quinta-feira, 25 de junho de 2009

FARRAH FAWCETT



Ela bem que tentou, mas foi derrotada pelo tumor no intestino. A partir de hoje, a atriz de Charlie's Angels faz parte das musas do além, junto a nomes como Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Leila Diniz, Natalie Wood e outras.

Escolhi uma das melhores fotos dela para homenagem. Deixa saudades.

GUNS N'MICOS



Sabemos que o Guns N'Roses no fundo foi uma xerox amarelada do Led Zeppelin, porque O Kylocyclo lembrou aqui dessa constatação nem sempre bem vista por todos. O Guns evocou várias referências-xerox de outros grupos - os jogos cênicos do Aerosmith, o vocal "chupado" do Brian Johnson do AC/DC, a bermudinha do Bruce Dickinson do Iron Maiden (Axl apenas mudou a bandeira, conforme o país de origem), a cover do Bob Dylan que virou clichê no rock e outro grupo farofa menos famoso também gravou. Dos Rolling Stones ao Damned, nada escapou à máquina xerox de terceira categoria dos Guns N'Roses. Nem os neo-bregas Chitãozinho & Xororó e Alexandre Pires apelam tanto quando usurpam a MPB!

Bom, mas o assunto agora são dois episódios, um que vivenciei e outro que a imprensa mundial vivenciou.

UNIVERSITÁRIO ENTRA EM ESTADO DE CHOQUE

Em 2000, quando eu lancei um zine com o nome deste blog, escrevi um texto sobre o Guns N'Roses cujo título contesta o status de "classic rock" que a mídia recentemente atribuiu à banda.

Tentava vender o zine na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia - a essas alturas já era jornalista formado - e, de repente, um rapagão com cabelo de reco e cerca de 23 anos chegou para folhear a revista. Observei o rapaz e, quando ele viu a página do texto sobre o Guns, fez uma cara de quem recebeu a notícia do falecimento de seu melhor amigo.

Isso numa faculdade onde o senso crítico deveria ser valorizado até fora da sala de aula, numa área como as Ciências Humanas, que deveria contestar os vícios da sociedade. Mas o carinha, que pode não ser um playboy, no entanto se sentiu chocado com a dolorosa constatação. Certamente ele não reagiu, mas eu vi sua cara de susto e tensão. "Meu Deus, Guns não é classic rock... Ferrou, galera", deve ter pensado o rapaz na ocasião.

CRÍTICA EXALTAVA UM ÁLBUM CLÁSSICO QUE NUNCA EXISTIU

Outro momento constangedor é o da maior parte dos críticos mundiais, que diante de tanto tempo esperando o novo álbum dos Guns N'Roses, iludia a garotada dando a impressão de que o novo disco, que Axl demorou tantos anos para concluir, era um "clássico absoluto". Tinha até título pomposo, Chinese Democracy.

Quando o disco foi lançado, a decepção foi inegável. Sem os demais músicos da formação "clássica" dos Guns - que pelo menos eram um tantinho mais corretos e, com Scott Weiland no grupo Velvet Revolver, cometeram o milagre de transformar a fusão grunge-poser numa coisa legal e bem menos posuda - , Axl piorou o que estava ruim, e fez um disco abaixo das expectativas.

A reação foi a mesma que o recente disco da Britney Spears (outra "endeusada" pela crítica), Circus. "Meu Deus, por que será que esse disco não é maravilhoso?', indagava, perplexa, a crítica, praticamente em uníssono. Criaram uma expectativa de algo que não haveria mesmo, e por isso se decepcionaram redondamente por motivos banais. O Guns N'Roses nunca seria grande coisa, principalmente num álbum que sem qualquer justificativa relevante demorou para ser concluído.

POSER METAL


Francamente, nos meus tempos de adolescência, lá nos anos 80, o poser metal era ridicularizado pelos entendidos de rock. Era considerado música de maricas, de patricinha alucinada, era quase que um Menudo convertido para o rock pesado. Coisa ridícula, com seus integrantes cheios de tatuagens, maquiagens, entre a rebeldia sem causa e a pieguice, cheios de pose, com suas boazudas no currículo amoroso e suas encrencas que só serviam para vender a imprensa sensacionalista.

De repente, dos anos 90 para cá, o poser metal, conhecido aqui como "metal farofa", passou a ser visto como "respeitável". De repente, veio aquele papo furado de "rock de verdade", semelhante ao papo furado do "samba de verdade" de gente como Alexandre Pires, Exaltasamba e Belo, ou de "cidadania de verdade" do pessoal corrompido do Senado Federal.

Hoje as revistas dedicadas ao heavy metal e os programas de TV e rádio dedicados ao rock pesado são obrigados a atender a criançada malcriada e sempre colocam algum poser no cardápio. Mesmo o podado Bon Jovi, que na verdade é uma das matrizes sonoras de Zezé Di Camargo & Luciano (a outra matriz da dupla goiana, sabemos, é Waldick Soriano), hoje soando como um grupo de "metalnejo". Mas a mídia gorda musical está tranquila, qualquer pecado que Jon Bon Jovi e companhia cometerem fica na conta do Bryan Adams e, se bobear, do Ryan Adams (com o risco da Mandy Moore também arcar com as contas "penduradas" dos posers).

A culpa dessa respeitabilidade são a intromissão das rádios comerciais no rock e na atitude chapa-branca que os críticos musicais passaram a ter com o irrit-pareide, talvez visando alguma posição mais nobre na imprensa musical brasileira, nem que seja para editar programa de TV, ter blog patrocinado por um grande jornal, fundar uma revista etc..

Por isso é que estranhamente vemos os ridículos posers sendo vistos como "gente de qualidade" e até um site, enumerando alguns discos de rock conforme um critério, disse que o Mötley Crüe fazia discos "de qualidade". Fala sério!!

GUNS N'ROSES NÃO PASSA DE XEROX DO LED ZEPPELIN

Mas o maior símbolo desta postura toda é o Guns N'Roses. Ficou mais chato do que discurso prolixo tratar a banda do Axl Rose como se fosse "clássico do rock", parecendo que o grupo que mal tem uns 25 anos de estrada é mais antigo que o Led Zeppelin.

Aliás o Guns N'Roses nunca foi mais do que o xerox do Led Zeppelin. Ninguém percebeu isso. O "boyzinho" via o grupo lançando álbuns quádruplos e ficava babando. Via o grupo demorando para lançar novo disco, ficava babando. E os críticos chapa-branca nem aí. Eles bajulam Axl Rose em tudo, escrevendo mil maravilhas sobre a banda, afinal eles têm que vender o peixe e, na vida íntima deles, não é o GN'R que eles ouvem no seu personal CD player, mas aquelas bandas desconhecidas que ninguém, exceto os críticos, conhece.

No tópico acima tem duas coisas risíveis de tão constrangedoras sobre o Guns N'Roses.

CRISE DO RADIALISMO ROCK - III


Sabemos que, no início da década de 90, o radialismo rock passou por um sério período de diluição. Rádios que tocavam pop ou brega aderiram ao segmento rock sem se adequarem completamente ao gênero, contratando, quando muito, apenas uns três produtores especializados em rock. Muitas vezes, a figura do programador não passava de um reprodutor de playlists produzidos pela indústria fonográfica.

Por outro lado, as rádios originais de rock tiveram que encarar não só essa realidade como também a do surgimento da MTV. A MTV é uma boa emissora de TV, mas o mercado radiofônico, tanto nos EUA quanto no Brasil, superestimou a atuação da Music Television no rock - na verdade, é uma emissora eclética de pop - e nos dois países a classificação errônea da emissora televisiva como "rede do rock" derrubou praticamente o radialismo rock. Nos EUA, isso ocorreu logo nos anos 80, e a maior queixa dos críticos de lá era que as rádios deixavam de ter amor à música, e coisas tolas como o poser metal passaram a ser prioridades no cardápio musical dessas rádios.

As rádios originais de rock eram quatro: Fluminense FM, de Niterói (RJ), 97 FM, de Santo André (SP), Estação Primeira, de Curitiba (PR) e Ipanema FM, de Porto Alegre (RS). Eram rádios que surpreendiam pela locução sóbria e inteligente, pelo repertório abrangente que não repetia as músicas, não se limitava aos hits e "músicas de trabalho" e tocava até fitas demo caseiras, canções longas, bandas obscuras e música instrumental, tudo até na programação normal. E os locutores não costumavam falar em cima das músicas.

Mas, nos anos 90, as quatro rádios, para sobreviver, começaram a embarcar no modismo grunge e na ênfase exagerada no funk metal de Faith No More ou no poser metal podado do Guns N'Roses. Mesmo as bandas alternativas não saíram do feijão com arroz do noise, já de bandas que vieram depois da safra do Sonic Youth e Pixies. As quatro rádios não conseguiram acompanhar a verdadeira revolução do rock, das bandas inglesas tipo Ride, LA's e House Of Love, que a crítica embriagada pelo grunge classificou erroneamente como clones de Stone Roses & companhia.

Alguns programas passaram a ser feitos por locutores tresloucados, algo como o padrão do locutor pop alterado pela paranóia. Em outras palavras, é como se um locutor da Transamérica sofresse os efeitos da cocaína.

A Flu FM tornou-se um dos símbolos dessa crise das rádios originais de rock. Luiz Antônio Mello escreveu, no seu livro A Onda Maldita, na edição reescrita de 1999, que a Fluminense FM foi estuprada "moral, intelectual, ideologicamente". A indignação de LAM em ver como a rádio virou no início dos anos 90 era evidente, como todo trabalho que, inicialmente bem-feito, foi desvirtuado pelos sucessores.

Um dos motivos da decadência das rádios de rock originais é que quase todas as emissoras do gênero - houve também outras seguidoras - não eram ligadas a grupos empresariais fortes (a Ipanema era exceção, da filial gaúcha do Grupo Bandeirantes de Comunicação) e, por isso, sofriam sérios problemas financeiros.

Em contrapartida, as diluidoras do perfil rock tinham situação financeira saudável, a partir da própria 89 FM de São Paulo, a primeira a diluir o perfil rock, já empregando, no final dos anos 80, imitações baratas do Fernando Mansur que pareciam fazer locução para empregadas domésticas mas anunciavam nomes como Killing Joke e Violeta de Outono, praticamente arranhando com os ouvidos dos roqueiros exigentes.

Dizem rumores que a 89 FM foi favorecida politicamente no governo Fernando Collor. Era protegida, sem dúvida alguma, pela Editora Abril e pela Folha de São Paulo, e havia um esforço da crítica em evitar que fossem publicadas muitas críticas negativas à emissora. Afinal, as poucas críticas que se publicava contra a 89 FM (que já começou a desprezar o rock das Baratos Afins logo em 1987) repercutiam mal na emissora, que no entanto passou a assumir uma postura intransigente e arrogante, como se quisesse ser "rádio rock na marra", mesmo com seus sérios pecados.

A 89 FM lançou uma campanha de muito mau gosto, intitulada "Ouça a 89 FM ou morra", em 1993. Depois promoveu o locutor Fábio Massari - também VJ da MTV - em coordenador da emissora, com a missão de transformá-la num arremedo de college radio à maneira do modismo grunge. Embora até eu tenha ficado indignado com a figura de Massari, depois eu reconheci que o maior problema dele foi estar na rádio errada e ao lado de colegas errados (como Tatola, do grupo Não Religião, que hoje soaria como uma espécie de proto-emo, tal qual os Stooges são considerados proto-punks, e Carlos Eduardo Miranda, espécie de antecessor cult do Rick Bonadio). Se Massari estivesse, à essa época, na 97 Rock, junto a Leopoldo Rey, Kid Vinil, Valdir Montanari, a história do radialismo rock seria completamente outra.

A fase 1993-1994 da 89 FM não deu certo, e a rádio mudou de coordenador, passando a adotar um perfil que misturasse claramente a linguagem da Jovem Pan 2 com o repertório roqueiro do padrão MTV, da mesma forma que a 89 FM de 1987-1993 misturava o mesmo padrão de repertório com a linguagem da Rádio Cidade carioca de 1977.

Por uma coincidência completamente estranha, assim que a 89 FM assumiu seu fracasso como "rádio alternativa" (o que irritou profundamente os locutores da emissora), as rádios originais de rock foram extintas uma a uma. Dizem rumores que alguém da 89 entrou em contato com emissoras paulistas como Jovem Pan Sat e CBN e indicou rádios como a Fluminense FM e a Estação Primeira para serem arrendadas.

Até meados de 1995, a situação do radialismo rock só piorou de vez, quando duas rádios comerciais passaram a ser, à força da imposição empresarial, os paradigmas "oficiais" do radialismo rock, tornando o segmento roqueiro escravo do hit-parade e dos locutores engraçadinhos. A cultura rock no rádio, no entanto, ao invés de dar seu canto de cisne para bater as botas aos poucos, preferiu dar seu berro de urubu.

CRISE DO RADIALISMO ROCK - III


No início dos anos 90, o radialismo rock sofreu um sério processo de diluição. Rádios comerciais que tocavam pop ou brega, como sabemos, aderiram ao perfil rock sem se adequarem completamente ao gênero, contratando, qu

Brega-Popularesco e seus padrinhos anti-populares da mídia gorda



Calcinha Preta, Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Exaltasamba, Bruno & Marrone, Chiclete Com Banana, DJ Marlboro. Todos eles são a "verdadeira MPB", não é mesmo?

ERRADO. Eles são justamente o que há de falso, de ilegítimo, de alienador na música brasileira. Não podem ser considerados verdadeira música popular porque são produtos de mídia, são apadrinhados pelos grupos econômicos anti-populares e suas músicas são muito artificiais, superficiais até mesmo para os parâmetros da verdadeira canção popular.

Ora, cair de um Donga, de um Ataulfo Alves para uma breguice como o Exaltasamba, que não sabe a diferença entre maxixe e gafieira, isso é "evolução da música popular"? E cair de um Cornélio Pires para toda uma linhagem irritante que vai do Chitãozinho & Xororó ao Victor & Leo, isso é "evolução da música popular"? E um país que já teve Agostinho dos Santos e Wilson Simonal, vai ter que se contentar com um Alexandre Pires?

Essa "música popular" que domina hoje as rádios não tem o menor valor artístico - podem chorar os relativistas e apologistas, porque a constatação aqui é mais realista - , não tem relevância cultural, pois não transmite conhecimento (até hoje um Alexandre Pires ou Daniel da vida age como se ainda estivesse pela primeira vez numa escola de música), e nem sequer é prazerosa de se ouvir. Nada de positivo se produz dessas músicas e mesmo as covers de MPB que tais intérpretes tocam chega a ser uma grande vergonha.

Mas a mídia tutela esses ídolos e quer que todos nós aturemos eles por no mínimo 40 anos, e está na cara que os grandes barões dos meios de comunicação estão por trás dessa música dita "despretensiosa" e "espontânea". Por isso mesmo é balela que esses ídolos que estão no establishment do establishment são "excluídos" ou "discriminados" pela mídia, como falam alguns intelectuais de butique. Vejamos a base de apoio de cada tendência popularesca. Não vamos citar as FMs popularescas, porque é o óbvio do óbvio. Vejamos então os casos:

AXÉ-MUSIC - No plano nacional, sua principal base de apoio, por incrível que pareça, está na Editora Abril, que publica a reacionária revista Veja, e a Folha de São Paulo, que inventou o termo "ditabranda", aqui já comentado. A Rede Globo também apoia o estilo.

BREGANEJO - O SBT, a Record e a Bandeirantes são suas bases de apoio desde o início, mas a Rede Globo também passou a apoiar decisivamente o estilo.

SAMBREGA - Sua base de apoio é a mesma do breganejo.

FORRÓ-BREGA - O SBT foi a principal rede divulgadora do ritmo, mas com a entrada da Rede Globo a partir do fenômeno Banda Calypso, a coisa tomou rumo diferente.

"FUNK CARIOCA" - Preciso dizer que o ritmo é a menina dos olhos dos filhos do Roberto Marinho? A Rede Globo normalmente corre atrás de outros veículos da mídia quando o assunto é brega-popularesco, mas aqui ocorre o contrário.

Por isso mesmo, quem disser que esses ritmos são discriminados pela mídia, deveria lavar sua boca com sabão.