segunda-feira, 21 de setembro de 2009

RÁDIO METRÓPOLE, DESESPERADA, BAJULA PRESIDENTE DO IBOPE


Um internauta informou que, certa vez, o astro-rei da Rádio Metrópole de Salvador, Mário Kertèsz, recomendou para seus ouvintes a lerem a entrevista do presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, na revista Veja. Kertèsz, o Sílvio Berlusconi com dendê, corroborou toda a bajulação de Veja ao presidente do Ibope, no mais puro estilo puxa-saco.

Vale lembrar os "líderes de opinião" baianos que eu falei VEJA, e não CAROS AMIGOS, para quem lunaticamente insiste em considerar a Rádio Metrópole como "mídia de esquerda" e seu astro-rei como "intelectual de esquerda" (um grande equívoco porque Kertèsz é direitista e a única coisa que ele tem de intelectual é que ele teve sorte de parecer fisicamente com o Allen Ginsberg na velhice, e só).

Pois, sim, a Rádio Metrópole e seu dono-locutor, numa cidade onde a mídia é sem-lei como Salvador, capital da Bahia, querem puxar o saco do presidente do IBOPE, para ver se com isso a emissora ganha uma posição mais nobre ou, mais uma vez, tente algum prestígio entre a (tola) aristocracia baiana, destas que condecora até tampa de bueiro que tenha gravada a palavra "Salvador - Bahia". Em nove anos de existência da Rádio Metrópole FM, a provinciana burguesia baiana e sua intelectualidade simpatizante só fez aplaudir até mesmo quando algum locutor da rádio tossia.

Retratos do desespero e do pretensiosismo de uma cidade como Salvador, presa nos valores retrógrados do provincianismo.

PAPO DE DUAS ATRIZES


Duas atrizes de TV conversam sobre os compromissos profissionais de terem que ir a eventos popularescos.

Clarissa: E aí, Narinha, o que conta de novo?

Nara: POIS É! Quando terminar de gravar o seriado adolescente de TV, eu vou logo para a micareta.

Clarissa: Que dureza. Você vai para o trio da (I. S.)?

Nara: Não. Vou para o trio do Chiclete Com Banana.

Clarissa: Que horror. Sempre aquelas mesmas músicas, em toda a axé-music, e no Chicletão é pior ainda. Quase todas as músicas só falam de Chiclete pra cá, Chiclete pra lá.

Nara: E o vocalista, além de tudo, é muito feio e velho. Mas tenho que tratar ele feito o gatinho que grava comigo no seriado. Pode?

Clarissa: Ninguém merece.

Nara: Tudo pelo contrato. Meu empresário já me aconselhou a ser todo sorrisos, a pular com dois pompons nas mãos, balbuciar algumas coisas para dar a impressão que canto junto e sacudir a cabeça feito uma boba alegre.

Clarissa: É, eu sei. Isso está previsto no contrato. Senão você não vai para a próxima novela das seis e será passada para trás.

Nara: A mídia não gosta de gente que ela considera difícil. É essa maratona. Micareta, vaquejada, tenho que ir aonde me exigem. E a imprensa toda dizendo que nós somos fãs dessa porcaria toda.

Clarissa: Pois é. Pior estou eu.

Nara: Por quê?

Clarissa: Estou de férias da última novela das sete que saiu do ar há um mês e, sabe o que tenho que fazer para entrar na próxima novela das oito e num próximo comercial de cosméticos?

Nara: Hã...

Clarissa: Vou ter que ir a um "baile funk". Que nojo!!

Nara: Coitada. Mas você não pode recuar.

Clarissa: Que... Se eu recusar perco tudo, comercial de cosméticos, capa de revista de moda, papel de protagonista de novela das oito, minha carreira acabou. Os empresários do "funk" são espertos mesmo, fazem um baita negócio com mídia e anunciantes e nós temos que aderir sorrindo.

Nara: Que chato isso, né?

Clarissa: Muito chato. E eu tenho que dizer que sou fã de "funk", deram até frase para eu dizer para aquela coluna do Segundo Caderno de O Globo.

Nara: "Gente Boa"?

Clarissa: Isso. E sabe o que eu tenho que dizer?

Nara: Não tenho idéia.

Clarissa: Que o "funk" está resgatando o antigo charme carioca perdido há cinquenta anos! Veja que absurdo!

Nara: Um absurdo, uma coisa dessas!

Clarissa: E eu tenho que dizer essa frase, que o próprio empresário de "funk" que promove o evento indicou para meu empresário.

Nara: Jovem atriz de TV sofre.

Clarissa: Não só as jovens, não. E não só as atrizes. Os atores também. Aliás, quem tem menos de 45 anos e precisa de um destaque na TV, é obrigado a ir a eventos de axé-music, "funk", pagode, sertanojo, o que for. Senão não faz comercial, não entra na próxima novela, não aparece nos programas de TV.

Nara: E a gente é associada a essa droga que rola nas rádios.

Clarissa: Pode crer. E a gente queria lutar por uma cultura de qualidade.

Nara: O que vão dizer de nós, atores, que deveríamos zelar pela nossa cultura? Que a gente dá a bunda para qualquer modismo de mau gosto?

Clarissa: Ai, ai. Um dia isso tem que acabar. Não faz sentido a gente fazer sorriso amarelo em eventos que a gente não gosta.

Nara: E que a gente tem que fingir que gosta. Bem, tenho que ir. Já está na hora de eu dormir. Beijos. Uma boa noite.

Clarissa: Tchau. Tenha boa noite também.

Nara: Tchau.