sexta-feira, 16 de outubro de 2009

FERNANDA LIMA


Confesso que não fui durante um tempo com a cara da Fernanda Lima. Achava que a badalação em torno dela era exagerada, que a aparição dela era excessiva e por aí vai. Havia um modismo de idolatrar jovens moças bonitas que apareciam de biquíni e havia aquela visão pragmática de que a beleza feminina valia mais pelo maior número de fotos com caras e bocas do que pela beleza em si. E de repente vinha aquela estética irmã de surfista, associada a praia, noitadas, desfiles de moda e outros "pragmatismos" juvenis.

Eu achava esse modismo duvidoso e já escrevi para jornais reclamando. E naquela época Fernanda Lima era mais magra e seu background não era lá grande coisa. Apresentava um programa na popularesca Rede TV! e depois foi para a MTV apresentar o Fica Comigo.

Mas, com o tempo, comecei a admirá-la, assim que vi suas entrevistas, o blog dela e sua experiência no Mochilão MTV. E ela ficou mais cheinha, gostosa, e aqui fazendo finalmente juz ao apelido "Fernanda Linda". Essa admiração começou no ano passado, quando Fernanda conseguiu provar que era muito mais do que uma musa de biquíni.

Gostei de vê-la como atriz em Bang Bang, novela das 19 horas da Rede Globo. Ela havia feito participação pequena em alguns filmes, e sua escalada para protagonizar uma novela, na pele de Diana Bullock, foi um desafio. E ela está se dando bem. Mas aí, surgem as injustiças.

Vieram então as críticas, sobretudo de alguns que achavam que Fernanda era "deusa" só porque posava de biquíni e que, no fundo, só a queriam nessa "missão". Fernanda Lima está sendo considerada "má atriz", e eu não vi momento algum em que ela esteja atuando mal. Se ela tropeça num e noutro momento na sua atuação (e eu não vi um momento em que isso ocorreu), é até desculpável para uma atriz estreante, que no entanto está muito bem, parece ter segurança em trabalhar uma personagem. Diana Bullock está bem caraterizada em uma moça feminina mas valente, sensível mas enérgica, gentil mas brigona. Ela tem futuro.

Fernanda Lima apresenta o game show Amor e Sexo, transmitido todas as sextas-feiras pela Rede Globo. Atualmente ela é casada com o simpático ator catarinense Rodrigo Hilbert, um sujeito também esforçado em sua carreira e trajetória pessoal. Rodrigo demonstrou segurança de atuação na novela Três Irmãs, o que poderia ser um incentivo para a companheira não desistir da carreira de atriz. Fernanda e Rodrigo formam um admirável casal e têm dois filhos, gêmeos. Desejo sucesso a esse casal.

ANTIGUIDADES NOS ANOS 80 - O Gato Félix


No revival recente dos anos 80 - que fez a geração pós-78 se relembrar da década de sua infância, a mesma que era condenada ao esquecimento nos anos 90 - , virou mania atribuir como "anos 80" toda uma gororoba de dados e referências que apenas apareciam na televisão da década oitentista. Muito do que era associado aos anos 80 na verdade era coisa bem mais antiga, mas como passava na televisão na época, a petizada de então, nos dias atuais, passou a considerar tudo que lhes era antigo como "anos 80". Se aparecesse o Ford 1928 na TV em 1985, ele seria também considerado "ícone dos anos 80".

Com isso, vieram subprodutos como o evento Festa Ploc e o livro Almanaque Anos 80 da Ediouro, pouco recomendável para quem quer realmente entender os anos 80 (breve eu darei uma bibliografia básica sobre a década).

Para esclarecer os equívocos, é lançada aqui a série ANTIGUIDADES NOS ANOS 80. Prestem muita atenção na palavra NOS, e não DOS, porque são coisas que eram antigas já nos anos 80, portanto, são antiguidades nos anos 80. O primeiro ítem é o Gato Félix, que uma integrante do Orkut insistiu em manter citado na apresentação de sua comunidade sobre os Anos 80.

GATO FÉLIX TEM 90 ANOS

O personagem Gato Félix (Felix The Cat) foi criado nos estúdios de Pat Sullivan, em 1919. Era ainda a época do cinema mudo, os filmes sonoros não passavam ainda de experimentações científicas. Félix foi o mais popular daquela época, com suas histórias surreais e cômicas, e ganhou séries animadas já na fase sonora, nos anos 30. Mas nessa época sua popularidade já havia sido ofuscada com a chegada de Mickey Mouse, de Walt Disney.

Em 1953, Joe Oriolo, ligado à Harvey Communications - que produziu desenhos de Gasparzinho, Popeye e Luluzinha - produziu uma nova série, desta vez aventuras em que Félix se dispõe de uma bolsa mágica, elemento criado por Oriolo. Essa série durou até o início dos anos 60, e os desenhos de Gato Félix que apareceram na televisão dos anos 80 correspondem às temporadas de 1958 a 1960, com dublagem brasileira produzida nos anos 70 pelos estúdios Herbert Richers. Episódios foram redublados nos anos 90.

ALGO FOI PRODUZIDO NOS ANOS 80? - O Gato Félix não teve desenhos animados produzidos nos anos 80. Só no final dos anos 90 episódios mais atuais do Gato Félix, que retornavam à estética e à temática surreal dos antigos desenhos, passaram a ser produzidos.

Os falsos Picassos Falsos


Na foto, a banda carioca Picassos Falsos, que realmente fez fusão de ritmos brasileiros com rock; no entanto, nos anos 90 vários grupos tidos como "roqueiros" apenas se limitaram a fazer ritmos regionais com guitarra grunge e clichês "roqueiros".

Fusão entre rock e ritmos regionais é diluída e fórmula se desgasta nas bandas novas

OBS.: Devido a este texto, recebi e-mail do próprio Luiz Henrique Romanholli, dos Picassos Falsos, elogiando meu texto.

Alexandre Figueiredo
Tributo Flu FM - 21 de janeiro de 2004.

No Jornal Hoje, noticiário de início da tarde da Rede Globo de Televisão, existe um espaço para divulgação de bandas nacionais emergentes, transmitido nas terças e quintas. Na maior parte das bandas divulgadas, existem grupos de diversas regiões do país que fazem uma mistura de ritmos regionais com ritmos estrangeiros, não necessariamente o rock, embora seja em nome dele que ocorre tal mistura.

Todavia, essas bandas já pecam pela pretensão excessiva no rock e pelos ritmos regionais mal explorados, porque se tornaram escravos de uma atitude roqueira que se torna tão vaga e banal, que hoje muitos defendem a "atitude rock" sem saber realmente do que se trata, enquanto muitas coisas tidas como "atitude rock", como o uso de piercings, tatuagens e a prática de esportes radicais, hoje já fazem parte da rotina de muitos ídolos popularescos, os mesmos que são repudiados pelos roqueiros autênticos.

As bandas tentam seguir a cartilha lançada nos anos 80 pelo grupo carioca Picassos Falsos, pelo paulista Fellini e pelo cenário de mangue beat de Pernambuco, influência esta que é a mais predominante entre os grupos emergentes.

Pioneiro na fusão de samba, Tropicalismo, rock e soul music e liderado por Humberto Effe, vocalista e eventual guitarrista, o grupo Picassos Falsos voltou a se apresentar recentemente, depois de mais de uma década extinto e após a tentativa de carreira solo de Effe não ter dado comercialmente certo (apesar de Effe manter no seu único álbum, de 1995, a linha de sua ex e agora atual banda). Um dos clássicos do gênero é o disco Supercarioca, de 1988, segundo álbum da banda e que foi um fracasso comercial na época, embora hoje seja bastante procurado nos sebos de todo o Brasil. O fracasso se deu porque o disco foi considerado difícil para ser divulgado nas rádios. Neste álbum, estava na formação também o baixista Luiz Henrique Romanholi, conhecido como "Minhoca" - não confundir com o paulista Minho K, codinome de outro jornalista, o falecido Celso Pucci, dos 3 Hombres - e que trabalhou no Segundo Caderno de O Globo (ele escreveu até texto sobre o livro A Onda Maldita, de Luiz Antônio Mello).

O grupo paulista Fellini, por sua vez, é liderado pelos também jornalistas Cadão Volpato e Thomas Pappon, que nos anos 80 trabalharam na Editora Abril, respectivamente na revista SET (sobre cinema, até hoje em circulação) e BIZZ (extinta, mas com projeto de volta). Às vezes contando com Ricardo Salvagni e Jair Mattos, noutras apenas como dupla, o Fellini começou como grupo pós-punk para depois fazer uma MPB excêntrica, algo como uma releitura pós-punk da Bossa Nova. Entre idas e vindas, o Fellini se tornou a maior banda cult do Brasil depois dos Mutantes e recentemente tocou no Tim Festival. Para o rock contemporâneo mainstream, trata-se de uma referência raramente evocada.

O cenário do mangue beat pernambucano, atuante desde o final dos anos 80, causou impacto na música brasileira em 1993, através de grupos como Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Chico Science era um personagem peculiar, criativo e inteligente, que no auge da carreira faleceu em um acidente de carro quando ia para a casa do outro músico do NZ, Jorge Du Peixe (que se tornou o vocalista do grupo), em fevereiro de 1997, época em que faleceram dois intelectuais apreciados pelos jovens alternativos de então, o jornalista Paulo Francis e o educador Darcy Ribeiro. Depois de Science, o mangue beat, que era uma mistura renovadora de maracatu, hip hop, rock e outros estilos regionais ou estrangeiros, passou a se dividir em duas tendências principais: a fusão entre música eletrônica e maracatu (Otto, Nação Zumbi) e a concentração nos ritmos tradicionais pernambucanos (Cascabulho, Mestre Ambrósio).

A explosão do mangue beat gerou um problema, na medida em que hoje qualquer região tem uma banda imitando a Nação Zumbi, quase sempre sem a criatividade deste grupo. Até nos condomínios de classe média alta de Curitiba e São Paulo se fazem grupos com "ritmos nordestinos", enquanto que Santa Catarina e Rio Grande do Sul fazem a sua tradução trocando os ritmos nordestinos pelos ritmos dessas regiões.

Esse problema está num certo apego ao rock, que não se vê na prática. As bandas possuem o elemento regional bem mais forte, mas em contradição a isso seus músicos se recusam a assumir a MPB, pelo preconceito de a acharem elitista, como se MPB fosse coisa de cantores solo, de letras de amor ou temáticas urbanas, de baladas românticas com arranjos fusion. Um grande engano. O lado MPB está mais forte nessas bandas, que no entanto ficam com uma atitude burra de se auto-proclamarem "roquenroool", sob o pretexto de seu estilo ter "um pouco de tudo".

Em outros tempos, mais especificamente nos anos 60, grupos musicais jovens que tocam ritmos regionais não admitiam o rock como seu estilo. Com a Tropicália e seus derivados, vieram alguns grupos que até fizeram misturas interessantes entre rock e ritmos regionais, e assumiam a atitude rock com inteligência, sem renegarem a MPB. Atualmente, porém, a situação é até digna de uma anedota.

Imaginemos um concerto de uma banda que toque ritmos nordestinos, como o baião, o maxixe, o maracatu. Seus músicos tocam músicas próprias e também canções de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Quando todo mundo se convencia estar diante de uma apresentação de um grupo da pura e autêntica música nordestina, eis que o vocalista encerra o som, dizendo: "Este show é dedicado ao grande Kurt Cobain, nosso mestre, pelo eterno serviço ao 'roquenrol'. Tamos com você, Kurt. 'Roquenrol', u-huuuu!...".

A MPB carece de novas bandas e o rock, por outro lado, já está saturado de conjuntos "regionais". Quando a mistura vira uma fórmula, um lugar-comum, cansa os ouvidos e desgasta a fórmula, e pode fazer com que as bandas novas desperdicem seu trabalho caindo no esquecimento. Certamente, as bandas não irão gostar de cair no ostracismo, como já ocorreu com grupos como o Jambêndola.

A solução é reforçar o lado MPB, o lado música regional, até porque o lado rock desses grupos híbridos é muito fraco. O grupo gaúcho Ultramen, por exemplo, no seu disco recente, A incrível história do homem que encolheu, provou ser melhor quando toca soul, MPB e reggae, enquanto seu lado rock acabou sendo medíocre, chato. Insistir na tecla do rock nem sempre garantirá o status de vanguarda nessas bandas. E será melhor elas assumirem a MPB, antes que a MPB vire refém de breganejos e pagodeiros pedantes.

CINCO ANOS DEPOIS

Alexandre Figueiredo - 16.10.2009

Passados cinco anos, o mercado roqueiro está em baixa e, vendo as coisas à distância, compreende-se que não apenas grupos jovens que tocavam baião e samba se disfarçavam de "roqueiros" para entrar nas ditas "rádios rock" (as tais "Jovem Pan 2 com guitarras, não mais as rádios autenticamente rock, desaparecidas anos antes), que na época era o maior referencial para o mercado de música jovem.

Aliás, não apenas as bandas emergentes de música regional se fantasiavam de "roqueiras", colocando uma "muralha de guitarras" inspirada no grunge ou apelando para clichês "roqueiros", que, dependendo do caso, poderia ser até mesmo usar uma camiseta com frase em inglês. Até bandas de funk autêntico, da linha KC & The Sunshine Band, se fantasiavam de "rock" copiando mal alguns clichês inspirados nos Rolling Stones e Led Zeppelin.

Por isso vieram uma enxurrada de bandas que prometiam um "rockão" misturado com ritmos regionais, na tentativa de unir guitarras e brasilidade, mas só faziam ritmos regionais quase puros, apenas com alguma guitarra elétrica e uma atitude "cosmopolita" de seus integrantes. Nada que lembre as experiências que Picassos Falsos, Fellini, Black Future, ou mesmo nos músicos oitentistas que fariam o mangue beat na década seguinte, que realmente misturam rock com ritmos regionais dando peso igual para ambos.

Nos anos 90, grupos como Jambêndola e até mesmo Farofa Carioca e Funk'n'Lata tentaram embarcar no rótulo "rock", visando ingressar no mercado radiofônico e daí entrar na MTV. E abriu caminho para um monte de bandas com essa atitude, todas fazendo mais ritmo regional que rock, mas presas a uma "atitude rock" que eram obrigadas a perseguir para sobreviver.

O extremo disso tudo ocorreu não com uma banda emergente, mas com um grupo já veterano no sucesso comercial, o Jota Quest. Surgido como J. Quest, o grupo teve que mudar o nome devido a uma ação judicial dos representantes da Hanna-Barbera Productions, já que o antigo nome aludia a Johnny Quest. Originalmente, o Jota Quest era o KC & The Sunshine Band brasileiro, menos criativo que a banda de Harry Casey, porém era honesto e sincero na atitude soul.

Só que o Jota Quest passou a ser empresariado pelo ex-surfista Ricardo Chantilly (o mesmo que coordenou a fase decadente da Fluminense FM) e investiu numa pretensão "roqueira" que tornou o grupo bastante ridículo, com o guitarrista enchendo os braços de tatuagens e a banda, como um todo, exagerando na pose. No som, porém, o máximo que eles conseguiram chegar foi na imitação da fase recente do Lenny Kravitz, que já não fazia mais aquela brilhante fase inicial com seus discos mixados à maneira dos anos 70.

Com a diluição do radialismo rock feita pelas emissoras Rádio Cidade (RJ) e 89 FM (SP), o mercado roqueiro declinou a quase zero. O que as duas rádios fizeram de erros desmoralizou o segmento, abrindo o caminho para a penetração da música brega-popularesca no mesmo público jovem de classe média que a odiava. Produtores da Rádio Cidade, aliás, migraram para o "funk" e os da antiga "rádio rock", dos mesmos donos da Nativa FM, migraram para o breganejo.

Com isso, acabou também o fenômeno das bandas de ritmos regionais disfarçadas de "rock". A essas alturas, o ex-Farofa Carioca, Seu Jorge, transformou-se num discípulo de Jorge Ben Jor e o grupo Falamansa fez os grupos de baião perderem a vergonha de se assumirem como tais em vez de fingir que são roqueiros.

A música que os homens sisudos não podem mais curtir


Ainda sobre o comportamento dos cinquentões sisudos, os tempos atuais indicam que eles a cada dia terão que se adaptar, até radicalmente, às mudanças, praticamente abandonando aquilo que eles aprenderam no começo de suas vidas profissionais. Não dá mais, por exemplo, para usar aquele mesmo conjunto de calça, cinto, meias (de nylon) e sapatos (de verniz) pretos em qualquer ocasião, mesmo em almoços como o do Yate Clube ou da sociedade de sua categoria profissional.

Os cinquentões que têm esposas mais jovens sofrem ainda mais as cobranças de mudanças. Eles não vivem mais no tempo do Jacinto de Thormes, quando as trintonas eram consideradas "coroas". A trintona de hoje está mais próxima das "garôtas" do Alceu Penna adaptadas à era da MTV, do que à mulher de trinta do samba de Luiz Antônio e cantado por Miltinho.

No gosto musical, os homens sisudos até tentaram desprezar Elvis Presley e Beatles, em nome de uma maturidade para impressionar seus antigos mestres. Os homens nascidos entre 1950 e 1955 tentaram se comportar como se tivessem nascido nos anos 1940, talvez para impressionar colegas mais velhos ou mestres ainda vivos. Mas a pressão social sobre eles, contemporâneos de gente bem mais jovial, os faz adotarem maneirismos que, embora não causem ruptura brusca com os referenciais sisudos de outrora, os façam menos constrangedores na sociedade.

Dessa forma, eles hoje preferem adotar como referenciais as músicas românticas de jazz - sobretudo Ella Fitzgerald, Nat Cole e Louis Armstrong - , os standards de Hollywood (sobretudo Frank Sinatra e Tony Bennett), cantores romântico-orquestrais em geral (Charles Aznavour, Dionne Warwick), operetas populares da linha Domingo-Carreras-Pavarotti e, quando muito, as baladas gravadas por Beatles e Elvis, tipo "Hey Jude" e "Love me Tender". Mas, estranhamente, na música brasileira eles só falam em Tom Jobim, porque, apegados ainda ao estilo "clássico", temem que seu gosto pela MPB seja confundido com o de muitos jovens. Daí usarem um referencial que, embora atemporal (Tom é apreciável para qualquer jovem, sim), é considerado uma tradição respeitável.

Mas muitos nomes que simbolizavam a "elegância" e o "bom gosto" musical foram abandonados, até porque de uma forma ou de outra eles se tornaram hoje bem cafonas. Curtir Júlio Iglesias, por exemplo, é muita covardia, já que na sua aparição recente no Brasil ele foi cumprimentado pelos cantores bregas Zezé Di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó e Alexandre Pires. E Kenny G, de tão meloso, só é visto como "sofisticado" em cidades dominadas pelo coronelismo. Mas outros que não passaram por tal situação também se tornaram arriscados para o repertório apreciativo dos sisudos born in the 50's por outros aspectos. Aqui vai a lista dos principais deles:

MANTOVANI E SIMILARES - Orquestras cuja música era considerada, outrora, como "músicas ligeiras" (nos anos 30 e 40, por serem peças semi-eruditas de curta duração) e, depois, como musak, eram a trilha-sonora ideal para as festas granfinas dos anos 60 e 70. Mas tornaram-se antiquadas depois que o "Som da Filadélfia", movimento de soul music orquestrada, sobretudo por músicos como Barry White, anteviram a agitação da disco music e transformaram a antiga música orquestral em algo deprimente e sem graça. Maestros como Mantovani, Paul Mauriat, Billy Vaughn e Frank Pourcel caíram no esquecimento.

RAY CONNIFF - Ele também foi um maestro de musak, mas buscou um apelo pop que era considerado moderno na década de 60, mas hoje ele também é considerado piegas, cafona, ultrapassado.

JOHNNY MATHIS - Ele se lançou como um cantor de standards, algo como um Frank Sinatra mais mulato. Seu talento é inegável como cantor romântico dos EUA, e ele tem até hoje uma legião de fãs fiéis. Mas ao declarar sua opção sexual, a mesma do Elton John, ele se tornou muito arriscado para ser um símbolo de música granfina para os homens sisudos.

BARRY MANILOW - Nos anos 70, ele era a esperança dos homens sisudos. Era também a dos granfinos mais velhos que, comemorando por revanchismo o declínio da Contracultura, viram nascer um então ídolo jovem com jeitão de granfino. Este foi Barry Manilow no início de carreira, apto a gravar até disco music ("Copacabana"), se for preciso. Mas até ele caducou e, o que é pior, o mulambento Alice Cooper gravou duas músicas (entre elas "I Never Cry") com o nível de pieguice não muito distante do engravatado crooner. E desde que o Brasil lançou seu equivalente de Barry Manilow, Fábio Jr., e este se tornou o ídolo das empregadas domésticas, não é boa idéia os sisudos creditarem o cantor norte-americano como símbolo de refinamento e elegância.

MANOLO OTERO - O concorrente mais refinado do chique mas popular Júlio Iglesias, Manolo Otero, lançou-se como o símbolo máximo de toda a assepsia granfina da música romântica, caprichando nos paletós, na pompa orquestral, na super produção e em todo o luxo no espetáculo. Mas Manolo Otero era tão chique, mas tão chique, que se tornou cafona por causa disso. Verdadeiro brega-chique.

É ASSIM QUE TEM QUE SER


Quem tem uma esposa bem mais nova paga seu preço de ter que se adaptar ao estilo de vida e aos referenciais dela. Sobretudo para quem nasceu na década de 1950, num Brasil pré-moderno, e aos 20 anos aprendeu todo um estilo de comportamento e vestuário adultos que hoje terá que abandonar completa e radicalmente.

Depois que criticamos o uso de sapatos do diretor de elenco da Rede Record, Eduardo Menga, eis que ele apareceu de camisa colorida e tênis ao lado da atriz Bianca Rinaldi, sua esposa e, junto a ele, mãe de duas gêmeas. É até um avanço homens como ele usarem tênis não apenas nas caminhadas na orla ou em passeios turísticos, pois nesta foto ele estava no Festival do Rio, um evento sobre cinema. A foto foi publicada na revista Caras.

É evidente que a natureza não dá saltos e os homens mais maduros ainda mantém certas frescuras, como não pintar os cabelos nem fazer lipoaspiração. Aí, tudo bem, apesar da caretice visual. Mas o jeito é adaptar o visual com roupas mais joviais, com caminhadas que pelo menos façam reduzir em parte a barriga, e moderar na alimentação. Pelo menos Lulu Santos - que tem a mesma idade do Eduardo Menga - adapta seu perfil grisalho com um estilo de vida que foi sempre jovial.

A adaptação jovial dos cinquentões - que, sobretudo os que se casam com mulheres mais jovens, NÃO podem se comportar como "coroas puros" - , além de evitar o constrangimento de outras pessoas com o contraste entre um "coroa maduro" e uma moça moderna e jovial, faz com que o cinquentão de hoje não entre em choque com o jovem que ele era há mais de 30 anos. No caso do Eduardo Menga, deve-se inferir que ele, aos 25 anos, tinha o porte físico do humorista Marcelo Adnet, uma das revelações da atualidade.

Eduardo Menga ainda está no começo, sugiro que ele, sem prejuízo para a concorrência televisiva, comece a se entrosar com o apresentador Serginho Groisman, da Rede Globo, que com seus 59 anos sempre manteve a jovialidade em dia.

É bom lembrar que um cinquentão (ou quarentão, sessentão, setentão etc.) ser marido de moças mais jovens causa constrangimento em muitas pessoas da geração dessas moças, e isso pode prejudicar o próprio cinquentão que ainda acredita na velha seriedade (des)comedida, na antiga "superioridade elegante" dos anos 70, do semblante cansado, dos sapatos engraxados, do gosto musical "romântico-orquestral".

Essa superioridade, que causava muito orgulho até uns anos atrás, já não é bem vista sequer pelos colunistas sociais, mesmo os que antes cortejavam pessoas assim. Virou sinônimo de arrogante sisudez, de estilo antiquado, forçado, falso. Em tempos que as colunas sociais são cheias de atores de bermudão e tênis, não dá para os homens maduros adotarem o mesmo figurino "elegante" de 1974. É fazer os colunistas sociais passarem vergonha, com tamanhas cartas criticando a antiga elegância (hoje funcionalmente uma falta de elegância) de ternos, gravatas e sapatos de verniz usados fora de contexto. Até Hildegard Angel hoje está mais pop.

Os tempos mudam e não dá para o cinquentão de hoje se espelhar no quarentão de 35 anos atrás. Se espelhar nos gerentes de hotéis cinco estrelas de seriado norte-americano não dá!! Lançar romance no Programa do Jô vestindo terno preto (pode ser marca Hugo Boss, Casa José Silva, Alfred ou qualquer outra) é indamissível. A não ser que o cinquentão seja casado com uma mulher bem mais velha, aí qualquer sisudez é justificável.

Até agora o publicitário Roberto Justus e o oftalmologista Almir Ghiaroni, também casados com mulheres mais jovens, demonstraram um comportamento mais adequado para maridos de, respectivamente, Hebe Camargo e Lily de Carvalho. Não é hora deles se mexerem também?