sexta-feira, 21 de agosto de 2009

HAYDEN PANETTIERE


Bom, para fechar a noite, nada como a beleza da aniversariante, Hayden Panettiere, que completa hoje 20 anos. A atriz do seriado Heroes começou carreira ainda criança, e hoje é uma das musas mais destacadas de sua geração, com seu corpaço curvilíneo e as sensuais pernas de miss. Ela é lindíssima e seu sorriso é irresistível.

Curiosamente, a existência de fotos da Hayden era ínfima na Internet, eram pouco mais de umas 20 até alguns anos atrás. Mas hoje há quem aposte que são mais de bem mais de 100 mil fotos acessíveis na rede.

Parabéns, longa vida e muito sucesso a essa bela gata.

RAUL SEIXAS


Hoje é o lançamento da versão cinematográfica do filme Veronika Decide Morrer, baseado na obra do escritor Paulo Coelho, que começou a se tornar grande sucesso literário logo em 1990.

Há 20 anos, o amigo de Paulo Coelho, o cantor Raul Seixas, faleceu de problemas causados pela diabetes. Raul havia retomado a carreira, junto ao conterrâneo Marcelo Nova, e os dois chegaram até a se apresentarem no estreante Domingão do Faustão, quando o programa, ainda sofrendo os ranços do Perdidos da Noite, ainda não era considerado o templo da música brega-popularesca do país.

Eu estava, de manhã, indo para a Rua Lions Clube, em Santa Rosa, Niterói, pegar o ônibus da Anatur, fretamento para a Universidade Gama Filho, onde estudava, e o rádio tocava um módulo com músicas de Raul, entre elas "Gita". Achei estranho, só soube do falecimento do cantor baiano no começo da tarde, quando voltei para casa.

Raul era uma figura controversa e, em vida, era esnobado e discriminado pela mídia. Tanto que deixou, na primeira oportunidade, a provinciana Salvador, sua terra natal, para viver até o fim da vida em São Paulo. Portanto, Raul tornou-se um paulistano naturalizado.

Raul teve a sorte, num Brasil atrasado quanto à modernidade internacional e numa Salvador mais atrasada ainda, de ter tido como amigo de infância um filho de diplomata. Isso fez Raul acertar o relógio com o rock'n'roll dos EUA logo de início. Pegando emprestado discos dos grandes nomes da época - nem preciso dizer quais são esses nomes - , Raul criou uma bagagem musical que o levou, depois, a formar o grupo Raulzito & Os Panteras. Fã de Elvis Presley - cuja importância Raul comparava com o sanfoneiro Luiz Gonzaga - , Raul rompeu com o ídolo assim que este, voltando do serviço militar, passou a gravar canções românticas e filmes tolos de Hollywood.



Não vou dizer tudo da carreira de Raul Seixas, coisa que vocês devem saber através de muitos textos na Internet sobre o músico, mas sabemos que a carreira fonográfica de Raul Seixas começou com o LP Raulzito e Os Panteras - de 1967, e não de 1968 como certas fontes dizem - e terminou com o LP A Panela do Diabo, com Marcelo Nova, cantor do Camisa de Vênus que havia composto com Raul a música "Muita Estrela, Pouca Constelação", gravada pela banda de Nova com participação de Raul em 1987.

O LP de Raulzito e Os Panteras se lembrou até dos Beatles, através da versão de "Lucy in the Sky with Diamonds", que virou "Você Ainda Pode Sonhar", título que não era original, mas usado porque o outro título, "Lindos Sonhos Doirados", trazia a mesma polêmica alusão do título original, referente a uma famosa substância alucinógena muito em moda em 1967.

Já o LP com Marcelo Nova se situa num contexto que compara Raul Seixas ao roqueiro Roy Orbison. Assim como Roy estava retomando a carreira e o fôlego criativo em 1988 e formou, com o ex-beatle George Harrison e mais Bob Dylan, Tom Petty e o "bode expiatório do rock"Jeff Lynne (e, por pouco, não teve o Del Shannon, que recusou o convite), a banda Travelling Wilburys, Raul havia retomado o fôlego criativo, depois de gravar discos na Copacabana, que não era do seu perfil, e que foram fracasso comercial (apesar do relativo sucesso de "Cowboy Fora da Lei"). A dupla Raul Seixas & Marcelo Nova era os Travelling Wilburys brasileiros. E, assim como Roy Orbison faleceu no final de 1988, Raul faleceu em 1989, ambos no caminho da retomada bem sucedida.

Raul Seixas era uma figura de temperamento difícil. Era diferente do mito que o transforma num "maluco" domesticado, numa interpretação equivocada da letra de "Maluco Beleza". Raul não tinha orgulho de ser "maluco". O que ele quis dizer foi que ele não queria se sujeitar ao rigor moralista vigente na sociedade de então. Que ele tinha temperamento difícil, que o mercado não entendia ele e ele nem queria saber do que o mercado pedia para ele fazer, até porque Raul não cederia ao mercado. Raul queria ser apenas ele mesmo.

Raul aderiu ao misticismo não por delírio esotérico dos hippies da moda. Foi apenas uma opção pessoal, na época, e mesmo assim o mito superestimou essa fase. O público careta, com seus malcolms montgomerys da vida, com sorrisos tolamente paternais e tocando violão músicas comportadas de grandes roqueiros, são pouco capazes de entender os Beatles na sua plenitude, também são menos capazes ainda de entender Raul Seixas, que, no seu exílio nos EUA (sim, Raul também incomodou os militares), fez amizade com John Lennon.

Raul não gostava de axé-music, quando esta verdadeira trilha sonora do projeto populista de Antônio Carlos Magalhães nem tinha este nome, por isso o cantor baiano nem a força iria voltar para a capital baiana. Nessa época os músicos de carnaval baianos - como Luís Caldas e Chiclete Com Banana - eram mais explicitamente cafonas, sem o banho de loja, de tecnologia e de marketing que os axézeiros de hoje, seguindo a cartilha do neo-brega, ganharam. Mas, em todo caso, Raul não compactuaria de jeito algum com a axé-music, mesmo se esta colocasse mais guitarras.

Isso porque mesmo o rock não era de todo bem aceito por Raul. Ele desconfiava do oportunismo dos hippies pós-Woodstock. Ele não tinha paciência com headbangers e nem mesmo com punks. Ele não se considerava "dinossauro do rock" porque odiava rótulos. Não era um tresloucado misticamente otimista, era um homem ao mesmo tempo cínico e cético, amargurado com as portas fechadas para seu talento, com as críticas negativas que recebia, e com o clima sócio-político marcado pela classe média embasbacada e pela ditadura que, naqueles anos 70, ainda não deu conta do recado. Sobre a música brasileira, o cinismo de Raul foi capaz de afirmar que o cenário musical nacional era como uma charrete que havia perdido o condutor. Isso ele havia dito em 1980, dez anos antes de algo pior acontecer, que é o império da música brega e neo-brega, que dura até hoje e certamente Raul pressentiu no final de sua vida.

Com a morte de Raul Seixas, a mídia não tardou de explorar sua pessoa feito crianças brincando com massa de modelar. Isso faria Raul ficar horrorizado, se ele soubesse o tratamento póstumo que passou a receber. De artista ignorado, passou a ser bajulado (o que certamente deixaria Raul revoltado e desconfiado), e foi preciso a ex-mulher Kika Seixas mover um processo judicial para impedir que ídolos de axé-music fizessem um disco-tributo ao roqueiro baiano.

Raul foi "remodelado" ao bel prazer daqueles que diziam seus fãs póstumos. Foi tratado como se fosse um "doido bacaninha", quase que um arremedo do Patropi, personagem do criador do Fofão, Orival Pessini, que satiriza um universitário de Comunicação dos anos 70. Foi tratado como um fanático esotérico, como um letrista "simpático" para "toda a família", como um caipira urbano ingênuo ou como um idiota de óculos escuros, tal qual sugere o logotipo de um tributo caça-níqueis de Raul Seixas feito pelo canal Multishow.

E a revista Veja ainda classificou Raul Seixas de "brega", como se Raul estivesse num nível bem abaixo de seu maior arremedo, uma verdadeira paródia lançada pela música brega, o cantor Sílvio Britto, que, com aqueles óculos copiados de John Lennon, não nos enganava ao tocar músicas tolas como "Tá todo mundo louco", a meio caminho entre Odair José e Sérgio Mallandro.

Em suma, Raul Seixas, morto, se transformou em bobo alegre, fazendo até com que cantores de breganejo e axé-music embarcassem, oportunistas, na carona do repertório do roqueiro baiano. Isso em nada enobreceu a imagem de Raul. Pelo contrário, praticamente fizeram a farra com sua morte. Em 1976, Raul Seixas lamentou, em musica, que todo mundo queria reclamar. Mas, nos últimos 20 anos, Raul não está mais aqui para reclamar.

E a música brasileira continua sendo uma charrete que não reencontrou seu condutor.

HELOÍSA PERISSÉ PASSEIA COM EX-MARIDO


A festa pode ter acabado. Pelo que noticia o site Terra Diversão, a atriz Heloísa Perissé pode ter reatado com o ex-marido, o diretor Mauro Farias.

Tudo bem, se confirmar a volta do casal, que os dois sejam felizes. Mas que o Brasil tem poucas solteiras interessantes, isso é a mais pura verdade.

ULBRA FAZ LEILÃO PARA PAGAR DÍVIDAS TRABALHISTAS


A Universidade Luterana Brasileira (ULBRA), de Porto Alegre, realiza leilões para pagar dívidas trabalhistas na ordem de aproximadamente R$ 2 bilhões. Entre os bens a serem vendidos, estão vários terrenos e o Museu da Tecnologia, incluindo todos os carros antigos nele estacionados.

Como a ULBRA é dona da rádio Pop Rock FM - que em outros tempos era a rádio de rock Felusp e hoje, como Pop Rock, soa uma clone menos criativa da OI FM misturada com o lado "Aemão" da Transamérica - , aqui vai uma sugestão. Já que a Pop Rock tem uma jornada esportiva, que tal os locutores aumentarem o valor do jabaculê da Federação Gaúcha de Futebol, para ajudar a abater as dívidas trabalhistas? Sei que os "cartolas" gaúchos vão chiar, mas pelo menos o propinoduto servirá para alguma causa relevante.

TV BANDEIRANTES DEFENDE RURALISTAS


O Govereno Federal, num dos poucos momentos de lucidez, lançou uma proposta para mudar os índices de produtividade que servem de critério para uma propriedade ser ou não desapropriada para fins de reforma agrária. Os índices serão aumentados, tornando rigoroso o critério de produtividade. Os grandes proprietários de terra, representados por entidades como a UDR (União Democrática Ruralista) e pela bancada ruralista do Congresso Nacional, protestaram.

Hoje, no Jornal da Band, foi veiculada reportagem a respeito, e o que se viu foi o ponto de vista dos grandes proprietários de terra. O que mostra o caráter conservador do Grupo Bandeirantes de Comunicação.

Fica devendo aos "líderes de opinião", que lançaram a falsa idéia de que o Grupo Bandeirantes era "mídia de centro-esquerda"explicar o porquê desta postura, se sabemos que o dono do grupo empresarial, João Carlos Saad, é neto do político direitista Adhemar de Barros (1901-1969), e que a família Saad possui grandes propriedades de terra no interior do país.

A falsa reputação "esquerdista" da Band fez com que veículos esquerdistas como Carta Capital e Caros Amigos chegassem a publicar anúncios da Rede Band News FM.

Só que não se deve confundir a mídia que rivaliza o trio Globo-Veja-Estadão como mídia de esquerda. Há mídia de direita que rivaliza com mídia de direita, podendo até existir uma mídia direitinha rivalizando com a mídia direitona.

GLOBO E MR. CATRA - TUDO A VER


O jornal Extra dá cartaz ao funkeiro Mr. Catra.
O Prêmio Multishow colocou Mr. Catra como um dos apresentadores.
O programa Central da Periferia mostrou as performances de Mr. Catra.
A coletânea de "funk" do programa Caldeirão do Huck incluiu Mr. Catra.
O portal Ego dá tratamento vip ao Mr. Catra.
Até O Globo falou do "fenômeno" Mr. Catra.

O jornal Extra é das Organizações Globo.
O Prêmio Multishow se refere a uma emissora de TV paga do sistema Globosat, das Organizações Globo.
O programa Central da Periferia foi transmitido pela Rede Globo de Televisão, estrela maior das Organizações Globo.
O Caldeirão do Huck é um programa comandado por Luciano Huck na Rede Globo de Televisão, a "menina dos olhos" das Organizações Globo.
O portal Ego pertence ao sistema Globo.Com, das Organizações Globo.
O jornal O Globo, nem precisamos lembrar que integra as Organizações Globo.

Enquanto isso, os "líderes de opinião" e certos desinformados de esquerda ainda acham que o Mr. Catra é "discriminado" pela mídia, que não tem espaço algum na mídia grande.

Como é que os jornalistas de Caros Amigos têm a coragem de dizer que o Mr. Catra é "discriminado pelas corporações da grande mídia" se a maior corporação da grande mídia lhe dá TODO O ESPAÇO EM QUE ELE SE ACHA NO DIREITO?

Ora, mas com todo - isso mesmo, TODO - o espaço que a mais gorda da mídia gorda dá para o funkeiro e sua patota, incluindo a feiosa dançarina Mulher-Filé!

Só falta mesmo o Mr. Catra sentar no colo do vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, para se sentir mais à vontade. E, para isso, falta muito pouco.

O GOLPISMO ATRAVÉS DA CULTURA


Forças anti-populares sustentam rádios "populares". A chamada cultura brega na verdade foi um movimento da direita brasileira, a partir do poder latifundiário, de transformar o povo brasileiro num estereótipo ao mesmo tempo patético e conformista. Desta forma, transformando o povo num "coitado" subordinado ao poder coronelista, o poder cria uma "cultura popular" dentro desses valores inferiorizados e explora, de maneira hipócrita, a própria imagem de vítima do povo para fabricar uma cultura com aroma artificial de "povo".

O coronelismo, com a música brega e seus derivados - não podemos dizer que aqui incluem também a axé-music e o "funk carioca", que muitos ainda não enxergam como derivados da música brega (mas, se ouvirmos com atenção, Asa de Águia e Chiclete Com Banana têm muito de Odair José e Gretchen é uma espécie de "vovó das mulheres-frutas") - , não mediu tempo para neutralizar a influência dos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes, acabando assim com a força da tradição folclórica popular.

Não por acaso, os principais estilos do brega-popularesco, seja o brega original, seja a axé-music ou a dita "música sertaneja" (caricatura americanizada da música caipira brasileira), contam com defensores ultra-reacionários. Isso é porque esses defensores estão longe de serem simples fãs de ídolos como Vítor & Léo e Asa de Águia, são pessoas ligadas a empresários diversos que investem neste tipo de música.

O golpe de 1964, do contrário que diz Paulo César Araújo (que, na prática, tornou-se o "Cabo Anselmo" da historiografia da MPB), beneficiou muito a música brega. Os latifundiários são os primeiros a patrocinar os ídolos bregas e neo-bregas, e assim o foram na época da ditadura. Alguns ídolos bregas foram censurados, mas eles sempre tiveram espaço nas rádios apoiadas pelo coronelismo e que apoiaram a ditadura militar. É necessário haver uma investigação jornalística neste sentido, mas tudo indica que será apenas para comprovar esta hipótese.

A ideologia brega entregou o povo ao subemprego, à prostituição, ao alcoolismo, ao conformismo, e isso a mídia - mesmo num paternalismo hipócrita - quer manter essa "tradição popular" desenvolvendo uma visão "romântica" desse povo domesticado.

Os patrocinadores da cultura brega ("cultura" no sentido de "cultivo") fazem, na verdade, o que tentam atribuir aos Centros Populares de Cultura e a toda uma intelectualidade que defende uma cultura popular de qualidade: a "idealização" do povo, dentro dos moldes do poder dominante. Por isso é ótimo para o poder dominante exaltar uma figura estereotipada como Waldick Soriano, que nunca passou de uma paródia caricata de Vicente Celestino (que não era brega, até porque sua música tinha qualidade e refletia aqueles tempos de serestas orquestradas e canto operístico).

Quando alguém escreve um texto na Internet contestando o sucesso de ídolos popularescos, sempre surge algum reacionário mandando mensagem grosseira contra quem contestou. Isso existe tanto nos fóruns, e-mails e até em comunidades contra ídolos popularescos no Orkut, que sempre tem membros defendendo tais ídolos, fazendo "patrulha" para impedir que a contestação seja bem-sucedida.

Por isso mesmo, numa época em que a MPB autêntica tenta recuperar seu espaço, defensores de breganejo, axé-music, do brega setentista e outras vertentes não deixam. Eles partem para xingar nomes respeitáveis da MPB, como Maria Rita (xingam até a mãe dela!!), Djavan e Marisa Monte, enquanto partem para frases provocativas como "Vítor & Léo são 'os caras'", "Chiclete Com Banana é o furacão da Bahia" e "Waldick Soriano ficará para sempre". E se acham no maior direito de fazer isso, não conseguindo disfarçar o teor golpista e reacionário de suas defesas.

Esses defensores são pessoas irritadiças, que cometem o cinismo de chamar nosso questionamento de "textos de mau gosto" quando de mau gosto são mesmo os textos que eles escrevem em prol de seus ídolos da mass culture.

Por trás disso tudo, está o medo paranóico das elites dominantes do país de que a MPB autêntica (que não é só classe média, não - Ataulfo Alves e Luís Gonzaga provaram que o povo sabia fazer música popular de excelente qualidade) abra os olhos do povo e lhe faça reagir contra o poder coronelista que há muitas décadas domina o país, sobretudo o interior. Uma triste realidade que nem o verniz pseudo-esquerdista de certos defensores de axé-music, "funk" e breganejo consegue disfarçar.

RECORD COMPRA DIREITOS DE 'MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE'


No conflito gerado pelo crescimento comercial da Rede Record e das denúncias das Organizações Globo contra o dono da rede, o "bispo" da IURD Edir Macedo, a Record criou mais um episódio da batalha midiática comprando os direitos de transmissão do documentário inglês Beyond the Citizen Kane, dirigido por Simon Hartog, que morreu antes de finalizar a produção, tarefa deixada para seus assistentes.

O documentário - rigorosamente traduzido como "Muito Além do Cidadão Kane" - foi lançado em 1993. Vi o filme pela primeira vez em fita VHS exibida pelo meu então professor na Faculdade de Comunicação na UFBA, Jonicael Cedraz. Recentemente fiz download do filme pelo eMule.

O documentário se baseia na trajetória do empresário Roberto Marinho frente à Rede Globo de Televisão. É um complemento para o livro A história secreta da Rede Globo, de Daniel Herz (Editora Tchê, 1987), para entender as artimanhas da "Vênus Platinada". Além de citar os episódios sombrios da Rede Globo, como a participação ilegal da Time-Life junto às Organizações Globo para instalar a rede televisiva, além do apoio da Rede Globo à ditadura militar que a fez até ficar surda aos movimentos pela democratização do país, tanto o documentário quanto o livro - que não estão tecnicamente relacionados um com o outro - mostram um pouco da história da mídia brasileira.

O documentário inglês dá um relato sobre a história da televisão brasileira, citando até a TV Tupi e a TV Excelsior (mostrando inclusive uma vinheta antiga da emissora, com um desenho animado com duas crianças). Fala até da troca de representação baiana da Rede Globo da TV Aratu para a TV Bahia. O livro do jornalista gaúcho já cita outros casos de empresas de radiodifusão comprometidas com o tendenciosismo político, como o Grupo Abril (que havia se envolvido com parceiros estrangeiros na implantação de uma franquia argentina de uma revista italiana) e o Jornal do Brasil, que havia apoiado à iniciativa da Globo com a Time-Life.

A Rede Globo tentou comprar o documentário para manter engavetado e complicar o uso de direitos de transmissão. Mas, felizmente, não conseguiu adquirir os direitos.

Evidentemente, tanto a Globo quanto a Record têm seus "telhados de vidro" e nenhuma é santa por combater os abusos de outra. Mas a batalha desses dois dinossauros da grande mídia - a "mídia gorda" da Rede Globo contra a "mídia gordinha" da Record - não deixa de ser interessante por mostrar os podres das duas corporações, e muita coisa a mais ainda vai aparecer. É preparar a pipoca, sentar no sofá e esperar novos escândalos nessa novela da vida real.

CRISE DO PT SE AGRAVA


Não é de hoje que o Partido dos Trabalhadores está em crise. Quem entende de política, e não precisa ser cientista político para isso, sabe muito bem que não é de hoje, nem de cinco ou dez anos atrás, mas também há mais de 20, que o Partido dos Trabalhadores vive sua crise. Essa crise apenas aumentou nos últimos anos, quando a mais nova dissidente é a líder ambiental e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que participou do grupo fundador do PT, em 1980.

Muita gente tornou-se dissidente do PT, anos atrás. Partidos como o PCO, PSTU e PSOL são dissidências do PT. Vários políticos também tiveram iniciativas isoladas, saindo do partido para ir a outros. Desde 1989 o PT aderiu ao pragmatismo eleitoreiro, mas ainda mantinha algumas propostas interessantes de âmbito social. Mas, ao conquistar o Planalto, em 2002, o PT tornou-se prisioneiro das forças "fisiológicas" das quais o partido optou, equivocadamente, em recorrer para conseguir a tão sonhada vitória nas urnas.

Resultado: nos últimos anos, o presidente Lula preferiu socorrer ou apoiar políticos envolvidos em corrupção, cmo Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor, antes seu enérgico rival da campanha de 1989. Só esse apoio derrubou o governo, fazendo a alegria dos políticos tucanos, que estão mais otimistas quanto à volta ao Planalto em 2011.

O PT sempre se definiu como um partido socialista moderado. Mas não imaginava-se, nos primeiros anos do PT, que o partido sucumbiria a uma indefinição ideológica, costurando projetos de âmbito social com alguns métodos neoliberais, se transformando depois num "satélite" do PMDB, único partido remanescente dos tempos da ditadura militar e que vendeu sua imagem de "libertário", apostando logo depois numa indefinição ideológica até pior do que a do PT. O que não inocenta o Partido dos Trabalhadores, até porque seu apoio ao PMDB só faz complicar a situação dos petistas.

Com a crise do Senado Federal manchando seriamente a imagem pública do Legislativo, poder que está cada vez mais desacreditado pela população, surgem no entanto pseudo-esquerdistas jovens, que, pretensamente "rebeldes" e "libertários", exibindo, hipócritas, suas camisetas de Che Guevara (que, no fundo, eles agradecem a Deus pela morte do guerrilheiro), no entanto defendem soluções claramente golpistas.

Me lembro de tantos "rebeldes" nos anos 80, querendo o fechamento do Congresso Nacional como solução para acabar a corrupção política no país. Grande erro. Defender esse fechamento é defender o golpe, conversa igual já levou o Brasil à ditadura e à morte de milhares de cidadãos inocentes por culpa da repressão.

O problema não está no Legislativo como instituição, que, em si, é perfeita. O problema está nos homens que atuam no Legislativo, completamente incompetentes, na medida em que aceitam e defendem o ganho de salários astronômicos (dinheiro que soa tão supérfluo para eles quanto a fortuna do Uncle Scrooge, o nosso Tio Patinhas dos desenhos de Walt Disney), em detrimento do interesse público, principalmente quando uma maioria de pessoas mal chega a ganhar dois salários mínimos, e há quem ganhe menos que um salário mínimo.

Temos, por isso, que tomar cuidado também com essas raposas novas que, com um discurso "rebelde" envolvente, pregam delirantemente que o Brasil está perdido - não esses jovens, que são filhos de papais ricos, têm todo o luxo em suas mãos, até entrega de "baseado" a domicílio, e consomem todo o establshment da grande mídia, da trilogia pancadão-axé-breganejo às rádios pseudo-roqueiras de plantão - , e por isso o Legislativo "tem que ser extinto". Conversa semelhante o Cabo Anselmo, mestre em potencial dos "miguxos" do mal que surgem que nem praga de insetos no Orkut, adotou em 1964.

Aliás são esses mesmos jovens que, na época das campanhas eleitorais, tão "democraticamente" defendem a vitória nas urnas dos mesmos corruptos que eles dizem odiar, alegando na ocasião necessidades "pragmáticas" baseadas no mito do "rouba, mas faz". E são esses jovens que se orgulham em dizer que odeiam hipocrisia, pasmem todos vocês.

É num país desses que projetos como o PT entram na mais grave crise, na mais pura agonia.

QUESTIONAMENTO


Gisele Bündchen está casada.
Juliana Paes está casada.
Deborah Secco está casada.

Só para citar três das mais desejadas mulheres do Brasil.

E por que as ex-dançarinas de pagode e "funk", também tão consideradas "desejadíssimas" pela mídia, demoram até anos para ter algum namorado?

FAÇA O QUE A RÁDIO METRÓPOLE DIZ, NÃO FAÇA O QUE ELA FAZ


Um caso constrangedor na mídia baiana deve ser relembrado.

Anos atrás, a Rádio Metrópole FM de Salvador (BA), de longe a rádio mais 171 do país, fez uma daquelas campanhas tendenciosas para enganar os ouvintes sobre o pretenso "alto nível de cidadania" da emissora.

Só que a campanha, neste caso, é contra a poluição sonora que incomoda os cidadãos de bem na Bahia.

Todavia, a campanha segue a linha do famoso ditado "faça o que eu digo, não faça o que eu faço".

Pois a Rádio Metrópole FM é uma das campeãs de poluição sonora no país, sobretudo nas transmissões esportivas, mesmo em altas horas da noite. Se começar um BA-VI (ou seja, um jogo entre os dois principais clubes de Salvador, Bahia e Vitória) às 21h 45 min e o infeliz soteropolitano tiver o azar de morar junto de um botequim bastante movimentado, terá que ouvir não somente a transmissão esportiva da referida "rádio AM em FM" baiana, que dura umas duas horas, como terá que aturar no mínimo 45 minutos de lero-lero após o fim do jogo.

No entanto, a mídia gorda e gordinha de Salvador só entende como "poluição sonora" apenas os batuques musicais, as conversas ruidosas do povo bebum e os cultos evangélicos que, em alto volume, irritam a vizinhança que quer descansar ou simplesmente viver em sossego, mesmo durante o dia.

Mas transmissão esportiva, apesar das narrações velozes e gritadas dos locutores soem como marimbondos voando em nossos ouvidos, não é considerada pela grande mídia como poluição sonora, apesar das nítidas caraterísticas infratoras. Com base no ditado "pimenta nos olhos dos outros é refresco", para a mídia "poluição sonora de rádio (sobretudo FM) nos ouvidos dos outros, é 'cidadania'".

Não é preciso dizer que interesses corporativistas da mídia levam a imprensa baiana a adotar essa lamentável atitude.