domingo, 4 de outubro de 2009

Auto Viação 1001 serve mal a linha 740D


A Auto Viação 1001 sofre os efeitos do inchamento, não só da empresa como do grupo empresarial.

Integrante do grupo JCA, junto a Viação Cometa, de São Paulo, e Auto Viação Catarinense, de Florianópolis, o complexo empresarial que incluiu também outras empresas (conta-se que a Viação Macaense já saiu do grupo) se viu numa situação difícil com o falecimento, num desastre de carro, do fundador da 1001, Jelson da Costa Antunes (que deu suas iniciais ao grupo empresarial).

A 1001 sofreu os mais duros efeitos. Com um ritmo mais lento de renovação de frota, a empresa, que era de comprar muitos carros novos, chegou a limitar a remessa do modelo CAIO Apache VIP II a um único carro, algo impensável para uma empresa deste porte e com uma frota enorme. A 1001 atua em seis Estados, todo o Sudeste brasileiro mais Paraná e Santa Catarina.

O risco de decadência da Auto Viação 1001 - empresa, até pouco tempo atrás, de alto conceito - se reflete, em Niterói, através de duas linhas: MB26 Niterói X Araruama e 740D Charitas X Leme. Esta última não é propriamente uma linha da 1001, já que segue a fórmula "Dona Flor e Seus Dois Maridos" do sistema de "pool", estratégia de transporte coletivo que ilude passageiros, acomoda políticos e enriquece empresários.

A MB26 chega a ser vergonhosa se observarmos que a Viação Nossa Senhora do Amparo, de Maricá, coloca carros rodoviários de ponta na linha 585R Niterói X Itaipuaçu, se lembrarmos que Itaipuaçu é um bairro de Maricá não muito distante ao bairro de Itaipu, em Niterói. E os ônibus rodoviários contam com ar condicionado sempre ligados e, se não são todos novos, sempre contam com um estado de conservação excelente.

A 1001, de Niterói para Araruama, coloca carros mais antigos da Busscar Elbuss Scania que circulam com ar condicionado desligado e já apresentam um jeitão de ônibus de sacoleiros. Mas mesmo nos rodoviários que servem as linhas 996 Charitas X Gávea e 998 Charitas X Galeão, já foram observados problemas como o gradeado quebrado da tampa do motor e uma poltrona quebrada.

Mas a linha 740D mostra um dado cruelmente curioso. A 1001, que parece não estar à vontade na linha que liga o bairro niteroiense de Charitas ao bairro carioca do Leme, passando por parte de Copacabana, atua na linha com quase todos os carros já antigos, e, mesmo tendo a frota de rodoviários como carro-chefe, não é a 1001 que contribui com rodoviários na 740D, mas a Empresa de Transportes Braso Lisboa, que nunca teve antes uma frota de rodoviários e só criou uma frota especialmente para operar nesta linha.

A solução para o inchamento da Auto Viação 1001 deveria ser a saída da empresa das linhas urbanas de Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu e Macuco, que operam com carros velhos, além da saída urgente da linha 740D, que poderia muito bem ser operada apenas com a Braso Lisboa, que leva vantagem no serviço desta linha. Também deveria repensar as linhas rodoviárias, até porque passou a assumir novas linhas, como do Rio de Janeiro para São José do Calçado e Pureza.

MERCEDES SOSA


Embora eu não seja um fã da música cantada pela argentina Mercedes Sosa (mas meus pais são grandes fãs dela), sempre respeitei seu talento, reconhecendo nela uma das grandes intérpretes da América Latina. Não era compositora, mas sempre gravou compositores de qualidade e sempre se cercou de bons músicos. Foi uma das mais íntegras artistas e também foi uma das mais expressivas porta-vozes da canção de protesto nos anos 60 e 70, quando a América do Sul, incluindo a Argentina e também o Brasil, sucumbiu a várias ditaduras militares, cometendo crimes contra os direitos humanos.

Mercedes faleceu de doença hepática hoje de manhã, aos 74 anos. Teve uma carreira de 60 anos e muitos discos. Gravou com os brasileiros Raimundo Fagner e Milton Nascimento. Fez um tributo à falecida cantora e compositora chilena Violeta Parra, em um disco de 1971, gravando as famosas canções "Gracias a la vida" e "Volver a los 17" (que em 1976 gravou em dueto com Milton, num LP deste).

A morte dela deixa tristes e órfãos muitos fãs, mas o carisma de Mercedes Sosa e a força de seu talento musical permanecem vivos, deixando muitas sementes para futuros artistas que se interessem na autêntica música andina.

MÚSICA QUE PERMANECE


Parte da juventude até tentou desqualificar estes dois grandes grupos de rock.

A "galera toda da balada" (ugh, que gírias horríveis!!) tentou fingir que os Beatles nunca existiram ou são coisas de "velhos". Alguns engraçadinh0s até perguntaram se havia um DJ nos Beatles para ver se o grupo tinha realmente importância.

Já os fãs, fanáticos e intolerantes, do "engajado" Charlie Brown Jr., tentaram desqualificar a Legião Urbana, num esforço vão de mandar o grupo brasiliense para o poço do esquecimento. Usaram como pretexto o fato de Renato Russo ter gravado música italiana e disseram que a poesia dele era melosa e antiquada. Na última hora, porém, o grupo do Chorão teve que regravar "Baader-Meinhof Blues" para fazer sua parte entre os caronistas dos anos 80 (esses da febre "Ploc 80", que não enxergam diferença entre Ira! e Absyntho e acham que aquele desenho do Gato Félix de 1958-1960 é "puro anos 80").

Mas os cinquentões granfinos ou semi-granfinos, sobretudo a safra 1950-1955, que estão casados com moças da safra 1970-1977, também tentaram desqualificar os dois citados grupos:

Esses senhores, a princípio, tinham o maior medo de ouvir Beatles, assim como Elvis Presley, por esses coroas de primeira viagem (que ouviram Led Zeppelin aos 18 anos mas hoje juram que Glenn Miller Orchestra é o "som de sua geração") acharem que tais intérpretes faziam roquinho infantil. Em última hora tiveram que aceitar Elvis Presley, mas só baladas - música lenta, hein, "galera da náite"? - tipo "It's Now or Never" e "Love Me Tender" ('Jailhouse Rock", nem pensar, e "Marie's The Name" foi tocada pelos Smiths). Aliás "It's Now or Never" é versão da música italiana "O sole mio", de Giovanni Capurro e Eduardo di Capua. E tudo que é italiano interessa a esses coroas, que na sua obsessão pelo antigo - apesar de suas esposas jovens - tratam o centro histórico de Roma como se fosse sua Disneylândia.

Aliás, esses mesmos senhores menosprezaram durante muito tempo a Legião Urbana, achando que era roquinho de adolescente. Yuppies quando a banda lançou seus primeiros sucessos, os hoje coroas granfinos só minimizaram seu desprezo à Legião Urbana quando seus colegas de faculdade mais modernos elogiaram Renato Russo. Aí tiveram que engolir "Andrea Doria" e "Angra dos Reis", quando Renato, no final da vida, já gravou canções italianas (mas nada que faça esses coroas sonharem com Fred Bongusto, Domenico Mondugno e Pepino Di Capri cantando no "Copa"). Em todo caso, Renato Russo, se não é admirado por esses sugar daddies, pelo menos ficou menos desprezado.

O JULGAMENTO DO TEMPO

Além desses contratempos, houve nos anos 90 a tentativa da mídia - da crítica musical aos editores de revistas de celebridades - em "diminuir" (para não dizer anular) o valor dos Beatles e da Legião Urbana. Quem não leu a Showbizz na sua fase mais trevosa (1995-1998) esculhambando a gravação de "Free as a Bird", enquanto babava o ovo nos Mamonas Assassinas (que nunca foram mais do que uma resposta musical ao Pânico da Pan)? E quem não testemunhou, entre 2000 e 2004, os xiitas fãs de Charlie Brown Jr., sob influência das patéticas rádios-roque, dizerem que a banda de Chorão é "mil vezes melhor" que a de Renato Russo?

No entanto, a História mostra que nem sempre aquilo que é badalado no calor do momento dura para sempre. Não é por acaso que funqueiros e breganejos partem para o ataque, com medo que seus ídolos, artistas medíocres, sejam tragados pelo lamaçal do esquecimento.

Claro que também há pessoas que foram badaladas no calor do momento e que duram para sempre. É esse o caso da Legião e dos Beatles. Suas músicas romperam o limite do universo roqueiro, sua linguagem musical foi rica e sua mensagem forte, e seu talento não precisava ter defensores raivosos e chantagistas. Isso porque sua música falava por si só.

O que dói em muitos jovens hoje em dia é que passam os Mamonas Assassinas e Charlie Brown Jr. e passarão os ídolos da axé-music, do breganejo, do "funk", fosse como fosse a raiva desses jovens diante desse destino inevitável.

Isso dói porque a mediocridade musical regada a muito marketing não consegue se manter de pé diante dos grandes artistas, cujos talentos ninguém, nem mesmo a mídia, precisa dizer que existe. Os grandes artistas são talentosos porque esse talento flui naturalmente.