sábado, 26 de setembro de 2009

AS ARMADILHAS DOS DESCOLADOS


Diante da formação deficiente da juventude pós-1978 junto à degradação da mídia como um todo - das "rádios rock" aos jornais "populares" - faz com que os chamados "descolados", ou seja, os alternativos de primeira viagem, estejam sujeitos às armadilhas da grande mídia, sempre disposta a empurrar muito lixo sob o rótulo de "cult".

A geração pós-1978, que é o grosso do público "descolado", ou não vivenciou fatos importantes do passado recente, ou era muito jovem para entender vários fatos ainda mais recentes. Só agora essa geração sente o peso de ver morrer um ídolo que era referência forte para ela, o cantor pop Michael Jackson. Fora isso, puderam vivenciar a tragédia do 11 de Setembro e viram morrer o Papa João Paulo II.

Muitos destes jovens até começam a aprender as coisas da vida. A vida universitária e o mercado de trabalho lhes ensinou bastante. Na música, o sucessivo perecimento de vários de seus ídolos dos anos 90 (Technotronic, Green Jelly, Deee-Lite, Kon Kan, Virguilóides, Sugar Ray, Blind Melon, Baba Cósmica) lhes faz ter tanta insegurança com os ídolos de massa que há o temor do mesmo acontecer até mesmo com ídolos bem-sucedidos da mediocridade, de Chitãozinho & Xororó a Guns N'Roses, passando por todo o brega-popularesco, todo o pop mainstream e todo o rock farofa.

Uns se tornam pais de família quase caretas. Outros continuam sendo clubbers doentios, a falar a gíria "balada" com a alegria de alguém que achou ouro no garimpo. Entre a modernidade paranóica e a tradição, a geração pós-1978 encara um verdadeiro cabo de guerra. E a mídia aproveita isso para empurrar muita coisa NADA ALTERNATIVA como se fosse "cult".

Algumas armadilhas que atingem os descolados:

1. As festas trash que tratam a década de 80, infância dessa geração, como se fosse uma gororoba de várias décadas ou de tolices acontecidas na década oitentista.

2. Sites de celebridades, como o portal EGO (Organizações Globo), que posam de pretensas "autoridades" da cultura de vanguarda no Brasil.

3. Ter havido, nos anos 90, rádios falsamente alternativas ou pseudo-roqueiras, com sua abordagem superficial, caricata e menos criativa dos referenciais ditos de vanguarda.

4. Apesar do interesse pela vanguarda, ainda influi o peso da formação cultural brega por intermédio das babás que cuidavam dessa geração na infância.

5. Dificuldade de entender a cultura brasileira, graças aos valores confusos e equivocados transmitidos pela televisão e pelas rádios durante o período ditatorial.

Tudo isso faz com que a geração pós-1978 aderisse a certos absurdos. Como tratar o cinema comercial norte-americano mais antigo como se fosse "cinema alternativo". Ou tratar Steven Spielberg como se ele fizesse "cinema de autor", um absurdo do grosso. Mas se tratam até o Sylvester Stallone como "cult", então o problema é bem mais sério. Também são dependentes a best sellers, hit parade, blockbusters e outros medidores de sucesso comercial para conhecer novidades. Coisa que não se resolve conhecendo o "lado B" de Odair José, pois no caso é a mesma ladainha do "lado A" do cantor.

Outros absurdos são tratar os desfiles de moda como se estes substituíssem as exposições de artes plásticas. Mas o São Paulo Fashion Week não é, sequer de longe, a mesma coisa que uma exposição no MAM e no MASP. Como também não dá para tratar o São Paulo Fashion Week e o Fórum Social Mundial como se fossem a mesma coisa.

Esse pessoal ainda festeja depois da ressaca do Primeiro Mundo. Procuraram a revolução do hip hop de 1983 nos ídolos fajutos do gangsta rap. Atraso de umas duas décadas e meia. Procuraram o "Verão do Amor" de 1988, embrião das raves, através das patéticas "baladas" de coisa nenhuma e o mesmo "téquino" de sempre, versão "universitária" do dance baba que animava suas adolescências. Atraso de duas décadas.

Hoje ainda procuram a revolução techno funk de Afrika Bambataa em 1982 no horroroso "funk carioca" de hoje. Atraso não só de quase três décadas, mas um verdadeiro retardamento mental.

Sei que existem outros equívocos para uma geração que não pegou o trem da História em boa parte do percurso. Tudo bem que o pessoal nasceu depois de dada época, o mundo continua girando. Mas menosprezar as referências do passado e confundir modismo com vanguarda só vem causando dor de cabeça à geração pós-1978 a partir dos 25 anos, com as cobranças da vida adulta. O pessoal é obrigado a rever valores e referenciais, depois da desilusão da descartabilidade do pop e do popularesco dos anos 80, 90 e 00.

TROPA DE CHOQUE


Antes que algum defensor de Vítor & Léo e João Bosco & Vinícius expressasse seu reacionarismo contra este blog, mostramos essa tropa de choque em prontidão.

Afinal, oficialmente não tenho moral para falar mal da dita "música sertaneja", já que ela é respaldada pelas mais ricas oligarquias rurais de nosso país. Coronelismo puro.

O PORQUÊ DO CASO BELCHIOR


Já deu para entender por que se deu aquele rebuliço quanto ao aparente sumiço do cantor Belchior.

Sem cartaz na mídia grande, principalmente nas rádios, Belchior quis dar como desaparecido para ver se as pessoas dão mesmo falta dele.

Mas, pelo jeito, o cantor cearense deve temer que os empresários de breganejo armem uma nova dupla chamada "Ivan Lins & Belchior", na onda das "duplas sertanejas" que parasitam os grandes nomes da MPB até no nome.

397 TEM POOL PROVISÓRIO



A Viação Oeste Ocidental, pelo jeito, irá falir. Juntando a multa de R$ 1 milhão, as dívidas trabalhistas e a grana que seria necessária para renovar toda a frota, todo esse montante financeiro da empresa do Rio de Janeiro será impossível de ser aplicado.

Tudo indica, portanto, que a Ocidental será extinta, apesar de ter aparecido, no mês passado, uma esperança de recuperação através de micro-ônibus e ônibus com ar semi-novos mas parecendo em estado razoável.

Provisoriamente, um esquema de pool foi organizado para operar a linha 397. Quatro empresas - Amigos Unidos, Andorinha, Bangu e Campo Grande - colaboram com seus carros enquanto não se decide qual a empresa que servirá a linha. Eu, pessoalmente, desejo que a Jabour (que, da Ocidental, pegou algumas linhas de Marechal Hermes) pegue a linha 397.

Quanto à Ocidental, a empresa agora fará sua carreira nos tribunais, resolvendo suas pendências financeiras gravíssimas.

PATRÍCIA POETA LEVA O MARIDO PARA CAMINHAR


Isso, Amaury Soares. Um, dois, um dois! Repetindo: Um, dois, um dois!

Quero ver essa barriga sumir (mesmo!), e não ela ser escondida por um paletó.

Paletós produzem gás carbônico, sabia?

Mais camisetas, mais tênis, mais saúde. Quero ver o diretor da Globo Internacional caprichando na boa forma! Vamos lá!!

TADINHA DA BETTY BOOP


O que é a apelação. Chamaram a Mulher-Melão, uma das dançarinas do horrendo "funk carioca", para fazer sessão de fotos inspirada na Betty Boop, personagem de desenho animado da década de 1930. Por sinal, é uma referência por demais antiga e por demais requintada para musas funqueiras, não acham?

Betty Boop foi considerada pervertida na época, mas era apenas um tipo sensual e doce. Era um misto de Elaine Bast com Kelly Brook, dentro dos contextos da época.

Vão entender os empresários artísticos tentando vender uma imagem falsamente graciosa das grotescas funqueiras, posando até de fadinhas... Quem será a próxima? Tati Quebra-Barraco vestida de pastorinha?

MÍDIA RUIM I: IMPRENSA POPULISTA


A série "Mídia Ruim" é agora lançada, para advertir a todos os internautas a respeito do que há de PIOR nos meios de comunicação. Não se trata de evocar a cultura trash, o ruim aqui é ruim mesmo, porque não estamos aqui para fazer palhaçada.

A degradação de valores da ditadura militar propiciou a queda de qualidade dos meios de comunicação, sobretudo para nivelar-se à ignorância da população. Com a politicagem cada vez mais integrada à mídia, essa degradação se firmou, principalmente com os ventos políticos de Collor, Sarney, ACM e FHC. E hoje, com o fisiologismo lulista e com a dispensa do diploma de jornalismo, a tendência da mídia é a qualidade descer ladeira abaixo, em queda livre e sem freios.

A mídia ruim é aquela que se torna responsável pela degradação cultural e social de nosso país, de um nivelamento por baixo dos valores sócio-culturais, por uma péssima formação informacional das classes média baixa e baixa. Em outras palavras, é a mídia que investe na degradação intelectual do cidadão comum, transformando ele num verdadeiro pateta conformista.

O primeiro tópico desta série é a IMPRENSA POPULISTA, que os conservadores impõem como um falso substituto da imprensa de esquerda. Mesmo os "líderes de opinião" quanto até mesmo a filhote bastarda da "Ilustrada" da Folha de São Paulo, a revista Piauí, elogiam este tipo de imprensa, sem saber dos males sérios que ela provoca.

A imprensa populista é uma forma moderna brasileira daquilo que se conhece como "imprensa marrom", que em inglês se traduz mudando a cor, yellow press. No Brasil, é uma imprensa que enfatiza a cobertura do "mundo cão", despejando rancor aos criminosos, explorando o pitoresco e exaltando as boazudas mais vulgares. É uma mídia dedicada ao grotesco, em dertimento da informação responsável e correta.

Nos últimos 20 anos, o jornal Notícias Populares, de São Paulo, tornou-se o paradigma dessa imprensa lamentável. Influiu até no golpe mortal que Mário Kertèsz, em Salvador (Bahia), fez no Jornal da Bahia, realizando tudo aquilo que seu padrinho Antônio Carlos Magalhães lutou para realizar, que é acabar com a alma do JBa. Em 1990, o Jornal da Bahia tornou-se jornal populista, num capítulo que não se encontra nos livros dos fundadores João Falcão e Teixeira Gomes.

A fórmula existia pelo menos desde os anos 70, mas foi Notícias Populares que ditou o filão em caráter nacional. O periódico paulista ganhou uma série de imitadores em todo o país, de jornais em formato padrão (standard) a tablóides de distribuição gratuita, e no final dos anos 90 até se dividiu em duas versões: uma para a classe média baixa, de perfil populista moderado, e outra para a classe pobre, de perfil mais grotesco.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o jornal O Dia moderou seu perfil popularesco e se tornou um jornal populista moderado. Criou um outro jornal para ser mais grotesco, o Meia Hora. Para concorrer com O Dia, as Organizações Globo criaram o Extra, assim como criaram o Expresso para concorrer com o Meia Hora.

Mas mesmo os periódicos de classe média baixa não deixam de ser grotescos. No essencial, é a mesma mídia populista com seus equívocos e defeitos. Seja para exaltar a vulgaridade das "mulheres-frutas", seja para ridicularizar celebridades - como mostrar o ator Macaulay Culkin apenas naquela imagem infantil e assustada do sucesso "Esqueceram de Mim" - , seja para estimular o fanatismo ao futebol, o rancor à criminalidade, a imbecilização cultural, a alienação política, o conformismo social.

Muitos desses periódicos passam valores direitistas de forma bem sutil, contrariando a mitificação dos "líderes de opinião" que vêem na mídia populista uma forma "acessível" de mídia de esquerda.

Concluindo: o povo não merece esse tipo de imprensa. Deve-se investir em educação, em valores morais realmente justos e saudáveis, e num entretenimento que não trate o povo feito idiota. A imprensa populista é mídia ruim porque deforma ao invés de informar, e até usando como pretexto a informação. É uma imprensa completamente inútil, apesar dos seus leitores serem (mal) acostumados a ela.

IMPRENSA POPULISTA: ZERO EM JORNALISMO, ZERO EM INFORMAÇÃO, ZERO EM CIDADANIA, ZERO EM CULTURA.
ÚNICA SERVENTIA DESSES JORNAIS: SERVIR DE EMBALAGEM PARA PEIXES E CARNES, MEIA HORA DEPOIS DE LIDOS.