quinta-feira, 3 de setembro de 2009

MÚSICA BREGA NÃO É COISA SÉRIA


Odair José, o "Bob Dylan da Central"? Ahn?

- Foi o que o Paulo César Araújo disse, Alex.

Nada disso. Que "Bob Dylan da Central", o quê?!

Nem Bob Dylan da Central, nem Lou Reed de Deodoro, nem Syd Barrett de Japeri nem muito menos Raul Seixas do Piscinão de Ramos.

Não vê que essa imagem "rebelde" do PC Araújo incomoda até o próprio Odair José, que além do mais é evangélico e muito menos engajado do que se imagina?

O que Odair fez e faz não difere muito da média feita por cantores de Jovem Guarda. E os maiores especialistas em JG sabem que o movimento de cultura jovem brasileira dos anos 60 não teve no engajamento e na rebeldia os seus fortes, mesmo numa época em que a UNE, oficialmente extinta pela ditadura, ainda assim ia para as ruas contra o acordo MEC/USAID (acordo que a "galera irada", que adora a gíria "balada", acha que Michael Jackson foi "revolucionário" e adere à primeira micareta que encontrar na frente, entende como sinônimo de NADA DE MAIS).

Ora, se Odair José fazia, ainda que tardiamente, o som da Jovem Guarda, e se a Jovem Guarda nada tinha de essencialmente rebelde ou engajado, por que diabos compará-lo a um cantor engajado tipo o Bob Dylan?

Brega não é para se levar a sério.

BENTO RIBEIRO PROMOVIDO A GALÃ


Giro de notícias. Bento Ribeiro da MTV está na lista dos mais sexy da Isto É Gente. O filho do jornalista João Ubaldo Ribeiro e que tem nome de bairro carioca, Bento, aqui na foto com a sua colega do Furo MTV, a deliciosa Dani Calabreza, está na 20ª colocação.

Para mim não interessa esse assunto de homens, pouco importa a posição de fulano ou sicrano, não é minha área, mas o detalhe nesse caso é que Bento - também integrante do elenco de Furfles MTV - poderá atrair um fã-clube feminino que talvez seja mais modesto que o do Rodrigo Lombardi, mas ainda assim cheio de gatinhas interessantes e inteligentes. Por isso, peço ao Bento que reserve algumas de suas novas fãs para elas namorarem pessoas modestas tipo eu, humilde espectador dos Furfles e do Furo.

MATEMÁTICA

Mudando de assunto, vamos aprender aquele ponto da matemática chamado 'conjuntos'. Por isso, vamos citar o Furo MTV. Se Bento Ribeiro e Dani Calabreza fazem parte do Furo MTV, e fazem parte também do programa Furfles com outros integrantes (em especial o carioca Marcelo Adnet que, dizem rumores, se chama Marcelo Adnerd), então o Furo MTV é um sub-conjunto contido no conjunto Furfles.

Ganhei um dez, professor?

CASADAS, CASADAS, CASADAS


Fabiana Boal, do canal Shoptime, quando não exibia anel algum de comprometida.

Fabiana Boal, a bela sobrinha do falecido diretor teatral Augusto Boal e que é apresentadora do canal de vendas Shoptime, nos últimos meses exibe na mão esquerda um anel de casamento.

Outras belas maravilhosas, a jornalista da Rede Globo Minas, Narrimann Sible e sua colega gaúcha da Rede Brasil Sul, Guacira Merlin (que já era uma gordinha sexy e encantadora e tende a ser uma esbelta sexy e encantadora), também exibem seus anéis de casadas nas mãos esquerdas.

Além disso, este é o mês em que Larissa Maciel e Cássia Kiss se tornarão oficialmente casadas.

E as dançarinas ou ex-dançarinas de pagode e "funk" com medo de se casarem com homens ao mesmo tempo afins e mais influentes.

PROFESSORA BAIANA DÁ MÁS LIÇÕES


Lamentável. Uma professora baiana, de forma ostensiva, rebola ao som do mais horrendo "pagodão" de Salvador.

Você deve imaginar: "é professora de escola pública"? Nada contra as escolas públicas, no entanto, mas elas foram trucidadas por tantos anos de carlismo, pois o populismo de direita de Toninho Malvadeza, o verdadeiro pai da axé-music, dependia da burrice da população para se fazer prevalecer. Por isso, as escolas públicas são vítimas do sucateamento da Educação na Bahia.

Mas, para piorar as coisas, não foi uma professora de escola pública, mas de escola particular. Ela estava rebolando um pagodão, de um grupo obscuro, O Troco, de estilo similar ao do Psirico, e o vocalista levanta o vestido da moça, chamada Jaqueline, de 28 anos, para mostrar os glúteos e a tanga fio-dental dela.

Um "espetáculo" bem ao nível dos "áureos tempos" do É O Tchan. "Espetáculo" que deixou a professora confusa, quando apareceu no tenebroso programa Geraldo Brasil, da Rede Record. Ela disse que se arrependeu, depois disse que não se arrependeu, disse que nada havia de errado no que ela fez, mas depois disse que todo mundo erra (até ela). Ela teve que mudar de residência porque seus vizinhos, por gozação ou tara, cantavam a tal música do Troco.

Isso é um triste quadro de nosso país, com crise de valores, que ainda legitima a baixaria do "funk carioca" como "movimento cultural". O que mostra o quanto complexo é o quadro da Educação no Brasil, onde faltam especialistas do nível dos saudosos Anísio Teixeira, Paulo Freire e Darcy Ribeiro, gente que pensava pelo país, gente que tinha um programa educacional que não se limitasse à simples instrução geral nem à mera formação técnica e profissional.

E ainda há idiotas que acham que "funk carioca" e futebol substituem a Educação. Quanto absurdo existe neste país.

ACADEMIA COLLORIDA


Fernando Collor é o mais novo "imortal" da Academia Alagoana de Letras. Intelectualidade fisiológica.

Na Bahia, pelo menos, não se chegou a eleger o equivalente baiano de Collor, Mário Kertèsz (hoje fingindo que é "radiojornalista"), para a Academia Baiana de Letras. Kertèsz é tão pedante quanto Collor, mas na aparência mais parece um Paulo Maluf de barba. Collor, pelo menos, é um ex-galã (com 60 anos, hoje está mais para sugar daddy.

Na Bahia, há intelectuais que apoiam abertamente o astro-rei da Rádio Metrópole, e pelo jeito é uma intelectualidade que gosta de apanhar, já que ninguém rompe com essa rádio e seu egocêntrico dono, que andou atacando no ar, para todo o território baiano onde essa FM "171" irradia, figuras tarimbadas da imprensa de esquerda e da intelectualidade de vanguarda na capital baiana.

Mas, nas Alagoas, como devem se comportar os "líderes de opinião"? Será que têm coragem de aplaudir abertamente o grande marajá collorido?

PÃO DURO


Infelizmente, é raro encontrar alguma boa padaria em Salvador (Bahia). Ironicamente, a melhor padaria da cidade, a Alimentare, com filiais em Brotas e na Pituba, foram fechadas. A filial da Pituba deu lugar a uma casa noturna pornô. Até outubro de 2008, a filial de Brotas simplesmente estava fechada, com um anúncio de futuras obras.

A maioria das padarias de Salvador produz o mesmo tipo de pão: muito bromatado, mal temperado, incluindo pães de sal sem sal. Os pães são geralmente muito pálidos, ou então são quase queimados. Quase não há padarias que vendem bisnagas - opção de pão para grupos familiares - e, quando há, elas, salvo exceções, não prestam. Uma exceção é uma padaria localizada junto a um supermercado na Rua General Labatut, nos Barris, próxima à Rua do Salete.

A Perini chega a ser um dos casos mais lamentáveis. A rede de lojas na verdade é um complexo de delicatessen com 45 anos de existência. A Perini produz excelentes bolos, sorvetes e outros doces, além de salgados como coxinhas e risoles. Mas, na hora de produzir pão, sobretudo bisnaga, é um desastre.

A bisnaga simplesmente é queimada, mal temperada e sem gosto. O pão não é macio por dentro e nem crocante por fora. É, pura e simplesmente, um pão duro. Não bastasse a Perini cobrar caro por todos os seus produtos, a bisnaga não compensa em coisa alguma o preço cobrado. Qualquer padaria modesta da Baixada Fluminense, ou mesmo a padaria União, em Santa Rosa, Niterói (RJ), faz bisnagas muito melhores que a Perini, tida como sofisticada.

Espera-se que as coisas mudem, que as padarias da capital baiana temperem melhor seus pães, que vendam mais bisnagas junto aos pães franceses, oferecendo assim mais opções de escolha dos fregueses. E que a Perini melhore seus pães, porque não adianta caprichar em doces, bolos e sorvetes, se os pães são um horror. Uma loja de prestígio tem que oferecer qualidade em tudo, até porque se comprometeu para isso.

A mesma Folha da "ditabranda" é a que elogia o "funk"


Essa é para o pessoal da Caros Amigos, todos os jornalistas envolvidos e seus leitores, que tanto se revoltaram com a "ditabranda" criada pela Folha de São Paulo mas ignoram que o mesmo jornal dá todo o aval ao "funk carioca" que eles pensam ser "excluído" da grande mídia.

Aqui está o texto, na íntegra:

Deputados revogam restrições ao funk no Rio e estilo vira movimento cultural
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da Folha Online - 02.09.2009

Os deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) aprovaram na noite desta terça-feira, por unanimidade, projeto de lei que dá status de movimento cultural ao funk. Os deputados também revogaram a lei, aprovada pela Casa em 2008, que impunha uma série de restrições à realização de bailes funk e festas rave no Estado.

"Por que ter regras tão duras para os bailes funk se não fechamos ou impedimos de funcionar a boate na zona sul onde um jovem foi morto?", questionou o deputado Paulo Melo (PMDB).

Aprovados em discussão única, os projetos serão enviados ao governador Sérgio Cabral, que terá 15 dias úteis para sancionar as propostas.

"Os projetos foram escritos pelo movimento, o mérito é deles, que percorreram gabinetes e possibilitaram esta votação histórica onde corrigimos uma injustiça", disse, em discurso, o deputado Marcelo Freixo (PSol), que assina as duas propostas.

O primeiro projeto a ser aprovado, que define o estilo musical como "movimento cultural e musical de caráter popular", tem a coautoria do deputado Wagner Montes (PDT), que defendeu a medida como uma forma de combate ao preconceito que ainda existe contra o estilo.

"O funk ainda hoje é visto como algo menor por ser fruto da realidade das comunidades mais carentes, mas é importante culturalmente e merece ter seu espaço garantido", disse Montes.

Freixo chamou a atenção para a mudança política permitida pela proposta, que fará com que o movimento passe da competência da secretaria de Segurança Pública para ser assegurado pelos órgãos de cultura do Estado. O texto foi aprovado com uma emenda do deputado Flávio Bolsonaro (PP) que exclui da categoria de movimento cultural as composições que fazem apologia ao crime.

O projeto de Freixo e Montes proíbe qualquer tipo de discriminação ou preconceito, e incumbe o poder público de "garantir as condições para que a diversidade da produção musical funkeira possua veículos de expressão", e, ainda, de disponibilizar espaços para apresentações.

Já o segundo projeto revoga lei aprovada pela Alerj em 2008, que traz regras para a realização de bailes funk e festas rave. Precursor no estilo, DJ Malboro afirmou que a lei revogada reforçava a ilegalidade. "Ela fez com que muitos clubes passassem a promover bailes na clandestinidade, por não terem como adotar as medidas exigidas. Não queremos isso, queremos a legalidade justa, igualitária para todo tipo de evento", afirmou.

A secretária Estadual da Cultura Adriana Rattes também defendeu a medida. "É inegável que o funk é cultura, e, como movimento cultural, é e será cada vez mais um instrumento de formação e educação. A secretaria de Educação tem trabalhado intensamente em projetos ligados ao funk", ressaltou.

Restrições

Segundo algumas normas da lei estadual 5.265, de autoria do ex-deputado e ex-chefe de polícia Álvaro Lins, para realizar um baile funk é necessário pedir autorização com 30 dias de antecedência, ter comprovante de tratamento acústico, ter um banheiro químico para cada 50 pessoas e câmeras no local, além de outras regras.

O pedido de autorização para a realização do evento deverá informar ainda a expectativa de público, o número de ingressos colocados à disposição, nome do responsável pelo evento, área para estacionamento e previsão de horário de início e término do baile.

BUNDÃO


"Discordo de tudo que você disse. Tchau." (Sérgio)

Foi a mensagem que recebemos, relacionada aos textos que este blog faz sobre o "funk carioca", traduzido para um português inteligível (o cara escreveu em internetês).

O coitado deve ser uma marionete da mídia gorda ou está trabalhando para algum DJ funqueiro.

A PEEMEDEBIZAÇÃO DA MPB


Paulo César Araújo defendendo o brega "de raiz". Hermano Vianna defendendo a música brega do futuro. Rádios de brega-popularesco aos montes no país, do Oiapoque ao Chuí. Reacionários defensores de ídolos popularescos, mais preocupados em ofender quem não gosta desses ídolos do que de defender estes próprios.

Desde 2002, eclodiu toda sorte de campanhas para defender todo aquele universo musical brasileiro, de qualidade bastante duvidosa, como se fosse a "cultura popular de verdade". De uma hora para outra, calaram-se as vozes contra (Artur Dapieve, Arnaldo Jabor, Ruy Castro, Mauro Dias), muitas vezes a contragosto e por imposição dos editores da grande imprensa. Por outro lado, vieram várias vozes a favor, usando de todos os pretextos para perpetuar a fauna brega-popularesca nas paradas de sucesso, tentando fixar a todo custo seus ídolos no gosto popular.

Eram ídolos que sempre estavam no establishment da grande mídia. Mesmo que este establishment seja tão somente regional. Mesmo assim, toda uma retórica armada das mais diversas formas, da defesa apaixonada de um ídolo brega ou neo-brega até o ataque mais difamatório contra seus detratores, tenta dar a falsa impressão de que esse universo musical nunca fez algum sucesso na vida e que seus ídolos são "injustiçados" pela mídia e pelo "sistema".

É um discurso falacioso, que recorre sempre aos mesmos apelos: "ruptura do preconceito", "conquista de espaços", "inveja contra tais ídolos", e tudo mais. Várias vozes, várias estratégias, várias alegações. E o que os defensores da música brega-popularesca, de Waldick Soriano a MC Créu, de Odair José à Banda Calypso, de Gretchen a Alexandre Pires, de Nelson Ned a Zezé Di Camargo & Luciano, querem com tudo isso?

Simples. Querem transformar a Música Popular Brasileira numa "casa da Mãe Joana", num universo de vale-tudo, onde até os glúteos das mulheres-frutas podem peidar sossegadamente na cara dos estudiosos da cultura brasileira. Tudo para garantir vantagem para quem realmente interessa: os políticos, empresários e latifundiários que estão por trás desses ídolos e que ninguém pode desmentir, embora se esforcem em omitir.

Pois tudo isso se compara ao que os políticos fizeram com o antigo Movimento Democrático Brasileiro, hoje reduzido a um balaio de gatos chamado PMDB.

O MDB surgiu em 1964, por razões do AI-2, que extinguiu partidos políticos, sindicatos, instituições diversas, dando complemento ao Ato Institucional anterior, que a ditadura lançou para cassar direitos políticos de várias figuras públicas (inclusive o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que ingenuamente apoiou o golpe de 1964 achando que iria resolver a instabilidade do oblíquo governo Jango).

Dois partidos surgiram no lugar.

Primeiro foi a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), na prática reencarnação da antiga UDN (União Democrática Nacional) que, salvando seus princípios, teve que alterar seu nome ao longo dos anos, tendo sido PDS, PFL e hoje DEM, mas é sempre a velha UDN das "bandas de música" e da "bossa nova" (que lançou José Sarney) e agora temos a "banda emo da UDN" (os EMOCRATAS) de Rodrigo Maia, ACM Neto, Paulo Bornhausen e outros.

Segundo, foi o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido de oposição moderada que, no grosso, foi composto por remanescentes não-cassados dos quadros menos reacionários do PSD, menos engajados do PTB e menos radicais do PCB.

Muitos que se opunham à ditadura militar não confiavam no MDB. Achavam que era oposição de fachada, e no fundo era, realmente. Sua salada ideológica, incluindo comunistas, trabalhistas e pessedistas flexíveis, fez com que o partido se tornasse esquizofrênico na sua proposta "democrática", e, como único partido formalmente sobrevivente dos tempos da ditadura (ganhou apenas um "P" de "partido") - já que a ARENA, como partido conservador, teve que mudar seu nome para salvar seus princípios - , tornou-se algo sem identidade, sem cara, sem perfil.

O PMDB tornou-se uma massinha de modelar, que ganhava a forma que tivesse, daí ter virado o símbolo do "fisologismo político", que é o processo de adotar medidas anti-éticas e até "vira-casacas" para obter vantagens pessoais.

A SIGLA MPB

Com um passado mais nobre que a sigla política MDB, a sigla MPB também representou uma alternativa de manifestação contra a ditadura. A sigla apareceu, oficialmente pela primeira vez, em 1960, com os Centros Populares de Cultura da UNE. Mas foi adotada em larga escala em 1964, como reação à ditadura. Até um grupo vocal surgiu com a sigla no seu nome: MPB-4.

Embora a ditadura tenha impossibilitado a continuidade do diálogo entre os intelectuais dos CPC's da UNE com as classes populares - processo que no plano cultural era influenciado pelas teses do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), liderado por gente como Roland Corbisier e Nelson Werneck Sodré - , o movimento MPB tentou perpetuar as propostas cepecistas e popularizá-las de alguma forma. A música brasileira adotou os festivais da canção como seu reduto e o projeto cepecista já havia se fundido com a sofisticação da Bossa Nova.

Na época a repercussão foi enorme. Uma geração de universitários que, com muita musicalidade e consciência sócio-política, fizeram uma música variada e de alta qualidade, cruzando sofisticação bossa-novista com regionalismo cepecista. Pouco depois, veio o Tropicalismo para criar uma nova visão que, sem renegar a fase anterior da MPB, queria adicionar a ela elementos da música jovem contemporânea e conceitos esquecidos do Modernismo de 1922.

A MPB, dessa forma, conseguiu prolongar o fôlego bossanovista e cepecista até 1977, quando as regras de mercado, adotadas por executivos de gravadoras oriundos de grupos menores da Jovem Guarda, sob o apoio da Rede Globo iniciaram um processo de pasteurização da MPB, o que subordinou a Música Popular Brasileira a fórmulas como músicas românticas, letras piegas, discos superproduzidos e às vezes gravados no exterior e arranjos cheios de sintetizadores ou orquestras numerosas.

Paralelamente a isso estava a música brega que surgiu patrocinada por empresários de redes de lojas (supermercados, eletrodomésticos etc), latifundiários e donos de grandes redes de rádio. Seu sucesso representava um padrão de "cultura popular" que agradava aos detentores do poder durante a ditadura militar, em que pese alguns de seus artistas terem sido censurados (Odair José, Waldick Soriano), mais por alusões a sexo e drogas e por interpretações falsas que levaram a pseudo-alusões contra o regime militar.

A partir dos anos 80, com nomes como Sullivan & Massadas, Chitãozinho& Xororó e Wando, a música brega se fundiria com elementos da "MPB pasteurizada" que produziriam uma geração a se ascender nos anos 90: Só Pra Contrariar e seu cantor Alexandre Pires, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano, Frank Aguiar, Latino, entre outros. Por outro lado, a influência claramente grotesca de Gretchen, Sérgio Mallandro e quejandos produziria todo o "funk carioca" e nomes como É O Tchan, Tiririca, Mamonas Assassinas, Tchakabum e outros. E também veio a axé-music abençoada por Antônio Carlos Magalhães. Esses universos surgidos ou crescidos nos anos 90 são o que se convém chamar de neo-brega.

Apesar de reações eventuais contra a breguice reinante, como em 1990-1993 (Marisa Monte, Adriana Calcanhoto, Lenine, Zélia Duncan e todo o mangue beat), em 1999-2004 (Maria Rita Mariano, Seu Jorge, Cordel do Fogo Encantado, Vanessa da Matta, Roberta Sá), o brega-popularesco, alimentado há décadas por um esquema de marketing e propina chamado "jabaculê", antes limitado às rádios e hoje estendido para espaços culturais e cientistas sociais, ameaça a soberania da Música Popular Brasileira autêntica, com todo um repertório discursivo engenhoso.

Mas, embora muitos usem como o pretexto a idéia, altamente discutível, de que a diversidade cultural brasileira também inclui ídolos bregas e neo-bregas, a intenção mesmo é de transformar a MPB num PMDB cultural: num universo fisiológico, em que basta gravar qualquer porcaria cantada em português para "ser MPB". Pode ser até o Créu. Isso em nada vai enobrecer os ídolos popularescos que, colocados lado a lado aos grandes nomes da MPB, darão uma comparação inevitável, que fará com que breganejos, axezeiros, sambregas, porno-pagodeiros, funqueiros, bregas veteranos etc levem a pior, porque sua música se mostrará muito mais medíocre que a dos músicos e cantores da MPB autêntica.

Além disso, a hegemonia comercial do brega-popularesco se deve muito ao hoje senador do PMDB, José Sarney, que através da distribuição politiqueira de rádios fez crescer várias emissoras de brega-popularesco do país. Os ídolos popularescos nada têm que atacar o senador que tanto fez por eles.