domingo, 19 de julho de 2009

OLHA O MOBRAL



Título de notícia sobre festas julinas publicada no jornal O São Gonçalo, que, pelo nome, é da cidade de São Gonçalo (RJ), vizinha a Niterói:

ARRAIÁS AGITAM NITERÓI E SÃO GONÇALO

E olha que se trata de um jornal do mesmo dono da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), rede de faculdades sediada em Niterói e que tem até filial em Salvador (Bahia), neste caso instalada na antiga sede do Banco Econômico, defronte à Av. ACM, entre o Itaigara e Iguatemi.

É claro que uma instituição particular de ensino superior não possui o mesmo compromisso social das universidades públicas, mas seria preciso um mínimo de correção linguística, devendo-se, no caso, escrever ARRAIAL ao invés de ARRAIÁ, e ARRAIAIS ao invés de ARRAIÁS. Bancar o caipira engraçadinho pode até vender jornal, mas ofende a reputação do bom jornalismo.

Já não bastou a UNIVERSO, por claros interesses financeiros, ter assassinado a Venenosa FM para dar lugar à horripilante rádio Mania FM, uma rádio que deveria cair no esquecimento mais absoluto?

EVERLY BROTHERS E ISLEY BROTHERS



Não preciso ouvir música breganeja. Para que ouvir arremedos de country se é bem melhor ir na fonte, os Everly Brothers?

Não preciso ouvir sambrega. Paraque ouvir arremedos de black music se é bem melhor ir na fonte, os Isley Brothers?

Tanto os irmãos Everly quanto os irmãos Isley deram valiosas contribuições para a música mundial. São músicas de excelente criação melódica, em seus respectivos estilos.

Até o pessoal do classic rock se lembrou de ambos: a música "Man with the money", dos Everly Brothers, foi gravada pelo grupo The Who. Já os Isley Brothers chegaram a ter Jimi Hendrix como músico acompanhante.

Walter Cronkite 1916-2009


Ele não queria mudar o mundo, mas deixou sua marca por querer fazer um bom trabalho, com honestidade e simplicidade. Ele foi um dos jornalistas e locutores de maior prestígio nos EUA, considerado o de maior credibilidade da história da imprensa dos Estados Unidos. Um dos que personificaram com fidelidade o hoje banalizado e mal-compreendido termo anchorman.

CARA FEIA



Um excelente grupo que mistura o psicodelismo dos anos 60 com a sonoridade alternativa do rock britânico safra 1984-1992, o Crystal Stilts foi vítima de um vídeo de muito mau gosto que o You Tube deveria por bem tirar do ar.

Trata-se da música "Sugar Baby", onde supostamente aparece uma aula de dança.

O link é http://www.youtube.com/watch?v=bhXE08weWSc.

As dançarinas em questão mais parecem estar dançando uma música do É O Tchan, Psirico ou do MC Créu, e no entanto o fundo musical, para horror nosso, é de um excelente rock alternativo.

Isso quando vemos, em contrapartida, atrizes belíssimas como Rachel Bilson, Kristen Bell e Eliza Dushku volta e meia serem "homenageadas" por vídeos cuja trilha sonora varia da mais debilóide house music ao mais grosseiro gangsta rap.

Como se vê, é uma verdadeira falta de respeito ao grupo Crystal Stilts, uma das boas novidades dos últimos anos, colocar como vídeo a horripilante "dança do bumbum". Vá botar outro fundo musical, um gangsta rap talvez caísse melhor.

HIT-PARADE + NOTÍCIA = AGENDA SETTING



Essa ninguém percebeu. Nem os intelectuais apocalípticos, nem os intelectuais integrados, muito menos os "primos-pobres" destes, os "líderes de opinião.

Ninguém percebeu que o conceito de agenda setting é exatamente o mesmo que o do hit-parade, só que num âmbito mais amplo, o do noticiário em geral.

O "líder de opinião" até se irrita com essa comparação. "Que infantilidade", diz ele, irado (não é gíria). "Comparar o nobilíssimo agenda setting, meio de nossa heróica mídia conduzir o debate público, com uma tolice que só seleciona sucessos comerciais da música?", completará o nosso badalado astro da "opinião pública" privada.

Mas o agenda setting é o hit-parade da informação. Por quê?

Com base nos estudos de Maxwell McCombs e Donald Shaw, que formularam o conceito, a hipótese do agenda setting é um tipo de efeito social da mídia que compreende a seleção, disposição e incidência de notícias sobre os temas que o público falará e discutirá. Em outras palavras, é a maneira de como a mídia influencia na seleção de temas feita pelo grande público.

Com isso, temas supostamente tidos como "mais importantes" são lançados à evidência, enquanto outros aparentemente menos relevantes são jogados ao esquecimento. É o jogo da mídia: um repertório relativamente limitado de temas é divulgado pela mídia, que oculta outros temas que "não tem serventia". Motivos que variam desde a estrutura organizacional dos veículos de mídia até mesmo o tendenciosismo a partir de interesses particulares suspeitos fazem com que a mídia trabalhe apenas com uma seleção restrita de temas.

Por exemplo. Fala-se muito do futebol brasileiro, das bolsas de Nova York, do governo dos EUA. Mas, e do movimento estudantil na Bolívia, por exemplo? Raramente, só quando há uma ocorrência séria. E do desconforto dos bancos de plástico nos ônibus de Salvador, Curitiba e Fortaleza? E das artes plásticas do povo do interior do Nordeste? Raramente isso acontece.

O noticiário tem um repertório restrito de temas, que pouco variam de um veículo para outro. Isso é hit-parade. O hit-parade também é uma seleção de temas, no caso as canções, onde os supostamente mais importantes são poucos mas ofuscam uma porção de temas (canções) que aparentemente "não têm relevância".

Os critérios de ênfase nos temas, tanto no agenda setting quanto no hit-parade, é duvidoso. Com a grande mídia caminhando cada vez mais para o showrnalismo - processo que no Brasil aumentará de forma mais acelerada com a entrada do mercado de novos "jornalistas" sem diploma - , cada vez mais o supérfluo pode dominar os noticiários. Barack Obama matando uma mosca na entrevista dá uma cobertura tremenda, mais do que uma simples reunião com o mesmo presidente dos EUA para resolver os problemas mundiais do meio ambiente.

Portanto, para quem imagina que noticiário não tem hit-parade, sobretudo os "fanáticos modulados" que equivocadamente tratam as "rádios AM em FM" como se fossem emissoras alternativas, é bom tirar o burrico do temporal. Se no hit-parade temos a rainha do pop, a princesinha do pop e o cantor encrenqueiro do momento, no agenda setting temos o presidente dos EUA, o presidente do Brasil e o maior craque de futebol do momento. A lógica é a mesma, o sentido é o mesmo, só diferem os contextos.

Cat Power está no Brasil



Adoro esta música. E adoro esta mulher, Chan Marshall.