quinta-feira, 15 de outubro de 2009

REPROVAR O "FUNK" NÃO É ATO DE ELITISTAS, NÃO!


Ruth de Aquino, em artigo da Revista Época (que certamente destoa da linha editorial da publicação, das Organizações Globo, tradicionalmente pró-funqueiros), descreve que as críticas negativas relacionadas ao "funk" não podem ser consideradas atos elitistas. Ela descreve o caso de uma manicure, que vive na favela, que fica preocupada quando a filha desta vai para um "baile funk", sobretudo de roupas sexualmente apelativas. Aqui está o texto, extraído dos blogs Anti-Funk e Diga Não à Erotização Infantil:

Minha manicure vive na Rocinha. É mãe de uma menina de 9 anos. Perguntei o que ela acha da lei que torna o funk um movimento cultural.

“Cultura? É obscenidade, isso sim. Aqui em casa meus filhos estão proibidos de escutar ou cantar funk. As letras são pornográficas. Fico impressionada com mãe que deixa a filha ir nos bailes, de shortinho, top, tudo de fora, sainha sem nada por baixo. No fim dos bailes, todo mundo doidão, porque tem droga livre, botam funks pesados. Tem baile de domingo pra segunda até 7 horas, como se ninguém trabalhasse.”

Quem vai reprimir, no Rio, os bailes que fazem apologia do tráfico e da pedofilia?

Queria ver os intelectuais do asfalto morando ao lado de uma quadra com o pancadão varando a madrugada. Se a elite tem direito à Lei do Silêncio, por que os pobres têm de ficar surdos?

Para proteger minha amiga, não posso publicar seu nome. Todos têm medo. Mas, não é cultural? Quem desvirtuou o funk foram os chefes dos morros, não a sociedade civil. Eles se apropriaram de um ritmo legítimo. Hoje, muitos favelados associam funk a bandidagem.

Injusto generalizar. Mas quem fala não é elite. É mãe, trabalhadora, sem coragem de apoiar publicamente a repressão aos bailes. Qual seria o resultado de um plebiscito anônimo nas favelas?

Algumas músicas, vendidas em CDs por camelôs ou tocadas nas ruas, me foram enviadas por moradores de favelas. As letras são chulas, baseadas em estribilhos. Aí vai um exemplo: “Ela vira de frente e vem assim,…Vem x…eca, vem x…eca, bem gostosinho. Ela vira de costas, ô, empina pra mim, ô e vem assim. Vem c…inho, vem… (voz de menina) Você quer meu c…? Você quer minha b…?” (repetida ad nauseam). O funk diz sofrer o preconceito que o samba já enfrentou. É sacrilégio comparar o samba com letras de mulher-fruta e créééu.

O TEXTO COMPLETO ESTÁ DISPONÍVEL NESTE LINK.

TESTE PARA COMPARAR DISCURSO E REALIDADE


Preste atenção à figura acima e tente associar o texto abaixo a ela. O texto corresponde a um típico argumento de um intelectualóide defensor do "funk":

"Funk carioca. Linda rebelião. Bela música, bela cultura, criativo caleidoscópio cultural das favelas brasileiras, é também a corajosa manifestação do povo pobre, em busca de dignidade. Rompendo padrões moralistas rígidos e injustos, derrubando os muros férreos do preconceito, os alegres funkeiros mostram sua vez e sua voz, sempre em favor da cidadania e da cultura popular. Discriminados pela mídia, eles lutam por seu lugar na MPB, e a riqueza poética e intuitiva do funk mostra que até a mulher é valorizada. São lavadeiras, babás, domésticas, estudantes, todas dando sua voz pela cidadania. O que mostra o quanto o ritmo carioca valoriza os excluídos, incluindo os trabalhadores, incluindo as mulheres".