segunda-feira, 5 de outubro de 2009

BETH GOULART


Uma das poucas solteiras de nosso país, a belíssima atriz Beth Goulart (filha do grande casal Paulo Goulart e Nicete Bruno, ambos excelentes atores), é uma gracinha que nem parece ter 48 anos de idade.

Mas ela também é uma mulher inteligente e sofisticada como poucas, e, ambiciosa, pesquisou toda a trajetória e obras da escritora Clarice Lispector (1920-1977) para escrever, dirigir e interpretar a grande autora, expoente da geração de 1945 (considerada por muitos como a segunda geração modernista brasileira). Desse esforço todo resultou a peça Simplesmente eu. Clarice Lispector, em cartaz no Rio de Janeiro.

AC/DC FAZ OS BRASILEIROS CORREREM ATRÁS DO ROCK AUTÊNTICO


E ainda tem gente que pensa que o poser metal é "rock clássico".

Felizmente, não é o que pensam os muitos fãs de rock autêntico que compraram a maioria esmagadora dos ingressos para a apresentação do grande grupo de rock pesado da Austrália, AC/DC, um dos mais respeitáveis grupos de rock clássico, fundamentais para as rádios autenticamente rock do país.

É uma prova que o público brasileiro de rock está com fome e sede de rock de verdade, e quando tem dinheiro aproveita a chance de ver uma das bandas mais íntegras de rock, com 36 anos de estrada e com o mesmo pique de sempre.

O AC/DC, liderado pelo guitarrista Angus Young, é livremente influenciado pelo Led Zeppelin e faz um rock pesado básico com tamanha coerência artística que nem a mudança de vocalistas, do falecido Bon Scott ao atual Brian Johnson, ambos excelentes, conseguiu desvirtuar o estilo da banda, firme na sua criativa simplicidade roqueira.

"Funk" pode "apunhalar" a esquerda a qualquer momento


A julgar pela mensagem de um defensor do "funk carioca", pouco preocupado em defender a esquerda brasileira, e feliz porque está do lado de "conservadores inteligentes", a tendência que o ritmo carioca terá a qualquer momento está em consonância com a tendência da grande mídia, mesmo a "mídia fofa", que se unirá a uma frente ampla direitista, preparando as campanhas para 2010.

Quando lhe convinha, o "funk carioca" usou a esquerda para vender a imagem de "movimento social", para seduzir desde políticos esquerdistas até intelectuais e artistas mais engajados. Obtida essa vantagem, o "funk carioca" poderá, daqui a pouco tempo, dispensar o apoio esquerdista, uma vez que seu acesso na grande mídia é agora totalmente garantido. Mais ou menos como o direitista dublê de radiojornalista Mário Kertèsz fez em Salvador, tentando atrair o apoio da esquerda baiana para obter vantagens e depois traindo violentamente os esquerdistas baianos que, sem ter a fibra crítica dos gaúchos, ainda indagam o porquê da Rádio Metrópole e seu astro-rei se voltar contra eles.

Se a "mídia fofa", a facção "boazinha" da mídia grande, já está com apetite direitista (o Canal Livre da TV Bandeirantes entrevistou uma vez o Cabo Anselmo, antigo pivô do Golpe de 1964, para ver se despertava no público o mesmo sentimento direitista que os avós de Johnny Saad, dono do Grupo Bandeirantes, despertaram na população há 45 anos com as marchas Deus e Liberdade), imagine então todos aqueles que se envolvem de alguma forma com eventos de entretenimento e informação ligados às elites que cercam a grande mídia como um todo.

Além disso, o "funk" se prepara para sobreviver a um Brasil "tucano", vendo que a mídia toda quer um pessedebista novamente no Planalto. Os empresários do brega-popularesco, todos eles, também querem, até porque foram favorecidos politicamente pelos dois governos de Fernando Henrique Cardoso e pelos políticos direitistas que respaldavam o governo.

Aliás, toda a história da música brega, de Waldick Soriano ao MC Créu, passando por axezeiros, breganejos, sambregas etc, envolve sempre o apoio das forças políticas mais conservadoras, as mesmas que apoiaram a ditadura militar e reprimiram os mais diversos movimentos sociais.

Aliás, tanto faz para os funqueiros se aliarem hoje às forças que condenam os movimentos sociais (dos sem-terra, dos operários, dos estudantes e outros realmente oprimidos). Até porque o único movimento social que os defensores do "funk" enxergam é o deles mesmos.

"Funk" busca título de "patrimônio" por vias políticas


O que poucas pessoas perceberam nessa campanha dos empresários e dirigentes do "funk carioca" é que o processo que as autoridades fazem para transformar o ritmo carioca em "patrimônio cultural" acontece por vias políticas, e não técnicas. Tanto isso é verdade que, a título de eufemismo, os oligarcas do "funk" preferem divulgar que o ritmo é reconhecido como "movimento cultural" e não "patrimônio", classificação esta que eles preferem difundir para a imprensa marrom, que não faz diferença entre coco e cocô.

O verdadeiro título de patrimônio cultural se consegue por vias técnicas, a partir de uma pesquisa aprofundada feita por cientistas sociais sérios, que recolhem dados históricos, manifestações, testemunhos orais de quem viveu essa manifestação, ou então descendentes de quem viveu tal evento. É uma pesquisa séria, criteriosa, crítica, questionativa, documental. Leva muito tempo, por isso os burocratas da política brasileira nem gostam de apelar para esse recurso na hora de recuperar praças e prédios históricos.

Na Praça 15, no Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Alencar não consultou historiadores nem outros cientistas sociais e preferiu reformar a praça num estilo imitação de colonial - que os arquitetos já chamam de pseudo-colonial - , isolando o terminal de ônibus da Av. Alfred Agache sob um túnel escuro chamado "Mergulhão", enquanto a praça propriamente dita é reduzida a uma "paisagem de consumo", ou seja, uma praça feita para turista ver, descaraterizada no sentido verdadeiramente historiográfico.

Mas aí os defensores do "funk" vão dizer que o ritmo "também" é estudado por cientistas sociais, pessoas são entrevistadas, material é colhido, e tem até um antropólogo em cartaz na mídia, que é o Hermano Vianna.

Só que essas atividades todas não integram qualquer plano científico de estudo patrimonial. Em primeiro lugar, são iniciativas isoladas que apenas temperam a retórica de certas tendências intelectuais que fazem apologia ao "funk".

Em segundo lugar, está muito mais claro que o projeto de transformar o "funk" em patrimônio é puramente político, bastando apenas uma votação parlamentar. Tudo isso é deixado evidente através dos fatos. O que prova definitivamente a fragilidade artística do horrendo ritmo carioca, que depende do apoio dos políticos e da grande mídia para se perpetuar.

Nenhuma música autêntica necessita desse lobby para ter credibilidade. A música de verdade fala por si mesma. Já o "funk" precisa "falar" através do poderio da grande mídia.

BELO PENSA QUE É SAMBISTA


O cantor de neobrega Belo, em entrevista recente ao Terra Diversão, afirmou que aposta na linha "romântica" que é, segundo o cantor, que mais dá certo para ele desde que ele saiu da banda de sambrega Soweto.

No entanto, Belo aproveitou a deixa para fazer marketing da rejeição, afirmando que nos anos 90 sofria "muito preconceito" com sua banda. Pura desculpa essa do "preconceito", feita por todo o brega-popularesco, dos antigos bregas aos funqueiros atuais, para levar vantagem na sua mediocridade musical.

Além disso, Belo pegou carona na revalorização do samba e tentou se nivelar ao lado de nomes autênticos como Diogo Nogueira e Arlindo Cruz, para se autopromover.

Sabemos, no entanto, que o som do Belo quase nada tem a ver com o verdadeiro samba. Da mesma forma que o Alexandre Pires, Waguinho, Rodriguinho, Netinho de Paula e outros similares.

Todos eles, na verdade, fazem o mesmo que os breganejos Leonardo e Daniel, todos naquela linha brega-romântica de Fábio Jr., Wando e José Augusto, e, indo mais para trás, de Fernando Mendes, Gilliard e Odair José. Apenas há um disfarce "regional", o que significa que Leonardo e Daniel fazem música brega disfarçada de "música caipira", e Belo e Alexandre Pires fazem música brega disfarçada de "samba". É só macaquear o que estrangeiros como Alejandro Sanz, Bobby Brown e Akon fazem e, dependendo da tendência, botar viola caipira ou cavaquinho em cima.

Por outro lado, o samba autêntico se revaloriza por sua força natural, apesar das gozações da mídia ao cantor Zeca Pagodinho ou de ataques reacionários de mau gosto contra simpatizantes do ritmo, como Maria Rita Mariano.

A própria mídia grande impõe dificuldades para a divulgação do samba autêntico, o que mostra que nomes como Diogo Nogueira (filho do também sambista João Nogueira, já falecido) e Arlindo Cruz conseguiram credibilidade com muito esforço e coragem.

A situação do samba, apesar de ser patrimônio cultural autêntico, reconhecido pelo IPHAN, é mais dramática do que se imagina, porque há pouco espaço para o ritmo nas rádios, que não tocam mais de quatro sambistas autênticos por temporada (o que faz com que, por exemplo, para um Arlindo Cruz aparecer nas rádios, Dudu Nobre tem que cair fora).

Não bastasse isso, o samba tem seu carisma usurpado por farsantes, péssimos sambistas, seja o sambrega da região Sudeste, seja o porno-pagode da Bahia, herdeiro da linha pós-Tchan do Harmonia do Samba (hoje convertido para o sambrega).

Por isso que querer separar o joio do trigo nada tem a ver com preconceito. Tem a ver, pelo contrário, por uma consciência crítica que não favorece os ídolos da mediocridade musical.

ROQUETTE PINTO FM IGNORA ACERVO MUSICAL E NÃO ACEITA CRÍTICAS


O amigo Marcelo Delfino, no seu blog Brasil, Um País de Tolos, publicou um texto com base em um incidente comentado na comunidade Dial do Rio de Janeiro.

Trata-se do desprezo da emissora carioca 94 FM, ou Rádio Roquette Pinto FM, ao seu próprio acervo discográfico, cheio de relíquias e raridades, não fazendo seleção alguma de canções que exaltam, de uma forma ou de outra, o Rio de Janeiro, cidade escolhida para ser a sede das Olimpíadas de 2016.

Ouvintes como Ignácio, Lúcia e Hugo reclamaram em e-mails, meses atrás, da apática seleção musical da Rádio Roquette Pinto e a presidente Eliana Caruso, irritada, mandava respostas acusando os ouvintes de conspirarem contra a emissora.

A emissora não aproveita seu grande acervo fonográfico sequer para digitalizar as gravações para tocar na emissora ou pôr na Internet. A emissora não atende a essa necessidade, que é de interesse público, achando que só aquilo que ela faz - uma programação "AM educativa" apática - é de interesse "do ouvinte" e que qualquer crítica negativa soa como uma "conspiração" contra a emissora.

Só que a Roquette Pinto FM não pode falar em conspiração, até porque sua audiência é uma das mais baixas no Estado do Rio de Janeiro. Essa desculpa da cúpula da emissora é coisa de servidor público mal humorado que acha que só deve fazer o que é obrigado, sem usar a criatividade para fazer um serviço melhor.