domingo, 13 de setembro de 2009

BAUHAUS EM FÓRMULA MATEMÁTICA


BAUHAUS sem PETER MURPHY é igual a LOVE AND ROCKETS.

PETER MURPHY mais LOVE AND ROCKETS é igual a BAUHAUS.





A PIPA DO VOVÔ


Nada contra os atores com mais de 50 anos, mas chega um tempo em que eles deixam de ser galãs. O mercado televisivo, no entanto, surdo a isso, teima em vender a imagem deles como se eles fossem, ainda, "jovens galãs".

É aquela coisa: o homem é considerado "eternamente jovem", enquanto a mulher - tida como "objeto" num mundo machista onde o "sujeito" é apenas o homem - , na medida em que chega aos 35 anos, é considerada "velha e desgastada".

Pior é que os homens tendem a descuidar da aparência, envelhecendo de forma mais dramática, enquanto as mulheres buscam manter a aparência jovial mesmo com o amadurecimento.

No exterior, a expressão sugar daddy já existe, como uma maneira pejorativa de chamar os coroas metidos a "gostosões". Mas aqui não há sequer sinal do termo "papai gostosão", e mesmo o termo "papa-anjo" se limita a pedófilos como o turista italiano que beijou a filha na boca no Ceará.

Pois o ator José Mayer - espécie de equivalente brasileiro, na aparência, do Harrison Ford - vai fazer mais um papel de galã na novela Viver a Vida, da Rede Globo de Televisão, fazendo par romântico com a Taís Araújo, trinta anos mais jovem que ele.

E ninguém dá um pio sobre a diferença de idade. Mas, quando a Maria Zilda Bethlem, na novela Caras e Bocas, faz par romântico com um homem bem mais jovem que ela, até o contexto chega a ser outro, sempre explorando a imagem da "coroa pervertida", da atração sexual grotesca, nada de relações amorosas sérias e edificantes.

Pior que a culpa dessa imagem de "eterno galã" não é do José Mayer, um ator de grande talento, e que é casado com uma mulher de sua geração, a atriz de teatro Vera Fajardo. O grande problema é que pôr coroas "galãs" nas novelas dá Ibope, porque a maior parte dos anunciantes e telespectadores envolve homens com mais de 50 anos. Sem falar que um dos principais publicitários do país, o também empresário e apresentador Roberto Justus, é a mais típica personificação não-ficcional do sugar daddy.

José Mayer não tem o protótipo próprio para galã, a não ser o fato de que está em boa forma física e veste-se bem. Situação pior, no entanto, vemos em outros atores, como Antônio Fagundes, que hoje tem aparência de um barão, e Marcos Paulo, que já não é galã há muito, muito tempo, e, fisicamente, está, digamos, "muito roliço".

Atores veteranos não precisam mais se preocupar com a função de galãs. O que eles têm que fazer é investir no talento. Tony Ramos, que encerrou sua atuação na novela Caminho das Índias e, que ironicamente, conseguiu manter a pinta de galã, no entanto não faz mais papel de "bonitão", preferindo papéis desafiadores, que acrescentem ao seu inegável talento (e Tony se deu bem nos personagens que fez recentemente, ganhando até prêmio por isso). Tarcísio Meira também não faz mais papel de galã, preferindo se concentrar somente no talento.

Para terminar, vale lembrar da eleição dos 50 mais sexy da revista Isto É Gente, que na sua lista de 25 homens (a outra metade é de 25 mulheres), só houve jovens atores ou, no máximo, alguns quarentões considerados atraentes pelas fãs.

A CREDULIDADE INTELECTUAL EM PROL DO "FUNK CARIOCA"


No café literário de ontem, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, os autores falaram sobre o tema "Quando a periferia torna-se centro", e manifestaram sua condescendência e credulidade em torno do "funk carioca". Acreditam que, com o "funk", a periferia fala sem intermediários e que a rejeição sofrida pelo ritmo é fruto de preconceito comparável ao do samba.

Vamos ler aqui uma frase do escritor Ecio Salles, um dos presentes (os outros eram Sérgio Vaz e o famoso Zuenir Ventura), para notarmos a ingenuidade dos intelectuais: "No passado o samba também era alvo de preconceito. O primeiro passo para acabar com o preconceito é conhecendo. Eu tinha uma imagem errada dos bailes até ir a um".

Pobre Ecio. Ou, como diz o Casseta & Planeta, rico Ecio. Coitada da intelectualidade que, acomodada nos seus apartamentos à beira-mar, vê a vida dos subúrbios com um deslumbramento que não corresponde à realidade.

Não dá para comparar a rejeição do "funk" com a do samba no passado. De jeito nenhum. Afirmar isso é ver a sociedade do passado com os olhos de hoje, desconhecendo que o passado foi outra coisa. A sociedade brasileira que rejeitou o samba era rigorosamente moralista, sisuda, extremamente pomposa e racista. O samba era rejeitado porque, além de fugir do rigor moral da sociedade da época (século XIX e primórdios do século XX), era feito por negros e pobres, num tempo em que reivindicar salários dava cadeia e ser pobre era bem mais difícil que hoje, sem qualquer tipo de programa político que lhe desse melhorias sociais efetivas.

Pois hoje vivemos numa sociedade bem mais aberta, mais tolerante e até solidária com os pobres, e o racismo hoje é considerado crime. É anacrônico o discurso de que a rejeição do "funk" é fruto de "preconceito", "moralismo" e "racismo". Quem rejeita o "funk carioca" reconhece o valor de uma infinidade de artistas negros, de Donga a Dona Ivone Lara, de Jackson do Pandeiro a Elza Soares, de Agostinho dos Santos a Teresa Cristina, passando por Wilson Simonal, Milton Nascimento, Gilberto Gil e Seu Jorge.

O "funk carioca" é uma ARMAÇÃO de empresários que atuam também como disc-jóqueis, e que se enriquecem com toda essa lorota de "ritmo da periferia" e outras baboseiras que envolvem o ritmo. Musicalmente (se é que pode chamar o "funk" de música), é grotesco, ruim de doer, e isso não é adjetivação barata, não, é só ouvir um "funk" para você perceber que é um lixo.

Há 100 anos, o samba tinha beleza, decência, inteligência, o rigor moral é que estava cego e surdo para o ritmo. Mas hoje, o "funk" é o grotesco do grotesco, mulheres exibindo brutalmente seus glúteos sem o menor respeito, tudo na maior libertinagem.

O samba, não. O samba tinha respeito, tanto que as primeiras escolas de samba foram uma solução das tias baianas e outros que organizavam rodas de samba para evitar que esses eventos sejam considerados criminosos e seus lugares invadidos pela polícia, a prender quem estiver pela frente. Comparar isso a um "funk" de glúteos empinados peidando na cara do espectador, cujas letras ou são protetos tolos e frouxos (como o "Rap da Felicidade"), ou são pornografia barata ("Siririca") ou alusões ao crime ("Cerol na Mão"), é ser, no mínimo, ingênuo.

A intelectualidade cai, que nem passarinho em arapuca, nesse discurso. Se você, leitor, se deixar levar por todo esse discurso em favor do "funk carioca", vai achar tudo tão lindo que vai ver beleza onde não existe. Mas se você botar um CD de "funk" para ouvir, vai perceber muito bem que todo esse discurso lindo e maravilhoso se resume a sete letras: MENTIRA.

APAFUNK - Agora que MC Leonardo e os tais Amigos e Profissionais do Funk (APAFUNK) estão de mãos dadas com a mídia gorda e com as autoridades fluminenses, depois daquela reunião na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro que favoreceu os funqueiros, agora vão se reunir com o Ministro da Cultura, Juca Ferreira (PV-BA), para pedir, em caráter federal, proteção ao "funk", além de manifestar o fantasioso desejo de ver o ritmo popularesco transformado em "patrimônio cultural" (com aspas, mesmo).

Meu irmão Marcelo Pereira, do blog Planeta Laranja, tem razão quando afirma que o "funk", desesperado, necessita da tutela legal para garantir uma reputação que naturalmente é INCAPAZ de conquistar sem esforço.

Vale lembrar que o samba nunca precisou de tutela legal para se legitimar. E, quando foi considerado patrimônio cultural, pelos técnicos do IPHAN e não por parlamentares fisiológicos (estes é que vão converter o "funk" em "patrimônio", contrariando todo um processo técnico), o samba já havia conquistado naturalmente sua reputação de verdadeira cultura popular.

ESTA É PARA O PARTIDO "DEMOCRATAS"


Será que alguém pode explicar este cartão de Natal de 1947, provavelmente da União Democrática Nacional? Sobretudo os atuais integrantes da UDN, partido que hoje é conhecido como DEMOCRATAS (DEM)?

"LÍDER DE OPINIÃO" CRITICA O KYLOCYCLO


O "líder de opinião" não gostou de ver o caderninho que ele enviou para uma grande editora ser publicado neste blog. Ele, que está prestes a lançar o livro Frases de Sabedoria, com coquetel previsto para o próximo dia 26 num salão de um prédio empresarial da Avenida Paulista (que, para ele, é sinônimo de "paraíso", mas ninguém pode espalhar isso, não), atacou duramente O Kylocyclo pelo vasamento das dez frases que, em parte, ele tentou desmentir que são suas.

Eis a mensagem dele:

"Sr. Alexandre, eu fiquei chocado de ver dez frases atribuídas a mim no seu blog. Mal posso medir a minha indignação, por ver minha imagem ser depreciada de forma tão humilhante.

Eu, que, além de jornalista, sou blogueiro dos mais conceituados, só porque tenho mais recursos para ir a Brasília e falar com amigos meus do Congresso Nacional, fui tratado como palhaço no seu blog. Se alguns dos meus amigos são poderosos, e se eu apoio parte da chamada grande mídia, isso é problema meu. Leio de Veja a Caros Amigos, e no meu blog prefiro ver legitimidade o que a grande mídia publica, porque ela é mais profissional e seus jornalistas são mais gabaritados.

O que não é o caso de você, que faz um blog vagabundo, cujo único esporte é a iconoclastia, a derrubada de totens inabaláveis. Nunca me passou pela cabeça agradecer a Rede Globo, ou dizer que só penso o que os grandes jornalistas pensam. Se eu defendo que os serviços públicos tenham participação de capital privado ou estrangeiro, o problema é meu. Isso não me faz dizer que odeio a esquerda. Só não gosto de seus excessos.

Você fala que eu sou engravatado ou que falo feito líder sindical. Pura confusão de princípios. Você quer desviar a discussão, com mesquinharias deste tamanhinho. Se só ouço meia-dúzia de FMs, se eu, indo para Salvador, eu sintonizaria com gosto aquela rádio do ex-prefeito, que você chama de "a mais 171 do país", é bom você respeitar, porque tenho mais de 30 anos de jornalismo, nunca trabalhei no Jornal Nacional e nunca fui assessor do falecido Tales Alvarenga, e muito menos de qualquer senador do Maranhão, Bahia ou qualquer lugar que você disser.

Quero que você retire suas críticas, porque você não sabe com quem está lidando. Seu moleque, você não tem a experiência, a imparcialidade e o prestígio que eu tenho. Se eu vir a apoiar o "funk", é porque tenho razões para tal. Se você não gosta de saber que Tom Jobim está morto e que o futuro é o Créu, problema seu. Se a cidadania é mercadoria ou não, pouco importa. Se ela é respeitada, tudo bem. Se vivemos num país capitalista, é preciso respeitar os princípios do liberalismo econômico, e dá para ser de esquerda agindo assim.

Tenha juízo. Atenciosamente, "Líder de Opinião".


RESPOSTA DE O KYLOCYCLO: Eu estaria perdendo muito tempo respondendo cada parágrafo que você escreveu, seu "líder". Mas você é que agiu de tal arrogância contra mim. Se você é experiente e tem prestígio, mas anda meio "arranhado" ultimamente, problema é seu. Assim como Pimenta Neves também foi experiente e, ao cometer um crime passional, jogou toda sua carreira (que não tinha brilho algum) fora.

Você escreve de forma confusa, não eu. Você quer ser de esquerda defendendo valores "do liberalismo econômico", e deixou claro isso. Se vivemos num país capitalista, isso não impede que questionemos seus princípios, na medida em que estes promovem a injustiça social.

Você também se torna omisso com algumas coisas. Usa seu tempo de experiência para dizer que é ótimo ter amigos parlamentares, que você não diz quem são, ou ouvir a emissora baiana do ex-prefeito de Salvador, que, repito, é a "mais 171 do país". Não me iludo com campanhas pseudo-cidadãs dessa rádio, e sei que se você se ilude, o problema é seu, mas não impede que eu venha criticar isso, porque você é figura influente na sociedade, você é formador de opinião, e por isso todos os erros seus, mesmo sendo problema seu, podem refletir negativamente na sociedade.

Eu não vou deixar de criticá-lo. Se você vai lançar seu livro num coquetel entre amigos e gente de nome, tudo bem. Mas tudo o que você fizer de errado, embora seja de responsabilidade sua, terá reflexos no seu público. Por isso lhe critico.

Quem tem que ter juízo é você, por causa do peso de sua experiência. E tem que aceitar novos blogs que vão muito além de seu apático senso crítico.