domingo, 16 de agosto de 2009

SISTEMA DE "POOL" NOS ÔNIBUS: OS EMPRESÁRIOS EM PRIMEIRO PLANO


Um internauta aparece num fórum de uma página sobre ônibus e lança um plano sobre linhas de ônibus. Aparentemente, ele se denomina um "busólogo" e só quer contribuir para um transporte coletivo mais eficiente.

Investindo em argumentos "técnicos", que soam pedantes, ele logo mostra-se defensor extremado do "sistema de pool", uma vez que as linhas propostas sempre se destinam à operação de mais de uma empresa. Mas a argumentação falha em vários pontos, como no caso de que o "pool" "permite" ao passageiro "escolher a empresa de ônibus para pegar", o que é uma farsa. Ninguém escolhe o ônibus que vai pegar, pega o que vem primeiro.

Depois, descobre-se que o rapaz é parente de um empresário de ônibus, que vê no "pool" uma forma de sua empresa investir menos e faturar mais, porque apesar da participação em 50% ou até 33% numa linha de ônibus, a linha é registrada como sendo da "empresa". Com isso, "incha" o patrimônio de linhas operadas, total ou parcialmente, pela empresa, mas para pedir dinheiro dos bancos federais, pouco importa a quota de participação, vale apenas a quantidade de linhas.

Daí que o sistema de "pool" só serve para empresários e políticos. A realidade prova que o sistema pouco é eficaz para os passageiros, e apresenta muito mais desvantagens do que vantagens.

FAUSTO SILVA É BAJULADOR ATÉ QUANDO O ASSUNTO É MÚSICA


O apresentador do Domingão do Faustão, Fausto Silva, é conhecido pejorativamente como bajulador de seus convidados. Seus comentários do tipo "o maior ser humano", "esse é fera", "esse sabe de tudo" são muito conhecidos tanto dos fãs quanto dos detratores.

Mas o que ninguém, a não ser as pessoas que entendem de MPB autêntica, percebe é que ele também não deve entender muito de música brasileira, classificando o cantor de neo-brega Alexandre Pires como "um dos maiores cantores da MPB".

Em primeiro lugar, Alexandre Pires não é maior cantor de coisa alguma neste mundo, e segundo, porque ele não é MPB, é música brega, sambrega, Música de Cabresto Brasileira.

Há também outros exemplos, outras exaltações. Como a do cantor Belo, da mesma escola pedante de música brega do Alexandre Pires, chamado, pelo Faustão, de "grande sujeito" ou coisa parecida na mesma época que vasaram denúncias de envolvimento do cantor neo-brega com um traficante carioca. Ou então os elogios "grandiosos" a outros mastodontes da mediocridade musical, como Banda Calypso, Chiclete Com Banana, ou até mesmo a turma do "arrocha" (ritmo baiano que soa como uma versão eletrônica do brega de Waldick Soriano), que, como manada, foi ao Domingão do Faustão com a ajuda financeira de seus empresários, que tiveram grana suficiente para mandar seus criados para um programa de TV no sudeste.

Num país onde há cantores negros de grande talento e história, como Milton Nascimento, Djavan e os saudosos Wilson Simonal e Agostinho dos Santos, essa classificação "sábia" do apresentador Fausto Silva ao Alexandre Pires e outros nomes do brega-popularesco não passa de mera bajulação barata, apesar dessa bajulação deixar o auditório cair em delírio.

REPORTAGEM DA TV BAND COMETE ERRO DE USAR GÍRIA


Depois o pessoal fica ofendido quando falo que a Bandeirantes aderiu ao showrnalismo.

Na reportagem sobre o dia do solteiro, no Jornal da Band (TV Bandeirantes), a repórter, ao citar o caso de um homem que é solteiro convicto, cometeu o equívoco de referi-lo como "fã da balada". A obsessão por uma gíria como "balada" estraga de forma decisiva o jornalismo considerado sério, que não precisa ter um vocabulário erudito, mas também não pode abusar de forma alguma no coloquialismo.

O ideal é toda reportagem evitar a gíria "balada". Não há mal algum dizer que o cara, em vez de ser "fã da balada" (que soa cretino), é "frequentador de boates", "gosta de festas noturnas", ou simplesmente "gosta de ir às boates com os amigos".

Mas ir para a palavra "balada", no lugar de boate, de festa, de agitos noturnos, de danceteria, de bares e por aí vai, é investir no empobrecimento do vocabulário, e isso se torna tão idiota, tão ridículo, que a gíria "balada" só faz comprovar seu caráter artificial, de uma gíria que não quer ser gíria, totalmente pretensiosa, arrogante, uma gíria de proveta, criada artificialmente pela mídia, sem qualquer serventia nem motivação social.

A gíria "balada" já deveria estar em desuso há um tempo. Mas a mídia gorda e gordinha insiste em prolongar artificialmente a vida dela. Vai ver que a gíria "balada" tem donos poderosos por trás.