quarta-feira, 9 de setembro de 2009

MARIA RITA MARIANO


Hoje é aniversário da cantora Maria Rita Mariano.

A gracinha faz 32 anos hoje. Com uma carreira sólida e consistente, apesar dos berros de invejosos atolados no "sertanojo", "arghxé" e outras coisas lamentáveis.

Como já havia dito: não liga, não, Maria Rita! Siga em frente, faça o que realmente gosta e continue na sua carreira linda de grande musa da MPB autêntica.

Parabéns, Maria Rita!! Tudo de bom para você, com saúde, vida longa, prosperidade e sucesso!

PALHAÇADA


Hoje tem a $ele$ão Brasileira, agora com lugar garantido na Copa de 2010, jogando contra o Chile, que nas eliminatórias para 2002, no ano anterior, se comportaram como se fosse um cover do Tabajara Futebol Clube.

O "circo" será o Estádio de Pituaçu, na caótica cidade de Salvador (Bahia).

Terá Galvão Bueno comandando a festa dos "cartolas" e até as "rádios AM em FM" locais - sobretudo a tendenciosa Rádio Metrópole, com o mafioso Mário Kertèsz bajulando os amarelões e talvez fingindo que não gosta do Galvão - esbanjando jabaculê adoidado.

Por isso, amigos, cuidado com as carteiras. Deixem os documentos mais importantes em casa. Assaltantes, "cartolas" e até as FMs estão prontas para arrancar dinheiro de quem estiver na frente.

Já é o bastante que os torcedores sejam os verdadeiros palhaços deste espetáculo todo.

CINEMA ICARAÍ


Aparentemente, o Inepac determinou ao Kopex, empreiteira proprietária do imóvel que foi o Cine Icaraí, de reformá-lo e apresentar projeto de novas instalações até o último dia 28 de agosto. Já se passou mais de uma semana e a situação até agora não foi resolvida. Não vi novidade alguma sobre a recuperação do Cine Icaraí.

É hora de mobilizarmos e cobrarmos a recuperação do Cinema Icaraí, para termos novamente este que foi o último remanescente do cinema de rua de Niterói.

GUACIRA MERLIN


Muitos devem estranhar, mas eu sou vidrado por essa mulher. Acho ela lindíssima e não é pouca coisa.

Guacira Merlin, a deliciosa repórter da Rede Brasil Sul de Porto Alegre, sendo também da afiliada gaúcha da Rede Globo, era adorável mesmo quando era gordinha. Nessa época ela já era graciosa, linda, encantadora. Ela uma bela voz. E ela é bem charmosa.

Mais tarde, ela se submeteu a uma dieta a base de linhaça - alimento que eu também consumo, no café da manhã - e o resultado é este, uma linda mulher que não precisa apelar para a vulgaridade para ser gostosa. As três fotos confirmam a formosura fornida da belíssima Guacira.

Ela tem um blog, chamado A Externauta.

A dieta foi mostrada pelo Globo Repórter, em programa de 14.08.2009, a partir do link abaixo:

EXCEÇÕES À REGRA: VEJA E CARTA CAPITAL


Veja é uma revista de direita. Mas tem Millôr Fernandes.
Carta Capital é uma revista de centro-esquerda. Mas tem Delfim Netto.

Millôr Fernandes lutou contra a ditadura militar através do humor, com a revista Pif Paf (homônima da coluna dele da revista O Cruzeiro) e foi um dos fundadores do jornal O Pasquim.

Delfim Netto é um economista conservador, tendo sido ministro da ditadura militar, a partir de 1967, quando atualizou o plano de Roberto Campos e Otávio Bulhões para criar o "milagre brasileiro".

E NOSSOS FILHOS CANTAM AS MESMAS CANÇÕES


A música dos Beatles serviu de inspiração para o ginecologista das celebridades, Malcolm Montgomery, lançar um livro sobre a juventude a partir da interpretação das canções dos fab four.

O próprio Malcolm faz parte de um "quarteto" de empresários ou profissionais liberais que, embora casados com mulheres mais jovens, têm seu comportamento, sua personalidade, com seus hábitos e valores, mais voltado para os padrões sisudos de "maturidade" e "elegância", por mais que tentem ser joviais. Os outros três "rapazes" são Roberto Justus, Almir Ghiaroni e Eduardo Menga, respectivamente empresário-publicitário, oftalmologista e empresário-diretor de TV.

Malcolm, como os outros três, nasceu no decorrer da década de 50, como já dissemos noutra oportunidade. É uma geração bem diferente da dos EUA e Europa, porque se dividiu entre aqueles que mantiveram o estado de espírito da Contracultura (Evandro Mesquita, Serginho Groisman, Lulu Santos) e aqueles que aderiram à reviravolta granfina dos anos 70 (Roberto Justus, Almir Ghiaroni, Malcolm Montgomery), principalmente por causa da dedicação profissional sobrecarregada, aliada à subordinação a padrões de elegância da época.

O livro é até bem intencionado, citando as várias fazes dos quatro rapazes de Liverpool, e isso ganhou êxito sobretudo pela ajuda do consultor musical Fernando Nuno, músico de rock setentista brasileiro e especialista em Beatles no país. Fernando Nuno também prefaciou o livro.

A metodologia utilizada foi a interpretação das letras das canções dos Beatles, junto à eventual citação de informações sobre a trajetória do grupo, sob o ponto de vista de um ginecologista analisando o comportamento e a personalidade dos jovens.

Embora seja um livro correto e bem feito, não é difícil notar o pecado do livro, com algumas passagens moralistas bem no estilo paternal. Sabemos que LSD é prejudicial, por exemplo, mas a forma como que Malcolm escreve isso é sintomática de sua geração, ao trabalhar um tema juvenil sob o ponto de vista dos mais velhos.

Nesse sentido, a impressão que se tem é que a geração de Malcolm sonharia em escrever livros tipo "Nós cantamos a música dos nossos pais", falando de Frank Sinatra ou Bing Crosby, de um universo tardiamente adotado por essa geração de cinquentões, não de uma forma natural de saudosismo, mas por uma nostalgia pedante feita para impressionar seus mestres ou colegas mais velhos.

Em suma, o livro de Malcolm Montgomery certamente é um livro sobre os Beatles, mas numa perspectiva mais próxima do universo comportado dos pais mais caretas. É um livro sobre o "lado A" mais acessível dos quatro fabulosos.

Mas certamente E nossos filhos cantam as mesmas canções não é um livro recomendado para quem aprecia o "lado B" dos Beatles - de petardos hard como "Helker Skelter" ou esquisitices como "Revolution # 9", "From benefit to Mr. Kite" e "I am the Walrus" - , quando os quatro rapazes de Liverpool se distanciam dos cantores românticos e orquestras de musak, que querem regravar suas músicas, para se juntarem a uma turma que a geração de Malcolm Montgomery nem sempre vê com bons olhos: Rolling Stones, The Who, Jimi Hendrix, The Byrds e até o Pink Floyd de Syd Barrett, cujo primeiro LP Piper at the Gates of Dawn foi gravado no mesmo Abbey Road e na mesma época do Sgt. Pepper's Loney Hearts Club Band, naquele ano de 1967.

BEATLES TÊM DISCOGRAFIA RELANÇADA


É polêmica a iniciativa de remasterizar a discografia do grupo inglês Beatles, mesmo corrigindo falhas feitas na remasterização de 1987 e que irritaram até o guitarrista George Harrison (1943-2001), um dos ex-membros dos fab four.

Em reportagem publicada pela Folha de São Paulo, os beatlemaníacos dão preferência à sonoridade mono das músicas do quarteto de Liverpool, porque foi dessa forma que as músicas foram originalmente lançadas, no decorrer dos anos 60 até 1970. A remasterização incluiu a tecnologia estéreo atual, do contrário das remasterizações anteriores. É a primeira vez que os três primeiros LPs dos Beatles saem em estereo.

O relançamento da discografia, que inclui também fotos e informações e um mini-documentário relacionado ao respectivo CD, foi feito juntamente com o jogo virtual The Beatles: Rock Band. A data escolhida, 09 de setembro de 2009, foi por simetria numérica (09/09/09), e pelo trocadilho que sugerem o número "09" faz com referências como a canção "Revolution Number 9" e com um CD solo de Harrison, Cloud Nine.

O relançamento é mais adequado para fãs recentes do grupo, pessoas que não tem muita intimidade com o rock autêntico e pensam que Guns N'Roses e Bon Jovi são "rock clássico". Gente ainda criança nos tempos do grunge e que, na sua viagem cultural como "descolados", tropeçam em vários equívocos de sua formação cultural, pensando que Michael Jackson era um letrista igual ao Bob Dylan e um músico igual ao Jimi Hendrix (estava muito longe de ser um e outro e nada tinha a ver com o rock autêntico) e que a década de 80 só se serviu de Dr. Silvana, Trem da Alegria, Absyntho e outras barbaridades.

Por isso, de alguma forma, os Beatles são apresentados às gerações mais recentes. Sem estarem condenados ao ostracismo ou esquecimento - até porque eles influenciam até nomes contemporâneos como Oasis, Los Hermanos e Foo Fighters - , os Beatles quase foram desacreditados pela geração pós-1978. Mas, agora que esta geração apresenta seus primeiros trintões, estes pelo menos estão mais preparados e pacientes para conhecer sobretudo as canções gravadas entre 1962 e 1970 por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

INDICAÇÃO DE BANDA CALYPSO DO PRÊMIO NOBEL FOI FARSA


Banda Calypso, numeroso conjunto em que só aparece o casal central, em factóide publicado até no portal Terra.

No blog Contraditorium, de Carlos Cardoso, há um bom texto que desmitifica a notícia de que a Banda Calypso, aquele enorme conjunto de forró-brega em que somente o casal central, Joelma e Chimbinha, aparece, seria indicado ao Prêmio Nobel da Paz.

Havia escrito no Preserve o Rádio AM um texto, e por boa-fé minha, achei legítima a notícia da indicação, embora achasse um absurdo e discordasse plenamente da concessão de um prêmio desses a um grupo popularesco. Entre outras coisas, escrevi que o grupo não merece o Nobel e que seu trabalho seria apenas uma propaganda para o grupo, desqualificando o trabalho das demais ONG's que, sem se preocuparem com o Nobel, fazem um trabalho mais significativo e muitas vezes mais arriscado, porque vão para os redutos da criminalidade para desviar as crianças desse lamentável destino.

Mas depois, por curiosidade, fui ver na busca do Google para ver se Joelma e Chimbinha, sob o crédito da banda que lideram, ganharam o Nobel (na torcida de que o casal NÃO ganhasse o prêmio) e cheguei a este texto, que denunciou a farsa da notícia.

Carlos Cardoso, aliás, começa a espinafrar uma parcela dos "líderes de opinião" (sem usar este nome) que só ficam copiando textos, sem questionar a veracidade dos fatos. Vale aqui reproduzir este puxão de orelha: "Uma das coisas que mais me irrita na Internet é a INCAPACIDADE dos sites e blogs de AGREGAR conteúdo. Aparece uma notícia, eles replicam do jeito que chegou, botam a fonte e acham que fizeram trabalho. (...) Depois aparecem em eventos dizendo “eu trabalho em um poorrrrrrtal (enchem a boca) e não num bloguinho”. (para os bloguinhos xeroqueiros: Coloquem a PORRA da sua opinião junto da notícia, se não vão agregar informação factual ao menos COMENTEM)".

Para entendermos a gravidade do factóide, uma pegadinha que até me pegou, cabe aqui reproduzir o "vitorioso" texto, publicado entusiasmadamente por revistas de fofocas da TV (tipo Conta Essa, TV Brasil e outras que morrem nas cestas de revistas dos salões de beleza suburbanos):

" A banda paraense Calypso foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, segundo a assessoria da banda. A oficialização será realizada no dia 15 de fevereiro, um domingo.

A indicação de Joelma, Chimbinha e companhia deveu-se a seu relevante trabalho humanitário em prol dos carentes da região Norte, informa uma nota oficial do Comitê da Paz.

O evento oficial de indicação vai acontecer durante uma partida de futebol e uma apresentação da banda no estádio do Mangueirão. O preço do ingresso ainda não foi divulgado."


A mídia popularesca caiu em delírio e as comunidades pró-Calypso no Orkut devem ter enchido de gente desejando boa sorte a Joelma e Chimbinha, chamando-os de "guardiões da cidadania". Não vi as comunidades - visito pouco o Orkut e não vejo muito futilidades, a não ser quando preciso pesquisar sobre a gravidade de certos absurdos na vida - , mas imagino toda a festa feita pela suposta indicação.

Carlos Cardoso esclarece a invalidade da indicação, afirmando que o Nobel mantém em sigilo a lista dos indicados. Vendo a página do Nobel, Carlos tem a seguinte conclusão, reproduzida abaixo:

"1 – TODAS as informações de indicações ou são rumores ou são vazamentos, o nome dos indicados é mantido secreto por 50 anos. Portanto não haverá confirmação oficial até a Banda Calypso ganhar (ou não).

2 – Somente entidades ganhadoras de outros anos, Governos, membros de cortes internacionais, membros de organizações ganhadoras, conselheiros da Fundação Nobel, reitores de universidades e professores de ciências sociais, história, filosofia ou teologia, diretores de institutos de pesquisa de paz (e mais um grupo) podem indicar alguém para o Nobel da Paz".

A suposta entidade que teria "indicado" a Banda Calypso para o Nobel da Paz, um tal de "Comitê da Paz", criada por um ex-Boina Azul, cuja página no portal BH Virtual desapareceu. Da mesma forma, também desapareceu a reportagem do Diário do Pará (que lançou o factóide) com uma suposta cerimônia incluindo este líder do "Comitê de Paz", que atende pelo nome de João Pedro do Nascimento, definido como "bispo".

Apesar de eu ter a princípio acreditado na suposta indicação, sempre a achei um absurdo e nunca quis que a Banda Calypso ganhasse o Nobel da Paz. Seria mais uma propaganda que os ídolos da Música de Cabresto Brasileira ganhariam, eles que estão paranóicos em invadir espaços alheios, e seduzir até o público do exterior.

Mas os gringos não são trouxas. Alexandre Pires não virou "cidadão do mundo" e, fracassando no exterior, voltou ao Brasil. Sandy & Júnior não convenceram como um clone brasileiro do Roxette nos EUA. O "funk carioca" tenta invadir a Europa e os EUA, com um investimento financeiro estranhamente grande, e volta recebendo chacota dos estrangeiros, certamente vendo no ritmo carioca uma exótica aberração. A axé-music também não convence em coisa alguma os estrangeiros. E Chitãozinho & Xororó só fizeram tentar alguma amizade com Reba McEntire e Billy Ray Cyrus (nos tempos em que sua pequena Miley estava longe de ser uma deliciosa super estrela adolescente). É O Tchan em Montreux? Foi tão somente um cruzamento de tara sexual com pagamento de mico.

Felizmente, como não passou de uma farsa essa "indicação" da Banda Calypso, podemos ficar sossegados. Joelma e Chimbinha não levaram o Nobel, terão que se contentar mesmo com o oba-oba brasileiro que se deslumbra com a falsa imagem de "injustiçados" do grupo paraense de forró-brega. Ou com a falsa fama de "independentes", até porque a gravadora que lançou os primeiros discos da Banda Calypso não pode ser considerada "indie" porque não adota a filosofia das verdadeiras gravadoras independentes, é só um selo que, por questões de circunstâncias, tem estrutura pequena, mas tão capitalista quanto qualquer multinacional. Mas isso é assunto para outro texto, em breve.

INGLESES TRAZEM BOA NOTÍCIA: BIG BROTHER VAI ACABAR!!


Boa notícia na Inglaterra!!

Big Brother de lá vai acabar!!

O mais famoso "riélite chou" do planeta, produzido pela holandesa Endemol, não terá sua edição britânica renovada, e a emissora de TV britânica que produziu o programa já avisou que o programa será extinto em 2010.

Que bom seria se o Big Brother Brasil fosse extinto, não é mesmo? Mas aqui garantiram a edição de 2010! Não bastassem os amarelões na Copa.

AS PRÓXIMAS E A DISTANTE


Buááááá!! Tanta mulher classuda se casando, mas só sobra mulher sem valor!!

Já falei, na nota sobre a Regiane Alves, que muitas mulheres classudas estão se casando, fechando demais o "mercado" amoroso e eu perguntei quem serão as próximas na fila casadoura.

Pois a revista Caras já escalou as próximas: Daniela Escobar e Bruna di Tulio.

Daniela Escobar foi casada com Jayme Mondardim, tem um filho desse casamento, mas, descasada, havia vivido até um tempo sem namorado. Agora ela está noiva do empresário Marcelo Woellner.

Bruna di Tulio, uma mulher classuda e atriz talentosa que se descobriu depois de um comercial de cerveja, anunciou também que está noiva e vai se casar ano que vem. A versão Internet de Caras não publicou a notícia, que está na versão impressa de hoje.

Além delas, a jornalista Renata Maranhão, aquele sonho de mulher que apareceu em fotos de lingerie nos prospectos das Lojas Americanas e depois virou jornalista da Rede TV!, está casada com um empresário (sempre os empresários!).

Enquanto isso, chegou a notícia de que a ex-BBB Priscila Pires terminou o namoro com Fred Cialla. Ela curtiu o feriado de 07 de setembro apenas com as amigas.

Só que a ex-BBB Priscila Pires, apesar da formação de jornalista, andou se esbaldando em eventos de axé-music e "funk carioca", além de não ser lá muito bonita, pois tem uma cara enjoada e é completamente sem sal. E não consegui encontrar alguma coisa relevante nas entrevistas da dita cuja.

NORMAN MAILER E O OFTALMOLOGISTA "QUADRADO"


Numa entrevista feita ao Jornal do Brasil, há cinco anos, o oftalmologista carioca Almir Ghiaroni afirmou que, entre os autores literários que lia, estava o jornalista Norman Mailer (1923-2007), considerado por muitos um seguidor do new journalism.

No entanto, o que Almir - dado a uma personalidade bastante sisuda, apesar de casado com uma mulher mais jovem e de ser um ano mais novo que o Lulu Santos, uma sisudez que chega ao ponto de aparecer quase sempre com terno preto com gravata ou com smoking em festas de gala - não conhece é que Norman Mailer lançou, por volta de 1959, um livro chamado The White Negro, traduzido aqui como O Negro Branco.

Não tive oportunidade de ler nem sequer adquirir o livro, mas soube dele através de uma longa análise de Luiz Carlos Maciel. Mailer afirmava, no livro, que uma época como vimos na Contracultura (1964-1968) estava por vir. Ele descrevia dois tipos principais de homem que seriam escolhidos na vindoura década de 60: o square, o "quadrado", e o hipster, o "avançado", algo entre o beatnik (cujo maior exemplo é o escritor Jack Kerouac) e o hippie (cujo exemplo mais engajado foi o tresloucado, no bom sentido, Abbie Hoffman).

O "quadrado" seria aquele homem que parecia correr atrás dos EUA dos anos 40, e quando começava a curtir a década de 1940 (comprometida por causa da Segunda Guerra) na década seguinte, a geração rock'n'roll lhe atrapalhou sua festa. Seria aquele homem com mania de ser granfino, 'maduro', influenciado sobretudo pela já superada fase áurea de Hollywood (1937-1958), querendo se vestir, até nos dias de hoje, como se fosse um Cary Grant com trejeitos de Humphrey Bogart. Tem uma obsessão doentia pela elegância e pelo refinamento, que calcula até mesmo a maneira de dar uma risada.

O "avançado" usava o jazz instrumental para reagir ao romantismo dos standards (cruzamento do dixieland com os musicais da Broadway que caraterizou a música cinematográfica de Hollywood, confundida por muitos com o jazz), e adotava valores considerados estranhos ao mundo square: filosofia existencialista, religiões chinesas, longas viagens, sem propósito muito definido, pelos EUA. Era um rebelde mesmo depois dos 30 anos, e achava que todos os valores "superiores" do american way of life estavam caducos.

O hipster tornou-se manifestante de primeira hora da Contracultura, até mesmo antes desta onda de manifestações juvenis. Chamou negros, gays, operários e outros excluídos sociais a se manifestarem. Reprovou o rock dos anos 50, mas deu boas vindas aos roqueiros ingleses e californianos que renovaram o gênero nos anos 60. E manteve uma personalidade jovial mesmo depois da idade madura.

Hoje a sisudez de Almir Ghiaroni não encaixa mais numa revista Caras mais pop, numa coluna de Hildegard Angel mais próxima do mundo fashion da mãe do que do desfile de granfinos que a coluna antes mostrava. Uma de suas aparições mais recentes foi no Programa do Jô, da Rede Globo, quando o oftalmologista, só para lançar um livro seu (o segundo romance), apareceu de terno preto, desses trajes que os industriais mais ortodoxos usam nas cerimônias mais formais. Só que o mesmo programa do Jô Soares também recebe gente como o Marcelo Adnet.

Já dá para perceber o exemplo do square brasileiro, ofuscado por uma modernidade mais colorida de roupas joviais e idéias arejadas.