sexta-feira, 5 de junho de 2009

ÀS SOLTEIRAS QUE CURTEM O DITO "SERTANEJO"


Se elas reclamam tanto de solidão, por que elas não vão para o interior paulista ou para as regiões Norte e Centro-Oeste, onde existe um grande contingente de homens solitários bem do perfil que elas gostam? Há muito cara "pintoso" entre os vaqueiros que elas tanto sonham mas não se encorajam em correr atrás.

WEEZER E PAVEMENT


WEEZER é o PAVEMENT para iniciantes.
PAVEMENT é o WEEZER para iniciados.

A CONVERSA "DOCE" DOS CONSERVADORES


"Tudo tem que mudar", dizem as vozes do establishment da política, economia, mídia, entretenimento, com vozes doces que, com ou sem propósito - este caso quando anunciado por pessoas de boa-fé - , acabam anunciando o período de trevas para um significativo número de pessoas.

A "doce" conversa dos conservadores visa estabelecer mudanças formais para manter a estrutura de poder e privilégio de uns poucos. Mudar para permanecer a mesma coisa, esse é o mandamento cuja gravidade poucos conhecem ou se encorajam a entender.

Nos últimos anos ouvimos sempre a mesma conversa, em vários setores da sociedade:

O nacionalismo acabou. Estamos integrados ao mundo. A lei agora é Estado anoréxico mas eficiente, o capital estrangeiro veio para dominar o Brasil.

O amor acabou. Agora é o pragmatismo conjugal. Tem que ter dinheiro para sobreviver e somente os homens dotados de força, dinheiro, prestígio ou pelo menos dois desses atributos, é que poderão escolher as mulheres com quem podem se casar.

A MPB acabou. Chega de Bossa Nova, Clube da Esquina, música de protesto etc.. Agora é o "sertanejo", o "pagodão", o "funk", e quem ignora que a bunda tornou-se a força maior da música brasileira, terá que chorar pelos cantos.

O rádio AM acabou. Agora "rádio AM" mesmo só em FM. Quem quiser ouvir música tem que comprar o aparelho de MP3.

O socialismo e o comunismo morreu. O capitalismo é o ideal da livre iniciativa, do livre mercado, da democracia autêntica (sic). Os trabalhadores não podem ganhar super-salários, a economia capitalista é sempre racional e opera sempre com justiça (sic) e respeito (sic) com o cidadão, seja de que classe for.

Que as coisas mudam na vida, isso é verdade. Mas o problema é que o poder dominante anuncia as mudanças que impõe com um otimismo hipócrita que esconde um certo cinismo, mesmo por trás de argumentações tão dóceis, muitas delas dadas por seus subordinados ou por adeptos que não desconfiam um milímetro das armadilhas que elogiam.

Ou seja, as mudanças anunciadas diretamente ou não pelos detentores do poder não são jamais aquelas mudanças naturais, mas as mudanças que significam a renovação ou a manutenção de antigos privilégios ou a adequação desses privilégios aos novos contextos de poder.

Há 45 anos atrás, o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart - símbolo de uma política nacionalista que prejudicava os privilégios das elites - também veio com o discurso de "mudança". Não por acaso, o golpe foi durante muitos anos conhecido como "revolução" e a ditadura militar, como "governo revolucionário". Evidentemente esse rótulo de "revolução" era duvidoso, mas muita gente defendeu a ditadura militar porque "o Brasil tinha que mudar, senão se tornaria um horror stalinista".

A sociedade brasileira, nos últimos anos, aceita qualquer coisa vinda de cima. A Aemização das FMs é um teste para ver o quanto submissa é a chamada "opinião pública", influenciada pelos tais "líderes da opinião", que aplaude qualquer coisa vinda de cima, talvez por herança de valores católicos, muito caros à "tradicional" sociedade brasileira, não a tradicional sociedade que escutou a fase áurea do rádio AM, apreciou a fase áurea do MPB de qualidade, e viveu um tempo em que as mulheres nunca trocariam um nerd carinhoso por um machista vingativo mas galanteador.

Reza este catolicismo apostólico romano (que substituiu o cristianismo original pelo rigor católico medieval), evocado pela marcha Deus e Liberdade (vide foto acima), que as pessoas teriam que se submeter aos valores do "Deus católico", punitivo e rigoroso, e de seus representantes terrenos, os padres, sacerdotes, bispos etc.. Isso criou um ideal de submissão que até existia há 50 anos, mas que não sucumbiu ao vazio de valores sociais dos dias de hoje.

Houve tempo em que, apesar do rigor moral herdado do catolicismo, havia prazer, respeito, dignidade, lógica, coerência. Na primeira metade dos anos 60, o Brasil lutou para superar os valores retrógrados vigentes até então. Mas a ditadura militar não só renovou os valores morais rígidos como os diluiu num caldeirão digestível onde a "cidadania" tornou-se a nova palavra-chave da demagogia contemporânea.

A Aemização das FMs, alvo de muita polêmica - apesar dessas FMs terem um sucesso bem abaixo do esperado, em que pese a "perseverança" de suas transmissões - , segue exatamente essa lógica das decisões vindas de cima, que apenas na aparência contam com um suposto apelo popular. Muitas vezes, com a mesma ingenuidade com que o povo apoiou o golpe militar, ou com a mesma boa-fé pragmática da mulher que, na boate, aceita os galanteios de um homem bem aparentado que depois ela descobrirá ser seu futuro inimigo e algoz.

Em primeira instância, essas pessoas aceitam mudanças, aventuras, rupturas, como se isso lhe trouxesse felicidade. Depois, verão os limites, desastres, prejuízos. Mas aí será tarde demais. A submissão entusiasmada terá seu preço cobrado e a célebre frase "eu era feliz e não sabia" aparecerá de forma irreversível.

TOM LEÃO MIA MANSO PARA A MÍDIA GORDA


Decepção essa do jornalista Tom Leão. Decepção compreensível, afinal ele trabalha na mídia gorda e por isso mesmo tem que falar a voz do dono. No blog dele, "Na Toca do Leão", ele fez rasgados elogios à INFRA RÁDIO TUPI - certamente ele não citou esse simpático apelido - , com esse texto que (lá vou eu, depois da refeição noturna, publicar esse texto indigesto) soa no entanto estranho para um jornalista especializado em música alternativa (ou quase isso). Será que ele vai ouvir a tal "Patrulha da Cidade"?

Segue aqui o tal texto, de embulhar o estômago:

"AGORA QUE, PARECE, O RÁDIO DIGITAL NAO VAI ROLAR POR AQUI (É CARO E PRECISA DE APARELHO ESPECIAL PARA SINTONIZA-LO, SÓ DEU CERTO NA INGLATERRA, NOS EUA AS DUAS MAIORES REDES SE JUNTARAM E VÃO MAL), A TUPI AM, QUE JA TAVA PREPARADA PRA PARADA, RESOLVEU, EM VEZ DISSO, GANHAR UM CANAL TBM NO FM. DESDE ESTA MADRUGADA ESTÁ NO AR TBM EM 96, 7 (ONDE ERA A NATIVA, QUE FOI PRO ESPAÇO QUE ERA DA ANTENA 1, EXTINTA). COM ISSO, A CONCORRENTE GLOBO AM CORREU ATRÁS E NESTE FINDE TRANSMITIU O FUTEBOL DE SUA AM PELA CBN FM, COM ALTOS ANUNCIOS DE DUAS PÁGINAS COR NOS JORNAIS. A VANTAGEM PRA GENTE QUE AINDA ACREDITA NESTE VEICULO (EU NUNCA APOSENTEI O RADINHO) É Q PODEREMOS OUVIR NOSSOS PGMS FAVORITOS, TIPO "A PATRULHA DA CIDADE", TBM, NO CELULAR OU MP3. SERÁ QUE A GLOBO VAI MUDAR PRO FM PRA PEITAR (ASSIM COMO CORREU COM A CBN TÃO LOGO ENTROU NO AR AQUI A BAND NEWS/FLUMINENSE FM)? SÓ O TEMPO DIRÁ..."

Segue a sábia resposta do corajoso Marcelo Delfino para o jornalista do Rio Fanzine:

"Tom Leão, que decepção. Você era um dos grandes produtores do saudoso Hellradio da Fluminense FM, junto com o André X. Hoje, faz esse discurso chapa-branca que não questiona essa dupla transmissão AM/FM da Tupi e da CBN, e que já é objeto de consumo da Globo AM.

Ah, esqueci que você trabalha n'O Globo... Está perdoado, então.

Em todo caso, deixo dois artigos sobre o fim da Antena 1 e o futuro sombrio do dial FM carioca: www.radiorj.com.br/a1-01.html e www.radiorj.com.br/fm-01.html"

Tom Leão, como se baixasse nele o espírito de um antigo neoliberal (que sempre usa a desculpa das "mudanças" para justificar as injustiças de hoje), fez sua réplica, afirmando que rádio é só negócio (e aí, FM com roupagem de AM não é comercial, hein?).

"NAO ENTENDI SEU QUESTIONAMENTO, DELFINO. EU ACHEI O MAXIMO A TUPI IR PRO FM, PQ ASSIM POSSO OUVIR NO MEU CELL E MP3. CHAPA BRANCA? NAO ENTENDI, NA EPOCA DA FLU FM EU JA TRABALHAVA NO GROBO E ISSO NUNCA TEVE A VER EM NADA DO QUE FAÇO, NEM GANHO PRA FAZER O PGM DA MULTISHOW, É PURO HOBBY. O RADIO ESTA MUDANDO PRA NAO MORRER. EU SO OUVIA TUPI AM E BANDNEWS, AGORA, PELO MENOS, TENHO ALGUMA OPÇÃO. NAO ENTENDI O SEU PONTO. SE A CBN VIRAR GLOBO AM, SERA PURAMENTE PARA CONCORRER COM A TUPI, E ISSO É BUSINESS, NAO TEMOS NADA A VER COM ISSO, ELES Q SE ENTENDAM,,,"

Marcelo Delfino deu seu novo argumento:

"É uma pena que nem todos entendam minha defesa de que haja programações distintas entre as AMs e FMs de um mesmo grupo. Ao invés de quererem como opção a CBN, a Globo FM, a Tupi AM e a Antena 1 Lite FM, renunciam ao direito de escolha e se contentam só com a CBN e a Tupi AM/FM. A essa altura, devem estar doidos para ver o fim de uma rádio tipo MPB FM, Paradiso FM ou JB FM, para poderem ouvir a Globo AM no FM.

Isso sem contar que essa turma não dá a mínima para os radialistas. Quando uma dessas FMs vira repetidora de AM, vários radialistas são mandados embora. Cerca de 30 funcionários foram demitidos da Antena 1 Lite FM.

Eu defendo o direito de ter mais opções de programação e o direito dos radialistas ao emprego. Mas os moderninhos preferem ficar ouvindo o deputado Pedro Augusto no FM fazendo piadinhas eróticas e rezando pra santa segundos depois..."

Mas Tom Leão, falando como se fosse gerente de multinacional - "pena que todos (os radialistas de tal emissora) vão dançar", mas "o rádio tá mudando para não morrer" - , tentou finalizar a questão, defendendo a lei do mais forte que representa a lamentável Aemização das FMs:

"O RADIO TA MUDANDO PARA NAO MORRER. É FODA ESSAS FUSOES, DEIXA MUITA GENTE SEM EMPREGO, IMAGINE SE A GLOBO AM ENTRA NO LUGAR DA BEAT 98? VARIOS AMIGOS MEUS QUE TRABALHAM LA VAO DANÇAR, MAS, NO CASO DA TUPI, ELA SO TEM A GANHAR COM A MUDANÇA (PELO MENOS NAO ACABARAM COM A NATIVA, EMBORA A ANTENA 1 TENHA DANÇADO). ACHO ESSE PEDRO AUGUSTO O FIM, TREMENDO EXPLORADOR DA FE ALHEIA. MAS QUE É BACANA OUVIR A PATRULHA EM FM, É (ALGUEM AINDA SUA ESSE TERMO, 'MODERNINHO"? NUNCA SOUBE O QUE SIGNIFICA. E QUEM OUVE AM É POVAO)"

RÁDIO DIGITAL "NÃO VINGOU" POR FALTA DE VONTADE E FM TEM MAIS LIMITAÇÕES TÉCNICAS QUE O RÁDIO AM

Essa pregação de que o rádio digital não vingou, que o rádio AM morreu e outras "profecias" que neoliberais sorridentes tanto gostam de dizer e seus seguidores aceitam tudo com fé, feito cordeirinhos submissos, é pura balela.

A verdade que os tecnocratas do rádio querem esconder é que o rádio FM possui SÉRIAS LIMITAÇÕES TÉCNICAS em relação ao rádio AM. O rádio AM pode ter alta potência, alcançando até mesmo extensões intercontinentais. O rádio FM não pode fazer isso, inclusive existem até limites de potência estipulados. Mas o pessoal da Aemização das FMs tenta argumentar que existe a tecnologia do via satélite. Para neoliberal, tem desculpa para tudo.

As transmissões esportivas em FM tendem a serem incômodas, por causa do som de "fita K7 velha", ou seja, som abafado e chiado agudo. Transmissão esportiva com "puro som FM" é mito, se tiver, é porque tem transmissão fraudulenta feita em estúdio e com o Premiere Esportes da TV paga ligado, com o som televisivo em silêncio.

A Aemização das FMs só interessa à concentração de poder de alguns grupos de comunicação. O fenômeno é decadente, mesmo no Rio de Janeiro, onde é vendido como uma pretensa novidade. A Band News e a CBN levam surra no Ibope, e o máximo que elas conseguem é uma projeção polêmica de gente que se deslumbra com elas e os sensatos que questionam essas rádios. Esse endeusamento a essas FMs, no começo, é apaixonado e furioso, mas depois, com a rotina, essas FMs se desgastam e nem seus fanáticos têm mais disposição de ouvir tais emissoras.