domingo, 18 de outubro de 2009

Três dos 10 mortos no confronto do Rio teriam sido inocentes


Funeral de um dos três inocentes mortos no confronto do Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro.

É o que dá haver ações policiais desastradas, sobretudo numa cidade como o Rio de Janeiro. Com divulgação ostensiva que permite o esconderijo fácil dos líderes do narcotráfico, e com as declarações "desafiadoras" das autoridades que em nada assustam os bandidos, os policiais criam um clima de desordem, em tiroteios no horário de grande movimento da população, fazem com que inocentes que estejam no meio do caminho, seja por balas perdidas, seja por eles serem confundidos com bandidos ou com rivais do crime, sejam mortos sem necessidade.

Três dos mortos foram identificados como Marcelo Costa Gomes, 26 anos, Leonardo Fernandes Paulino, 27, e Francisco Haílton Vieira Silva, 24, todos sem passagens pela polícia e apenas comemorando alguns fatos felizes em suas vidas. Eles, que estavam ainda com outro amigo, Francisco Halaíton Vieira, irmão de Francisco Haílton, foram rendidos por bandidos e todos foram baleados. Halaíton foi o único que sobreviveu, fingindo-se de morto, mas, mesmo assim, ficou gravemente ferido, estando internado no Hospital do Andaraí.

Em outros episódios, muitos inocentes perderam a vida dessa maneira, o que faz com que o clima de insegurança seja ainda mais assustador. Enquanto isso, as autoridades não investem num plano de investigação séria, com proteção efetiva de testemunhas e garantia de sigilo aos denunciantes, nem num plano sutil e sigiloso de combate ao crime, que possa capturar não apenas os bandidos menores, mas também os chefões do tráfico e mesmo os ricaços que estejam por trás dos "comandantes" das favelas.

Graças a ações desastradas e atrapalhadas da polícia, que no confronto do Morro dos Macacos (região do Méier, divisa com a região da Tijuca) teve um helicóptero alvejado e incendiado por traficantes, causando a morte de seus ocupantes, ninguém confia nas autoridades policiais do Rio de Janeiro, nem mesmo da do resto do país, que ainda é mais frouxa.

Por isso é que, volta e meia, aparecem alguns playboys pedindo o fim do policiamento nas favelas, favorecendo até que grupos de pop-rock e de "funk carioca" gravem músicas falando mal da polícia e dando um sonoro "não" ao policiamento nos morros (até porque seu público quer "lanchar" sua "merenda" sossegadamente). É o poder público sendo desmoralizado pelos verdadeiros defensores da desordem e do caos.

INCÊNDIO DESTRUIU LEGADO DE HÉLIO OITICICA


O incêndio que aconteceu na antiga residência do artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980) foi um dos mais graves para a cultura brasileira.

Oiticica foi um dos primeiros artistas a desenvolver o estado de espírito libertário do movimento Tropicália, bem antes dos músicos que hoje seguem carreira. A linguagem tropicalista foi fundada por Hélio Oiticica e suas obras, sobretudo seus parangolés (nada a ver com o ridículo grupo de porno-pagode baiano).

As obras de Oiticica espalhadas em vários museus - sobretudo estas duas garrafas que estão expostas no Tate Modern Museum, em Londres, assim como as réplicas de suas obras originais, estão salvas. Mas muitas das obras originais e manuscritos pessoais do artista se perderam no incêndio que, financeiramente, gerou um prejuízo de U$ 200 milhões. O impacto do incêndio é comparável ao incêndio que atingiu o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1978, que destruiu muitos quadros.

O acervo destruído deixa uma lacuna enorme, sobretudo na véspera dos trinta anos de falecimento do artista.

OLAVO BRUNO É ALGUM FUNCIONÁRIO DA MÍDIA?


Todos nós sabemos que existem fãs fanáticos, é verdade. Mas na música brega-popularesca, soa estranho que certas pessoas tenham o mesmo comportamento furioso de, por exemplo, fãs do punk fascista ou roqueiros ligados aos Hell's Angels. Por isso, por trás dessa "humilde" atitude de fã, existe uma missão profissional por trás.

Isso não sou só eu que falo. Foi o jornalista Artur Xexéo, do jornal O Globo, espinafrar o breganejo Leonardo, para ele receber várias mensagens reacionárias, algumas xingando o colunista de "imbecil". Ele depois verificou que se tratavam de gente que trabalhava no fã-clube oficial do cantor goiano.

Afinal, quem esse Olavo Bruno deve ser? Algum funcionário da mídia, alguém que, apesar de usar o nome completo, atira pedras do escuro se achando o dono da verdade cultural de nosso país? E por que ele, assim com nome e sobrenome, se preocupa em puxar o tapete da MPB, para defender o breganejo, a axé-music e o brega setentista?

Defensores violentos contribuem muito mais para derrubar a popularidade dos ídolos de "sertanejo", axé-music e similares do que qualquer artigo crítico que O Kylocyclo publicar.

Reportagem deixa vazar comercialismo em forró-brega


A reportagem de Thiago Ney, na Folha de São Paulo, veículo da chamada "mídia gorda" que faz propaganda da música brega-popularesca, aparentemente evoca a atitude "espontânea" do grupo Aviões do Forró em distrubuir CDs gratuitamente.

Antes que defensores do brega-popularesco do "quilate" de Hermano Vianna apareçam na mídia para exaltar a suposta atitude "indie" dos forrozeiros-bregas, temos que lembrar aqui que, num mercado de risco que é o brega-popularesco - que, pela ruindade musical evidente, tem que apelar para tudo, da fúria dos Olavo Brunos da vida à distribuição gratuita de CDs (que, passada a onda, vão direto para os sebos mofar a R$ 3,99 em média) - essa atitude "generosa" dos Aviões do Forró não é mais do que a estratégia de marketing mais recente de um ídolo popularesco.

Por trás disso, porém, Thiago Ney deixa vazar que o Aviões do Forró é cria de uma empresa (A3 Entretenimento). Os músicos são apenas empregados dos empresários da agenda, consistindo, no forró-brega, no fenômeno das "bandas com dono" tão comuns na axé-music e que, de forma implícita, é imitado no "funk carioca" através dos MC's (no fundo, crias sustentadas pelos empresários das equipes de som).

Ou seja, não existe arte alguma. Os músicos podem entrar e sair das bandas que a fórmula é a mesma. É a mesma linha de montagem, ditada sobretudo pelo medalhão da agência, Aviões do Forró.

Não havendo arte, também não existe cultura, e esse forró-brega só serve para entretenimento, como indica o nome da agência, e entretenimento não pode ser confundido com cultura. O entretenimento só visa o tempo presente. A cultura, pelo contrário, visa a posteridade. O entretenimento não produz necessariamente conhecimento (pode produzir, mas não é o caso dos ritmos brega-popularescos de forma alguma), a cultura produz conhecimento.

Em outros tempos, "artistas" dotados de estrutura empresarial poderosa e perfil artístico duvidoso eram conhecidas com a seguinte palavra: ARMAÇÃO. Mas o Brasil não tem jabaculê, não tem armação, José Sarney é o homem mais honesto do mundo e temos a maior imprensa de esquerda do planeta. Pelo menos é o que os reacionários que defendem o brega-popularesco e outros fenômenos da grande mídia querem que a gente pense, sob pena de nos espinafrar sem dó.

PESCADOR SOLITÁRIO


Hoje, de manhã, um senhor idoso pescava algum peixe na praia de Gragoatá, em Niterói (RJ), com seu carrão sintonizado na Band News Fluminense FM para saber dos preparativos para o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.

A audiência solitária, no entanto, era exibicionista, com o rádio a todo o volume, atitude justificável por se tratar de um período diurno de um domingo e sem alguma vizinhança residencial por perto.

Mas, mesmo assim, é audiência solitária de qualquer jeito, afinal não somos nós transeuntes, que passamos perto desse ouvinte, que tenhamos que responder também pela audiência da Band News Fluminense.

Para as "rádios AM em FM", uma lição incômoda, mas necessária: audiência individual é audiência individual, mesmo dentro de ambientes coletivos e mesmo quando o ouvinte em questão se ausenta do recinto e deixa o rádio ligado. De qualquer maneira, quem tem que responder pela audiência é SOMENTE ele.

Comentário meu sobre a violência do Morro dos Macacos


Segue o comentário que eu fiz para o blog do Marcelo Delfino, Brasil Um País de Tolos, que noticiou a violência audaciosa dos traficantes cariocas, no Morro dos Macacos (região do Méier).

"Se as autoridades falassem menos e agissem mais, seria bem melhor.

Que tal colocar policiais à paisana em operações sigilosas para capturar criminosos de surpresa?

Que tal criar uma política de informação sobre operações criminosas que realmente proteja testemunhas e denunciadores?

Que tal dar emprego, moradia, saúde e educação de qualidade para o povo pobre, além de outros serviços fundamentais (água, energia elétrica, etc), de forma intensiva, para neutralizar o poder político dos criminosos?

E que tal as autoridades pararem de posar de valentes frente à imprensa e parar de investir em publicidade demagógica? É a ostentação que as autoridades fazem nas declarações e nas medidas de combate ao crime que fazem os bandidos rirem e reagirem com toda sua fúria e estratégia de ataque".