domingo, 11 de outubro de 2009

MICHELLE TRACHTENBERG FAZ 24 ANOS HOJE


Beleza deslumbrante. Perfeição da cabeça aos pés. Um poema em forma de mulher.

Todos os parabéns e tudo de bom para essa mulher fascinante.

MAL-ENTENDIDOS DA MÍDIA GORDA


Fernanda Souza, atriz.

SÉRGIO MURILO FOI "REI" ANTES DE ROBERTO CARLOS


Não dá para entender por que a mídia prefere se dedicar mais aos retardatários da Jovem Guarda (salvo os medalhões) do que os pioneiros.

Preferem falar de Paulo Sérgio, Odair José, Luís Ayrão e Evaldo Braga, enquanto desprezam Ronnie Cord, George Freeman e sobretudo Sérgio Murilo.

Sérgio Murilo (1941-1992) foi o rei da música jovem bem antes de Roberto Carlos. O cantor capixaba mais popular do país começava sua carreira, entre Bossa Nova, bolero e esboços do som da Jovem Guarda (termo que veio de 1964 da mente do publicitário Carlito Maia com base numa declaração do comunista Lênin). Mas, antes de 1963, Roberto Carlos não tinha sequer um quarto do sucesso que tinha hoje, embora seu potencial fosse evidente e seu talento fosse notável. Embora renegado pelo próprio cantor hoje em dia, Louco por Você, LP de 1961 de Roberto Carlos, é bem melhor do que muitas baboseiras que ele gravou nos anos 80 e 90.

Mas falando sobre Sérgio Murilo, ele é que era o rei da juventude musical brasileira, e seu sucesso "Marcianita" (de 1959) até foi gravado, anos depois por Caetano Veloso em sua fase tropicalista.

E um recado para a novíssima geração emo do Cine: se esses garotos têm uma música chamada "Garota radical", Sérgio Murilo já havia lançado em 1960 uma música com o mesmo tema, "Broto Legal", que aliás era o equivalente de "Garota radical" no jargão coloquial da época.

Apesar de bobinha e um tanto ingênua, "Broto Legal" é uma canção simpática e divertida, dentro daquele padrão do rock brasileiro principiante daquela época.

O POEMA DE LEILA DINIZ


A atriz Leila Diniz (1945-1972), natural de Niterói, era uma figura peculiar. Unia o temperamento enérgico de Áries com uma graciosidade e um senso feminino inigualáveis. Falava palavrão e foi visada por isso, mas não era o esporte dela ser "desbocada". Ela falava palavrão sem compromisso, era sensual sem pretensões, era feminista não por militância política - atividade que não entusiasmava muito a atriz - , mas porque seu senso de liberdade a fazia buscar espaços próprios, apenas porque queria, por gosto. Por isso é que, em vida, Leila Diniz foi vista como alienada e grosseira, mas, depois do seu falecimento, num desastre aéreo, foi exageradamente vista como "militante feminista" (no sentido político do termo), dando a impressão de que todos os atos que marcaram a trajetória delas foram calculados feito um plano de guerrilha.

Por isso Leila foi mal compreendida na vida e na morte, sem que sua personalidade peculiar fosse apreciada por muitos. Só poucas pessoas com senso crítico e observação aguda é que sabem que Leila foi diferente não pela suposta militância, mas pela sua personalidade original e avançada. No ano de sua morte, minha família se instalou em Niterói, na verdade no bairro de Neves, em São Gonçalo, coladinho com o bairro niteroiense do Barreto.

Uma curiosidade em torno de Leila é que ela chegou a escrever poemas, além do famoso diário (que teve um texto incompleto devido ao desastre aéreo). Um deles, "Brigam Espanha e Holanda", originalmente sem título, é de um lirismo gracioso que soou estranho quando recitado com solenidade enérgica no filme Leila Diniz (1987), de Luiz Carlos Lacerda, à maneira de muitos recitais de poemas de Carlos Drummond, Cecília Meirelles e outros. Isso porque o poema, embora fale da "briga" de Espanha e Holanda pelo mar, é de uma doçura impressionante.

Aqui está o poema da belíssima e saudosa Leila:

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar.