terça-feira, 20 de outubro de 2009

APEDREJARAM A VIDRAÇA DO ROCK E FUGIRAM



Nos anos 90, o segmento rock no Brasil passou por uma violenta diluição e deturpação, reflexo da porralouquice semelhante vivida nos EUA nos anos 80.

Dessa forma, revistas musicais e rádios passaram a explorar a cultura rock de forma caricata, numa época em que o mainstream roqueiro era monopolizado pelo pós-grunge - o grunge original, de Seattle, já havia passado, dando lugar a seus sub-produtos - e pelo poser metal.

A Bizz, que não era revista de rock, mas dava amplo espaço ao segmento, passou da fase inteligente e informativa de 1985-1990 - até a estonteante Lorena Calábria integrava a equipe - para uma fase niilista comandada pelo editor André Forastieri, que permitiu até que a revista espinafrasse os Smiths, cujo disco Meat is Murder (1985) foi classificado pela Bizz dos anos 90 como um dos piores discos de todos os tempos.

Junto a isso, havia também a diluição do radialismo rock pela paulista 89 FM, que não foi da primeira geração de rádios de rock mas já em 1994 posava de "dona" do segmento no país. Dizem rumores que o fim de várias rádios de rock originais (Fluminense FM-RJ, Estação Primeira-PR e 97 FM-SP) teria se dado por indicação de produtores da 89 para rádios não-roqueiras (no caso da 97, em tese concorrente da 89, seria indicação para um ex-radialista da antiga Nova Record FM). Essas rádios teriam arrendado as rádios roqueiras originais.

A diluição do radialismo rock foi capitaneada pela linguagem "poperó", por um tipo de locução típico de rádios de pop dançante, além de um repertório musical que não ia além dos limites comerciais de limitar o cardápio musical (60 músicas só renováveis de quatro em quatro meses) e nos critérios de divulgação de bandas (fitas demo caseiras passaram a ser abolidas, dando lugar a CDs demo semi-profissionais, gravados mediante pagamento em estúdios de gravação profissionais). Isso significa que o repertório roqueiro se reduziria a artistas manjados, quando autênticos, ou a sucessos comerciais nas paradas nacionais e estrangeiras.

A 89 FM gerou uma discípula carioca, a ultra-reacionária Rádio Cidade (espécie de Comando de Caça aos Comunistas em relação às rádios alternativas), que havia surgido em 1977 como uma despretensiosa e simpática rádio pop.

Juntando a arrogância niilista da Bizz/Showbizz - e da General, revista de curta duração que, seguindo a onda "alternativa" do grunge, soava como um pseudo-zine - , o reacionarismo pavio-curtíssimo da 89 FM/Rádio Cidade (cujos produtores se enfureciam à mais branda crítica a seu trabalho) e o oba-oba do mercado pópiroque que endeusava gente como Tatola e Carlos Eduardo Miranda, a cultura rock foi massacrada e reduziu-se a quase nada.

Já nessa época o rock nem era mais o ritmo dominante entre a juventude - que no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e cidades interioranas em geral passou a curtir brega-popularesco desde os anos 90, acompanhada da juventude pobre do Rio de Janeiro, cujos ritmos brega-popularescos curtidos já eram o "funk" e o sambrega - , mas a arrogância da 89 FM tentou prorrogar a supremacia roqueira no Sul/Sudeste pasteurizando o estilo.

Foi pavimentado o caminho para bandas emo brasileiras que, em 2006, representaram o réquiem das duas supostas "rádios rock", 89 e Cidade, que, contrariando a pretensão de serem "rádios rock" até o fim dos tempos, abandonaram o rock friamente, pois as equipes das duas rádios têm pavio curto, mas têm sangue de barata. Hoje são duas rádios de pop eclético, a Cidade tendo virado OI FM, que, descontando o chatíssimo Rock Bola ("Aemão de FM" enrustido), dá um banho de criatividade e inteligência na nervosinha "rádio rock" de outrora, ainda que a OI não seja perfeita.

Passado o tempo, os antigos jornalistas e radialistas de rock sumiram do segmento, como moleques que atiraram pedras nos vidros das casas dos vizinhos e fugiram. Nenhum deles está envolvido com a causa rock hoje em dia, depois de transformar o segmento numa colméia de emos e de fanáticos grunge-posers.

ANDRÉ FORASTIERI - Jornalista e empresário. Na Bizz, comprava briga tanto com Léo Jaime quanto com Herbert Vianna e Nazi (ex-Ira!). Nazi chegou a desafiá-lo para uma luta, a exemplo do que fez com Pepe Escobar (espécie de David Nasser pop, no sentido de "plantar" reportagens). Espinafrava as bandas de rock de qualidade, mas escreveu até artigo elogiando uma apresentação chinfrim da então dublê-de-cantora Angélica (a mesma sra. Luciano Huck de hoje em dia). Na General, parecia mais "contido", porque a revista forjava uma filosofia pseudo-udigrudi (era a moda grunge, toda a mídia queria posar de "alternativa", havia até parada "indie" no Estadão). Mas não convenceu. Virou empresário de uma editora e se especializou em quadrinhos.
ATUALMENTE: André Forastieri é colunista do portal R7, da Rede Record.

CARLOS EDUARDO MIRANDA - Produtor, jornalista e músico gaúcho, Miranda, que tinha as iniciais C.E.M. em várias resenhas de discos na Bizz, aparentemente estava junto com a boa geração da revista. Mas nos anos 90 passou a espinafrar bandas alternativas autênticas e, como produtor, passou a esboçar um padrão roqueiro que absorvesse as lições do grunge e do poppy punk com pitadas de humor popular televisivo. Miranda, por ter forjado um arremedo de "cultura indie", até com gravadora pseudo-independente (a Banguela Discos foi subsidiária da Warner), foi endeusado pela crítica musical no meio dos anos 90, não bastasse o visual dele na época, com barbão e cabelos compridos, fizesse parecer um Jesus Cristo meio grunge, meio fashion. Mas, na prática, ele foi o precursor da "filosofia emo" no Brasil. É uma espécie de "mestre" para o produtor Rick Bonadio, que faz o mesmo estilo de produção de Miranda, só que com maior apelo comercial.
ATUALMENTE: Carlos Eduardo Miranda, no fundo uma espécie de Carlos Imperial dos anos 90, é jurado de programas do SBT: já participou nos programas Ídolos, Astros e agora participa em Qual È O Seu Talento?.

MONIKA VENERABILE - Ex-locutora da rádio niteroiense Fluminense AM, Monika era até uma excelente locutora, tendo integrado a fase áurea da Fluminense FM, para a qual foi transferida depois de ameaçada de demissão. Mas, em sua carreira paulista, o ranço da experiência na Jovem Pan 2 a fez virar caricatura de si mesma, virando a principal estrela da fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade carioca, formatando um perfil alienado, arrogante e reacionário do jovem roqueiro, que no cinema só via filmes de terror, pancadaria e esportes radicais e odiava ler livros. "Queimando" sua imagem, Monika deixou o rock para suas audições pessoais, virando locutora e comentarista de fofocas na popularesca 98 FM.
ATUALMENTE: Monika Venerabile é locutora da popularesca Nativa FM, dos mesmos donos da 89 FM mas com franquia carioca dos Diários Associados.

RHOODES DANTAS - Locutor que faz o perfil "marombeiro engraçadinho", ele trabalhou na fase decadente da Fluminense FM, nos anos 90, apresentando programas de rock mas dizendo que odiava o gênero. Contribuiu para derrubar a ex-Maldita e abrir espaço para a franquia da Jovem Pan 2, chamando DJs como Orelhinha, Marcelo Arar e Mário Bittencourt (provavelmente amigos do Rhoodes) para as transmissões locais da Jovem Pan Rio. Em 1995, Rhoodes passou a ser um dos astros da fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade, fazendo a mesma má conduta da Fluminense FM, mas com um suporte financeiro maior e uma horda de ouvintes fanáticos maior ainda.
ATUALMENTE: Rhoodes Dantas é ligado ao "funk carioca" e é radialista da 98 FM (conhecida como Beat 98).

PAULO BECKER - Colega de Rhoodes Dantas na fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade.
ATUALMENTE: Envolvido com "funk carioca", Becker integra também a equipe da Beat 98. No Orkut, se envolveu numa séria polêmica com o blogueiro Marcelo Delfino, de Brasíl Um País de Tolos, pelos comentários deste contra o "funk".

TATOLA - Produtor, radialista e músico, ele era parceiro de Carlos Eduardo Miranda no programa A Vez do Brasil, da 89 FM, sobretudo na fase pseudo-universitária da emissora, em 1994 (também seguindo a moda grunge). Também formatou a "filosofia emo", através das bandas que dava espaço, que combinavam mentalidade grunge com humorismo popular. Foi vocalista do grupo Não Religião, espécie de grupo proto-emo que queria ter ao mesmo tempo o prestígio da Plebe Rude e do Ira! mais a postura indie dos Ratos do Porão (nenhuma das três pretensões foram conseguidas, obviamente).
ATUALMENTE: Ele deu um sumiço. Na busca do Google, as informações mais recentes ainda se referem ao seu então retorno à 89 FM em 2005.

ZÉ LUÍS - Radialista, estranhava a classe roqueira não apenas pelo fato da 89 FM ser uma emissora caricata, mas pelo fato de que Zé Luís, dividido entre o SBT e a 89, queria mesmo assim ser considerado "radialista roqueiro sério". Já foi repórter do Celso Portiolli, da Adriane Galisteu, e já fazia comerciais das Casas Bahia. Zé Luís tem um estilo tipicamente Jovem Pan 2, o que fazia os ouvintes da 89 FM que diziam odiar a JP2 engolirem seco quando alguém alertava isso.
ATUALMENTE: Zé Luís prossegue fazendo comerciais das Casas Bahia.

BAHIA JÁ TEVE O SEU "RHOODES DANTAS" BEM ANTES


Anos antes da Rádio Cidade carioca posar de "roqueira", uma rádio pop de Salvador (Bahia) teve semelhante experiência. Foi a 96 FM, que nasceu como afiliada operacional (não havia retransmissão em rede) da 98 FM carioca, mas que, em 1989, virou uma confusa caricatura de rádio de rock, numa gororoba que misturava Silencers com New Kids On The Block (!).

Pois um dos astros da 96 FM, também conhecida como Rádio Aratu, foi o locutor Thiago Mastroianni, que tem aquele estilo claramente de pop convencional, na escola da Transamérica dos anos 80. A risível 96, que tocava Ave-Maria às 18 horas - nada contra a bela oração nem à crença católica, mas um ato desses não combina com uma rádio envolvida com rock - , logo depois tinha Thiago na primeira parte do horário nobre, antes do programa A Voz do Brasil. Locução mauriçola que tentava embarcar até em certos programas "alternativos" transmitidos no horário, às vezes exibindo pedantismo (como uma vez Thiago, ouvindo o comentário de um outro locutor - ligado a uma loja de discos de rock - sobre Joy Division, dando falsa impressão de que conhecia o grupo inglês), Thiago, mesmo de uma forma mais contida que a do carioca Rhoodes, antecipou para os baianos aquilo que os ouvintes de rádio do Grande Rio passariam a suportar anos depois.

A 96 FM abandonou o segmento rock em 1993, e desde 1995 é afiliada da Rede Aleluia. Seus produtores, incluindo Léo Fera, antigo coordenador da 96, estão hoje envolvidos com axé-music (era notável a semelhança de estilo dos locutores da 96 com a da Piatã FM, de perfil popularesco).

Há um bom tempo Thiago Mastroianni é apresentador e reporter de esportes na TV Bahia, afiliada da Rede Globo em Salvador.

LEANDRO N' LEONARDO


Será que ninguém percebeu que o nome Guns N'Roses se refere a uma gíria ianque que, adaptando para o colóquio brasileiro, dá justamente no título de um dos maiores sucessos da dupla neo-brega Leandro & Leonardo, "Entre Tapas e Beijos"?

Promessas, promessas e prática, que é bom, nada!!


O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, garantiram que a Cidade Maravilhosa resolverá completamente todo o problema da criminalidade antes até mesmo da Copa de 2014.

Essa declaração "corajosa" e "confiante" foi feita ontem, em diferentes lugares, pois Eduardo Paes está no exterior.

Só que fazer falar não é sinônimo de fazer.

No dia seguinte, ou seja, hoje de manhã, os telejornais não viram policiamento algum nas áreas onde ocorreram o trágico conflito no Morro dos Macacos, que já contabiliza 24 mortos, entre bandidos, policiais e inocentes.

Sem falar que os verdadeiros líderes do narcotráfico - que não são os déspotas que controlam as favelas - devem estar passeando em Miami, Las Vegas e Paris. E alguns dos chefões dos morros, por sua vez, estão tomando sol nas suas casas de veraneio no Nordeste, provavelmente criando "sucursais" de seu "empreendimento" por lá, principalmente em cidades como Salvador (Bahia).

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