs e das apresentações ao vivo - incluindo os "bailes funk" como um todo, até a platéia - , veremos que há um violento ruído de Comunicação. Ruído de Comunicação é quando há algo que perturba o sentido eficaz de uma mensagem comunicativa.

É um grande contraste, em proporções estratosféricas, entre o "funk carioca" como significante, como a coisa em si, com o objeto atuante numa realidade, e o "funk carioca" como significado, no sentido de todo um discurso lindo que aposta em milhares de apologias favoráveis ao ritmo.

Pois o discurso lindo (significado) não casa com o objeto "funk" (significante). Musicalmente, o "funk" se resume a uma batida eletrônica e um zé mané parodiando cantiga de roda com letras chulas. É tudo igual, seja o dito "funk de raiz", seja o "funk do bem" ou o "proibidão". Não há a menor riqueza sonora, poética nem musical. No máximo, apenas ritmo, batida, "batidão". Nada que justifique toda a retórica em defesa do ritmo carioca.

Daí o "funk carioca" ser uma das piores aberrações de todo o Brasil, um dos primeiros fenômenos de mídia em que o discurso fala uma coisa, e a prática fala outra completamente diferente. Onde a retórica é maravilhosa, e a realidade é um horror.