quarta-feira, 23 de setembro de 2009

TROQUE O "SERTANEJO" PELO CLUBE DA ESQUINA - I


Você é daqueles que ainda acredita que os ídolos "sertanejos" são os mestres em poesia e em temas como natureza e fraternidade? Você ainda vê nesses ídolos riqueza melodiosa e sofisticação musical?

Pois você está errado, até porque tudo que você esperaria nos ídolos da "música sertaneja" existe, na verdade, nos intérpretes mineiros do Clube da Esquina, este sim um dos movimentos mais sofisticados e brilhantes da MPB autêntica. Os "sertanejos" prometem, prometem, mas enrolam e não cumprem. Os mineiros do Clube da Esquina nem precisam prometer, cumprem mesmo.

Pois nesta série, vamos mostrar o lirismo genuíno dos mineiros, para fazer com que os fãs e as tietes dos "ídolos sertanejos" que queiram seguir nova vida (pelo menos se subentende que as moças deste tipo desejam, já que elas se recusam a namorar vaqueiros e fazendeiros e cobiçam nerds e intelectuais) ABANDONEM DE VEZ essa música pseudo-caipira.

Também não adianta gostar de Clube da Esquina e continuar gostando do breganejo, porque sabemos dessa malandragem que põe a MPB autêntica em segundo plano, tratada como se fosse rock californiano.

Por isso mesmo, vamos começar com a poesia autêntica do Clube da Esquina, partindo de "Todo Azul do Mar", música de Flávio Venturini e letra de Ronaldo Bastos, sucesso na gravação de Flávio e sua banda 14-Bis.

Portanto, é hora de parar de brincar de caubói e gostar de música de verdade.

TODO AZUL DO MAR
(Flávio Venturini / Ronaldo Bastos)

Foi assim, como ver o mar
A primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar
Não tive a intenção de me apaixonar
Mera distração e já era momento de se gostar

Quando eu dei por mim nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor e vinha pra ficar

Daria pra pintar todo azul do céu
Dava pra encher o universo da vida que eu quis pra mim

Tu...do que eu fiz foi me confessar
Escravo do seu amor, livre pra amar
Quando eu mergulhei fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul, de todo azul do mar

Foi assim, como ver o mar
Foi a primeira vez que eu vi o mar
Onda azul, todo azul do mar
Daria pra beber todo azul do mar
Foi quando mergulhei no azul do mar

Deve-se dar troféu a quem merece


O Jornal Nacional, como principal atração jornalística da Rede Globo, é o símbolo maior do tendenciosismo e do poderio midiático representado pela rede televisiva das Organizações Globo. A Rede Globo, sem dúvida alguma, é o maior exemplo do que se conhece como "mídia gorda", sendo aliás considerada "a mais gorda da mídia gorda".

Mas devemos reconhecer que seu apresentador, William Bonner, tem suas qualidades evidentes. É claro que ele está a serviço de um projeto ideológico, de um ideal de poder midiático que a Rede Globo persegue desde antes de existir, através dos acordos com o grupo ianque Time-Life, em 1962. Ideal este que foi consolidado pela ditadura militar e defendido pela "Vênus Platinada" de Jacarepaguá (antes era só no Jardim Botânico, mas o grosso da corporação "global" se mudou lá para a Zona Oeste).

Todavia, William Bonner, além de ser um excelente locutor e um profissional equilibrado, tem uma vantagem que o coloca até acima de gente como a cúpula de jornalismo do Grupo Bandeirantes.

É claro que o Grupo Bandeirantes ganha da Rede Globo em abordagem e profissionalismo jornalísticos, embora a empresa da família Saad não seja tão maravilhosa e nem tão ousada quanto alardeavam os mais exaltados "líderes de opinião". Em um ponto e outro, o "jornalismo completo" das emissoras do Grupo Bandeirantes - mitificada por contratar intelectuais de esquerda durante a ditadura - sucumbe a um direitismo que não a faz muito diferente das Organizações Globo.

Mas Bonner ganha da cúpula jornalística da Band por uma virtude bem simples: a modéstia, a simplicidade, o despretensiosismo. Enquanto os diretores de jornalismo do Grupo Bandeirantes falam como se quisessem, através do tele ou do radiojornalismo, fazer a "Revolução Francesa" no Brasil, com pretenso heroísmo e com pose de "combatentes da notícia", postura que, independente de ser ou não verdadeira, soa por demais presunçosa, William Bonner não promete mudar o mundo. Ele não é estrela, é bem humorado, ele é simples. Não faz pose de combatente, não posa de "revolucionário", nem faz falsos esquerdismos.

Por isso mesmo, ainda que dentro dos limites e até dos erros cometidos pelo jornalismo da Rede Globo, William Bonner se destaca por suas virtudes pessoais e pelo seu talento inegável de apresentador e jornalista.

Neste caso, devemos dar troféu a quem merece. E isso não nos impede de contestar o perfil das Organizações Globo no conjunto de sua obra. Apenas se faz justiça a um profissional por suas qualidades pessoais.

INTELECTUAL DÁ RECADO INDIRETO AO PAULO CÉSAR ARAÚJO


Todo mundo sabe que o principal marketing do livro Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César Araújo, está no fato dos principais ídolos bregas, incluindo Waldick Soriano e Odair José, terem suas músicas sido censuradas durante a ditadura militar.

PC Araújo trata esse fato como se fosse a "maior virtude" dos cantores bregas em detrimento da MPB autêntica, que o autor tentou passar uma imagem falsa de "chapa branca dos militares".

O livro, aliás, tenta, numa linguagem típica de teorias conspiratórias fajutas, insistir na tese duvidosa de que Waldick Soriano é um "cantor de protesto". Até comparações com "Opinião" do sambista Zé Kéti foram feitas para tentar promover a "nova imagem" do mais antiquado dos ídolos bregas. E tentou dizer, em tom de pergunta, que "Eu não sou cachorro, não" poderia ser endereçada ao patrão, ao policial e outras autoridades. Tudo isso em argumentações cuja veracidade é bastante discutível.

Pois, quatro anos antes do livro de PC Araújo ser lançado, um livro com vários textos, Trabalho, Cultura e Cidadania: Um Balanço da História Social Brasileira, organizado por Ângela Maria Carneiro Araújo (não, não é parente do PC dos bregas), conta com um texto do professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, Marco Antônio Guerra.

Eu peguei esse livro para tirar cópia em xerox de um texto do Antônio Augusto Arantes, ex-diretor do IPHAN, mas li o texto de Marco Antônio e resolvi tirar cópia dele, também.

Marco Antônio fala, entre outras coisas, das distorções em torno da memória histórica oficial e da apropriação da ditadura militar de parte de projetos educacionais progressistas (esvaziando, no entanto, sua essência), como o uso de algumas idéias de Paulo Freire do radiofônico Projeto Minerva (eu pude ouvir esse programa algumas vezes, quando criança).

Mas a cutucada que interessa aqui se dirige ao Paulo César Araújo - hoje tido como "herói" entre a intelectualidade, sobretudo devido a uma biografia de Roberto Carlos cuja comercialização foi proibida - , que explicitamente escreveu o primeiro livro, sobre música brega, sob o ponto de vista de fã (ele chega a admitir isso em suas entrevistas). Este recado põe em xeque quem, como Paulo César Araújo, acredita que a censura enobrece sempre a reputação de suas vítimas. Neste caso, recomenda-se procurar o livro de Beatriz Kushnir, Cães de Guarda, que faz uma análise objetiva da censura ditatorial, rompendo com a idéia maniqueísta que oficialmente se faz entre censores e censurados.

Aqui está o parágrafo de Marco Antônio Guerra que questiona a mitificação em torno dos censurados da ditadura:

A questão fica mais complexa e assume uma relação maniqueísta nos anos 70, quando era comum a censura ser um recibo de qualidade: se o artista fosse censurado significava que ele havia produzido algo muito bom; a censura passava um recibo de inteligência, de bom nível, de algo muito bem estruturado e muito bem feito. O tempo provou que não: quando se tem o resgate dessas coisas, o que era necessário ser feito em função da memória nacional, tudo aquilo que estava na censura tinha de sair da gaveta; tinha de ser montado no palco, ouvido em discos, lido nos livros etc, mesmo que tivesse envelhecido, porque foi um ajuste de contas com algo que nos foi tirado. Mas muitas coisas eram ruins mesmo, ficou claro que eram ruins, que não eram boas nem no ponto de vista estético, nem do da produção cultural, nem de coisa nenhuma. Mas haviam criado uma aura e mitificaram o produtor como algo de qualidade ou como algo engajado, exatamente porque nos anos 70 havia apenas dois campos: dos mocinhos e dos bandidos. Os bandidos nós sabemos quem eram, mas os mocinhos..., fica uma grande dúvida sobre isso. (grifo meu)

VIRA-CASACAS


Quem te viu, quem te vê. A chamada "nação roqueira", vendo que seu "querido e eterno" roquenrol não se segurou no mercado e que seus instintos neo-udenistas ferveram quando a Rádio Cidade FM, do Rio de Janeiro, deu lugar à OI FM, fez o que era inesperado há alguns anos: ADERIU AO "FUNK CARIOCA"!!

O meu amigo Marcelo Delfino, no fórum da comunidade Dial Rio de Janeiro no Orkut, pôde ver a atitude do radialista Paulo Becker que, hoje, defende o "funk" e pede para os roqueiros respeitarem este ritmo. Já informamos que o marombeiro Rhoodes Dantas - aquele que se gabava em não curtir rock - havia também virado funqueiro através da Beat 98, a rádio onde hoje ele trabalha.

É inacreditável que, tempos atrás, se via muito nas páginas de recados da suposta "rádio rock" carioca - operada por clubbers enrustidos e defendida por ouvintes e produtores que mais pareciam fãs histéricos e fanáticos do Cabo Anselmo - o pessoal "roqueiro" falando "morte aos funkeiros", "abaixo o 'funk'", "odeio funk".

Hoje o pessoal virou completamente a casaca, feito políticos do DEM se mudando para o PMDB.

MICHELLE TRACHTENBERG ESTÁ NOIVA


Buáááááááááááá!!!!...

JOHNNY MARR ADMITE QUE SMITHS PODEM VOLTAR


Em entrevista recente, o ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr, que havial liderado anos atrás a banda The Healers e hoje está na The Cribs, além de ter trabalhado como músico participante de vários intérpretes e ter integrado, com Bernard Sumner (Joy Division, New Order e hoje Bad Lieutennants), a dupla Electronic, admitiu que troca e-mails com o ex-vocalista Morrissey (hoje em carreira solo).

Marr afirmou que não existem mais brigas entre os ex-integrantes, mesmo depois daquele vergonhoso processo movido por Mike Joyce, ex-baterista, com o apoio do ex-baixista Andy Rourke e do ex-guitarrista Craig Gannon (que só gravou alguns compactos com os Smiths), contra Morrissey e Marr, que tiveram que indenizar os demais pelos royalties de participação do grupo. Isso foi em 1996 e deu sequência a uma fase de depressão e problemas pessoais de Morrissey, felizmente superados.

Apesar da hipótese da volta dos Smiths ser possível, o acordo de Morrissey e Marr ainda não está acertado. Mas dá uma esperança para, no futuro, haver a volta de uma das mais prestigiadas bandas inglesas dos últimos tempos - e, de minha parte, minha banda favorita - , até agora não devidamente conhecida por aqueles que eram crianças nos anos 80.

PIADA SOBRE BRASILEIRO - I


PIADA DE PORTUGUÊS SOBRE BRASILEIRO CONTADA POR UM BRASILEIRO.

A professora de uma escola pública do Brasil diz logo aos alunos:

- Eu quero que vocês compareçam às aulas com todo o material para as aulas.

- Certo, 'fessora! - dizem os alunos, entusiasmados.

No dia seguinte, todos os alunos chegaram à escola, no horário exigido, pontualmente. Só que cada aluno usava o uniforme da Seleção Brasileira de Futebol e tinha uma bola. A professora se espantou.

- Ué, cadê o uniforme e o material de aula? Eu não disse que vocês deveriam chegar com o material exigido?

- Pois é, 'fessora. - disse um aluno. - Mas eu vi no Esporte Espetacular que futebol serve para educar crianças carentes! Entendi que futebol substitui educação, 'fessora!

Zezé Di Camargo confunde nome de ministra


Definitivamente, quando Zezé di Camargo fala alguma besteira e alguém relata isso - pode ser eu, ou pode ser, por exemplo, Arnaldo Jabor - , esse relato está longe de vir de algum invejoso ou preconceituoso. Inveja, eu, de cantar feito gralha umas caricaturas de country e mariachi a pretexto de fazer "moda de viola"? Quem diz que eu sou invejoso é que sente inveja do meu senso crítico.

Pois Zezé di Camargo, numa entrevista, chamou a ministra e presidenciável Dilma Rousseff de Dilma Rosseti, mais de uma vez. Ele ainda não se lembrou do sobrenome facilimo da ex-ministra e ex-petista Marina Silva. Fora isso, ele defendeu o governo do presidente Lula - claro, o breganejo é o fisiologismo musical brasileiro - , mas o irmão Luciano logo entregou dizendo que Zezé é sempre governo, se o presidente fosse Fernando Henrique Cardoso o pai de Wanessa defenderia do mesmo jeito. A dupla, aliás, participou da farra breganeja para comemorar a vitória de Fernando Collor há vinte anos atrás.

Tudo isso que escrevi foi baseado numa nota no site Terra Diversão.