quinta-feira, 11 de junho de 2009

12 DE JUNHO - DIA DOS NAMORADOS



Tudo deserto. Não há flores, embora não haja espinhos.
Mas já vi espinhos querendo se passar por flores.
Feito ervas daninhas que tentam se confundir à árvore que parasitam.
Não há perspectivas. O céu está lindo. Mas nada acontece.
O vazio não faz minha ansiedade surgir.
Afinal, que ansiedade terei diante de algo que não está para ocorrer?



Nada à vista. Apenas uma paisagem.
A neblina não permite mostrar-se o caminho.
Mas creio que nada acontece. Está deserto.
Alguma nova paixão, algum grande amor?
Não, não existe.
Apenas miragens de um amor esperado que nunca acontece,
Ou de uma relação indesejada que está ao meu acesso,
E que minha vontade e meus princípios vetam em definitivo.
Não venderei minhas lições de vida,
Em troca de uma relação fútil ou sem importância.
Se o único caminho que há não me serve,
Fico parado,
Contemplando o deserto e a neblina.

A FM COM ROUPAGEM DE AM E O ANUNCIANTE



Um anunciante se reúne com o coordenador de uma FM que passa programação tipo rádio AM. O anunciante parece muito furioso, porque foi informado por profissionais da produção da rádio que a emissora está em 16º lugar de um total de 30 FMs. O coordenador está situado à sua mesa no escritório, mas está em pé para explicar a situação de sua rádio.

- São mais de dois meses em baixa audiência. Como é que eu vou veicular meu produto? Assim minha empresa vai para a falência. Você não sabe o quanto sacrifico para investir em publicidade, não sabe?

- Calma, calma. - diz o coordenador. - Você não entendeu a nossa filosofia. Como nossa rádio investe em prestação de serviço e informação, o que importa para nós não é o ouvinte, é o cidadão.

- Balela. Isso é desculpa para vocês continuarem na mesma com baixa audiência. Até transmissão esportiva fica com o Ibope no vermelho. Um amigo meu que trabalha numa loja de material esportivo já nem investe mais em rádio.

- Mas nossa audiência não é baixa, ela está dentro dos níveis esperados para uma FM que está começando.

- Começando? Vocês estão há quase cinco anos no ar!! E você acha que ficar entre 16º e 20º lugares está dentro dos níveis esperados?

- Calma. Mas nossa rádio tem mais audiência que você imagina. Mais ouvintes sintonizam um só aparelho e os ouvintes variam de um horário para outro. - tenta argumentar o coordenador.

Mas o anunciante não consegue se acalmar.

- Não interessa. Não sei se o rádio da portaria é ouvido por dois, três ou quatro pessoas. Isso não vai aliviar minhas contas de forma alguma. Vai dizer pros meus credores que de vinte aparelhos de rádio centenas ou milhares de pessoas estão ouvindo. Isso não faz diferença alguma nas minhas contas. E também não vou ganhar mais dinheiro se meus consumidores usam meu produto de manhã ou de tarde. Para mim, não tem diferença entre os 3 mil ouvintes de manhã e os 3 mil ouvintes de tarde. Dinheiro mexe com quantidade.

- Mas nós mexemos com qualidade.

- Ora, tenha santa paciência. Daqui a pouco, vocês vão dizer que até os extraterrestres sintonizam sua FM no disco voador e vão querer que eu anuncie meu produto pensando nesta demanda. Nada disso. Eu desisto.

O coordenador se assusta, algo impensado até em quedas de audiência, mas inevitável quando anunciantes ameaçam deixar de investir numa rádio FM Aemizada. Afinal, nessas rádios sofrem da síndrome do Super-Homem, aguentam qualquer parada, mas fuga de anunciante é sua kriptonita, sempre há um ponto fraco.

- Não, meu caro (anunciante). Não nos deixe. Invista na minha rádio. Farei promoções para você investir no intervalo com menos custo. Lembre das campanhas de cidadania que fizemos no mês passado.

- Aquela campanha "pedestre, atenção nas ruas"? Aquilo é obrigação de vocês, não é excepcional. Vou embora. Nos tempos em que o rádio AM era forte, eu poderia até investir mais. Mas hoje, com essa concentração de poder das rádios FM, apertando o mercado, eu não vou perder muito tempo com isso. Prefiro investir em Internet. Tchau.

O coordenador senta à sua mesa, com as mãos cobrindo a testa, transtornado.

UM "CAUSO" DA MÍDIA BAIANA: DONO DA RÁDIO METRÓPOLE ATACA OLDACK MIRANDA E EMILIANO JOSÉ


O que é a obsessão pela visibilidade. Certos absurdos envolvendo o rádio baiano servem para a gente refletir sobre a boa-fé de certas pessoas de esquerda.

Há um ano, o responsável pelo blog Bahia de Fato, Oldack Miranda, jornalista que escreveu, junto com o colega Emiliano José, um livro sobre o guerrilheiro Carlos Lamarca- que era da esquerda armada e lutava contra a ditadura nos primeiros anos do AI-5, tendo morrido em 1971 baleado pelos militares num tiroteio - , fez críticas à então revista Metrópole (que depois virou jornal), chamando-a de bonitinha mas ordinária, em alusão a uma conhecida obra de Nelson Rodrigues (não citado pelo autor).

A revista/jornal Metrópole é um braço impresso da Rádio Metrópole, do empresário e ex-prefeito de Salvador, Mário Kertèsz, figura "ímpar" da direita soteropolitana. Certamente, o ex-prefeito e hoje empresário e dublê de radiojornalista não gostou das críticas apresentadas e, em seu programa, fez duros ataques a Oldack que, sabemos, pasmem, foi assessor de Kertèsz (deve ser por algum salário um esquerdista querer ser assessor de um antigo político direitista).

Para desespero das macacas de auditório da Rádio Metrópole, Kertèsz, que passava a imagem de "sempre tranquilo", "gentil" e "todo-paciente", se enfureceu com as críticas recebidas a sua revista, e, como a Rádio Metrópole parou de fingir que gostava do PT, já fazia, há meses, ataques duros à esquerda baiana, não sobrando farpas sequer a Lula, ao PSTU, a Jacques Wagner, e mesmo para Emiliano José e Oldack Miranda, que, talvez por questões de visibilidade, tenham feitos elogios inocentes à emissora e até ao seu dono, contrariando a natureza ideal de um esquerdista nestas ocasiões.

Imagine, por exemplo, José Arbex Jr., da Caros Amigos, dissidente indignado da Folha de São Paulo, fazer altos elogios ao Otávio Frias Filho. Mas, mesmo com as críticas, Oldack ainda fez elogios a Kertèsz, quando sabemos que isso é inconcebível. Não se pode creditar qualquer respeitabilidade, por exemplo, a uma rádio cuja estrutura atual se originou num desvio de verbas públicas durante obras de grande envergadura na capital baiana que foram subitamente paralisadas. Quando deveria, o dono da Rádio Metrópole não serviu à sociedade baiana, é pelo rádio que ele servirá? Não.

CARLISMO

Enquanto os "líderes de opinião" baianos, dos blogueiros comuns aos jornalistas como Oldack e Emiliano, comemoram o fim do carlismo na Bahia, o conselho que faremos aqui se resume à seguinte frase: "menos, menos".

É muito cedo para afirmar que o carlismo, a "doutrina" política de Antônio Carlos Magalhães, líder populista de direita do Estado, morreu junto com o então senador. Grande ingenuidade, uma vez que o carlismo foi tão marcante que não serão algumas derrotas políticas que, da noite para o dia, irão sepultar este fenômeno político. Nem o varguismo morreu em 1954, esperando o Golpe de 1964 para dar seus últimos suspiros e seu cadáver ser exumado por FHC, nos anos 90.

ACM, em que pese ser odiado por muitos, tinha algum carisma entre os mais provincianos baianos. E criou um projeto político e midiático cujos herdeiros continuam em evidência, e cujos efeitos se refletem ainda hoje. ACM foi o pai da axé-music, porque o ritmo baiano famoso em todo o país foi idealizado por marqueteiros, músicos e políticos que trabalhavam para o "cabeça branca", um ritmo estereotipado que juntasse clichês afro-caribenhos, arremedos de frevo, visual pseudo-tropicalista e culto às celebridades comparável ao da Jovem Guarda.

Os próprios herdeiros de ACM se juntaram na mais recente aliança para eleger novamente o antigo rival dos carlistas, João Henrique Carneiro, para prefeito de Salvador. Como o mundo dá voltas e a província baiana também, João recebeu o apoio tanto de carlistas enrustidos como Mário Kertèsz (outrora rival furioso de João, a ponto de chamar o prefeito de "maluco"; mas hoje o "radialista" trocou o alvo e hoje esculhamba tudo o que for de esquerda na sua frente, retomando suas raízes arenistas), de carlistas envergonhados como Marcos Medrado, Pedro Irujo e Cristovinho Ferreira (que, como Kertèsz, integram o baronato local da Aemização das FMs de Salvador) e mesmo de herdeiros não-assumidos do carlismo, como ACM Neto (que hoje reclama aos quatro ventos que o carlismo acabou).

Ou seja, todos os herdeiros do velho "cabeça branca" se uniram, e, se não vão mais evocar a memória do velho senador, darão nova vida à direita baiana, procurando ser tão temíveis ao povo baiano quanto foi o "toninho malvadeza". Na prática, farão um outro carlismo tão duro e arrogante quanto o do "painho".

É bom o pessoal da Bahia abrir os olhos.