domingo, 30 de agosto de 2009

É SÉRIO: DEMI LOVATO FAZ ROCK DE VERDADE


Sim, meus amigos. Demi Lovato é roqueira mesmo. Nada de musiquinha infantil, é mais fácil atribuir essa "qualidade" a uma cantora baiana famosa por sua megalomania.

Pois a belíssima Demi - que aparece aqui com camisa abotoada para dentro da calça, um traje que é fetiche deste blog e que não é valorizado pelas mulheres comuns aqui no Brasil - , com 17 anos e dois álbuns, provou ser dotada de boas informações musicais, e uma das faixas recentes, "Open", poderia ser tocada tranquilamente numa rádio de rock autêntico.

Sei que isso é um choque para o descolado politicamente correto, que opta por uma entre duas hipóteses. Ou ele, se "radical", me chama de ridículo, porque até agora não ouviu um "rock pauleira" no disco da Demi, ou então ele, se "flexível" me chama de frouxo e me diz que uma "boa rádio rock" toca mesmo são coisas "normais" para aquilo que ele entenderia, no caso, como "atitude rock", como Lady Gaga e Black Eyed Peas. Para não dizer coisas "exóticas" do tipo M. I. A., Peaches ou a Pink.

Mas é só ouvir, clicando o link abaixo, a música da Demi Lovato, "Open", para ver como eu tenho razão. Quem sabe a Demi Lovato pode ser a Cat Power de amanhã. Pelo menos "Open" é a "He War" dos adolescentes.

E tanto a Demi Lovato quanto a Chan Marshall são duas lindezas, duas mulheraças separadas por duas décadas de nascimento entre uma e outra.

OS PSEUDO-ESQUERDISTAS E AS CAMPANHAS DE 2010


Certamente a brincadeira está perto de acabar e a garotada "bem nutrida", que até agora exibe camisetas de Che Guevara, broches com o símbolo da foice e do martelo e participação em comunidades marxistas do Orkut, deve se preparar para o futuro.

Será que vão tirar a máscara de "esquerdistas", uma vez que a fantasia não foi muito convincente e a única instituição de esquerda que muitos desses jovens demonstraram gostar é a FARC (Força Armada Revolucionária da Colômbia), só pelo fato dela fornecer a "merenda" para a "criançada"?

Pois muita gente virou "esquerdista" por causa do Lula, e o mandato dele termina e a Constituição Federal de 1988 proibe o antigo sindicalista de se reeleger mais uma vez (ele atingirá o máximo dos mandatos consecutivos determinado para governantes pela Carta Magna). A mais cotada para suceder Lula é a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ex-guerrilheira, sem qualquer carisma para ser a provável vencedora nas corridas para o Planalto. Nem a mídia mais fofa, mais boazinha, mais rechochudinha, quer mandar Dilma para o Planalto. E já se nota, mesmo na mais boazinha da mídia fofa, que a grande mídia está com uma saudade danada de ver um tucano presidindo o Brasil.

Com este quadro, como ficam os playboys que estão em comunidades como "Eu Odeio Acordar Cedo" do Orkut, e ficam com raiva até quando uma gíria tola tipo "balada" é criticada? Conta-se nos bastidores que eles estão excitados em ver o Cabo Anselmo vivo e querendo anistia, porque os pais dessa "galera" lhes falou que o "cabo" que na verdade era sargento, José Anselmo dos Santos, foi um verdadeiro caçador de comunistas, em histórias que deixaram a "galera irada" na maior adrenalina, brou.

O discurso do Cabo Anselmo em 1963-1964 lembra muito o Chorão do Charlie Brown Jr. nas suas letras e pregações, com a diferença que Cabo Anselmo colaborou para a CIA e Chorão só colaborou para a Rede Globo, mas, em todo o caso, CIA e Organizações Globo estavam juntas na derrubada de Jango em 1964 e na veiculação de valores conservadores que essa juventude "irada", por mais palavrões que falem e por mais arrojado seja o visual, defendem. Essa juventude é "reaça", mesmo. No duro.

Então esses jovens contam com dois caminhos, já no crepúsculo da Era Lula. Ou se infiltram no PSOL e PSTU para infectar e apodrecer de vez a esquerda brasileira, ou então fazem como políticos como José Serra e César Maia já fizeram: eles, antigos esquerdistas (Serra foi presidente da UNE em 1964), hoje estão confortavelmente acomodados na direita brasileira.

Carlos Lacerda também foi um comunista que virou à direita, mas sua personalidade foi de tal forma diferente que seu perfil assustava os colegas da UDN (nome que o DEM tinha há 45 anos atrás) e, como governador da Guanabara, teve coragem para substituir o péssimo serviço de uma multinacional que operava bondes por uma estatal de trolebuses e ônibus, a Companhia de Transportes Coletivos (CTC), empresa que pude ver, e em seus ônibus passear, muito durante minha adolescência.

Mas Carlos Lacerda é ousado demais para uma juventude que pensa que a gíria "balada", patrimônio da mídia gorda, é o máximo de rebeldia e modernidade juvenil. Essa "galera" prefere ser moderna na forma e antiquada na essência, e Carlos Lacerda era o inverso disso.

LATIFUNDIÁRIOS TAMBÉM APOIAM SAMBREGA


Sabemos que o coronelismo dos grandes proprietários de terras - tanto os latifundiários ruralistas quanto os tecnocratas (não menos latifundiários) do agronegócio - apoia decisivamente a dita "música sertaneja" e o forró-brega, que nem a mídia mais boazinha tem coragem de associá-las a agricultores sem-terra (paradigma da esquerda rural brasileira).

O coronelismo apoia até a axé-music, até porque o cantor do Chiclete Com Banana, Bell Marques, também é latifundiário (ah, pensaram que ele tinha barbinha de MST, né, pseudo-esquerdistas?). Daí ser um grande absurdo haver chicleteiros de esquerda. É mais fácil haver ateus cristãos.

Pois o coronelismo brasileiro também apoia, e muito, o sambrega, vide a inclusão de Exaltasamba em várias vaquejadas e de Alexandre Pires, na mais recente edição do festival de Barretos, o Barretos 2009.

O ESTRELISMO DE ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO


Os grandes astros da música brega-popularesca, a Música de Cabresto Brasileira, ficam sempre se achando. É o DJ Marlboro se achando "militante cultural", é o Alexandre Pires se julgando "sofisticado", é aquela cantora baiana que fica tirando sorte grande com poeira se achando rainha da cocada preta, é o Bell Marques metido a galã, são o Chitãozinho & Xororó metidos a "tradicionais". E são Zezé Di Camargo & Luciano se achando os "donos da MPB".

Que o estrelismo da dupla goiana é notório, isso é verdade. Zezé Di Camargo fala muitas bobagens a respeito de amor, romantismo, fãs. Um exemplo: "As mulheres me inspiram, meu lado feminino é sapatão".

Mas até a comparação com Roberto Carlos rende outro exemplo. Perguntado sobre o que Zezé Di Camargo imagina estar fazendo daqui a 32 anos (já que a dupla goiana que se ascendeu com ajuda de Fernando Collor tem 18 anos de carreira), ele dispara o seguinte: "Ah, igual ao Roberto! Cantando, enxutão igual a ele, um coroa em forma. Se eu chegar lá com aquele físico, falando em mulher o tempo todo como ele fala, estou feito! Roberto diz que o maior estímulo para um homem cuidar da saúde, estar bem fisicamente, é uma mulher. Então, quero estar como ele, cantando, sendo amado pelo Brasil, um garotão, falando muita sacanagem".

Mas o irmão Luciano, o "intelectual" da dupla, também não perde em pretensiosismo e arrogância. Ambos os irmãos estão envaidecidos com o sucesso, como pode ver, na íntegra, a entrevista que os goianos deram ao jornal Extra, das Organizações Globo. Que, para infelicidade de Carta Capital (que ingenuamente homenageou a dupla na última página de uma edição), é apadrinhada pela mega-corporação dos irmãos Marinho.

Luciano Camargo teve a cara-de-pau de afirmar que os dois "já garantiram seu espaço. Hoje, não se escreve um livro sobre MPB sem se dedicar um bom capítulo a nós dois". Ridícula essa afirmação, em se tratando de uma dupla de neo-brega que, por isso mesmo, na essência nada tem a ver com MPB, até porque MPB é uma coisa séria, não é casa da sogra nem festinha de comédia juvenil ianque para todo mundo ir entrando.

Além disso, se os livros sobre MPB se lembram da dupla goiana, sobretudo por "É o Amor" - Maria Bethania, regravando a música, garantiu o lobby para os goianos - , é porque seus autores queriam cortejar a mídia gorda, verdadeira madrinha dos breganejos.

Tem historiador de MPB querendo aparecer no telejornal Hoje no Fantástico, no Domingão do Faustão, na Ilustrada da Folha de São Paulo, então ele vai colocar um tópico elogioso sobre Zezé Di Camargo & Luciano no seu livro sobre MPB para fazer a média com os "ezecutivos" da mídia gorda. Não é para valorizar a dupla, que, por si só, não tem valor algum. Tudo o que Zezé Di Camargo & Luciano fizeram na vida foi tão somente um cruzamento de Bon Jovi com Waldick Soriano.

Me lembro de um episódio do livro Analista de Bagé do Luiz Fernando Veríssimo que um dos homens em discussão fala que gaúcho fala mal espanhol e pensa que é português. Pois Zezé Di Camargo & Luciano fazem uma gororoba malfeita de mariachi, bolero e country e pensam que é moda de viola.

Sem falar que muito dos 18 sucessos da dupla goiana, como todo nome da Música de Cabresto Brasileira, se deve mesmo ao jabaculê pago regularmente para emissoras de rádio e TV de todo o país. Isso nem a mais dedicada biografia da dupla goiana tem coragem de afirmar.

O MEDO CONTINUA


Continuam no Orkut aqueles mesmos apelos de moças solteiras que curtem brega-popularesco e que querem arrumar namorados. Continuam os mesmos assédios dessas moças a qualquer rapaz solitário que elas encontrarem no portal social.

Isso que faz com que rapazes indefesos que curtem rock alternativo mas que seguem costumes carolas como colecionar carrinhos de brinquedo, comer biscoitos no sábado à noite, morar com os pais e escrever comentários relevantes sobre a vida amorosa, sejam perseguidos por moças paranóicas que nem veem eles como os rapazes mais atraentes, mas os assediam com uma insistência que lembra aquele corvo-fêmea milionário do episódio do Pica-Pau, que fala com aquela meiguice afetada que lembra a Joelma da Banda Calypso.

Pior é que essas moças, que agora se associam a comunidades de "obscuros" nomes do breganejo, sambrega e "funk" - tipo aquela dupla breganeja que só fará sucesso daqui a três anos, ou o grupo sambrega que está ainda no 40º lugar do ranking do sucesso - , sonham devaneios amorosos com ídolos como Belo, Zezé Di Camargo, Alexandre Pires, Fábio Jr. e Latino. Então, para que tais moças insistirem com carinhas que mais parecem um cruzamento de Renato Russo com Buddy Holly? O que eles oferecerão para elas?

Será que essas moças ficaram esquizofrênicas? Provavelmente, sim. Bombardeadas com letras de forró-brega, sambrega e breganejo falando de brigas de casal, e por notícias macabras envolvendo fazendeiros, pagodeiros e jogadores de futebol em programas policialescos de TV, essas moças começaram a ter medo. Muito medo. Sonham com um cara tipo o cantor Belo, mas tem medo de aceitá-lo porque ele pode ser perigoso.

Essas moças não sofrem problemas amorosos. Estão sozinhas porque querem. Quando vão para vaquejadas, "bailes funk", festivais de pagode etc, são paqueradas por tudo quanto é homem que está por lá. Mas elas preferem comer guloseimas, dançar com as amigas e ficarem na sua timidez viciada. Têm medo que seus pretendentes sejam gente perigosa ou que desagradem as mães, irmãos e parentes dessas moças.

Mas será que o Orkut é mais seguro que o contato pessoal?

Essas fãs de popularesco não devem regular bem...Para elas, o medo realmente substituiu a esperança.

MENOS, MENOS


Só pode ser jabaculê.

Segundo dados sobre audiência do rádio carioca divulgados não-oficialmente por gente ligada a sites e comunidades virtuais sobre rádio, a "Rádio Tupi AM" FM, ou melhor, a Infra Rádio Tupi, que é aquela clone de rádio AM nos 96,5 mhz cariocas, em NONO LUGAR de audiência? Fala sério!!

Até agora, eu NÃO vi, em todo o Grande Rio que pude circular, uma viva alma que sintonizasse a rádio pelas ruas. E, em casa, acho que os ouvintes também não são essa multidão toda, não.

É muito estranho haver um sucesso assim de uma hora para outra, e mesmo a longo prazo também não deve ser tanto assim. É o mesmo papo que a Rádio Metrópole, de Salvador, teve em 2000. Um falso sucesso, um "sucesso" fabricado pelo jabaculê, e lá em Salvador existem os chamados "ouvintes de aluguel". Vai o produtor de uma rádio FM contatar um sindicato de taxistas, de porteiros de prédios, de profissionais de restaurantes e bares e até de donos de postos de gasolina, dão suborno e praticamente compram 20% de cada grupo de profissionais contatados para sintonizar as emissoras em horários estratégicos (transmissões esportivas, por exemplo).

Além disso, a reação negativa à Aemização das FMs, cada vez mais crescente, impede que esse sucesso ocorra de forma legítima e espontânea. O tempo de ouro da Aemização das FMs já passou. Foi lá entre 1986 e 1992. Se fosse nessa época, talvez uma "Rádio Tupi AM" FM, uma "Rádio Gaúcha AM" FM, uma CBN FM ou uma Band News FM fizessem realmente sucesso, com todo o jabaculê que tivesse por trás de cada Ibope. Mas pelo menos havia gente sintonizando tais rádios por conta própria. Mas hoje em dia, se não fosse a choradeira da TV Bandeirantes e dos jornais que falam da Band News, essa rádio só seria ouvida pelas paredes de seus estúdios.

O que eu vejo nas ruas é que a sintonia original da Rádio Tupi, a AM, é mais ouvida - a qualidade do som não deixa mentir - , e que, se o rádio FM hoje ameaça a sobrevida das AMs, a televisão faz o mesmo com as FMs. O que eu vejo é o uso cada vez maior de aparelhos de televisão em bares, restaurantes, consultórios, e até em portarias de prédios. Pelo menos no Rio de Janeiro, isso se torna a cada dia mais crescente. Mas, em cidades como São Luís, Goiânia e Salvador, por exemplo, as "rádios AM em FM" tem que se preparar para a concorrência agressiva das emissoras de TV.

Afinal, do contrário que certos "líderes de opinião" tolamente dizem - que rádio FM é melhor que TV porque não faz edição de imagem (?!) - , a televisão tem mais vantagens que o rádio FM, justamente por causa da imagem. Além disso, os "fanáticos modulados" não têm essa capacidade imaginativa forte para justificar a pretensa supremacia das "rádios AM em FM".

VEJA MAIS UMA VEZ ATACA O MST


A revista Veja, mais uma vez, mostra seu mau humor e reacionarismo mais que explícito. A edição desta semana mais uma vez ataca o Movimento dos Sem-Terra, mostrando que a Editora Abril não se intimida com os processos judiciais pesadíssimos que enfrenta por causa desses ataques, demonstração do mais baixo sub-jornalismo (que apelidamos aqui de null journalism, o "jornalismo oco").

Mas, embora a "mídia boazinha" (ou "fofa" e "gordinha") não compartilhe com muitos dos procedimentos de Veja - como o grande passatempo da revista da Abril, que é massacrar Che Guevara e Karl Marx até em resenhas de livros históricos sobre eles - , o ataque ao Movimento dos Sem-Terra, em que pese a bronca da mídia de esquerda e até dos "líderes de opinião", ganha a solidariedade de quase toda a "mídia boa", normalmente vista pelos incautos como de "centro-esquerda", só por causa do "bom jornalismo" ou do "jornalismo completo".

Pois até os "líderes de opinião" se surpreendem com isso. A Rede CBN, que é das Organizações Globo e assume postura claramente de direita, mas é vista por colunistas de rádio como "midia de centro-esquerda", ataca com gosto o MST. O Grupo Bandeirantes ataca o MST. A revista Isto É ataca o MST. A Folha de São Paulo, ex-vedete da "mídia boa", ataca o MST. A Rádio Metrópole, de Salvador, que, apesar do nome é mídia provinciana de direita (mas vista pelas tola aristocracia baiana como "mídia de esquerda"), também ataca o MST.

O MST pode não ser uma confraria de santos, mas é um grande exagero promover a imagem negativa do movimento, quando na verdade existem manifestantes e vândalos. Há em manifestações e projetos sociais muitos oportunistas, muitos pelegos, muitos farsantes que de alguma forma distorcem os movimentos ou fazem algo errado e jogam a culpa nos movimentos autênticos.

Daí haver muita gente pseudo-esquerdista - não é estranho haver "socialistas" demais nos condomínios de luxo das grandes capitais? - aos montes, sobretudo na nossa juventude. É gente querendo estragar os movimentos sociais diversos e botar a culpa nos seus organizadores. Sejam os playboys quebrando vidros e destruindo monumentos públicos, sejam os seguranças de axé-music arrumando confusão em festivais baianos de rock, sejam os Marcos Valérios da vida destruindo os partidos de esquerda dentro de seus próprios bastidores.