quinta-feira, 27 de agosto de 2009

JORNALISMO SEM DIPLOMA


Com a dispensa da exigência do diploma de jornalismo para o profissional de imprensa no país, o que veremos não é o crescimento, no Brasil, do new journalism, mas do null journalism.

NITERÓI PODERÁ TER SEXTA RÁDIO APOSTANDO NO ROCK


Pela sexta vez, o rádio de Niterói poderá estar novamente associado à cultura rock. Surgem rumores de que a Rádio Kiss FM, de São Paulo, entrará no Rio de Janeiro no lugar da OI FM, se o contrato da Rádio Jornal Fluminense FM (que se chamou Rádio Cidade durante quase 30 anos) com a telefonia mineira não for renovado.

Embora seja operada e instalada no Rio de Janeiro, a outorga dos 102,9 mhz do Rio de Janeiro é originária de Niterói, o que pode colocar a antiga capital do Estado do Rio de Janeiro novamente no mapa do radialismo rock brasileiro.

Cinco rádios niteroienses (uma delas somente na Internet) já investiram em programação rock: na década de 70, foi a Federal AM (atual Rádio Manchete AM). Entre 1982 e 1994, e entre 2002 e 2003, foi a Fluminense FM, e a Fluminense AM foi entre 2001 e 2002. Entre 2000 e 2002, a web radio Rocknet também apostou no rock. E, entre 2005 e 2008, foi a vez da Venenosa FM, ligada à Universidade Salgado de Oliveira.

MUITA ATENÇÃO: Não conta a experiência da Rádio Cidade entre 1995 e 2006 porque a emissora, na prática, era uma rádio pop que de rock só tinha o "vitrolão", já que em nada tinha da filosofia, do estado de espírito e nem da mentalidade roqueiros.

KISS FM: PRÓS E CONTRAS

A rádio Kiss FM ainda precisa melhorar sua programação e deixar alguns ranços viciados da 89 FM. Deixar de ter uma abordagem mais pop (tipo achar que Guns N'Roses e Alice Cooper são "o máximo"), tocar músicas menos conhecidas, parar com a fala em cima das músicas, além de parar de cortar as músicas no final (tive a infelicidade de ouvir a música "Brown Sugar" mutilada no final, quando eu estava no Aeroporto de Congonhas, numa escala aérea da linha Salvador-São Paulo-Rio). Também deveria banir o programa sobre futebol, porque esse papo de juntar futebol e rock como se fosse uma coisa só é uma das coisas mais chatas do mundo. E seus defensores, uns grandes "malas". Ainda vou falar deles em breve.

Graças a esses deslizes, a Kiss esteve perto de ter sua imagem apagada no radialismo rock, dando à emissora gaúcha Unisinos FM o título de única rádio de rock autêntico no país. Também a Kiss não se deve se contentar com as virtudes que possui. Deve se aperfeiçoar, porque a Internet já oferece em larga escala uma gama de informações sobre rock que antes somente as rádios mais alternativas podiam transmitir.

RÁDIO FORA DE SINTONIA


Além da Holanda, a Irlanda também perdeu a sintonia da história do rádio. Acabou com as transmissões de rádio AM.

Nestes países, o lobby de empresários de rádio e de tecnocratas da radiodifusão em geral falou mais alto. Só os "líderes de opinião" e os lunáticos submissos à mídia que existem aos montes no Orkut é que acham que esses países levaram o ouvinte em primeiro lugar. Para os pseudo-esquerdistas, um aviso: nem a Holanda, nem a Irlanda são países socialistas.

É certo que a Aemização das FMs de lá é mais profissional e menos "chapa branca" que no Brasil. Mas mesmo em países como a Irlanda e Holanda, essas rádios apostam no showrnalismo, além de expressar os privilégios e a hegemonia dos donos do poder econômico, principalmente os barões da grande mídia.

"FUNK CARIOCA" E TWIST


O que vocês lerão a seguir é uma lição para funkeiros e popularescos em geral que, no Brasil, tentam promover a falsa imagem "militante" desses estilos.

Em 1960, o rock, estando em baixa, devido ao desgaste dos já então veteranos dos anos 50 junto à tragédia que envolveu talentos emergentes, deu lugar, nos EUA, a ritmos dançantes descartáveis e a cantores piegas que tomarem completamente o gosto juvenil daquele país.

Um dos destaques foi o twist, ritmo dançante lançado pelo cantor Chubby Checker naquele mesmo ano em que os brasileiros viram mudar-se a capital federal. O twist banalizava os elementos de rock cinquentista sem no entanto assimilar seu estado de espírito. Sua dança consistia apenas em dobrar os braços e as pernas e mover estas para baixo, num contexto diferente de "balançar até o chão".

Paralelamente ao twist, havia cantores românticos jovens que representavam uma resposta piegas ao fenômeno Elvis Presley. Muitos astros inexpressivos surgiram e desapareceram com o tempo, e tinha até astro do futebol americano bancando "cantor de rock". Mas alguns se destacaram no sucesso comercial, como Pat Boone, Ricky Nelson, Neil Sedaka, Paul Anka, entre outros. Não confundi-los com roqueiros autênticos que apareceram na mesma época como Dion, Del Shannon e, curiosamente, Ronnie James Dio, que fazia um som bem mais comportado mas tão autenticamente roqueiro quanto sua adesão posterior ao rock pesado, sua especialidade atual.

O twist e o "rock comportadinho" fizeram um enorme sucesso pelo mundo, influindo até no pessoal brasileiro da Jovem Guarda. Mas nem por isso havia tanta pretensão assim. Eram tendências comerciais, modismos, nada que fosse levado a sério.

Mas o brega-popularesco brasileiro de hoje carrega de muito pretensiosismo. O "funk carioca" vende a imagem de "movimento cultural" com todo um discurso que não corresponde à realidade do estilo. E outras tendências popularescas, da música brega "de raiz" à axé-music e breganejo, todas elas usam um discurso "social", mesmo que seja apenas para dizer que são "vítimas de preconceito".

Waldick Soriano, Odair José, Banda Calypso, Chiclete Com Banana, É O Tchan, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano etc, todos de alguma forma usaram algum discurso "social" que garantisse a eles algo mais do que um modismo. Mas o "funk carioca" é que leva às últimas consequências esse discurso, apostando em qualquer retórica que associe o ritmo a "movimentos sócio-culturais", sem escrúpulos de fazer qualquer comparação delirante a outros fenômenos neste sentido. Houve quem tratasse o "movimento funk carioca" como a volta do "borogodó carioca" perdido há 50 anos.

Só que esse pretensiosismo todo faz do brega-popularesco um universo musical arrogante, metido, e não o enobrece em coisa alguma com esse discurso. O discurso "social" dos ritmos brega-popularescos em nada os enobrece musicalmente, só servindo para justificar que sua música de gosto e qualidade bem duvidosas prolongue seu sucesso comercial. Tudo o que se fala a favor de Waldick Soriano, Zezé Di Camargo e DJ Marlboro, por exemplo, não vai fazer suas músicas ficarem mais agradáveis. Tanto é que a "reabilitação" midiática de Odair José, Fernando Mendes e Wando não refletiu numa melhor reputação de suas músicas.

Além disso, imagine se Chubby Checker dissesse que o twist era uma "música de protesto". Imagine alguém dizer que Pat Boone era mais engajado que Bob Dylan. Ou que Ricky Nelson e Bobby Darin foram os líderes da Contracultura em detrimento de "pequeno-burgueses" folk que só se recusavam a ir para o Vietnam. Não faz sentido, por mais que o suposto "revisionista" - na prática um verdadeiro falsificador histórico - venha com discursos engenhosos.

Mas, no Brasil onde 90% da população não sabe coisa com coisa, devido à miséria, sub-alfabetização ou analfabetismo, e onde a mídia está entregue a elites ávidas pela concentração de poder, farsantes como Paulo César Araújo, tal qual os vendilhões da Igreja Universal, fazem um discurso envolvente e os incautos logo aplaudem. O "líder de opinião", então, aplaude de pé.

Mas o ponto vai para o pop descartável de 1958-1961 que, se era comercial e inexpressivo artísticamente, pelo menos era bem menos pretensioso do que o arrogante brega-popularesco de nossos dias.

O "LÍDER DE OPINIÃO" E O "FUNK CARIOCA"


O "líder de opinião" - não confundir com os bons blogueiros e/ou jornalistas que são populares pelo caráter de suas pessoas e pela coerência de suas idéias - tem certos momentos que banca o vira-casaca, afinal ele só segue os ventos da "opinião" oficialmente dominante.

O "funk carioca", por exemplo, mostra o quanto este "líder" mudou drasticamente de opinião no decorrer do tempo. Afinal, ele não cria, ele copia. Quer fazer bonito assumindo uma postura que, na forma aparente, é um "meio-termo" entre a Isto É e a Caros Amigos, mas no conteúdo é uma verdadeira gororoba de "restos" do que a mídia despeja em rádios, TVs, jornais, revistas e Internet.

Em 2001, virou moda falar mal do "funk carioca", não por sua evidente baixíssima qualidade artística, mas porque naquela época a mídia cultural tinha uma autonomia para falar mal do que quiser. A crítica musical gozava de autonomia para exprimir seu senso crítico, apesar de alguns casos de jabaculê a editoria cultural da grande imprensa era o derradeiro terreno da liberdade opinativa e do senso crítico inteligente.

Tinha o "proibidão" do Bonde do Tigrão, SD Boyz e outros fazendo sucesso. Havia refrões como "tá tudo dominado", "vou passar cerol na mão" e "tapinha não dói", com letras exaltando a violência, a criminalidade, a pornografia e a violência machista. E haja intelectual falando mal. Grandes tempos. E o José Arbex Jr., sabiamente, havia escrito um texto contra o "funk carioca", já reproduzido aqui, muitos anos antes da revista Caros Amigos aderir ao jabaculê funkeiro.

Pois o "líder de opinião", antes de existir os chamados blogs, ia para o jornal e para o rádio, com reflexos num jornal virtual da Internet, escrever seus artigos inflamados contra o "funk carioca". "Vergonha para a cidadania, com letras chulas, 'músicas de mau gosto' - isso se chama 'música', afinal? - , que estimulam a violência e a pornografia, exibidos para crianças impunemente, nas salas de jantar com toda a família, com a TV aberta ligada". O público caía em delírio. Parecia que o "líder de opinião" estava competindo para obter uma indicação para o Nobel da Paz.

Oito anos depois, o mesmo "líder de opinião" mudou completamente o discurso. Mudou a "opinião" dominante. Saem os ataques às letras chulas, à pornografia gratuita, à violência exaltada, e entram elogios melífluos à "cultura das favelas". Vamos degustar algumas frases desse verdadeiro palhaço de circo da opinião pública:

"Discriminado pela mídia e por intelectuais caducos, o 'funk' faz sucesso em todo lugar que entra, dos morros às universidades. Sem lugar algum na mídia do entretenimento, o ritmo carioca luta para ter um espaço minguado no Sol da MPB, representando um novo folclore, uma nova rebelião popular, algo que mistura Canudos, Semana de 22, punk rock inglês e Tropicalismo".

Todo mundo já foi tentado a sonhar com essas frases delirantes e dóceis. O "líder de opinião" elogia tudo, e de repente escreveu no seu blog que "os 'proibidões', mal compreendidos, são injustamente classificados de violentos, mas suas letras apenas expressam grupos sociais específicos, chamados preconceituosamente de 'gangues' ou 'quadrilhas', que apenas elevam o tom jocoso de suas letras, sem apelar para o ofensivo (sic)".

Aí, nos comentários anexos ao blog, um internauta falou que sentia saudade do SD Boyz, que tinha 15 anos quando ouviu o Bonde do Tigrão pela primeira vez e aquilo era a felicidade dele. Sabe o que o "líder de opinião" respondeu? Vejam só: "Pois é, meu caro (internauta). Tempos inesquecíveis aqueles, e é muito bom que a galera daquela época seja hoje ouvida e apreciada por muitas pessoas".

Vamos ver o que o "líder de opinião" vai escrever, daqui a uns cinco anos, sobre Ratinho, É O Tchan, Tiririca e Walter Mercado.

SEM MÍDIA, HEIN?


Outra presença provável no "riélite" A Fazenda 2, da Rede Record, é da dançarina do Mr. Catra, a feiosa Mulher-Filé.

E pensar que uns caros amigos ainda acreditam que Mr. Catra e companhia não têm espaço na mídia...

LOUCURA, LOUCURA, LOUCURA!!


Uma patricinha enrustida, muito popular no Orkut e que jura ser "superinteligente", embora nada tenha provado sobre esta suposta qualidade, veio com a seguinte "pérola" do coloquialismo compulsivo:

"Na balada, a galera fica bombando geral, tá ligado?"

Sabendo disso, o demente cidadão que está nesta foto, num momento de surpreendente lucidez, interpretou, sabiamente (sem ironia), a frase da garota numa única palavra:

- DÃÃÃÃÃÃÃÃÃ...